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Bisfenol A ou BPA

Química

O Bisfenol A é um composto presente no policarbonato de mamadeiras e produtos que têm contato com os alimentos, mas que é um desregulador endócrino que prejudica a saúde.
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O Bisfenol A ou BPA (2,2-bis(4-hidroxifenil) propano, também denominado de p-isopropilenodifenol) é um composto orgânico formado pela união de dois grupos fenóis com uma acetona (daí o uso da letra “A” ao final do nome). Ele possui fórmula molecular igual a C15H16O2 e ponto de fusão entre 152 e 158 ºC.

Fórmula estrutural do Bisfenol A ou BPA
Fórmula estrutural do Bisfenol A ou BPA

Essa substância geralmente é usada em reações de polimerização de condensação com o fosgênio (COCl2) a fim de formar o polímero policarbonato (PC), um material transparente semelhante ao vidro, porém altamente resistente ao impacto.

Reação de obtenção do policarbonato
Reação de obtenção do policarbonato

Esse plástico é usado na fabricação de visores de capacetes para motociclistas, em coberturas transparentes, nas janelas de aviões, em lentes de óculos de sol, em vidros à prova de bala, em bases para CDs, em equipamentos de raios X, em tubos de centrífugas, em janelas de segurança etc.

Passou a ser utilizado também em muitos utensílios do cotidiano que têm contato com os nossos alimentos, tais como mamadeiras, copos infantis (chuquinhas), em garrafões retornáveis (20 litros) de água mineral, em recipientes para alimentos (pratos, copos, tigelas), além de outras embalagens e utensílios.

Além disso, o Bisfenol A (BPA) também pode reagir com a epicloridrina para formar uma resina epóxi, que é um plástico termofixo que endurece quando misturado com um catalisador. Esse plástico está presente em vernizes utilizados para revestimentos de embalagens metálicas de alimentos.

Aplicações do Bisfenol A em mamadeiras, garrafões de água e latas de alimentos
Aplicações do Bisfenol A em mamadeiras, garrafões de água e latas de alimentos

As aplicações desse composto passaram a ser alvo de polêmica, pois estudos mostraram que ele é um desregulador endócrino, que tem uma atividade de hormônio feminino, sendo que altas doses dele no organismo poderiam estar associadas a casos de câncer, abortos, obesidade, infertilidade, além de alterações no sistema reprodutivo e hormonal. Foram descobertos também desenvolvimento neurológico específico ao sexo, ansiedade, mudanças pré-neoplásicas nas glândulas mamárias e próstata de ratos e parâmetros visuais do esperma. Assim, diversos países promoveram mais pesquisas sobre o assunto.

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Em março de 2010, a Dinamarca proibiu temporariamente o uso do Bisfenol A em produtos que entram em contato com alimentos destinados a crianças de 0 a 3 anos. Em julho desse mesmo ano, a França fez o mesmo, incluindo importações e exportações de mamadeiras com esse composto na composição.

Nesse mesmo ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) realizou uma reunião com vários especialistas e concluiu que, nos produtos mencionados, os níveis de Bisfenol A não causam preocupação para a saúde dos consumidores, sendo que os problemas sobre a toxidade, desenvolvimento e reprodução estão associados somente a doses elevadas. Os estudos mostraram-se ainda inconclusivos e não havia nada que justificasse a alteração da ingestão diária tolerável para os seres humanos dessa substância.

Antes dessas questões, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabelecia na resolução RDC nº.17/2008 que o limite máximo do Bisfenol A nesses produtos era de 0,6 mg/kg. No entanto, após analisar bem as pesquisas e os relatórios, a Anvisa entendeu que, por precaução, visando proteger as crianças de 0 a 12 meses que não possuem o sistema de eliminação do Bisfenol A pelo corpo humano tão desenvolvido como em adultos, o melhor era proibir o uso do Bisfenol A em mamadeiras e em outros produtos para lactentes, quer sejam fabricados no Brasil, quer sejam importados. Essa proibição encontra-se na Resolução RDC 56/2012.

Os fabricantes tinham até dezembro de 2011 para adequarem-se a essa nova lei. O mesmo foi feito por países como o Canadá e Estados da União Europeia.

No entanto, conforme mencionado, visto que as autoridades sanitárias de todo o mundo concluíram que os materiais que contêm BPA são seguros para os usos previstos, tanto em aplicações para consumo como para uso industrial no caso dos adultos, o Bisfenol A não é proibido para ser usado como revestimento de latas de alimentos e em garrafões de água.

Mas os riscos do Bisfenol A aumentam conforme a dose dessa substância em nosso organismo cresce. Por isso, é recomendável evitar usar muito vasilhas de plástico feitas de policarbonato, não utilizar também plásticos que armazenam alimentos e são levados ao micro-ondas ou são congelados, pois, dessa forma, eles liberam muito Bisfenol A e contaminam o alimento, além de também evitar o consumo de alimentos e bebidas enlatadas. 


Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química

O Bisfenol A tem o seu uso proibido em mamadeiras e outros produtos para lactentes
O Bisfenol A tem o seu uso proibido em mamadeiras e outros produtos para lactentes

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FOGAçA, Jennifer Rocha Vargas. "Bisfenol A ou BPA"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.brhttps://brasilescola.uol.com.br/quimica/bisfenol-ou-bpa.htm. Acesso em 21 de dezembro de 2020.

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