A formação das pérolas é um processo que ocorre a partir de moluscos bivalves, como ostras e mexilhões. É resultado de um mecanismo de defesa desses animais para proteção de seus tecidos. Corpos estranhos, como uma partícula, um grão de areia ou um parasita, podem penetrar o interior da conha. Isso desencadeia o depósito de camadas de uma substância chamada nácar sobre o corpo estranho. A pérola consiste em um núcleo que contém o corpo estranho, coberto por inúmeras camadas concêntricas de nácar, que possui o brilho típico que vemos nas pérolas.
Nem todas as ostras e mexilhões produzem pérolas brilhantes. A maioria desses animais produz estruturas irregulares e opacas, sem valor comercial. As ostras perlíferas (que produzem pérolas brilhantes) incluem as que pertencem à família Pteriidae, que vivem em ambientes marinhos. Em água doce, são perlíferos os mexilhões das famílias Unionidae e Margaritiferidae.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre a formação das pérolas
- 2 - Como se formam as pérolas?
- 3 - Quanto tempo leva para a ostra produzir uma pérola?
- 4 - O que acontece com a ostra quando tira a pérola?
- 5 - Matéria-prima da pérola
- 6 - Quanto vale uma pérola?
Resumo sobre a formação das pérolas
- As pérolas são produzidas por moluscos que possuem nácar (ou madrepérola) entre a concha e o manto.
- A formação ocorre quando um corpo estranho invade a região interna concha, atingindo o manto e causando irritação no animal.
- Como defesa, o molusco deposita camadas concêntricas de nácar sobre o invasor, formando a pérola.
- O tempo de formação varia de seis meses a quatro anos ou mais, com média de três anos em cultivos comerciais.
- A extração da pérola frequentemente causa a morte do animal, exceto em alguns cultivos de água salgada de pérolas de alta qualidade.
- O nácar (ou madrepérola) é a matéria-prima da pérola, de forma que apenas algumas famílias de ostras e mexilhões produzem pérolas regulares e brilhantes.
- O valor comercial de uma pérola depende do tamanho, da forma, do brilho, da uniformidade, da cor e da densidade do nácar.
- Existem diferentes tipos de pérolas no mercado, como Akoya, Tahiti, Mar Sul e de água doce, com preços variados.
Como se formam as pérolas?
A formação das pérolas ocorre por meio de moluscos que possuem uma camada de nácar entre a concha e o manto. O manto é um tecido desses animais que atua na proteção do corpo (vísceras, brânquias, gônadas etc.), que se encontra no interior da concha. Assim, a concha calcária é revestida internamente por uma camada de nácar (ou madrepérola), na qual está aderido o manto, que liga o corpo do animal à concha e que atua na sua proteção.

A região entre o manto e o nácar pode ser invadida por um corpo estranho, que pode ser um parasita, um grão de areia ou qualquer partícula do ambiente. Isso causa irritação ao animal que, como mecanismo de defesa, passa a depositar camadas concêntricas de nácar sobre esse corpo estranho. A deposição começa com a formação de uma bolsa perolífera, que se forma com a invaginação do manto. Ao longo do tempo, diversas camadas de nácar vão sendo depositadas. Essa estrutura composta por um núcleo originado do corpo estranho sobreposto por inúmeros camadas de nácar é a pérola.
Nos cultivos, são construídos locais como tanques, lagos e lagoas para a produção controlada de pérolas. Nesses locais, os animais são mantidos e cuidados, e, para incentivar a produção da pérola, são inseridos corpos estranhos no interior da concha. Esse processo é chamado de nucleação. A partir daí, o processo de formação da pérola ocorre de forma semelhante ao ambiente natural, no qual a invasão do corpo estranho depende de eventos externos.
Quanto tempo leva para a ostra produzir uma pérola?
O tempo necessário para a formação de uma pérola é bastante variável. As menores podem se desenvolver em um período de seis meses, enquanto pérolas maiores podem levar até quatro anos para atingir seu tamanho final. Uma pérola com diâmetro entre 3 e 5 mm, por exemplo, leva no mínimo dois anos para ser produzida. De forma geral, nos cultivos de pérolas para comercialização, considera-se um tempo médio de três anos para a produção de uma pérola.
O que acontece com a ostra quando tira a pérola?
A extração da pérola de um molusco frequentemente resulta na morte dele. Isso acontece, pois a pérola está localizada entre o manto e a concha, e, para retirá-la, é necessário “descolar” o manto, o que é fatal. Além disso, a abertura da concha também pode resultar na morte do animal, pois danifica o músculo adutor, que a mantém fechada, e é essencial para sua sobrevivência.
Nas fazendas de cultivos de pérolas de água doce, é esperado que a retirada dessa estrutura resulte na morte do animal. Após esse processo, é retirada a camada de nácar do interior da concha, utilizada para a produção de objetos ou de pérolas artificiais.
Em alguns cultivos de água salgada, a extração tem o objetivo de ser mais cuidadosa, de forma a evitar a morte do animal. Isso acontece, pois as pérolas de água salgada são mais valiosas, e os animais são mais sensíveis e mais custosos em sua manutenção. Assim, abre-se a concha apenas o suficiente para remover a pérola e para realizar uma nova nucleação. O mesmo molusco pode gerar de duas a três pérolas ao longo de sua vida, mas esse processo geralmente apenas é feito nos cultivos de pérolas alta qualidade.
Matéria-prima da pérola
A matéria-prima da pérola é o nácar, substância que reveste o interior das conchas de moluscos bivalves. A maiorias desses animais produz pérolas que são irregulares e opacas, diferente das pérolas que vemos sendo comercializadas. As ostras da família Pteriidae e os mexilhões das famílias Unionidae e Margaritiferidae produzem pérolas com nácar brilhante e denso, por isso são chamados de perlíferos. O nácar é também chamado de madrepérola, palavra que significa “pérola mãe”, ou seja, o que dá origem às pérolas.
Alguns moluscos produzem estruturas semelhantes, mas que são formadas por outras substâncias, como carbonato de cálcio, chamadas de pérolas não nacaradas. São exemplos os gastrópodes das famílias Haliotidae, Strombidae e Volutidae e os bivalves das famílias Pectinidae e Tridacnidae.
Existem pérolas artificiais, ou seja, que não são produzidas por animais, mas sim pelo ser humano. Estas podem ser feitas de plástico ou de pó de nácar.
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Quanto vale uma pérola?
Gema é o nome dado aos materiais considerados preciosos (predas preciosas), ou seja, que são utilizados em joias e que possuem valor estético, como esmeralda, rubi, diamante ou pérola. De acordo com a Sociedade Internacional de Gemas, o valor atribuído a uma pérola depende do tamanho, da forma, do brilho, da uniformidade da superfície, da cor e da densidade do nácar. Normalmente, são comercializadas em colares ou em combinações, de forma que a uniformidade entre as pérolas de uma mesma peça também impacta seu valor de mercado.
- Tamanho: em média, pérolas variam, em média, de 4mm a 18mm de diâmetro, sendo que as pérolas maiores tendem a ser mais raras e, portanto, mais valiosas.
- Forma: as pérolas podem variar em simetria, de forma que, quanto mais próxima à forma esférica, mais valiosa é uma pérola.
- Brilho: quanto mais brilhoso e refletivo for o nácar de uma pérola, maior será seu valor de comércio.
- Uniformidade da superfície: imperfeições na superfície podem afetar o valor de uma pérola. Quanto mais uniforme for a sua superfície, mais valiosa é uma pérola.
- Cor: cores mais raras, como azul escuro, preto e dourado, são mais valiosas.
- Densidade: nácar mais denso significa maior durabilidade, o que pode aumentar o valor de uma pérola.
É comum especificar os tipos de pérolas se referindo aos locais onde vivem os moluscos que as produzem. Além disso, a comercialização geralmente é feita na forma de cordões, ou seja, conjuntos de pérolas.
- Pérolas Akoya: são produzidas por moluscos típicos dos mares da região do Japão e valem, em média, de $300 a $10,000.
- Pérolas do Tahiti: são produzidas por moluscos típicos dos mares da polinésia, e seu preço varia, em média, de $500 a $25,000.
- Pérolas do Mar Sul: são produzidas por moluscos que vivem nos mares da Austrália, da Indonésia e das Filipinas e valem, em média, de $1,000 a $100,000.
- Pérolas de água doce: são produzidas por animais que podem ser encontrados em lagoas, em rios e lagos em diversos locais do mundo, sendo o seu preço, em média, de $50 a $2,000.
Como os valores comerciais das pérolas podem variar conforme suas características, é comum a consulta a um especialista para avaliação de cada peça em específico.
Crédito de imagem
W.carter / Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia dos organismos: a diversidade dos seres vivos - anatomia e fisiologia de plantas e de animais. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. v. 2.
BERTÃO, Ana Paula. Cultivo de pérolas. GIA – Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais, 2021. Disponível em: https://gia.org.br/portal/elementor-5212/.
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NATURAL HISTORY MUSEUM. How do oysters make pearls? Londres: Natural History Museum, 2025. Disponível em: https://www.nhm.ac.uk/discover/quick-questions/how-do-oysters-make-pearls.html.