Permafrost (pergelissolo) é um tipo de solo que apresenta uma camada congelada por mais de dois anos consecutivos. Ele é comum em regiões de clima frio, onde as temperaturas baixas auxiliam na sua manutenção, com temperaturas iguais ou inferiores a 0º C. Sobre ele, existe uma camada ativa de solo que, inclusive, sustenta uma vegetação de pequeno porte, como aquela observada no bioma Tundra. Por isso, o permafrost é comum no Hemisfério Norte, em áreas como Alasca, Groenlândia, Islândia, norte da Rússia e Escandinávia, além das grandes cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira Himalaia, que apresentam extensões de permafrost.
A camada inativa do permafrost armazena grandes volumes de carbono devido à presença de matéria orgânica preservada. Com o seu degelo, que tem sido registrado em função do aquecimento global, esse elemento pode ser liberado na forma de gases como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), sem contar na retomada da atividade de vírus e de bactérias que foram congelados e que permaneciam em estado de suspensão.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre o permafrost
- 2 - O que é o permafrost?
- 3 - Características do permafrost
- 4 - Derretimento do permafrost
- 5 - O que acontece se o permafrost descongelar?
- 6 - O que já foi encontrado no permafrost?
- 7 - Onde fica o permafrost?
- 8 - Fatores que influenciam o permafrost
Resumo sobre o permafrost
- Permafrost (pergelissolo) é um solo que apresenta uma camada congelada, mantida a 0º C ou menos, por, pelo menos, dois anos consecutivos.
- Ele recobre entre 20 e 25% da superfície terrestre, presente em maior extensão nas terras frias do Hemisfério Norte.
- O permafrost ocorre em áreas como Alasca (Estados Unidos), Canadá, Groenlândia, Islândia, países da Escandinávia e norte da Rússia.
- Também está presente em regiões montanhosas, como na Cordilheira dos Andes, na Cordilheira do Himalaia e nas Montanhas Rochosas.
- Sobre a camada congelada, considerada inativa, existe uma camada ativa de solo formada por fragmentos de rocha, por areia e por matéria orgânica que sustenta uma vegetação.
- A parte ativa pode ter entre alguns centímetros até metros de profundidade.
- Esse solo é muito comum no bioma Tundra, no qual a vegetação é formada por espécies rasteiras.
- O permafrost armazena um volume de carbono de 1,7 trilhão de toneladas, muito maior do que o volume desse elemento presente na atmosfera.
- Com o aquecimento global, o derretimento do permafrost tornou-se uma preocupação, já que ele pode liberar carbono na forma de gases como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4).
- Além dos gases, existem micro-organismos como vírus e bactérias preservados no permafrost e que podem se tornar ativos novamente com o degelo.
- O permafrost é uma estrutura ideal para o estudo da paleobiologia e do paleoclima do planeta Terra. Nele, já foram encontrados animais que viveram há dezenas de milhares de anos.
O que é o permafrost?
O permafrost é o nome dado aos solos que apresentam uma camada congelada por um período de, pelo menos, dois anos consecutivos. Ele também é chamado de pergelissolo e recobre entre 20 e 25% da superfície da Terra, cerca de 23.000.000 km², com a maioria desa área localizada no Hemisfério Norte. A manutenção do permafrost hoje é ameaçada pelo aquecimento global, fenômeno caracterizado pela elevação da temperatura média do planeta e que tem derretido uma parte desse substrato e de outras superfícies congeladas.
Características do permafrost
O permafrost (pergelissolo) é um tipo de solo congelado que se mantém nesse estado físico quando o ambiente apresenta temperaturas iguais ou inferiores a 0º C, motivo pelo qual ele é encontrado exclusivamente em regiões frias ou montanhosas. Assim como os demais solos, o permafrost também é composto por fragmentos de rocha de tamanhos variados, por areia e por matéria orgânica. A diferença é que existe uma ampla camada que permanece congelada por um tempo mínimo de dois anos seguidos, sem episódios de derretimento.
A camada congelada pode ser considerada inativa, ou temporariamente inativa. Sobre ela, existe uma camada de solo que é ativa, e tem o potencial para sustentar uma vegetação de pequeno porte. É isso o que acontece em biomas como a Tundra, que se caracteriza por espécies de plantas rasteiras como gramíneas e líquens. A parte ativa do solo pode ter entre 10 e 15 centímetros em regiões com frio extremo, ou mais de 5 metros em áreas onde as estações frias são alternadas com estações um pouco mais amenas que permitem o maior desenvolvimento dessa camada.
Existe matéria orgânica preservada no permafrost, e esse é um dos fatos que conferem maior importância a ele. Aliás, a camada congelada armazena um volume muito grande de carbono, que é dito ser muito maior do que o volume atmosférico desse elemento.
Estima-se que a maior parte do permafrost existente hoje se formou na última era glacial, que aconteceu há 10.000 anos, no início do Período Holoceno. Isso significa que a matéria preservada no permafrost inclui micro-organismos, como vírus e bactérias, e vestígios de formas de vida que existiram há centenas de milhares de anos, algumas das quais são, ainda, pouco conhecidas pela ciência moderna. É justamente por isso que o derretimento do permafrost gera preocupação.
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Derretimento do permafrost
O derretimento do permafrost já é uma realidade. Esse fenômeno é o resultado direto da elevação das temperaturas médias do planeta Terra, que pioraram em um período recente. Além da atmosfera, o aquecimento global tem ocasionado o aumento das temperaturas dos solos, e a variação positiva na temperatura do permafrost vem sendo observada desde a década de 1960.
As perdas atuais do permafrost para o derretimento podem chegar a um quarto caso o aumento da temperatura do planeta se estabilize em 1,2º C. Caso a variação atinga 1,5º C, conforme previsto nos acordos climáticos, a diminuição do permafrost pode chegar a um terço da sua área existente hoje.
O que acontece se o permafrost descongelar?
Que o permafrost está descongelando nós já sabemos, mas, afinal, o que acontece caso o derretimento se intensifique? Essa é uma preocupação compartilhada pela comunidade científica internacional. O permafrost armazena um volume muito grande de carbono, muito maior do que aquele presente, hoje, na atmosfera. Segundo informações do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o permafrost do mundo contém 1,7 trilhão de toneladas de carbono armazenado.
Com o derretimento do permafrost, a matéria orgânica retoma o seu processo de decomposição que havia sido suspenso pelo gelo e promove a liberação sem precedentes de carbono na forma de gases, especialmente gás carbônico (CO2) e gás metano (CH4). O resultado desse processo seria a intensificação ainda maior do efeito estufa e, por conseguinte, do aquecimento global. Ao mesmo tempo em que há a liberação dos gases, micro-organismos que antes estavam “adormecidos” retomam sua atividade biológica e oferecem risco para o solo, para a fauna, para a flora e, ainda, para os seres humanos.
Outro impacto negativo do descongelamento do permafrost está na desestabilização do solo e nos prejuízos às construções instaladas sobre eles. Em muitos países e regiões de frio extremo do planeta Terra, como a Islândia, o norte dos países escandinavos e na Rússia, por exemplo, vilas, cidades e mesmo a infraestrutura urbana, como estradas e pontes, foram feitas sobre o permafrost. O seu derretimento pode danificar a infraestrutura e destruir parte dela, gerando prejuízos financeiros e pessoais.
O que já foi encontrado no permafrost?
O permafrost é uma ótima fonte de estudos da paleobiologia e da paleoclimatologia, que são áreas que investigam as condições pretéritas do planeta Terra. Muitos vestígios de animais pré-históricos já foram encontrados em permafrosts ao redor do mundo, até mesmo animais inteiros que foram mumificados pelo gelo.
Em 2007, por exemplo, remanescentes de um filhote de mamute-lanoso foram encontrados no permafrost em Iacútia, na região russa da Sibéria. O animal viveu há cerca de 40.000 anos e foi apelidado pelos cientistas de Khroma. No mesmo ano, outro mamute da mesma espécie foi encontrado também na Sibéria. Quatro anos mais tarde, também na Sibéria, pesquisadores acharam um dos remanescentes mais bem preservados de um bisão-do-estepe, que viveu há 9.000 anos.
Um potro que teria morrido há mais de 30.000 anos foi encontrado em 2018 no permafrost siberiano em uma profundidade aproximada de 100 metros. Não é só na Sibéria que importantes descobertas foram feitas no permafrost. Ursos, rinocerontes, esquilos e até mesmo um filhote de lobo que morreu há 57.000 anos já foram encontrados em solos congelados em diversas partes do mundo, incluindo o Canadá, que foi o caso do último exemplo citado.
Onde fica o permafrost?
O permafrost fica nas áreas de alta latitude do planeta Terra. A maior parte dele é encontrada em regiões localizadas nas proximidades ou acima do Círculo Polar Ártico, no Hemisfério Norte, em que há o predomínio da Tundra. Os países e as regiões em que são encontrados o permafrost são os seguintes:
- Canadá;
- Estados Unidos (Alasca);
- Escandinávia (Noruega, Suíça e Finlândia);
- Islândia;
- Dinamarca (Groenlândia);
- Rússia.
As áreas montanhosas onde a temperatura fica em torno de -3º C apresentam trechos de permafrost, como na Cordilheira do Himalaia (Ásia), na Cordilheira dos Andes (América do Sul) e nas Montanhas Rochosas (América do Norte).
Fatores que influenciam o permafrost
Os fatores que influenciam o permafrost são aqueles que garantem a manutenção das baixas temperaturas e da sua estabilidade física. São eles:
- o clima frio, comum em altas latitudes e nas regiões montanhosas;
- a presença de uma camada ativa sobre a camada congelada, que assegura o isolamento da região congelada do solo;
- o relevo do terreno, já que áreas mais planas tendem a ser mais estáveis;
- a temperatura média do planeta Terra, que interfere no degelo do permafrost.
Crédito de imagem
[1] Boris Radosavljevic / Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
GHOSE, Tia. Last Terrifying Moments of Baby Mammoths Revealed. Live Science, 14 jul. 2014. Disponível em: https://www.livescience.com/46773-mammoth-calf-mummy-deaths.html.
GRISDALE, Amy. Frozen in time: 10 prehistoric animals found trapped in ice. Live Science, 24 mai. 2023. Disponível em: https://www.livescience.com/5-prehistoric-frozen-creatures.html.
JÚNIOR, Edgard. Pnuma alerta que descongelamento do pergelissolo pode aumentar aquecimento global. ONU News, 28 nov. 2012. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2012/11/1421081
NASA. What Is Permafrost? NASA Science, [s.d.]. Disponível em: https://science.nasa.gov/kids/earth/what-is-permafrost/.
PARE, Sascha. Scientists 'reawaken' ancient microbes from permafrost — and discover they start churning out CO2 soon after. Live Science, 13 out. 2025. Disponível em: https://www.livescience.com/planet-earth/arctic/scientists-reawaken-ancient-microbes-from-permafrost-and-discover-they-start-churning-out-co2-soon-after.
SMINK, Veronica. Por que degelo do permafrost é uma das maiores ameaças ao planeta. BBC, 08 nov. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59179808.
The International Permafrost Association. Disponível em: https://www.permafrost.org/.
WINGE, M. Permafrost. WINGE, M. et al. Glossário Geológico (Dinâmico) Ilustrado. SIGEP, 2001. Disponível em: https://sigep.eco.br/glossario/.