Migração interna

A migração interna é um tipo de movimento populacional que acontece dentro das fronteiras de um mesmo país, como, por exemplo, o êxodo rural e a migração pendular.

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A migração interna é um tipo de deslocamento populacional que acontece dentro das fronteiras de um mesmo país. Ela pode acontecer entre cidades que ficam próximas, entre estados ou entre regiões diferentes, e os motivos que estão por trás desse tipo de movimento variam de maneira considerável. O trabalho, a busca por melhores condições de vida, os estudos e até mesmo tratamentos de saúde estão entre as razões pelas quais as pessoas migram dentro de seu próprio país. Por isso, podemos falar em várias formas de migração interna, como:

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  • êxodo rural;

  • êxodo urbano;

  • migração pendular;

  • migração sazonal e transumância;

  • migração de retorno.

Leia também: Refugiados climáticos — os migrantes do clima

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre migração interna

  • Migração interna é o deslocamento de pessoas dentro das fronteiras de um mesmo país ou território.

  • Inúmeras são as causas da migração interna, como: trabalho, estudos, busca por melhores condições de vida e até mesmo o clima, a exemplo da ocorrência de estações secas.

  • A migração interna pode acontecer entre cidades próximas, entre estados e entre regiões. O tempo de permanência e a distância variam de acordo com a motivação.

  • São tipos de migração interna:

    • Êxodo rural: mudança definitiva do campo para a cidade;

    • Êxodo urbano: mudança definitiva da cidade para o campo;

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    • Migração pendular: movimento diário de trabalhadores e estudantes;

    • Migração sazonal, incluindo transumância: deslocamento temporário por questões associadas com as condições naturais ou causada pelo trabalho;

    • Migração de retorno: movimento de pessoas que migraram no passado e voltaram para o seu local de origem;

  • A migração interna sempre foi importante e muito comum no Brasil. Recentemente, centros que atraiam correntes migratórias têm perdido população, como o estado de São Paulo.

  • Na história no Brasil, destaca-se os ciclos econômicos, da urbanização, da modernização do campo e da construção de novas cidades como motivadores da migração interna.

  • O movimento migratório interno incentiva trocas culturais entre diferentes localidades, dinamiza o território e favorece a circulação de capitais.

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  • Em contrapartida, pode causar problemas como a macrocefalia urbana e dificuldades em termos de mobilidade urbana.

O que é migração interna?

Pessoas segurando malas em rodoviária de Salvador, em referência à migração interna. [imagem_principal]
A migração interna é aquela que acontece dentro dos limites fronteiriços de um mesmo país.[1]

Migração interna é um tipo de movimento populacional que acontece no interior de um mesmo país ou território. Isso significa que os deslocamentos são feitos dentro dos limites fronteiriços nacionais e não envolvem um segundo país de origem ou de destino.

A migração interna é a forma mais comum de migração, sendo ela influenciada por um conjunto de fatores que estão atrelados tanto com a conjuntura socioeconômica local, e que interfere diretamente nas condições de vida da população, quanto a razões particulares que são de cunho individual ou familiar.

Causas da migração interna

São inúmeras as causas que motivam a migração interna. Em muitos casos, ela pode estar atrelada ao contexto econômico ou social em que um país está imerso, assim como com variações sazonais que são inerentes ao clima de uma localidade. Contudo, existem, também, circunstâncias que são próprias de cada indivíduo ou grupo de pessoas. A seguir, listamos as principais causas das migrações internas:

  • emprego em outra cidade ou estado, assim como a procura por um novo trabalho;

  • abertura de postos de trabalho temporários ou sazonais;

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  • procura por cidades que ofereçam maior qualidade e/ou custo de vida, além de segurança;

  • maior proximidade com o local de estudo, sendo esse o caso de alunos do Ensino Superior;

  • tratamentos prolongados de saúde que exigem presença recorrente em clínicas e hospitais;

  • tarefas que são realizadas diariamente e demandam viagens curtas até outras cidades, como no caso de pessoas que trabalham ou estudam fora;

  • aposentadoria, fase da vida que leva muitas pessoas a buscarem cidades médias ou pequenas e até mesmo a zona rural em busca de conforto e bem-estar;

  • volta para o local original de moradia depois de um período de tempo longe, sendo esse movimento chamado de migração de retorno;

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  • alterações sazonais do clima de uma área ou transformações nas condições ambientais, como durante os períodos de seca que provocam escassez hídrica e limitam o desenvolvimento de atividades econômicas, como a agropecuária.

Leia também: Fuga de cérebros — a saída de profissionais qualificados de um país

Como ocorre a migração interna?

A migração interna ocorre quando, por algum dos motivos que listamos acima, uma pessoa ou um grupo de pessoas decide se mudar do seu local de origem para outro dentro do seu próprio país. Esse tipo de deslocamento, então, se limita a um único território. Ainda assim, observam-se diferentes sentidos na migração interna, que pode acontecer:

  • entre cidades que estão situadas em um mesmo estado ou região (migração interurbana);

  • entre diferentes estados (migração interestadual);

  • entre diferentes regiões (migração inter-regional).

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Além do mais, as migrações internas possuem tempos variados, o que significa que elas podem ser de curta duração, de longa duração, ou, ainda, recorrentes.

Existem transformações internas que se dão em escala nacional e condicionam intensos fluxos migratórios em um período curto de tempo. Tais mudanças são aquelas de grande significância, como durante o processo de industrialização, de modernização do campo, de construção de uma cidade ou, ainda, de ciclos econômicos que prosperam em uma dada área e atraem trabalhadores de todo o país para o local. Todos esses casos aconteceram ao longo da história do Brasil, mas podem ser igualmente identificados nos demais países.

Tipos de migração interna

Amontoado de pessoas diante de metrô, em referência à migração pendular.
A migração pendular, realizada por estudantes e trabalhadores diariamente, é um tipo de migração interna.[2]

Os tipos de migração interna são definidos de acordo com a direção do deslocamento e, também, conforme o principal motivo que levou a pessoa a migrar. Com base nesses critérios, listamos e descrevemos os tipos de migração interna abaixo:

  • Êxodo rural: movimento migratório do campo (zona rural) para a cidade (zona urbana). Foi registrado em larga escala durante a industrialização e a modernização do campo, tendo como resultado o processo de urbanização.

  • Êxodo urbano: movimento que acontece no sentido inverso do êxodo rural. As pessoas, nesse caso, migram da zona urbana para a zona rural. Tem sido comum nos últimos anos, motivado pela busca de melhor qualidade de vida em áreas distantes dos grandes centros urbanos.

  • Migração pendular: tipo de migração interna que acontece diariamente entre cidades. Ela é feita por trabalhadores e por estudantes que realizam as suas atividades fora de onde residem, retornando para casa apenas ao final do dia. A migração pendular é muito comum nas grandes cidades, como as metrópoles.

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  • Migração sazonal: esse é um tipo de migração que acontece em certos períodos do ano por circunstâncias que se repetem periodicamente. Ela está muito associada com as variações nas estações que caracterizam um clima. Durante o período de seca, por exemplo, famílias deixam sua residência para buscarem áreas com maior segurança hídrica e retornam para seu local de origem após o fim dessa estação.

    • Transumância: é um tipo de migração sazonal, mas que acontece por motivos de trabalho. As pessoas migram durante safras, por exemplo, para ocuparem algum posto de serviço temporário e retornam para sua residência após o fim desse ciclo.

  • Migração de retorno: deslocamento que acontece quando uma pessoa que migrou no passado retorna para sua cidade de origem. Diferente da migração pendular e sazonal, existe um período de permanência fora de casa que é mais longo, não havendo movimentos de idas e vindas que são típicos nos dois tipos de migração mencionados.

Migração interna no Brasil

A migração interna sempre foi um movimento importante para a composição da população do Brasil e, principalmente, para a construção do território nacional tal como o conhecemos hoje. Os diferentes ciclos econômicos que se desenrolaram durante a história do país foram os principais responsáveis pela migração de longa distância de pessoas, abrangendo regiões como Nordeste, Sudeste e Norte.

Um dos mais significativos foi, talvez, o ciclo da borracha no início do século XX, quando migrantes nordestinos se deslocaram em direção ao Amazonas para trabalharem na extração do látex. Pouco tempo depois, com o declínio dessa economia, uma parte permaneceu na região Norte, e outra realizou a migração de retorno.

O ciclo do café, centralizado em São Paulo e Minas Gerais, resultou em intensas correntes migratórias para a região Sudeste também entre o final do século XIX e o início do século XX, e foi igualmente importante para o desenvolvimento populacional dessa região. Em meados do século XX, mais precisamente durante a década de 1950, a construção da nova capital do Brasil na região Centro-Oeste também condicionou fluxos de migrantes de diferentes regiões para trabalharem nas obras. No entanto, foi a combinação entre a industrialização e a urbanização que criou correntes migratórias em direção às grandes cidades do Sudeste do Brasil durante a década de 1960.

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A expansão da fronteira agrícola na segunda metade do século XX representou o deslocamento de milhares de produtores para o Centro-Oeste e para o Cerrado nordestino, muitos deles oriundos da região Sul. Dessa forma, nota-se que o Sudeste, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, e o Centro-Oeste se tornaram as principais áreas receptoras de migrantes internos do Brasil durante o século XX. Havia, ainda, grandes deslocamentos entre as regiões Norte e Nordeste, sendo a segunda a principal área fonte de migrantes.

Já no século XXI, em uma tendência que passou a ser observada em meados da primeira década, a migração de retorno e a emigração se tornaram dominantes em estados como São Paulo. Isso significa que uma parcela dos migrantes que chegaram na região em décadas passadas voltaram para sua região de origem, enquanto, por outro lado, houve deslocamento de pessoas para outras regiões, notadamente o Sul, o Centro-Oeste e o estado do Amazonas.

Mais recentemente, o Censo Demográfico do IBGE constatou a grande perda de população de São Paulo e Rio de Janeiro para a migração interna entre 2010 e 2022. Ao lado deles estão Maranhão e Distrito Federal, que também registraram alto saldo migratório negativo. Em contrapartida, Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais são os estados que mais receberam população no período analisado. Observe a imagem a seguir, que resume os fluxos migratórios internos em 2010 e em 2022 no território brasileiro. Perceba a direção das flechas e a cor amarela representando os estados que perderam população:

Mapa do IBGE mostra principais fluxos migratórios (migração interna) no Brasil.
Fonte: IBGE.

Exemplos de migração interna

  • O êxodo rural é um exemplo de migração interna. Esse movimento ocorreu de forma intensa no Brasil a partir da década de 1950, com a diversificação da indústria e a mecanização do campo, que acabou forçando a mudança definitiva de pessoas do campo para a cidade. Com isso, observou-se o crescimento dos centros urbanos e a multiplicação das cidades.

  • Muitos estudantes universitários migram para a cidade onde vão estudar. Existe uma parcela deles que não vive na mesma cidade que a instituição de ensino, e a migração pendular (que também é um exemplo) não é uma opção por causa da distância. Nesse caso, a melhor opção é, de fato, migrar para próximo da universidade. Ao final do curso, existe uma parte que retorna para seu lugar de origem, enquanto outra parte permanece na cidade ou migra para uma terceira por motivos de trabalho ou continuidade dos estudos.

  • Como mencionamos, a migração pendular é um exemplo de migração interna. Todos os dias, milhões de trabalhadores e de estudantes vão para uma cidade vizinha para exercerem suas atividades, e só retornam ao final do dia. Em metrópoles como a Grande São Paulo, esse é um movimento muito comum de ser observado.

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Consequências da migração interna

A migração interna confere dinamismo espacial ao território, ao mesmo tempo em que favorece as trocas culturais entre cidades, estados e regiões. As cidades cresceram em população e em área por causa das migrações internas, principalmente pelo êxodo rural, o que reforça o aspecto positivo da migração interna com relação às transformações espaciais promovidas. Esse movimento migratório representa, também, a maior circulação de capitais e o intercâmbio de renda entre diferentes localidades, principalmente no caso de pessoas que migram, mas enviam periodicamente uma quantia em dinheiro para a sua família que permaneceu na cidade de origem.

Por outro lado, a migração interna pode implicar urbanização desordenada e ampliação das periferias urbanas, com a ocorrência dos fenômenos da macrocefalia urbana, com ausência de infraestrutura adequada para atender à nova população, e da favelização. Esse fato interfere negativamente na qualidade de vida das pessoas que vivem nesses assentamentos informais e, muitas vezes, irregulares.

No caso da migração pendular, existe a intensificação do trânsito e a ocorrência de superlotação de transportes intermunicipais, como ônibus e trens. Além do mais, as pessoas que realizam esse tipo de migração gastam um tempo muito grande nos trajetos, o que se torna uma atividade estressante.

Leia também: Diferença entre migrar, emigrar e imigrar

Exercícios sobre migração interna

Questão 1

(PUC-SP) Leia o texto abaixo e responda a questão.

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Os últimos cinquenta anos do século XX e os primeiros anos do século XXI denotaram profundas alterações para as migrações internas no Brasil. Essas migrações reorganizaram a população no território nacional. De um lado, até o final do século 20, as vertentes da industrialização e das fronteiras agrícolas foram os eixos da dinâmica da distribuição espacial da população. De outro lado, o século XXI aponta nova configuração das migrações internas (...).

(BAENINGUER, Rosana. Migrações internas no Brasil: tendências para o século XXI. Revista NECAT. Ano 4, nº 7 Jan-Jun de 2015, p.10-11)

Considerando os estudos populacionais atuais, podemos afirmar que a nova configuração das migrações internas diz respeito:

a) À redefinição das áreas de atração e expulsão populacional em virtude da reestruturação produtiva que vem acontecendo em anos recentes, como o aumento da retenção de população na Região Nordeste e novos eixos de deslocamentos populacionais em direção ao interior do país.

b) Ao processo de expansão da fronteira agrícola em direção ao Centro-Oeste que proporcionou uma redefinição das áreas de atração e expulsão populacional no sul do país e possibilitou o desenvolvimento industrial no Mato Grosso.

c) À reclassificação das áreas de atração e expulsão populacional em virtude de agora pertencermos a um momento denominado como pós-industrial, de modo que o estado de São Paulo se torna uma área de grande interesse para quem busca empregos de carteira assinada.

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d) À diminuição da importância dos deslocamentos pendulares, uma vez que vivemos um momento de fixação do trabalhador à sua área de origem, seja ele urbano ou rural, fortalecendo assim os projetos de desenvolvimento em escala local.

Resposta: Alternativa A. A nova configuração das migrações internas no Brasil diz respeito às novas áreas de expulsão e atração, com a população saindo de grandes centros urbanos e se deslocando para cidades médias. Em maior escala, estados como São Paulo que já foram áreas de atração são, agora, áreas de expulsão populacional, o que foi constatado recentemente pelo IBGE.

Questão 2

(CEV-Urca) No processo histórico de povoamento e ocupação econômica do Brasil, as migrações internas sempre tiveram um papel de destaque. No tocante à migração interna no Brasil, analise a figura abaixo e marque a alternativa correta sobre qual migração está retratada.

Fotografia de aglomeração de pessoas à espera de metrô.

a) Migração Rural Urbana

b) Migração Inter-regional

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c) Migração Sazonal

d) Migração Pendular

e) Migração Urbana-urbana

Resposta: Alternativa D. A imagem retrata pessoas em uma estação de trem, que é um dos lugares onde se inicia a migração pendular, movimento de ida e vinda diária realizada por trabalhadores e estudantes que desempenham tarefas em outra cidade diferente daquela em que reside.

Créditos da imagem

[1] Joa Souza / Shutterstock

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[2] Evandro Klen / Shutterstock

Fontes:

BAENINGER, Rosana. Migrações internas no Brasil século 21: evidências empíricas e desafios conceituais. Mobilidade espacial da população: desafios teóricos e metodológicos para o seu estudo. Campinas: Núcleo de Estudos de População–Nepo/Unicamp, p. 71-93, 2011. Disponível em: https://www.nepo.unicamp.br/publicacoes/livros/mobilidade/cap4.pdf.

BRITTO, Vinícius. Censo 2022: 19,2 milhões de pessoas vivem fora de sua região de nascimento. Agência IBGE Notícias, 27 jun. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43815-censo-2022-19-2-milhoes-de-pessoas-vivem-fora-de-sua-regiao-de-nascimento.

SILVA, Camila. Pela 1ª vez, SP tem mais gente saindo do que chegando; SC tem maior ganho de população por migração no Brasil. G1, 27 jun. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/censo/noticia/2025/06/27/pela-1a-vez-sp-tem-mais-gente-saindo-do-que-chegando-sc-tem-maior-ganho-de-populacao-por-migracao-no-brasil.ghtml.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.
Deseja fazer uma citação?
GUITARRARA, Paloma. "Migração interna"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/migracoes-internas.htm. Acesso em 17 de janeiro de 2026.
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