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Dia Nacional da Alfabetização: entenda importância do processo de alfabetização e veja números do Brasil

Embora a alfabetização seja direito do indivíduo, dados apontam que quase 10 milhões de brasileiros não sabem ler

Em 14/11/2023 07h52 , atualizado em 14/11/2023 08h29
Processo de alfabetização deve começar por volta dos 6 anos de idade [1]

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Comemora-se hoje, 14 de novembro, o Dia Nacional da Alfabetização. A data, definida em 1966, ressalta a importância da alfabetização, considerada um direito fundamental de todos os indivíduos, e reforça a valorização da luta pela implantação de políticas públicas que combatam o analfabetismo.

A origem do Dia Nacional da Alfabetização está ligada à fundação do Ministério da Educação (MEC), no dia 14 de novembro do ano de 1930.

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define quando e quais devem ser as aprendizagens que os estudantes devem desenvolver durante as etapas e modalidades da Educação Básica, o processo de alfabetização infantil deve se iniciar no 1ª ano do Fundamental, por volta dos 6 anos de idade.

Entretanto, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 10 milhões de habitantes com mais de 15 anos não conseguem ler. 

Dados sobre alfabetização no Brasil

A PNAD Contínua lançou outros dados sobre a alfabetização no Brasil:

  • A taxa de analfabetismo diminuiu de 6,1% em 2019 para 5,6% em 2022. 

  • Das 9,6 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade que não sabiam ler e escrever, 59,4% (5,3 milhões) viviam no Nordeste e 54,1% (5,2 milhões) tinham 60 anos ou mais. 

  • O Distrito Federal (1,9%) e os estados do Rio de Janeiro (2,1%) ,São Paulo e Santa Catarina (ambos com 2,2%) são os que contam com menores taxas de analfabetismo.

  • Por outro lado, os estados do Piauí (14,8%), em Alagoas (14,4%) e na Paraíba (13,6%) são os que têm maiores taxas de analfabetismo.

Pesquisa Alfabetiza Brasil 

No dia 31 de maio, o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram a pesquisa Alfabetiza Brasil. 

O levantamento, realizado nos meses de abril e maio deste ano com professores e especialistas, apresenta uma nota de corte da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) aplicada no 2º ano do ensino fundamental.

A nota 743 do Saeb representa então o mínimo que o estudante precisa atingir para ser considerado alfabetizado.

O levantamento mostrou um comparativo da quantidade de crianças consideradas alfabetizadas de acordo com os desempenhos atingidos nas edições de 2019 e 2021 do Saeb. Veja:

Gráfico do percentual de alfabetizados em 2019 e 2022 de acordo com as notas do Saeb
Percentual de alfabetizados e não alfabetizados de acordo com as notas do Saeb de 2019 e 2021. 
Crédito: Divulgação / MEC e Inep.

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De acordo com a pesquisa, o estudante alfabetizado, que atingir a partir de 743 pontos no Saeb, é capaz de:

  • Ler palavras, frases e pequenos textos;

  • Localizar informações na superfície textual;

  • Produzir inferências básicas com base na articulação entre texto verbal e não verbal, como em tirinhas e histórias em quadrinhos;

  • Escrever ortograficamente palavras com regularidades diretas entre fonemas e letras;

  • Escrever textos que circulam na vida cotidiana, ainda que com desvios ortográficos ou de segmentação. 

Importância da alfabetização

Laura Vecchioli [3]

Laura Vecchioli do Prado, coordenadora editorial de literatura e informativos da SOMOS Educação, explica que, quando a criança é alfabetizada, ela ganha compreensão de mundo.

“Para uma criança, aprender a ler e a escrever é uma das primeiras maneiras que ela encontra de compreender o mundo ao seu redor. A partir desse aprendizado, ela consegue desenvolver competências mais elaboradas, como interpretação de textos e raciocínio crítico.”

A coordenadora reforça que os livros assumem um papel fundamental no estímulo à alfabetização, auxiliando no desenvolvimento de diversas habilidades nas crianças, como a formulação de sílabas, o reconhecimento do alfabeto e a ampliação do vocabulário.

“Ao estabelecer o hábito da leitura, as crianças têm a oportunidade de ampliar sua sociabilidade e entrar em contato com novos mundos, culturas e costumes diferentes. Por isso, escola e família devem incentivar a leitura nesta fase”, ressalta Laura.

Combate ao analfabetismo

Mara Duarte [4]

Mara Duarte, diretora pedagógica do Grupo Rhema Educação, reforça que o analfabetismo é uma questão grave.

"O analfabetismo precisa ser combatido não apenas com políticas governamentais, mas de forma colaborativa e comprometida por parte de toda a sociedade. “Precisamos promover a alfabetização no Brasil e estimular a participação ativa de famílias e professores nessa tarefa"

Outro ponto importante mencionado por Mara é a formação dos professores, que precisam estar mais capacitados por conta das demandas exigidas por um mundo cada vez mais digital. “O digital é uma ferramenta importante, mas também é uma área que tem muito a evoluir. Houve um grande avanço por conta da pandemia, mas existe uma janela aberta relacionada à formação dos professores nesta área”, avalia. 

Segundo Mara, é preciso que quem ensina esteja mais familiarizado com as novas ferramentas por conta das crianças da era digital. “Existe uma lacuna e precisamos formar professores que saibam como usar as ferramentas digitais para auxiliar no processo de alfabetização”, finaliza. 

Crédito da imagem:

[1] Shutterstock

[2] Luís Fortes / Ministério da Educação (MEC)

[3] Divulgação

[4] Divulgação

Por Silvia Tancredi
Jornalista

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