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Dia da conquista do voto feminino no Brasil, conheça a história do movimento sufragista

Hoje, o voto feminino completa 92 anos nas eleições brasileiras. Veja as mulheres que protagonizaram esta conquista

Em 24/02/2024 05h00 , atualizado em 26/02/2024 07h50
Mulher sorri e depositaum voto na urna
São 92 anos de conquista do voto feminino e mais de 100 anos de luta por esse direito Crédito da Imagem: Canva / Inteligência Artificial

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O voto feminino foi conquistado oficialmente, no Brasil, há 92 anos. Mas, a luta e as reivindicações de participação política das mulheres começaram bem antes.

Inclusive, as primeiras eleitoras brasileiras votaram em 1928. Em 1910, Leolinda Daltro fundou o primeiro partido feminino brasileiro e ainda na constituição de 1891, já havia uma pressão social pela criação do voto das mulheres. 

O jornal “A família”, desde a proclamação da República, afirmava que sem a participação feminina nas eleições a igualdade prometida pelo sistema republicano jamais seria atingida.

Veja um pouco mais da história do voto das mulheres no Brasil e a configuração política de hoje em dia. 

Luta feminina pelo direito ao voto

Os argumentos contrários ao voto das mulheres apareciam na mais diversas formas. Alguns afirmavam que com a participação política delas haveria uma inversão de papéis na sociedade e as “famílias” seriam destruídas. 

Veja essa charge 1927, por exemplo:

Resistência da imprensa: charge de 1917 mostra que o voto feminino faria o homem e a mulher trocarem de papel na sociedade (imagem: O Malho/Biblioteca Nacional Digital)
Fonte: Agência Senado

Outros iam mais longe e diziam que as mulheres não tinham capacidade intelectual para votar e deviam se restringir aos “deveres do lar”. Veja uma das declarações feitas por deputados em 1891, registradas nesta matéria da Agência Senado:

Lauro Sodré, deputado pelo Pará, disse:

É incontestável que, no momento em que nós formos abrir à mulher o campo da política, ela terá necessariamente de ceder diante da superioridade do nosso sexo nesse terreno.

Entretanto, estas posições não intimidaram o movimento das sufragistas. Nos anos subsequentes, a pressão pela criação do voto feminino só cresceu. Vários nomes surgiram nessa trajetória, veja alguns:

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  •  Leolinda Daltro: criou o Partido Republicano Feminino. Ela faleceu em 1935 e, antes de morrer, disse:

Estou satisfeita porque vi, antes de morrer, a mulher brasileira acorrer às urnas

O presidente Hermes da Fonseca recebe em 1911 integrantes do Partido Republicano Feminino, associação feminista fundada por Leolinda Daltro (foto: Revista da Semana/Biblioteca Nacional Digital)
Fonte: Agência Senado
  • Carlota Pereira de Queiroz: a única mulher eleita nas eleições de 1933, lutou pela alfabetização e pela Assistência Social. 
  • Antonieta Barros: a primeira mulher negra eleita no Brasil. Foi eleita por Santa Catarina, menos de 50 anos após a abolição. Criou o “Dia do Professor” e lutou pela educação no país.  
  • Bertha Lutz: bióloga feminista que criou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Contribuiu para a criação de políticas nas áreas da educação, trabalho, saúde e ciência.

A conquista do voto feminino veio acontecer em 1932, no governo provisório de Getúlio Vargas. O primeiro país a reconhecer o voto feminino fez isso 40 anos antes do Brasil, foi a Nova Zelândia, em 1893.

Mulheres na política hoje em dia

Atualmente, as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro e são um grupo determinante para o resultado das eleições. Elas são cerca de 30% dos candidatos e 15% das pessoas eleitas. 

Nas eleições de 2022, foram mais de 9 mil mulheres candidatas, a maioria delas concorrendo para cargos de deputada estadual. Enquanto as eleitoras são 82.373.164 mulheres.

A participação feminina na política já teve conquistas relevantes, entretanto há muito para se fazer a fim de se conquistar a igualdade plena.

Por Tiago Vechi

Jornalista

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