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Dia Internacional das Mulheres na Ciência: entenda a importância da data

Neste domingo, 11 de fevereiro, é comemorado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Professora fala sobre a data e sua importância

Em 11/02/2024 08h00 , atualizado em 11/02/2024 08h00
Mulher em pesquisa com objeto eletrônico
Desigualdade de gênero marca a realidade do cenário em áreas como tecnologia, engenharia e matemática.

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O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é celebrado neste domingo, 11 de fevereiro. A data foi instituída em 2015 durante Assembleia Geral das Nações Unidas.

O objetivo é reconhecer o papel essencial que as mulheres desempenham nas atividades e produções de pesquisa científica no mundo. Além disso, o movimento reforça a importância da igualdade de gênero nos espaços de trabalho.

O Brasil Escola conversou com a professora Dra. Adriana Hassin, Gerente Executiva de Consultoria Pedagógica no SAS Plataforma de Educação. A professora apresenta um panorama da participação feminina na ciência e sua importância para a produção científica.

Leia também: Entenda a importância da mulher na sociedade 

Participação das mulheres na ciência

As áreas profissionais formadas pela ciência, tecnologia, engenharia e matemática são conhecidas pela sigla STEAM (em inglês). Elas representam uma influência significativa na economia. Entretanto, ainda não há igualdade de gênero nessas profissões, isto quer dizer, que há mais homens do que mulheres nestes setores.

Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) indicam que apenas 33,3% dos pesquisadores das áreas STEAM são mulheres. No cenário da educação, 35%, em média, são estudantes. 

Segundo previsão da Unesco, em 2050, as áreas STEAM representarão 75% dos postos de trabalho. No ano de 2016, somente 30% dos países que disponibilizam dados sobre a questão, atingiram a paridade de gênero. 

Mulher em cenário tecnológico
As mulheres ainda são minoria nas áreas de tecnologia.

Embora a presença das mulheres na ciência tem aumentado de forma gradual nos últimos anos, a realidade ainda é marcada por desequilíbrio de gênero no setor, aponta Adriana Hassin. 

A educadora cita que desde 1901, pouco mais de 50 mulheres receberam algum prêmio Nobel. Isso não chega a 10% do total de prêmios concedidos no período, alerta. Na área de Química, entre os 181 premiados, apenas cinco são mulheres.

No que se refere ao aumento da participação na pesquisa, relatório da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aponta um aumento de 60% no doutoramento de mulher nos últimos anos. 

Adriana enfatiza que apesar dos números apontarem para uma curva de crescimento, "há muito a escalar". Ela lembra que enquanto alguns países atingem a paridade de gênero, em outros, meninas sequer podem frequentar a escola. 

Adriana Hassin é uma mulher branca, está sorrindo na foto e usa óculos
Adriana Hassin é doutora em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e acumula 20 anos como diretora educacional. 
Crédito: Arquivo Pessoal. 

Quanto mais mulheres participarem e atuarem na ciência, maior é o impacto no equilíbrio de gênero no mercado de trabalho e no processo de fortalecimento identitários de meninas. 

Entre os benefícios desse movimento estão a inclusão, ampliação de potência, do senso de pertencimento e projetos de vida, elenca Adriana. 

Confira também: Desafios das mulheres na sociedade, quando a proporção não garante igualdade

Importância das mulheres na ciência 

Na perspectiva de Hassin, a participação das mulheres nas ciências é importante por estabelecer uma maior a diversidade de pensamentos, referências, métodos e abordagens no fazer científico. Isso garante maior riqueza e complexidade na produção e nos resultados, garante a professora.

"Ter mulheres ocupando espaço nas sociedades científicas, publicando artigos, comandando centros e orçamentos de pesquisa ajuda a desnaturalizar o domínio masculino sobre esses lugares profissionais e sociais. É preciso iluminar a presença feminina na Ciência, com intencionalidade, para que cada vez mais meninas se percebam como capazes, pertencentes e à vontade nesse mundo!"

Adriana Hassin

Leia: Mãe farmacêutica é aprovada em quatro vestibulares para Medicina

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Mulheres em olimpíadas de conhecimento

A participação de mulheres em olimpíadas científicas e do conhecimento ainda é muito baixa, afirma Hassin.  Adriana acredita ser importante desenvolver ações para estimular e engajar meninas a se prepararem e participarem de avaliações e eventos como esses.

Entre as ações mencionadas pela professora, estão:

  • Revisar o currículo para orientar a respeito da representatividade das mulheres na ciência;

  • Evidenciar intencionalmente quem são as mulheres cientistas, respectivas biografias, pesquisas e prêmios;

  • Garantir espaço e protagonismo nas salas de aula e na produção científica;

  • Criar clubes femininos direcionadas à ciência.

Dia Internacional das Mulheres na Ciência 

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência foi criado em 22 de dezembro de 2015 em Assembleia Geral realiziada pelas Nações Unidas e Unesco.

A data foi instituída para fortalecer os movimentos e iniciativas que objetivam a igualdade de gênero na ciência, como também valorizar as produções científicas feitas pelas mulheres. 

De lá para cá, instituições e órgãos, como universidades públicas, desenvolvem projetos e campanhas que visam atingir objetivos estabelecidos pela data. 

Saiba mais: O que é e como a desigualdade de gênero afeta a sociedade 

 

Por Lucas Afonso
Jornalista

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