Imperador romano do Ocidente (395-423) nascido possivelmente em Constatinopla, que, incapaz de deter o avanço dos bárbaros, contribuiu para a desintegração do Império Romano. Filho e herdeiro do Grande Teodósio, contava com apenas onze anos de idade quando seu pai morreu e herdou o governo do Império do Ocidente, sob a tutela do general Flávio Estílico [ou Estilicão] que assumiu o governo de fato, diante da fraca personalidade do imperador. Este primeiramente venceu os visigodos, e entrou em confronto com as autoridades do Oriente, especialmente Rufino, o prefeito pretoriano da parte oriental do Império governada por Arcádio, seu irmão e herdeiro do Império do Oriente. Estílico sufocou a rebelião promovida pelo Conde Gildão na África (396-398) e promoveu o casamento (398) do imperador com sua filha Maria. Também mandou matar Rufino, mas não agiu com eficácia contra o rei visigodo Alarico I, que desistiu da invasão da Itália (402) e ainda o ajudou a manter o sonho que sempre ambicionou: derrubar o governo do Oriente.
Os godos eram um povo germânico originário das regiões meridionais da Escandinávia e os romanos chamava de visigodos, os godos que viviam entre os rios Danúbio e Dniester. Nas festas do acordo com os visigodos, em Roma, permitiu a celebração de jogos com a participação dos gladiadores, o que desagradou aos cristãos, ocasionando a morte do eremita Telêmaco durante os protestos, levando a publicação de um Edicto Imperial (404), proibindo definitivamente as lutas de gladiadores. Ainda sob o comando de Estilicão, as tropas do Imperador venceram os exércitos invasores do vândalo Radagaiso, próximo a Florença (405), executando Radagaiso e vendendo seus homens como escravos. Por uma questão de segurança a corte foi transferida para Rávena (405), julgada mais segura que Roma ou Milão [na época Mediolanum]. No final do ano seguinte um grupo de invasores pretendentes a várias tribos germânicas, atravessou o rio Reno, então congelado, saqueou várias cidades da fronteira e espalhou-se por toda a Gália.
Estilicão começou a cair em desgraça por causa de sua tolerância religiosa e de sua aproximação com os visigodos, o que atraiu a desconfiança dos cristãos e conspirações armadas pelo partido nacionalista romano. Com a ocupação da Gália pelos vândalos, suevos e alanos (406), Estilicão perdeu a confiança do imperador e, por isso, foi acusado de traição. Acusado também de negociar com o rei visigodo Alarico, e de pretender colocar seu filho Euquério como herdeiro do Imperador, este foi envenenado pelas intrigas e decretou que seu general fosse executado (408). Dois anos depois Roma, pela primeira vez em 800 anos, foi invadida e saqueada por estrangeiros. Com a chegada dos visigodos de Alarico, às proximidades de Roma (410), o imperador refugiou-se em Ravena, até a retirada dos invasores e a vitória do general Flávio Constâncio (411) sobre o usurpador do trono da Gália, Constantino III. Por ordem do imperador o governo da Lusitânia foi entregue aos alanos (411), encerrando o vínculo daquela região com Roma (27 a. C.-411) que perdurava desde os tempos de Augusto.
Alarico motivou-se como vingança pela morte de Estílico, mas o rei visigodo morreu pouco depois, em Cosentia, hoje Cosenza, Itália, quando prosseguia para a Calábria. Seu cunhado e sucessor, Ataulfo, saiu da Itália e levou suas tropas para o sudoeste da Gália. Ataulfo era casado com Gala Placídia, a meia-irmã do imperador romano e mãe de Valentiniano III, e foi obrigado pelo general Constâncio III a se retirar para a Espanha, onde foi assassinado (415). O substituto de Ataulfo, o irmão Vália, devolveu Plácida aos romanos e foi autorizado a voltar com seu povo para a Gália, onde estabeleceu a capital em Tolosa, hoje Tolouse, conseguindo o status de estado federado pouco depois (418). Foi durante o governo honoriano que se desenvolveu duas grandes correntes teológicas, defendidas por São Gerônimo (348-420), de Stridon, e Santo Agostinho (354-430), de Tagasta, de enormes significados para as gerações futuras de todo o mundo cristão. Posteriormente o general foi nomeado co-imperador Constâncio III (421) e, após sua morte, foi sucedido no império do Ocidente pelo filho de Constâncio, Valentiniano III.
Flávio Honório
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ESCOLA, Brasil.
Flávio Honório. Brasil Escola, 2026.
Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/flavio-honorio.htm. Acesso em 01 de
setembro
de 2026.
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