Clero

Clero é um termo que pode indicar o corpo de sacerdotes e de religiosos de diversas tradições religiosas, aplicando-se mais rigorosamente ao clero católico.

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Clero é um termo que pode ser usado em sentido amplo para designar o corpo de sacerdotes ou de religiosos de diversas tradições. No entanto, esse conceito aplica-se mais rigorosamente ao clero católico, isto é, ao conjunto de sacerdotes, de membros ordenados da Igreja Católica, como padres, bispos, arcebispos, monges e abades. 

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Leia também: Igreja Católica — detalhes sobre uma das instituições mais antigas e influentes da história

Tópicos deste artigo

Resumo sobre clero

  • Clero é um termo que pode ser usado de forma ampla para designar líderes religiosos em diversas tradições, aplicando-se de modo mais rigoroso ao clero católico, isto é, aos membros ordenados da Igreja Católica.
  • Foi no catolicismo medieval que o clero se estruturou como corpo institucional estável, hierarquizado e socialmente central.
  • A distinção entre clérigos e leigos consolidou-se entre os séculos III e IV, após o Édito de Milão (313).
  • Na Idade Média, o clero tornou-se um grupo com privilégios jurídicos e com fundamental papel político, cultural e intelectual.
  • Na Europa medieval, a função do clero católico era ampla e ia muito além dos ritos religiosos. Os clérigos mediavam a relação entre os fiéis e o sagrado, administravam os sacramentos que marcavam os principais momentos da vida e garantiam a ordem espiritual da sociedade.
  • Os clérigos medievais também exerciam papel central na educação e na preservação do conhecimento, em uma sociedade majoritariamente analfabeta. Além disso, atuavam na administração, na justiça e na diplomacia, bem como na assistência social por meio de mosteiros, de hospitais e de albergues, reforçando a legitimidade moral e política da Igreja.
  • O clero católico medieval não era social nem economicamente homogêneo. Formou-se uma distinção entre alto clero e baixo clero, relacionada a cargos, à origem social, à riqueza e à formação intelectual.
  • O alto clero, composto por bispos, por arcebispos, por abades e por cardeais, era majoritariamente de origem nobre e exercia grande poder político e econômico, integrado ao sistema feudal.
  • O baixo clero, formado por padres, por vigários e por monges, vivia próximo da população comum, com rendas modestas e com menor formação intelectual, reproduzindo dentro da Igreja a estratificação social medieval.
  • Na Igreja Católica, distingue-se o clero secular do clero regular, diferença que não implica hierarquia, mas modos distintos de vida religiosa.
  • O clero secular vive em contato direto com a sociedade e atua em paróquias e dioceses, celebrando sacramentos e atendendo os fiéis.
  • O clero regular vive em comunidades monásticas ou conventuais, seguindo regras próprias. Essa divisão surgiu com a Ordem dos Beneditinos, por volta de 530 d.C., e ampliou-se na Idade Média com ordens como os cistercienses e, a partir do século XIII, com as ordens mendicantes franciscana e dominicana.
  • O clero católico organiza-se segundo uma hierarquia vertical e bem definida. No topo, está o papa, bispo de Roma. Abaixo dele, no clero secular, estão arcebispos e bispos, responsáveis por arquidioceses e por dioceses, seguidos por párocos e por vigários, tecnicamente chamados de presbíteros, e pelos diáconos.
  • No clero regular, a hierarquia varia conforme a ordem religiosa, mas geralmente inclui um Superior Geral, superiores regionais e locais, além dos membros das comunidades monásticas.

O que é o clero?

Clero é um termo que pode ser usado em sentido amplo para designar o corpo de sacerdotes ou de religiosos de diversas tradições religiosas, sempre que existir uma especialização ritual e uma separação institucional entre líderes religiosos e fiéis.

No entanto, no sentido mais apropriado do termo, esse conceito aplica-se mais rigorosamente ao clero católico, isto é, ao conjunto de sacerdotes, de membros ordenados da Igreja Católica Apostólica Romana. É nesse sentido mais específico católico que esse artigo abordará o tema.

Essa delimitação não é apenas terminológica, mas histórica, pois foi no catolicismo medieval que o clero adquiriu uma configuração institucional estável, uma hierarquia claramente definida e um papel social central, profundamente articulado às estruturas políticas, econômicas e culturais da Europa daquele período.

A origem da palavra vem do Klêros, que significa “porção” ou “herança”, termo usado desde os primeiros tempos do cristianismo para indicar aqueles que teriam uma parte especial no serviço a Deus, a Cristo. Já no latim, o termo clerus passou a distinguir claramente os clérigos (religiosos integralmente dedicados à Igreja) e os leigos (fiéis cristãos, porém não integrados ao corpo sacerdotal da Igreja).

Historicamente, essa distinção começou a consolidar-se entre os séculos III e IV d.C., especialmente após a legalização do cristianismo no Império Romano a partir de 313 d.C., com o Édito de Milão, do imperador Constantino. A partir desse momento, a Igreja Católica deixou de ser apenas uma comunidade religiosa perseguida e passou a estruturar-se como uma instituição pública, com cargos e com funções estáveis, com regras internas e com um corpo especializado responsável por conduzir os cultos, por cuidar da administração e por promover o ensino religioso.

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No contexto da Idade Média, especialmente entre os séculos IX e XIII, o clero tornou-se um grupo social claramente definido na Europa, com estatuto político e jurídico próprios, com privilégios legais e com forte autoridade simbólica. A Igreja Católica medieval não era apenas uma instituição religiosa ou espiritual, mas um elemento político central constitutivo da sociedade desse período, representando o principal agente organizador não só da religião como da cultura e do intelecto.

Função do clero

O clero tem diversas funções.
O clero tem diversas funções.

A função do clero católico depende do contexto histórico de que estamos tratando. No âmbito da Europa medieval, que é o contexto em que o termo é mais utilizado, a função do clero era múltipla e ia muito além da simples celebração de ritos religiosos. Os clérigos eram responsáveis por mediar a relação entre os fiéis e o sagrado, por organizar a vida religiosa cotidiana e, ao mesmo tempo, por desempenhar papéis centrais na estrutura social e cultural.

A função mais visível do clero era a administração dos sacramentos católicos, como o batismo, a eucaristia, a penitência, o matrimônio e a extrema-unção. Esses ritos marcavam os principais momentos da vida das pessoas dessa época, como o nascimento, o casamento e a morte. O clero tinha grande importância nesse contexto porque era visto como o grupo social encarregado de garantir a continuidade da ordem espiritual que sustentava toda a sociedade cristã medieval.

Outra função fundamental do clero era a pregação e o ensino religioso. A sociedade medieval europeia era majoritariamente analfabeta e o clero constituía, nesse contexto, o único grupo não só alfabetizado como letrado e educado em diversos assuntos, como os escritos sagrados, mas também literatura e filosofia clássicas, geralmente escritos em latim. Padres, bispos e monges transmitiam os conteúdos da fé cristã por meio de sermões, de catequeses e de instrução moral, moldando valores, comportamentos e visões de mundo. Nesse sentido, mosteiros e catedrais também funcionavam como centros de produção e de preservação do conhecimento, copiando manuscritos clássicos e formando elites letradas.

Além disso, o clero medieval exercia uma importante função administrativa e jurídica. Bispos e abades frequentemente atuavam como conselheiros de reis e poderosos senhores feudais, diplomatas e juízes em tribunais. Monges e outros clérigos frequentemente cuidavam da parte de documentação da administração de reinos e feudos.

Por fim, havia também a função de assistência social do clero católico ligado às instituições religiosas, como mosteiros, hospitais e albergues, que ofereciam auxílio a pobres, a doentes, a peregrinos e a viajantes. Essa dimensão ligada à caridade ajudava a reforçar a legitimidade moral da Igreja e consolidava o clero como um elemento político central na organização social medieval.

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Alto clero e baixo clero

Padre e bispo, membros do clero, realizando missa.
Membros do clero.

O clero católico nunca foi social ou economicamente homogêneo, ainda que forme um único corpo institucional. Formou-se, na Idade Média, uma distinção entre dois patamares de poder e de riqueza no clero chamados de alto clero e de baixo clero. A diferença envolvia as posições exercidas dentro da Igreja, mas elas estavam vinculadas diretamente a questões como origem social, nível de riqueza da família de origem do clérigo e formação intelectual.

  • Alto clero: era composto principalmente por bispos, por arcebispos, por abades e por cardeais, posições que eram ocupadas geralmente por membros de famílias nobres, o que mostra como a Igreja e sua estrutura estava profundamente integrada ao sistema feudal naquele período. Era comum que bispos controlassem extensos domínios territoriais e recebessem rendas significativas, além de exercerem uma autoridade política comparável à de condes e à de duques.
  • Baixo clero: era formado principalmente por padres, por vigários e por monges. Esses clérigos viviam muito mais próximos da população comum e, em muitos casos, compartilhavam das mesmas condições materiais difíceis dos camponeses com quem viviam e se relacionavam cotidianamente. Suas rendas e seu padrão de vida eram modestos, e a formação intelectual dessa ala majoritária e mais pobre do clero era também, em geral, mais limitada do que a do alto clero, especialmente antes da expansão das escolas catedrais e do surgimento das universidades entre os séculos XII e XIII.

Do ponto de vista social, a distinção entre alto clero e baixo clero reproduzia, dentro da Igreja, a estratificação social típica da sociedade medieval feudal, sendo o alto clero proveniente e próximo da nobreza, como condes, duques e reis, enquanto o baixo clero costumava provir e relacionar-se com os plebeus, como camponeses e artesãos.

Clero regular e clero secular

Uma divisão muito importante na Igreja Católica é aquela que separa clero regular de clero secular. Essa divisão não implica hierarquia entre os dois grupos, mas formas diferentes de viver a vocação religiosa dentro da Igreja.

  • Clero secular: é formado por clérigos que vivem em contato permanente com a sociedade, ou "no mundo" (saeculum, em latim), como padres/párocos, vigários, bispos e arcebispos. Eles são responsáveis pela condução de dioceses e de paróquias, e suas funções centrais são a celebração de sacramentos junto aos fiéis, como a celebração de missas junto às comunidades, casamentos, batismos, extrema-unção, colher confissões e atender os fiéis.
  • Clero regular: é formado por religiosos que vivem em comunidades monásticas (ou conventuais), total ou parcialmente afastadas da vida cotidiana comum e dos leigos. São os monges, os abades, as freiras, entre outras denominações. Esses religiosos vivem segundo uma regra específica (regula, em latim).

A origem da divisão do clero católico entre seculares e regulares advém do surgimento da Ordem dos Beneditinos, com São Bento de Núrsia, por volta de 530 d.C., que redigiu a Regra de São Bento, que estruturou a vida monástica com base no princípio Ora et Labora (ore e trabalhe). Aqueles que aderiam a essa ordem como monges afastavam-se da vida cotidiana e passavam a ter contatos muito limitados com o mundo exterior, o que definiu um estilo de vida, de costumes e de valores muito próprios dessas comunidades.

Ao longo da Idade Média, especialmente entre os séculos X e XIII, o clero regular diversificou-se com o surgimento de grandes ordens religiosas, além da dos beneditinos, como a dos cistercienses (fundada em 1008, sob a liderança de Bernardo de Claraval). Além disso, surgiram, a partir do século XIII, as ordens mendicantes, como a dos franciscanos (fundada por Francisco de Assis, em 1209) e dos dominicanos (fundada por Domingos de Gusmão, em 1216).

Hierarquia do clero

O clero católico sempre foi organizado segundo uma hierarquia bem definida, com uma estrutura clara e vertical de autoridade que estabelece funções, deveres e graus de poder distintos entre os clérigos.

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No topo da hierarquia clerical, está o papa, que é o bispo de Roma e chefe máximo da Igreja Católica, acima tanto do clero regular quanto do clero secular. A supremacia do papa foi sendo construída historicamente entre os séculos III e XI. Um marco nesse sentido foi o pontificado do Papa Gregório VII, que governou a Igreja entre 1073 d.C. e 1085 d.C. e que reforçou a autoridade papal sobre bispos, sobre abades e sobre demais clérigos, especialmente diante da interferência de reis e de imperadores tanto na escolha quanto no comando desses altos cargos eclesiásticos.

→ Hierarquia do clero secular

No clero secular, abaixo dos papas, estão os bispos e os arcebispos. Os bispos comandam uma divisão territorial da Igreja chamada de diocese, que inclui diversas paróquias, comandadas por párocos (“padres”). Por sua vez, os arcebispos comandam diretamente uma arquidiocese, que é uma divisão territorial de maior importância porque geralmente se localiza em cidades maiores, com maior número de fiéis e de paróquias, ou tem grande importância histórica. Além disso, os arcebispos supervisionam várias dioceses reunidas em uma província eclesiástica, presidindo a reunião dos bispos dessa província. Em suma, a arquidiocese (comandada por um arcebispo) é uma "sede principal" (metropolitana) que une outras dioceses ao redor dela (comandadas por bispos).

Ainda com relação ao clero secular, abaixo dos bispos e dos arcebispos, encontra-se o pároco, sacerdote católico responsável por uma paróquia, que é a menor divisão territorial definida pela Igreja. É comum que cada paróquia tenha apenas uma “igreja”, no sentido popular da palavra, de edificação que serve de local de culto. No entanto, há casos de paróquias com mais de um lugar de culto. Os párocos são popularmente chamados apenas de “padres” pelos leigos, pelos fiéis. No entanto, há “padres”, sacerdotes católicos ordenados que não são párocos e que auxiliam os párocos, sendo eles chamados de vigários.

Aqui, entra um outro termo: presbítero. Tecnicamente falando, tanto vigários quanto párocos são considerados presbíteros, mas esse é um termo muito pouco usado pelas pessoas, que preferem usar “padre”, entre os leigos, ou definir mais claramente por “pároco” ou por “vigário”, entre os clérigos. Abaixo desses, está o chamado diácono, que são os principais ajudantes dos padres ordenados, mas não são sacerdotes. Eles podem batizar, realizar casamentos e pregar, mas não podem celebrar uma missa, ouvir confissões ou ungir enfermos.

→ Hierarquia do clero regular

No âmbito do clero regular, a nomenclatura torna-se mais complexa pois varia bastante a depender da ordem a que pertence o clérigo, pois cada ordem (franciscanos, jesuítas, dominicanos, beneditinos e afins) tem suas próprias constituição interna, hierarquia, regras e nomenclaturas. No entanto, em termos gerais, podemos dizer que, diretamente abaixo do papa, costuma estar o Abade Geral, ou Superior Geral, que é o líder máximo de uma ordem religiosa ou congregação.

Abaixo do Superior Geral, é comum que, nessas ordens, haja um Conselho Geral para auxiliá-lo nessa coordenação. Abaixo desses, há geralmente Superiores Provinciais, que estão acima dos Superiores Locais, muitas vezes chamados de “Abade”, de “Prior”, de “Guardião” ou de “Padre Reitor”, que é o líder de uma comunidade religiosa específica ou de um convento.

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Ordem das Irmãs Clarissas Capuchinhas, freiras que integram o clero regular católico.
As mulheres podem (e são) membros plenos do clero regular católico.

Abaixo das posições de comando, estão os demais membros da ordem, como os monges, os freis/frades, as madres e as freiras. A propósito, é importante ressaltar que as mulheres podem (e são) membros plenos do clero regular católico, inclusive na alta hierarquia, diferentemente do clero secular, onde os postos sacerdotais ainda lhe são vedados.

Clero no feudalismo

Durante a Idade Média europeia, especialmente entre os séculos IX e XIII, o clero católico esteve profundamente integrado ao sistema feudal, não apenas na posição de autoridade espiritual, mas também como importante ator político e econômico. Além disso, a Igreja, por meio de seu clero, cumpriu nesse período um importante papel de legitimação do sistema político e econômico corrente.

Nesse período, a Igreja Católica tornou-se uma das principais proprietárias de terras da Europa, em um período em que a riqueza era medida principalmente pela posse de terras. Muitos dos membros do alto clero exerceram nessa época funções típicas de senhores feudais. Bispos, arcebispos e abades controlavam extensos domínios rurais recebidos por meio de doações dos reis, heranças, concessões feudais e até mesmo conquistas militares. Em muitos desses casos, os bispos (entre outros membros do alto clero) eram investidos tanto da autoridade religiosa quanto da autoridade temporal (política, no mundo), ao mesmo tempo governando e “abençoando” terras e pessoas.

Além disso, o clero recebia diversos impostos, sendo o mais importante e presente deles o chamado “dízimo”, que correspondia a 10% da produção agrícola, o que funcionava como um importante mecanismo de financiamento das estruturas eclesiásticas e mesmo de enriquecimento da Igreja, ainda que com uma justificativa religiosa de fundo.

Sendo assim, o clero, no feudalismo, não foi apenas um grupo religioso inserido na sociedade medieval, mas um elemento constitutivo e central do próprio sistema feudal, combinando funções espirituais, econômicas e políticas, ajudando a sustentar a ordem social medieval.

Acesse também: Afinal, o que é feudalismo?

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Clero, nobreza e servos

A sociedade medieval feudal europeia era organizada de forma rígida e hierarquizada, baseada no que na época eram as chamadas “três ordens”: clero, nobreza e servos, em que cada ordem tinha seu papel na manutenção e reprodução dessa estrutura política, econômica e social.

  • Clero: No topo da pirâmide da sociedade feudal, estava justamente o clero. Formados por sacerdotes católicos como padres, bispos, arcebispos, monges, abades e afins, eles eram conhecidos como os oratores (aqueles que oram, em latim) e formavam o grupo mais influente do Medievo europeu, com papel religioso, político e econômico proeminente.
  • Nobreza: Logo abaixo do clero, vinha a nobreza, conhecidos também como bellatores (aqueles que guerreiam, em latim). Sua função, a princípio, era a de “proteção” militar da sociedade, da cristandade e de administração da justiça e dos feudos. Na prática, assumiram o poder nos feudos e nos reinos reservando para si diversos privilégios e grande autoridade política, não precisando trabalhar para prover seu sustento e se apropriando da maior parte da produção dos trabalhadores, dos servos. A vida do nobre costumava girar em torno de temas militares, como a montaria, a caça, a esgrima e as guerras. Eles estavam ligados entre si por meio de complexos laços de fidelidade cavalheiresca conhecidos como sistema de suserania e vassalagem.
  • Servos: Na base da pirâmide social feudal, contando com a imensa maioria da população e sendo responsáveis por trabalhar e por produzir suficientemente para si e para as outras duas ordens, sustentando materialmente toda a estrutura social através do trabalho agrícola, estavam os servos, também chamados então de labollatores (trabalhadores, em latim). Diferentemente dos escravos, os servos não eram mercadorias, pois estavam vinculados legalmente à terra em que viviam eles e seus ancestrais geralmente remotos. Eles não podiam ser vendidos pelos senhores, mas também não tinham liberdade de ir e vir, pois não podiam abandonar a terra que lhes era atribuída sem permissão de seu Senhor (um nobre ou clérigo do Alto Clero). Em tese, seu trabalho era feito em troca de proteção militar de seu nobre “protetor”, seu senhor feudal e, por isso, era obrigado a entregar boa parte de sua produção para o senhor feudal e outra parte para o clero da região.

O clero tinha um papel especial nessa tríade, que era o de unificar esses grupos tão distintos por meio da legitimação de uma ideia de sociedade que reforçasse a coesão social e assim favorecesse a manutenção e reprodução dessa sociedade. Ao pregar que cada um deveria aceitar sua função terrena para alcançar uma recompensa no paraíso, o clero garantia que a estrutura de dominação dos nobres e a submissão dos servos pudessem permanecer inabalados por muitos séculos, moldando profundamente a mentalidade e a cultura do homem europeu feudal medieval.

Créditos de imagem

 Marsilar / Wikimedia Commons (reprodução)

 Andre Komorinho / Wikimedia Commons (reprodução)

 Br. Christian Seno, OFM / Wikimedia Commons (reprodução)

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Fontes

BLOCH, Marc. La société féodale. Paris: Albin Michel, 1939.

CONCÍLIO DE TRENTO. Decretos do Concílio de Trento. Porto: Editorial Apostolado da Imprensa, 1946.

LAWRENCE, C. H. The monastic world. London: Routledge, 1984.

PIRENN E, Henri. Histoire économique et sociale du Moyen Âge. Paris: Presses Universitaires de France, 1933.

SOUTHERN, R. W. Western society and the Church in the Middle Ages. London: Penguin Books, 1970.

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Imagem explicando o que é clero.
Foi no catolicismo medieval que o clero se estruturou como corpo institucional estável, hierarquizado e socialmente central.
Crédito da Imagem: Brasil Escola
Escritor do artigo
Escrito por: Alexandre Fernandes Borges Professor e historiador, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, com 20 anos de experiência no ensino de História no Ensino Médio. Servidor público de carreira da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás desde 2007, atuou como Chefe do Arquivo Histórico Estadual de Goiás entre 2012 e 2019. Atualmente, integra a Comissão de Avaliação de Bens Intangíveis da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.
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BORGES, Alexandre Fernandes. "Clero"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-clero.htm. Acesso em 25 de fevereiro de 2026.
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