Castelos medievais

Os castelos medievais são fortificações construídas na Europa feudal, que serviam como defesa, residência dos senhores e símbolo de poder político e territorial. Hoje são patrimônio histórico.

Imprimir
A+
A-
Escutar texto
Compartilhar
Facebook
X
WhatsApp
Play
Ouça o texto abaixo!
1x

Castelos medievais são construções fortificadas típicas da Europa da Idade Média, erguidas principalmente entre os séculos IX e XV em um contexto de guerras, invasões e fragmentação do poder político. Mais do que simples fortalezas militares, eles funcionavam como residência dos senhores feudais, centro administrativo, símbolo de autoridade e instrumento de controle territorial. Construídos inicialmente em madeira e, depois, em pedra, os castelos tornaram-se elementos centrais da organização política, social e militar do mundo feudal europeu.

Leia também: Quais são as 7 maravilhas do mundo antigo?

Anuncie aqui

Tópicos deste artigo

Resumo sobre castelos medievais

  • Os castelos medievais são construções fortificadas típicas da Europa medieval, ligadas ao contexto do feudalismo e das disputas militares.
  • Surgiram entre os séculos IX e X, após a fragmentação do Império Carolíngio e o aumento das invasões e conflitos locais.
  • Passaram por uma evolução arquitetônica ao longo do tempo.
  • Dada a fragilidade da madeira a ataques incendiários, os castelos passaram a ser feitos de pedra, o que também os tornava mais duráveis.
  • As estruturas simples de madeira  (motte-and-bailey), nos séculos IX e XI, deram lugar a fortalezas de pedra com muralhas, torres e fossos nos séculos seguintes.
  • Suas funções principais eram a defesa militar, ser a residência do senhor feudal, o centro administrativo do feudo e símbolo de autoridade e controle territorial naquele domínio.
  • Suas estruturas mais comuns envolviam uma localização estratégica, torre de menagem, muralhas espessas, portões fortificados e, em alguns casos, pontes levadiças.
  • Quem vivia nos castelos eram os senhores feudais, suas famílias, cavaleiros, clérigos, criados e outros membros da administração local.
  • Atualmente, muitos castelos permanecem preservados na Europa, restaurados como patrimônio histórico e atrações turísticas.
  • Há dezenas de milhares deles espalhados pelos países do continente.
  • O Castelo de Windsor e a Torre de Londres, na Inglaterra, o Château de Carcassonne, na França, o Alcázar de Segóvia, na Espanha, o Castelo de Malbork, na Polônia, e o Castelo de Guimarães, em Portugal, são exemplos de castelos medievais.
  • Não existem castelos medievais autênticos no Brasil, mas há fortes do período colonial, um outro tipo mais moderno de fortaleza militar, e construções mais modernas inspiradas no modelo europeu.

Origem e história dos castelos medieva

Castelo de Harlech, exemplo de castelo medieval. .
Os castelos são construções fortificadas típicas da Europa medieval.

Os castelos medievais são construções típicas da Idade Média europeia. Apesar de existirem fortificações similares em outros contextos históricos e geográficos, o uso mais apropriado do termo se restringe ao medievo na Europa.

Nesse contexto, os primeiros castelos começaram a aparecer por volta dos séculos IX e X, em um período de grande instabilidade, em que o poderoso Império Carolíngio havia se fragmentado, dando margem para disputas militares e diversas invasões, como a dos vikings e a dos sarracenos (árabes islâmicos). Esse foi um período de grande descentralização do poder e um momento de consolidação da sociedade feudal, com senhores locais assumindo funções de defesa e administração de seus domínios, de seus “feudos”.

Esses senhores feudais, nesse contexto de grande disputa e instabilidade, precisaram investir na sua proteção e na defesa de seus domínios, suas riquezas e trabalhadores a eles submetidos. É nesse contexto que essas fortificações ganham importância estratégica e se tornam cada vez mais comuns e grandiosas.

Inicialmente, os castelos eram estruturas muito simples, dificilmente identificadas como castelos, de fato, para um observador contemporâneo, muitas vezes, feitos de madeira e erguidos sobre colinas artificiais, chamadas de motte. Com o tempo, essas construções evoluíram para estruturas cada vez mais complexas, fortificadas e grandiosas, feitas de pedras, com altas torres e muralhas, como costumam ser representados atualmente na cultura popular. Foi a partir do século XI que os castelos se espalharam rapidamente pela Europa, nos territórios onde hoje são a França, a Inglaterra, a Espanha e diversos outros países.

Durante muito tempo, acreditou-se que os castelos eram apenas isso: grandes fortalezas militares importantes em um período tão instável e inseguro da Europa. No entanto, pesquisas mais recentes, como as do historiador inglês Charles Coulson, mostram que essas construções funcionavam também como símbolos de autoridade, que ajudava a legitimar o poder do senhor feudal naquelas terras para os servos a eles submetidos, e também para outros senhores.|1|

Os castelos eram pensados estrategicamente dentro da paisagem. Eles costumavam ser construídos para ficarem bem visíveis e destacados em vilas, estradas importantes e campos de cultivo, para que servissem não somente para defesa, mas também para demonstrar controle territorial sobre esses importantes locais para o contexto medieval. Os castelos medievais funcionavam portanto como abrigo contra inimigos, mas também como parte central da organização política e social da Europa medieval, sendo ao mesmo tempo casa (do senhor e sua família), fortaleza, símbolo, palco e estrutura de poder.

Anuncie aqui

Veja também: Palácio de Buckinghan — curiosidades sobre a residência do rei e da rainha do Reino Unido

Características dos castelos medievais

Os castelos medievais eram construídos para proteger, mas também para impressionar e controlar territórios. À primeira vista, suas características que mais chamavam atenção eram as muralhas altas e as torres robustas, mas cada detalhe ali tinha uma função específica, nada era apenas decorativo.

→ Castelos medievais de madeira

Antes dos grandiosos castelos típicos do século XI, temos que fazer uma referência às características dos primeiros castelos, ainda no século IX, bem mais modestos. Esses castelos ainda eram feitos de madeira e eram relativamente simples, eram fortificações funcionais focadas em rápida construção, defesa local e demonstração de poder.

O modelo predominante desses primeiros castelos é o motte-and-bailey (em português seria algo como “monte e pátio”). Essa estrutura consistia em duas partes principais: o monte (motte), que era um monte de terra construído como elevação estratégica, e o pátio (bailey), que ficava inferior ao monte.

Uma torre de madeira (keep) era então construída no alto do monte, servindo como principal moradia no nobre ou dos vigias e como último refúgio em caso de invasão. Depois uma paliçada de madeira alta (espécie de cerca ou muro) era feita com troncos de madeira em torno do pátio (bailey). Algumas vezes, para ampliar a segurança, eram feitos fossos e valas em torno da paliçada de madeira que cercava o pátio, o que aumentava a dificuldade para os atacantes.

As grandes vantagens dessa estrutura motte-and-bailey relativamente simples que formaram os primeiros castelos medievais eram a rapidez com que eram construídos e o baixo custo. Erguidos em poucas semanas, eram ideais para consolidar poder em novos territórios rapidamente. Eles costumavam ser construídos em localizações estratégicas, situados em locais altos, em colinas ou próximos a rios e estradas importantes, sempre buscando aproveitar defesas naturais.

Anuncie aqui

Por outro lado, eles eram muito vulneráveis contra fogo e ataques incendiários, um ponto fraco que foi muito explorado pelos atacantes e que motivou a adoção de construções de pedra, mais caras e demoradas, porém resistentes a esse tipo de ataque. Foi aí, então, que os castelos evoluíram para os gigantes de pedra que conhecemos na cultura popular.

  • Castelos medievais de pedra

Inicialmente, manteve-se a estrutura motte-and-bailey, mas agora em pedra. Muitas cidades medievais cresceram em torno de estruturas desse tipo, como Durham, na Inglaterra, em torno do Castelo de Durham, estabelecido em um ponto estratégico (uma península) para defender a região, no século XI; Dublin, na Irlanda, em torno do Castelo de Dublin, embora ele tenha se tornado um castelo muito mais sofisticado e grandioso posteriormente, foi construído originalmente como uma fortificação motte-and-bailey pelos normandos; Caen, na França, na região da Normandia, em trono do castelo de Caen, construído no século XI, entre muitos outros exemplos.

Castelo de Durham, na Inglaterra, um castelo medieval com estrutura motte-and-bailey.
Castelo de Durham, na Inglaterra, exemplo de castelo feito de pedra, mas que manteve a estrutura motte-and-bailey.

Os castelos de pedra evoluíram para muralhas cada vez mais espessas, altas torres de vigilância, portões fortificados e, muitas vezes, um fosso ao redor da construção. Em alguns casos, havia ainda uma ponte levadiça, que podia ser recolhida em momentos de perigo. No centro do castelo, ficava a torre principal, chamada de “torre de menagem”, e era o ponto mais protegido da construção, funcionando como residência do senhor feudal e último refúgio em caso de invasão.

Um ponto que precisa ser reforçado é que tão importante quanto a edificação em si era o local de sua construção, sempre cuidadosamente escolhido, tanto pelas defesas naturais que fornecia, como colinas, despenhadeiros, montanhas, privilegiando locais com visão ampla da região e dificuldade de ser alcançado, bem como pelo valor do que aquele lugar poderia guardar, como cruzamento de estradas, rios importantes, grandes plantações e afins.

Quanto ao interior dos castelos, eles não eram tão confortáveis quanto a maioria dos filmes de época sugerem. Eram frios, com iluminação limitada e móveis modestos para os padrões atuais. Ainda assim, representavam o centro do poder político local e simboliza a força de uma sociedade organizada em torno da guerra, da terra e da hierarquia social. Mais que cenários de batalhas, os castelos eram máquinas arquitetônicas de projeção de poder.

Interior de um castelo medieval.
Apesar das grandes lareiras, os castelos eram frios e úmidos, as janelas eram pequenas e a iluminação era limitada.

Quem morava nos castelos medievais?

Ao contrário do que muitos filmes e histórias da cultura popular sugerem, os castelos medievais não eram ocupados apenas por reis e rainhas. A maioria dos castelos era ocupada por senhores feudais, nobres que estavam no topo da hierarquia social no feudalismo e tinham autoridade sobre territórios e pessoas dentro desses territórios.

Anuncie aqui

Eram os senhores feudais que comandavam a defesa desses territórios, com suas milícias armadas (inclusive os célebres “cavaleiros medievais”), comandavam a coleta de impostos junto aos servos, artesãos e vilões (habitantes das vilas) e administravam as terras, de maneira geral.

O senhor feudal vivia em seu castelo com sua família, servindo de residência do senhor, mas também cumpria o papel de centro administrativo e comando militar. Por isso, costumava abrigar também cavaleiros, escudeiros, clérigos (que tinham funções religiosas e administrativas), bem como as famílias de toda essa rede de servidores próximos do senhor. Havia ainda uma ampla rede de criados, como cozinheiros, ferreiros, artesãos e afins, que também costumavam viver nos castelos para servir o senhor, sua família e seus apoiadores de maior status.

Ilustração representando um banquete em um castelo medieval.
Na cena, uma refeição da corte (rei e nobres à mesa), representando hierarquias, etiqueta e cotidiano medieval.

A sociedade feudal medieval era profundamente hierárquica e a posição de cada pessoa nessa hierarquia era bem marcada e reforçada continuamente nos ritos sociais do dia a dia dos habitantes dos castelos, com cada pessoa tendo uma função específica e correspondente status dentro dessa estrutura social.

Exemplos de castelos medievais

Dentre as centenas de castelos que poderiam ilustrar esse tema, podemos destacar alguns castelos que se tornaram verdadeiros símbolos da Europa e nos ajudam a entender como essas construções funcionavam na prática. São castelos que revelam as diferenças arquitetônicas entre eles e os diferentes aspectos do poder no contexto da história medieval europeia.

  • Castelo de Windsor (Inglaterra)

Começou a ser construído no século XI, após a conquista da Inglaterra pelos normandos de origem francesa. É um dos castelos habitados mais antigos do mundo e ainda serve como uma das residências oficiais da família real britânica. Foi construído inicialmente porque sua posição estratégica, próxima ao rio Tâmisa, reforçava o controle sobre a cidade de Londres. Ao longo dos séculos, foi sendo ampliado e transformado, mostrando como muitos castelos evoluíram de fortalezas militares para residências reais, para verdadeiros palácios.

Banquete da família real britânica no Castelo de Windsor.
Banquete no interior do Castelo de Windsor, uma das residências oficiais da família real britânica.
  • Château de Carcassonne (França)

Localizado no sul da França, ele é a imagem clássica do castelo medieval típico para a maioria das pessoas. Construído no século XII, pelos viscondes de Trencavel, sobre antigas muralhas romanas do século I, ele foi assumido pelos reis franceses no século XIII, que investiram na sua expansão e fortificação.

Anuncie aqui

O local perdeu sua importância estratégica no século XVI, com o desenvolvimento de técnicas mais modernas de guerra que tornaram os castelos estruturas militares obsoletas, o que promoveu seu declínio e relativo abandono. Foi revalorizado no século XIX, no contexto de revalorização do passado histórico, o que levou a sua restauração. Atualmente, é um dos principais exemplos da arquitetura medieval e é reconhecido como patrimônio histórico da humanidade pela Unesco desde 1997.

Castelo de Carcassonne, na França, um exemplo de castelo medieval.
Castelo de Carcassonne, na França, exemplo típico da arquitetura medieval.
  • Torre de Londres (Inglaterra)

Fortaleza icônica da formação da Inglaterra como estado nacional, ela começou a ser construída a partir de 1066 pelo rei Guilherme, o Conquistador, para consolidar a conquista dos normandos sobre a região. Ao longo de mil anos, ela serviu como palácio real, prisão, arsenal, casa da moeda e até zoológico. Atualmente, é uma das propriedades oficiais da família real britânica e abriga as joias da coroa. É considerada patrimônio histórico da humanidade pela Unesco desde 1988.

Torre de Londres, exemplo de castelo medieval.
A Torre de Londres abriga as joias da coroa britânica e é um exemplo de castelo como símbolo de poder político.
  • Alcázar de Segóvia (Espanha)

Imponente castelo espanhol, localizado na cidade de Segóvia na Espanha, foi edificado a partir do século XII pelo então Reino de Castela. Inclusive, o nome Castela (Castilla, em espanhol) deriva diretamente do latim castellum, significando “terra de castelos”. A região foi nomeada devido à grande quantidade de fortificações construídas para proteger o território diante dos mouros durante o período da Reconquista. A silhueta desse castelo influenciou o imaginário popular contemporâneo sobre os castelos, sendo uma das inspirações para o famoso castelo da Disney.

Alcázar de Segóvia, exemplo de castelo medieval.
Alcázar de Segóvia, castelo-palácio que foi sede da monarquia espanhola por séculos e inspirou o famoso castelo da Disney.

Localizado sobre um penhasco, o que favorece a visibilidade do entorno, bem como a defesa da edificação, ele serviu como residência real para os monarcas de castela, que posteriormente se tornaram monarcas de toda a Espanha, bem como de fortaleza, prisão de estado e, atualmente, funciona como museu, tendo também sido reconhecido como patrimônio histórico da humanidade pela Unesco.

  • Castelo de Malbork (Polônia)

Localizado no norte da Polônia, esse é o maior castelo do mundo construído com tijolos. Ele foi erguido para ser sede da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos a partir de 1274, permanecendo como centro dessa ordem por mais de 150 anos. A partir do século XV, o castelo passou a servir como residência oficial da monarquia polonesa. Caiu em ruínas após o domínio da Prússia sobre a Polônia em 1772 e começou a ser restaurado no século XIX.

Tornou-se um museu após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e é, desde 1997, reconhecido como patrimônio histórico da humanidade pela Unesco.

Anuncie aqui
Castelo de Malbork, na Polônia, um castelo medieval construído com tijolos.
Castelo de Malbork, na Polônia, um castelo medieval construído com tijolos.
  • Castelo de Guimarães (Portugal)

Localizado no norte de Portugal, construído a partir do século X, foi fundamental para o surgimento de Portugal, como estado independente do reino de Castela e posteriormente da Espanha. Fundado ainda no contexto do Condado Portucalense para defender o Mosteiro católico de Santa Maria de Guimarães contra-ataques de vikings e muçulmanos, ele foi o palco da Batalha de São Mamede, que foi decisiva para a independência de Portugal.

Castelo de Guimarães, em Portugal, exemplo de castelo medieval.
Castelo de Guimarães, em Portugal.

Perdeu importância a partir do século XV, tornando-se prisão e até mesmo ruína nos séculos seguintes. Foi restaurado no século XX e hoje é um importante patrimônio histórico da humanidade reconhecido pela Unesco.

Quais castelos medievais ainda existem?

Apesar de muitos castelos terem sucumbido aos sinais do tempo, às guerras ou mesmo ao descaso após o fim da Idade Média, quando se tornaram obsoletos militarmente, ainda existem muitos castelos medievais de pé na Europa. Seria impossível listar todos eles, pois a Europa abriga mais de 50 mil castelos e fortificações, abrangendo desde ruínas até estruturas preservadas.

Alemanha, França e Itália lideram em quantidade, cada uma com milhares de construções. Muitos desses castelos medievais foram restaurados ou reconstruídos, tornando-se atrações turísticas famosas, outros estão mais próximos de uma ruína do que foram um dia. De qualquer forma, de maneira geral, os castelos são muito valorizados pelas populações desses países como elementos de valor histórico e cultural e costumam atrair turistas e pesquisadores.

Com maior ou menor grau de conservação, essas estruturas ganharam importância histórica, especialmente a partir do século XIX, com o desenvolvimento do romantismo, dos nacionalismos e da ciência histórica, século em que muitos deles começaram a ser preservados e restaurados. Hoje são considerados patrimônios históricos da humanidade e importantes centros turísticos.

Na Inglaterra, por exemplo, o já citado Castelo de Windsor continua não somente preservado, mas praticamente intacto e funcionando como residência oficial da realeza britânica. A Torre de Londres também continua praticamente intacta e é um dos principais monumentos históricos do país, inclusive um dos mais visitados.

Anuncie aqui
Turistas nos arredores do Castelo de Windsor, na Inglaterra, um castelo medieval que ainda está em uso.
O Castelo de Windsor, na Inglaterra, ainda está em uso como residência e também para receber visitantes.

Na França, o também citado Château de Carcassone foi revalorizado e restaurado no século XIX e hoje é considerado um patrimônio histórico da humanidade pela Unesco, além de ser um dos pontos mais visitados pelos turistas que visitam o interior da França. O mesmo pode ser dito de todos os outros castelos citados anteriormente, como Castelo de Guimarães, em Portugal, o Castelo de Malbork e tantos outros, que são pontos importantes de atração de visitantes nos dias atuais.

Saiba mais: Por que a Torre de Pisa é torta?

Castelos medievais no Brasil

Não existem castelos medievais no Brasil. Isso porque essas construções surgiram em um contexto muito específico da Europa feudal, entre os séculos IX e XV. O Brasil, como país e como nação, é fruto da colonização portuguesa, que começa efetivamente a partir do século XVI. Até então, o nosso território era amplamente habitado por centenas de povos, com suas próprias identidades, línguas, culturas e sentidos de territorialidade e sociabilidade, que não coincidiam com a ideia de estado-nação, que fundamenta o que chamamos hoje de “Brasil”.

De qualquer forma, esses povos que habitavam o território brasileiro quando da chegada dos portugueses, no século XVI, não tinham castelos, mas tinham outras formas de habitação e de sociabilidade.

Durante o período colonial brasileiro, Portugal investiu na construção de fortificações costeiras voltadas principalmente para a defesa contra invasões estrangeiras, portanto, o que existia aqui (e ainda existe) eram os fortes, fortalezas militares típicas da Idade Moderna, mais baixas, com paredes muito mais espessas, rentes ao solo, mais adequados à defesa diante dos temíveis canhões à pólvora, elemento tecnológico que tornou a maioria dos castelos europeus obsoletos. É o caso do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, e do Forte dos Reis Magos, em Natal (RN).

Forte de Copacabana, no Brasil em texto sobre castelos medievais.
O Forte de Copacabana (RJ) é um bom modelo da diferença entre castelo europeu medieval e forte moderno no Brasil.

Há também construções brasileiras mais ou menos inspiradas nos castelos medievais europeus, apesar de construídos muitos séculos depois da Idade Média e sem a mesma função daqueles. É o caso do Castelo de Itaipava, inaugurado no Rio de Janeiro em 1924, e do Castelo de Hidrolândia, no interior de Goiás.

Anuncie aqui
Castelo de Itaipava, em Petrópolis, inspirado em castelos medievais.
Castelo de Itaipava, em Petrópolis (RJ), edificação feita ao estilo de um “castelo” no Brasil, no início do século XX.

Curiosidades sobre castelos medievais

  • Nem todos os castelos tinham fossos com água

Muita gente imagina que todo castelo tinha um fosso cheio de água e crocodilos. Na realidade, muitos fossos eram secos. Eles dificultavam a aproximação de inimigos e tornavam mais difícil cavar túneis sob as muralhas (tática militar muito comum entre os atacantes de castelos desse período).

  • Banheiros “externos”

Os castelos tinham latrinas chamadas garderobes. Em vez de encanamento, eram pequenas estruturas que projetavam os dejetos diretamente para fora das muralhas ou para fossas. Conforto, definitivamente, não era uma prioridade.

Saída do garderobe (banheiros/latrinas) do Castelo de Portchester, na Inglaterra. Os dejetos caíam para fora das muralhas.
  • Frio constante e muita umidade

Apesar das grandes lareiras, os castelos eram frios e úmidos. As paredes de pedra retinham a baixa temperatura, e as janelas eram pequenas para dificultar ataques. Imagine um cenário com paredes geladas, molhadas, cheias de musgo e muito mofo. A vida ali estava longe do luxo mostrado em séries e filmes.

  • Castelos coloridos

Hoje vemos muralhas cinzentas, mas muitos castelos eram pintados e decorados com bandeiras, tapeçarias e cores vibrantes. Os nobres medievais adoravam cores, pinturas e ornamentos e tudo isso era símbolo de status naquela época. A Idade Média não era tão escura quanto costumam achar hoje em dia.

  • Alguns castelos foram construídos em poucos meses

Os primeiros modelos, feitos de madeira e terra (conhecidos como motte-and-bailey), podiam ser erguidos rapidamente, em poucas semanas, especialmente após conquistas militares, como ocorreu depois da invasão normanda da Inglaterra em 1066.

  • Nem todo castelo era gigantesco

Alguns eram relativamente pequenos, destinados ao controle de vilas ou rotas comerciais específicas. O tamanho variava conforme o poder e a riqueza do senhor que o mandava construir. Muitas vezes era só uma torre de pedra, por exemplo.

Anuncie aqui
  • Os castelos inspiram a cultura pop até hoje

Desde contos de fadas até jogos de videogame, os castelos medievais continuam sendo cenário de histórias épicas. Mesmo que muitas representações misturem fantasia e realidade, o fascínio permanece, o que prova que essas construções se tornaram símbolos duradouros do imaginário ocidental.

  • A maioria dos castelos não se parecia com os castelos da Disney

A imagem romântica de torres delicadas e paredes impecáveis é resultado de adaptações modernas. Muitos castelos medievais tinham aparência austera e funcional. O ideal romântico surgiu muitos séculos depois, especialmente no século XIX, quando a Idade Média passou a ser vista com bastante nostalgia.

  • Castelos também eram cenários de festas e alianças

Banquetes, cerimônias de casamento e juramentos de fidelidade aconteciam no grande salão, ponto central e mais nobre dos castelos. O castelo era palco tanto de batalhas quanto de celebrações e alianças políticas.

Nota

|1| COULSON, Charles. Castles in Medieval Society: Fortresses in England, France, and Ireland in the Central Middle Ages. Oxford: Oxford University Press, 2003.

Créditos das imagens

Anuncie aqui

Wikimedia Commons

Kaua209/ Shutterstock

Wikimedia Commons

Sergii Figurnyi/ Shutterstock

rodrigobark/ Shutterstock

Colin Babb/ Shutterstock

Anuncie aqui

Fontes

COULSON, Charles. Castles in Medieval Society: Fortresses in England, France, and Ireland in the Central Middle Ages. Oxford: Oxford University Press, 2003.

LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Tradução de Monica Stahel. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016

LIDDIARD, Robert. Castles in Context: Power, Symbolism and Landscape, 1066–1500. Macclesfield: Windgather Press, 2005.

Escritor do artigo
Escrito por: Alexandre Fernandes Borges Professor e historiador, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, com 20 anos de experiência no ensino de História no Ensino Médio. Servidor público de carreira da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás desde 2007, atuou como Chefe do Arquivo Histórico Estadual de Goiás entre 2012 e 2019. Atualmente, integra a Comissão de Avaliação de Bens Intangíveis da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.
Deseja fazer uma citação?
BORGES, Alexandre Fernandes. "Castelos medievais"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/castelos-medievais.htm. Acesso em 29 de março de 2026.
Copiar

Artigos Relacionados


Alta Idade Média

Confira tudo o que você precisa saber sobre a Alta Idade Média. Entenda suas características, principais acontecimentos, relação com o feudalismo, etc.

Baixa Idade Média

Clique aqui e saiba detalhes sobre a Baixa Idade Média. Entenda o que foi, conheça suas principais características e descubra como se encerrou.

Big Ben

Saiba tudo sobre o maior símbolo de Londres: o Big Ben. Inaugurado em 1859, o Big Ben é o sino que integra a Torre do Parlamento.

Cavalaria Medieval

Saiba como era formada a cavalaria medieval, quais eram os rituais de formação do cavaleiro e suas principais designações no mundo feudal.

Cidades Médias

O conceito, a função, a importância e alguns exemplos de cidades médias no Brasil.

Igreja Medieval

Clique aqui, entenda o que foi a Igreja Medieval, saiba como essa instituição se organizava e descubra o que foi o Tribunal da Inquisição.

Império Carolíngio

Clique para saber mais sobre o Império Carolíngio. Entenda como foi formado, a que povo pertencia e veja detalhes sobre o reinado de Carlos Magno.

Palácio de Buckingham

Saiba mais sobre o Palácio de Buckingham. Entenda qual a função desse palácio e conheça um pouco de sua história.

Torre Eiffel

Sabia que a Torre Eiffel era um monumento provisório? Clique aqui e leia outras curiosidades sobre esse símbolo francês. Conheça a história da Torre Eiffel.

Torre de Pisa

Você sabe por que a Torre de Pisa é inclinada e não cai? Clique aqui e saiba tudo sobre esse famoso monumento da Itália!