Tufão

Tufão, como o supertufão Champi, é um tipo de ciclone tropical que se forma no noroeste do Oceano Pacífico e provoca instabilidade atmosférica com elevado poder de destruição.

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Tufão é o nome dado aos ciclones tropicais que se formam sobre as águas da região noroeste do Oceano Pacífico. Para o desenvolvimento desse tipo de fenômeno meteorológico, algumas condições são necessárias, sendo a principal o aquecimento das águas oceânicas superficiais até temperaturas em torno de 26 ºC ou 27 ºC. Para ser classificado como tufão, entretanto, é preciso que os ventos se movimentem a uma velocidade superior a 119 km/h, conforme estabelecido na escala de Saffir-Simpson.

Os países e territórios mais afetados por tufões ficam na Ásia, como Filipinas, China, Japão, Vietnã, Taiwan e Hong Kong. Como se trata de uma nomenclatura adotada para os ciclones tropicais que acontecem no Pacífico, podemos afirmar que não existe tufão no Brasil. Em 2026, período em que um Super El Niño afetou profundamente a circulação atmosférica global, águas de 30 ºC possibilitaram a formação de um tufão que foi considerado a maior tempestade do ano: o supertufão Champi.

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Leia também: Diferença entre furacão, tornado e ciclone

Tópicos deste artigo

Resumo sobre tufão

  • Tufão é um ciclone tropical que se forma na região noroeste do Oceano Pacífico.

  • Os tufões atingem territórios como China, Hong Kong, Taiwan, Japão, Filipinas e Península da Coreia, além das ilhas do Pacífico.

  • Forma-se na superfície de água aquecidas, com temperaturas de aproximadamente 26 ºC.

  • Diferentemente do que ocorre no Oceano Atlântico, não é possível falar em uma temporada de tufões no Pacífico. Entretanto, eles são mais comuns entre junho e novembro.

  • Uma tempestade tropical é elevada à categoria de tufão quando seus ventos ultrapassam 119 km/h. A partir de 240 km/h, classifica-se como um supertufão.

  • Tufão e furacão são nomes regionais para um mesmo tipo de fenômeno meteorológico: ciclone tropical. A diferença é que os furacões se formam no Oceano Atlântico.

  • Não existe tufão no Brasil, visto que esse fenômeno acontece no Oceano Pacífico. No entanto, o país é atingido pelos ciclones extratropicais.

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  • Os tufões Haiyan (2013), Nina (1975) e Tip (1979) estão entre os mais famosos do mundo pela sua intensidade e pelos impactos que deixaram.

  • O supertufão Champi é considerado a maior tempestade de 2026 no mundo, com rajadas de vento de até 361 km/h. Ele deve passar por Taiwan, China e Filipinas.

  • Inundações, alagamentos, avanço do mar sobre cidades litorâneas, destruição da infraestrutura urbana e queda de postes e árvores são consequências dos tufões.

  • A passagem de um tufão pode causar perdas materiais e, sobretudo, perdas humanas, assim como desaparecimentos, aumento do número de desabrigados e morte de animais.

O que é um tufão?

Um tufão é um ciclone tropical que se forma na região noroeste do Oceano Pacífico. Esse tipo de fenômeno meteorológico tem origem na superfície de águas oceânicas aquecidas, com temperaturas de 26 ºC ou 27 ºC, motivo pelo qual a sua ocorrência é maior no verão. Em função da sua localização, os tufões atingem principalmente os territórios do continente asiático, como China, Hong Kong, Taiwan, Japão, Filipinas, Península da Coreia e, é claro, ilhas e arquipélagos.

Diferentemente do que acontece no Oceano Atlântico, em que há uma temporada de furacões bem definida, não podemos falar o mesmo para os tufões registrados no Oceano Pacífico. Dito de outro modo, os tufões acontecem em qualquer época do ano.

Entretanto, de acordo com informações da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), órgão dos Estados Unidos, os tufões são mais comuns entre junho e novembro, com pico de registros entre agosto e setembro. Em contrapartida, existe um baixo número de ocorrências nos meses de fevereiro e março.

Imagem do tufão Nanmadol feita a partir da Estação Espacial Internacional.
Imagem do tufão Nanmadol feita a partir da Estação Espacial Internacional. Esse tufão atingiu as Filipinas em 2011.

Então, para que um tufão aconteça, basta que haja condições favoráveis, independentemente de quando. A principal delas é o aquecimento superficial das águas do Oceano Pacífico até uma profundidade de 46 metros, o que tem como consequência a intensificação da taxa de evaporação e o crescimento do volume de vapor d’água em suspensão no ar. Além disso, a instabilidade da atmosfera na região contribui para o desenvolvimento de uma tempestade tropical, que pode evoluir para um ciclone tropical rapidamente.

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Outro ponto importante para a formação de um ciclone tropical no noroeste do Pacífico é o cisalhamento do vento em uma área próxima da superfície do oceano, que nada mais é do que a variação brusca na direção do ar que se movimenta no entorno.

Para que uma tempestade tropical seja elevada à categoria de tufão, a velocidade dos seus ventos deve ser maior do que 119 km/h. Quando os ventos superam 240 km/h, ficando entre as categorias 4 e 5 da escala Saffir-Simpson, o tufão passa a ser classificado como um supertufão.

Leia também: O que é um maremoto?

Diferença entre tufão, furacão e ciclone

Tufão e furacão são nomes regionais para um mesmo tipo de fenômeno meteorológico: o ciclone. Um ciclone é definido como um sistema de ar giratório que se movimenta em alta velocidade em torno de um núcleo de baixa pressão atmosférica. Por onde passa, os ciclones levam mau tempo e tempestades que variam de moderadas a severas, com ventos que podem superar 119 km/h. Nesse caso, o ciclone ganha uma nova denominação: tufão ou furacão.

Os tufões, como vimos, formam-se no noroeste do Oceano Pacífico. Em contrapartida, os furacões são os ciclones registrados no Oceano Atlântico. Por fim, vale mencionar que tanto os tufões quanto os furacões são classificados como ciclones tropicais, uma vez que se desenvolvem na região intertropical do planeta Terra, entre os Trópicos de Câncer (23º27’ N) e de Capricórnio (23º27’ S). No caso dos tufões, a sua tendência é se formar a mais de 5º de distância da Linha do Equador.

Existe tufão no Brasil?

Não existe tufão no Brasil. Os tufões são restritos ao hemisfério oriental do planeta Terra, ocorrendo em países banhados pelo Oceano Pacífico e parte dos países banhados pelo Oceano Índico, o que inclui Japão, China, Filipinas e Vietnã, por exemplo. No entanto, isso não significa que ciclones não atingem o território brasileiro.

O fato de a temperatura do Oceano Atlântico próximo ao Brasil ser de 24 ºC em média, com pouca variação anual, ajuda a explicar o porquê do país não ser atingido por fenômenos semelhantes aos tufões e furacões. Contudo, ciclones extratropicais costumam afetar o Brasil.

Esse tipo de ciclone se forma além da zona intertropical, em latitudes superiores a 23º27’ em ambos os hemisférios. Por conta disso, os estados da região Sul são os mais atingidos pelos ciclones extratropicais, destacando-se o Catarina, que aconteceu em 2004 e afetou mais de 25 mil pessoas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

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Tufões famosos

Imagem do supertufão Tip, que aconteceu em 1979 e é considerado o maior da história.
Imagem do supertufão Tip, que aconteceu em 1979 e é considerado o maior da história.

Os tufões famosos são aqueles cujos ventos atingiram velocidades muito elevadas, ou que provocaram perdas materiais e humanas de grande escala por onde passaram. Dentre eles estão:

  • Supertufão Haiyan: ciclone tropical com ventos de 310 km/h que atingiu principalmente as Filipinas, onde foi chamado de supertufão Yolanda, além de Vietnã, China e Palau, no dia 8 de novembro de 2013. Estima-se que 6.300 tenham perdido a vida por conta das tempestades severas provocadas por esse tufão, que também deixou milhares de desabrigados.
  • Supertufão Nina: atingiu sobretudo a China e Taiwan. Esse ciclone tropical se formou no dia 30 de julho de 1975, chegando ao continente no início de agosto A velocidade dos ventos chegou a 250 km/h, e as tempestades e inundações que seguiram foram responsáveis diretas pela morte de mais de 26.000 pessoas. No entanto, estima-se que mais de 100.000 pessoas tenham morrido tempos mais tarde devido à devastação provocada pelo Nina.
  • Tufão Tip: aconteceu no mês de outubro de 1979 e é considerado o maior ciclone tropical da história. O Tip teve ventos com velocidade de 305 km/h que giravam em torno de um centro com pressão atmosférica de 870 hPa, a menor já registrada nesse tipo de célula de tempestade. Suas dimensões também eram assustadoras: 2.200 km de diâmetro, atingindo Japão, China, Filipinas, Península da Coreia, Ilhas Carolinas e áreas mais ao norte. Diferentemente dos demais supertufões, entretanto, o número de mortes diretas foi menor, tendo registrado 99 fatalidades.

→ Supertufão Champi

O supertufão Champi é o ciclone mais forte registrado no mundo em 2026. A sua formação foi impulsionada pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que atingiram temperatura de 30 ºC em um ano atípico de Super El Niño. Os ventos sustentados, que são aqueles cuja velocidade permanece relativamente estável, registraram velocidade de 296 km/h, ao passo que as rajadas de vento, que são repentinas e temporárias, chegaram a 361 km/h. Trata-se, então, de um supertufão de categoria 5 na escala Saffir-Simpson.

Imagem do supertufão Champi capturada por um satélite da NOAA em 20 de outubro de 2026.
Imagem do supertufão Champi capturada por um satélite da NOAA em 20 de outubro de 2026.

Esse sistema atmosférico começou a se desenvolver no mês de outubro, tendo alcançado os extremos de velocidade mencionados no dia 20. Um dia depois, no entanto, o supertufão Champi começou a perder força, mas isso não quer que o risco para as áreas que serão atingidas diminuiu. Segundo o MetSul|1|, ele pode ser rebaixado para categoria 4 ou 3 nos próximos dias, o que significa que a velocidade dos ventos deverá ficar entre 178 km/h e 251 km/h. Cidades em Taiwan, na China e nas Filipinas estão em alerta para a chegada do supertufão Champi, o que deve acontecer entre os dias 23 e 24 de outubro.

Consequências dos tufões

Pessoas caminham em área devastada pelo tufão Haiyan nas Filipinas, em meio a escombros e construções destruídas.
Tufões de grande intensidade, como o Haiyan (ou Yolanda), deixam um extenso rastro de devastação.[1]

A chegada de um tufão é sempre vista com muita preocupação por pessoas que vivem em áreas afetadas por esse tipo de fenômeno meteorológico. Os ventos intensos e as rajadas são comumente acompanhadas por chuvas fortes e volumosas que, a depender da dimensão e intensidade do ciclone tropical, podem evoluir rapidamente para tempestades severas que produzem impactos de grande magnitude e durabilidade para a população. Algumas das consequências dos tufões são:

  • inundações e alagamentos no meio urbano, bem como deslizamentos de terra;

  • avanço das águas do mar sobre cidades litorâneas;

  • interrupção no fornecimento de energia elétrica, de telefonia e de internet;

  • queda de árvores e de postes;

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  • destruição de lavouras no campo, impactando a oferta de alimentos;

  • destruição da infraestrutura urbana;

  • perda de bens materiais, incluindo carros e motos;

  • aumento do número de pessoas desabrigadas;

  • morte de pessoas e animais;

  • proliferação de doenças provocadas pelas inundações.

Notas

|1| SIAS, Estael. Ciclone monstro se transforma na maior tempestade do ano no mundo. MetSul, 21 out. 2026. Disponível em: https://metsul.com/ciclone-monstro-se-transforma-na-maior-tempestade-do-ano-no-mundo/.

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Créditos da imagem

ymphotos / Shutterstock

Fontes:

GHAFFAR, Nazaneen; WATSON, Dan. Super Typhoon Champi, Churning Over Pacific, Becomes Strongest Storm of 2026. The New York Times, 21 out. 2026. Disponível em: https://www.nytimes.com/2026/10/21/weather/super-typhoon-champi-strongest-storm-year.html.

NOAA. Tropical Cyclone Introduction. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), [s.d.]. Disponível em: https://www.noaa.gov/jetstream/tropical/tropical-cyclone-introduction.

PEIXOTO, Roberto. Supertufão Champi chega a 296 km/h e forma olho gigante no Pacífico. G1, 21 out. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/10/21/supertufao-champi-olho-gigante-no-pacifico.ghtml.

REDAÇÃO. About Tropical Cyclones. Philippine Atmospheric, Geophysical and Astronomical Services Administration (PAGASA), [s.d.]. Disponível em: https://www.pagasa.dost.gov.ph/.

REDAÇÃO. Furacão Milton: quais são as tempestades mais fortes da história? UOL Notícias, 09 out. 2024. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2024/10/09/furacao-milton-quais-sao-os-mais-fortes-da-historia.htm.

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REDAÇÃO. Você sabe o que é uma rajada de vento? Climatempo, 14 out. 2021. Disponível em: https://www.climatempo.com.br/noticia/2021/10/14/voce-sabe-o-que-e-uma-rajada-de-vento—2349.

Autor: Paloma Guitarrara
Escrito por Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.
Revisor(a): Natália Lemes
Revisado por Natália Lemes Com formação em Letras e pós-graduanda em Letramento Informacional, pela UFG, e em Estudos Literários e Ensino de Literatura, também pela UFG, sou revisora de textos desde 2012 e faço parte da equipe do Brasil Escola desde 2010.
Deseja fazer uma citação?
GUITARRARA, Paloma. Tufão. Brasil Escola, 2026. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/tufao-furacao.htm. Acesso em 01 de novembro de 2026.
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Texto "Ciclone no Sul do Brasil e o Super El Niño" escrito sobre imagem de furacão.
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"Qual a diferença entre furacão, ciclone e tornado?" escrito sobre fundo verde ao lado da imagem da professora
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