Os seres não vivos são todos os elementos que não apresentam o conjunto de características que define a vida. Sendo assim, o termo “seres não vivos” não corresponde a uma categoria científica de classificação, mas a uma expressão utilizada para referir-se a tudo aquilo que não possui vida.
Água, luz, temperatura, solo e ar são exemplos de fatores abióticos, que interagem com os seres vivos e influenciam sua sobrevivência. Vírus e príons não são considerados seres vivos, pois não apresentam todas as características associadas à vida: os vírus dependem de células hospedeiras para multiplicarem-se, enquanto os príons são proteínas alteradas que podem causar doenças.
Leia também: Afinal, o que são os seres vivos?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre seres não vivos
- 2 - O que são seres não vivos?
- 3 - Diferenças entre seres não vivos e seres vivos
- 4 - Características dos seres não vivos
- 5 - Exemplos de seres não vivos
- 6 - Exercícios resolvidos sobre seres não vivos
Resumo sobre seres não vivos
- Os seres não vivos são todos os elementos que não apresentam o conjunto de características que define a vida.
- Os seres vivos apresentam organização celular, metabolismo, nutrição, crescimento e desenvolvimento, resposta a estímulos, reprodução e evolução.
- Todos os seres vivos são formados por uma ou mais células.
- Os componentes não vivos não possuem células nem realizam metabolismo, como pedras, água e ar.
- Os fatores abióticos compreendem os componentes físicos e químicos não vivos do ambiente, como água, luz, temperatura, solo, ar, umidade e minerais.
- Os fatores bióticos correspondem aos seres vivos presentes em um ecossistema.
- Fatores bióticos e abióticos interagem e influenciam o funcionamento dos ecossistemas.
- Vírus possuem material genético, mas não têm células nem metabolismo próprio e dependem de células hospedeiras para se multiplicar.
- Os vírus podem causar doenças, como gripe, dengue, sarampo e hepatite B.
- Os príons são proteínas alteradas que não possuem DNA ou RNA e podem causar doenças neurológicas.
- Doenças priônicas incluem a encefalopatia espongiforme bovina e a doença de Creutzfeldt-Jakob.
O que são seres não vivos?
Os seres não vivos são todos os elementos que não apresentam o conjunto de características que define a vida. Dessa forma, o termo “seres não vivos” não corresponde a uma categoria científica de classificação, mas a uma expressão utilizada para referir-se a tudo aquilo que não possui vida, como a água, o ar, as rochas, os minerais e até mesmo a vírus e a príons.
Embora não exista uma única característica capaz de definir todos os seres vivos, existem algumas propriedades que, quando analisadas em conjunto, permitem diferenciá-los dos componentes não vivos do ambiente. São elas: organização, metabolismo, resposta a estímulos, crescimento e desenvolvimento, nutrição, evolução e reprodução. Entre elas, uma das principais características é a organização celular.
A célula é considerada a unidade básica da vida, e todos os seres vivos são formados por uma ou mais células. Alguns organismos, como as bactérias, são unicelulares, ou seja, possuem apenas uma célula. Outros, como os animais e as plantas, são multicelulares, sendo formados por muitas células que podem desempenhar diferentes funções. Por outro lado, os componentes não vivos não possuem célula.
Diferenças entre seres não vivos e seres vivos
Diferentemente dos seres vivos, os componentes não vivos não são formados por células e não realizam metabolismo. Uma pedra, por exemplo, pode sofrer alterações ao longo do tempo, como desgaste provocado pela água, pelo vento ou pelas mudanças de temperatura, mas essas transformações não acontecem por meio de processos metabólicos realizados pela própria pedra.
Estar em movimento, crescer ou sofrer transformações não são, isoladamente, critérios suficientes para considerar algo um ser vivo. Uma nuvem, por exemplo, pode mudar de forma e tamanho, e um cristal pode aumentar de tamanho à medida que novas partículas são incorporadas à sua estrutura. No entanto, nenhum deles é considerado um ser vivo, pois não apresentam o conjunto de características associado à vida.
Características dos seres não vivos
Por não serem categoria científica de classificação, os “seres não vivos” englobam componentes muito diversos, que apresentam características distintas entre si. A única característica que possuem em comum é a ausência de vida, ou seja, não apresentam as características próprias dos seres vivos. Eles não são formados por células, não possuem metabolismo e não realizam processos vitais, como nutrição, respiração, crescimento e reprodução.
Dessa forma, os seres não vivos são componentes que não apresentam organização e funcionamento biológicos. A água, o ar, as rochas, o solo e a luz solar são exemplos de elementos não vivos que, apesar de não terem vida, são fundamentais para a manutenção dos seres vivos e para o funcionamento dos ambientes. Em um ecossistema, esses componentes constituem os chamados fatores abióticos, enquanto os organismos constituem os fatores bióticos. Assim, embora os elementos não vivos não realizem processos vitais, eles participam das condições e dos processos físicos e químicos que tornam possível a existência e a manutenção da vida.
Confira também: Qual a diferença entre os fatores bióticos e abióticos?
Exemplos de seres não vivos
→ Componentes não vivos do ambiente: os fatores abióticos
Os fatores abióticos são os aspectos físicos e químicos não vivos de um ecossistema. Entre os principais fatores abióticos, estão a água, o ar, a luz solar, a temperatura, o solo, as rochas, os minerais, o vento, a umidade e a salinidade (concentração de sais inorgânicos dissolvidos).
As características dos fatores abióticos variam de um ambiente para outro e determinam quais espécies conseguem viver em cada local. No deserto, por exemplo, a escassez de água e as altas temperaturas favorecem organismos adaptados ao calor. Já nas regiões polares, as baixas temperaturas exigem adaptações diferentes para garantir a sobrevivência.
Embora não possuam vida, os fatores abióticos estão intimamente relacionados aos seres vivos e são essenciais para o funcionamento dos ecossistemas. A interação entre os componentes vivos (bióticos) e não vivos (abióticos) mantém o equilíbrio ambiental e possibilita a existência da vida na Terra. As plantas, por exemplo, utilizam a luz do Sol e o dióxido de carbono presente no ar para realizar a fotossíntese. Da mesma forma, os animais necessitam de água, de oxigênio e de condições adequadas de temperatura para sobreviver.
Além disso, com o passar do tempo, os ecossistemas podem mudar, e isso acarreta mudanças nos fatores abióticos. Segundo reportagem da National Geographic (National Geographic Society, 2023), após a Revolução Industrial, houve um aumento de 30% na acidez de algumas regiões do oceano, decorrentes da solubilização do dióxido de carbono liberado pelas fábricas na água do mar.
→ Vírus e príons
Os vírus são microorganismos constituídos por material genético — na forma de DNA ou de RNA — envolto por uma capa protetora de proteína chamada capsídeo. Os vírus não são considerados seres vivos pela maioria dos cientistas porque não possuem células, não têm metabolismo próprio fora de um hospedeiro e não conseguem se reproduzir sozinhos. Eles funcionam como pacotes inertes de material genético até invadirem uma célula, ou seja, são parasitas intracelulares obrigatórios. Quando invadem células hospedeiras, causam inúmeras doenças, como gripe, dengue, sarampo, aids, hepatite B, poliomielite, entre outras.
Já os príons são versões defeituosas de uma proteína que é abundante na superfície dos neurônios e que desempenha funções importantes para o funcionamento neuronal. Os príons possuem capacidade de autorreplicação, mas não possuem ácidos nucleicos (ácido desoxirribonucleico – DNA — e/ou ácido ribonucleico — RNA). Essas proteínas deformadas tornam-se tóxicas e matam neurônios, sendo responsáveis por inúmeras doenças em animais e em seres humanos, conhecidas como doenças priônicas. Entre elas, temos a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), popularmente conhecida como “doença da vaca louca”. O nome espongiforme decorre do fato de que a morte dos neurônios deixa o cérebro poroso tal qual uma esponja. Em humanos, temos a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), que afeta o cérebro, gerando demência rápida, perda de memória, tremores e alteração motora.
Exercícios resolvidos sobre seres não vivos
Questão 1
(CieBio) Assinale a alternativa que não representa um exemplo de Fatores Abióticos
A) ambiente físico (água, solo, atmosfera)
B) radiação solar
C) temperatura
D) pH e umidade
E) fungos
Resolução:
Alternativa E.
Fatores abióticos são os componentes não vivos do ambiente, como água, solo, atmosfera, radiação solar, temperatura, pH e umidade. Os fungos são seres vivos e, portanto, fazem parte dos fatores bióticos do ambiente.
Questão 2
(Ufam) Os fatores bióticos e abióticos são componentes essenciais dos ecossistemas. Didaticamente, os ecossistemas podem ser divididos em aquáticos e terrestres. São considerados fatores abióticos de um ecossistema aquático de água doce, exceto:
A) A correnteza, os sais minerais e a temperatura
B) A luminosidade, os sais minerais e o pH.
C) Os parasitas, a precipitação e a umidade.
D) Os gases dissolvidos, o pH e a temperatura.
E) Os sais dissolvidos, o oxigênio e a luminosidade.
Resolução:
Alternativa C.
Os fatores abióticos são os componentes não vivos do ambiente que influenciam o funcionamento dos ecossistemas. Em ambientes aquáticos, alguns exemplos são temperatura, luminosidade, pH, sais minerais, gases dissolvidos e oxigênio. Já os parasitas são seres vivos, portanto, correspondem a um fator biótico.
Questão 3
(Fuvest) Considere as seguintes características atribuídas aos seres vivos:
I. Os seres vivos são constituídos por uma ou mais células.
II. Os seres vivos têm material genético interpretado por um código universal.
III. Quando considerados como populações, os seres vivos modificam-se ao longo do tempo.
Admitindo que possuir todas essas características seja requisito obrigatório para ser classificado como “ser vivo”, é correto afirmar que
A) os vírus e as bactérias são seres vivos, porque ambos preenchem os requisitos I, II e III.
B) os vírus e as bactérias não são seres vivos, porque ambos não preenchem o requisito I.
C) os vírus não são seres vivos, porque preenchem os requisitos II e III, mas não preenchem o requisito I.
D) os vírus não são seres vivos, porque preenchem o requisito III, mas não preenchem os requisitos I e II.
E) os vírus não são seres vivos, porque não preenchem os requisitos I, II e III.
Resolução:
Alternativa C.
Os vírus não possuem organização celular, sendo constituídos apenas por material genético envolto por estruturas proteicas e, em alguns casos, por envelope. Assim, considerando os critérios apresentados na questão, os vírus atendem aos requisitos II e III, mas não ao requisito I, pois não são formados por células.
Fontes
Assessoria de Comunicação CBA. EEB (Doença da Vaca Louca). Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, 2023. Disponível em: https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/informativo/defesa-agrosp-no-019-fevereiro2023/eeb-doenca-da-vaca-louca/.
Flávio Berchez & Fanly Fungyi Chow Ho. Fatores ambientais e a dinâmica dos ambientes bentônicos. Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Disponível em: https://habitatsbentonicos.ib.usp.br/fatores-ambientais.
Microbiology Society. What are viruses? Disponível em: https://microbiologysociety.org/why-microbiology-matters/what-is-microbiology/what-are-viruses.html.
National Geographic Society. Abiotic Factors. National Geographic, 2023. Disponível em: https://education.nationalgeographic.org/resource/abiotic-factors/.
Omar Lupi. Doenças priônicas: avaliação dos riscos envolvidos na utilização de produtos de origem bovina. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/98q65HvQjNNdGsy43Wc6nxC/?lang=pt.
Pustiglione M, Torres RAT, Sá EC. Doenças causadas por príons e provável nexo ocupacional. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho. Disponível em: https://www.rbmt.org.br/details/186/pt-BR/doencas-causadas-por-prions-e-provavel-nexo-ocupacional.
Ricardo Zorzetto. Estudo identifica forma rara de Alzheimer adquirida por tratamento em desuso. Revista FAPESP, 2024. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/estudo-identifica-forma-rara-de-alzheimer-adquirida-por-tratamento-em-desuso/.
Saúde de A a Z. Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dcj.
Vírus é um ser vivo? Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/virus-e-um-ser-vivo/.