Lixo espacial é todo tipo de objeto produzido pelos seres humanos e que foi deixado sem utilidade na órbita terrestre. Atualmente existem mais de 140 milhões de peças (que, em conjunto, pesam 17 mil toneladas) que são consideradas lixo espacial ao redor do planeta Terra. Embora a maior parte desse lixo seja composta por objetos com menos de 1 cm, a velocidade com que eles viajam e o potencial de colisão podem causar prejuízos de grande magnitude para satélites, sondas e naves. Além disso, existem muitos satélites desativados, carcaças de foguetes, motores e outras peças maiores que acabam caindo na superfície terrestre, representando um fator de risco físico e para o meio ambiente.
Com o aumento das missões espaciais e o acúmulo cada vez maior de objetos na órbita terrestre, o lixo espacial é uma preocupação crescente e que demanda medidas urgentes para ser mitigado. Agências espaciais, como a ESA (Agência Espacial Europeia), por exemplo, já estão testando tecnologias para recolher uma parte desses resíduos, ao mesmo tempo em que o Comitê Interagências de Coordenação de Detritos Espaciais (IADC) busca soluções coletivas para o problema que persiste desde o período da corrida espacial, na década de 1950.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre lixo espacial
- 2 - O que é o lixo espacial?
- 3 - Imagens reais de lixo espacial
- 4 - Tipos de lixo espacial
- 5 - Origem do lixo espacial
- 6 - Lixo espacial cai?
- 7 - Lixo espacial é perigoso?
- 8 - Impactos do lixo espacial
- 9 - Soluções para o lixo espacial
Resumo sobre lixo espacial
- Lixo espacial é todo tipo de objeto feito pelos seres humanos e que estão na órbita do planeta Terra sem nenhuma utilidade.
- Estima-se que haja mais de 140 milhões de objetos classificados como lixo espacial em órbita. A maior parte deles tem entre 1 mm e 1 cm de diâmetro.
- Há diferentes tipos de lixo espacial, o que inclui: fragmentos da fuselagem de veículos espaciais, satélites desativados, lascas de tinta, ferramentas perdidas e carcaças de foguetes.
- A origem do lixo espacial é igualmente diversa. Alguns objetos em órbita datam das primeiras missões espaciais ainda na década de 1950.
- Colisão entre sondas ou veículos espaciais, explosões que acontecem na atmosfera ou mesmo operações fora da estação espacial, por exemplo, geram lixo espacial.
- O lixo espacial pode cair na superfície terrestre, e isso acontece com frequência. No entanto, é mais comum a queda de objetos que estão na órbita baixa, a menos de 600 km de altitude.
- Oferece uma série de riscos para os satélites que estão em funcionamento hoje, para a Estação Espacial Internacional (ISS) e para missões em andamento, já que o lixo espacial trafega a uma velocidade muito alta.
- Também tem potencial para poluir a superfície terrestre, especialmente quando acontece a queda de equipamentos com resquícios de produtos tóxicos, como combustíveis.
- Já existem tecnologias em teste para o recolhimento de parte do lixo espacial, além do Comitê Interagências de Coordenação de Detritos Espaciais (IADC), que busca uma solução coletiva para o problema.
O que é o lixo espacial?
O lixo espacial é todo objeto feito pelos seres humanos e utilizado em missões no espaço que permanece em órbita mesmo sem nenhuma função. Os detritos são materiais provenientes de missões espaciais, plataformas, satélites ou outros equipamentos previamente empregados em algum tipo de trabalho na órbita do planeta Terra ou além dela, e que foram ou perdidos ou descartados de forma deliberada. Eles apresentam tamanho variado, desde fragmentos milimétricos até antigos foguetes que pesam algumas toneladas, embora a maior parte do lixo espacial em órbita atualmente tenha entre 1 mm e 1 cm.
Em números, estima-se, em 2026, que mais de 140 milhões de objetos classificados como lixo espacial estejam em órbita atualmente, de acordo com dados atualizados da ESA (Agência Espacial Europeia). Esse é um dado preocupante, ainda mais quando se considera o crescimento das missões espaciais em um período recente e o acúmulo de novos detritos junto dos antigos, com potencial para ocasionar problemas ambientais e técnicos de grande magnitude, como veremos adiante.
Imagens reais de lixo espacial
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Fragmento de um veículo espacial
Em 2001, um pedaço de um veículo utilizado para o lançamento de um satélite GPS, no ano de 1993, entrou na atmosfera e caiu no Deserto da Arábia, na Arábia Saudita:
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Tanque de combustíveis de um veículo espacial
O tanque de combustíveis com peso de 250 kg de um veículo de lançamento da missão Delta II entrou na atmosfera novamente e caiu no estado do Texas, nos Estados Unidos, em 1997, quase um ano após o seu lançamento.
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Detritos espaciais
Em 2026, astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) capturaram o que acreditam ser detritos espaciais reentrando na atmosfera enquanto passavam sobre a costa oeste do continente africano.
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Escória de alumínio, um tipo de resíduo espacial
A seguir temos um tipo de material chamado de escória de alumínio, que é o resultado da reação que acontece com o alumínio presente no propulsor de veículos espaciais quando em contato com o oxigênio atmosférico. Esse tipo de detrito também representa lixo espacial, e pode ser encontrado em órbita. O da imagem, como é possível notar pela escala, tem apenas alguns centímetros de largura e, apesar disso, apresenta perigo para satélites e veículos espaciais em atividade.
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Cobertor térmico abandonado
A imagem a seguir foi capturada pela Nasa no ano de 1998, e mostra um cobertor térmico abandonado após ter se soltado durante uma operação fora da nave, conforme apontado pelo astronauta Jerry Ross|1|. Apesar da confirmação, o objeto tem sido alvo de teóricos da conspiração que alegam ser algum tipo de satélite alienígena.
Tipos de lixo espacial
Assim como o “lixo terrestre”, por assim dizer, o lixo espacial é composto por uma diversidade ampla de objetos. Como mencionamos, a maior parte desse tipo de resíduo é formada por componentes de dimensões milimétricas e centimétricas, que alcançam até 1 cm ou, no máximo, 10 cm, o que torna difícil o seu reconhecimento em alguns casos. Essas peças de menor tamanho podem ser:
- fragmentos da fuselagem de veículos espaciais, incluindo foguetes e sondas;
- fragmentos de satélites que foram desativados ou que permanecem ativos;
- lascas de tinta que se desprenderam de veículos ou satélites;
- partículas de equipamentos que estão se deteriorando no espaço;
- peças que se desprenderam de veículos ou trajes espaciais;
- ferramentas que foram abandonadas ou que escaparam durante alguma operação;
- pedaços de veículos espaciais que explodiram ou se desintegraram de alguma forma.
No entanto, há objetos muito maiores que compõem o lixo espacial, especialmente satélites. Estima-se que haja mais de 2.250 satélites desativados em órbita, e que constituem, portanto, lixo espacial. Além deles, são tipos de lixo espacial:
- carcaças de foguetes;
- motores e outras peças de veículos espaciais, como janelas e painéis que foram trocados;
- sondas que foram inutilizadas;
- equipamentos e ferramentas descartadas ou perdidas durante missões, sobretudo, fora de naves ou da ISS, como mantas térmicas, chaves de fenda, luvas etc.
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Origem do lixo espacial
O lixo espacial que orbita o planeta Terra se originou em missões espaciais que têm sido realizadas pela humanidade desde o início da chamada Era Espacial, que remonta à Guerra Fria. Fragmentos ou peças de foguetes, sondas, satélites e outros objetos enviados para o espaço desde o final da década de 1950 ainda estão vagando.
Segundo a ESA, uma parte deles é proveniente de missões malsucedidas, que foram bruscamente encerradas devido à explosão de veículos espaciais e de satélites ou de panes severas que inutilizaram sondas, cápsulas e outros equipamentos.
As colisões ainda são uma pequena parte da causa da formação do lixo espacial. Entretanto, com o aumento das missões e o acúmulo de detritos em órbita, espera-se que esse tipo de acidente seja, em um futuro não muito distante, a principal fonte de resíduos. Colisões entre veículos também geram lixo espacial, como ocorreu entre dois satélites, um norte-americano e um russo, em 2009.
Há, ainda, testes balísticos com mísseis antissatélites e a interceptação propriamente dita que são promovidos por diferentes países, em conflito militar ativo ou não, que também geram lixo espacial. No ano de 2007, por exemplo, a China destruiu um de seus satélites meteorológicos (FengYun-1C) dessa maneira, ocasionando um aumento de detritos espaciais em 25%. Esse episódio e a colisão de 2009, segundo a Nasa, foram responsáveis pela expansão do volume de lixo espacial na órbita terrestre baixa (LEO ou Low Earth Orbit, em inglês) em 70%.
Lixo espacial cai?
Sim, o lixo espacial cai. As fotos que vimos anteriormente mostram objetos que retornaram para a superfície terrestre. No entanto, a queda depende da altitude em que os detritos estão localizados, pois quanto maior a altitude, maior é a probabilidade deles permanecerem em órbita. Os objetos que estão em altitude inferior a 600 km são aqueles que tendem a cair com maior frequência, ao contrário daqueles situados a mais de 1.000 km de altitude.
A ESA estima que 75% do lixo espacial de maior dimensão já retornou para a superfície terrestre, havendo casos de todos os anos. Na maior parte dos casos, eles entram em combustão durante esse processo, e acabam sendo fragmentados em pedaços menores. Os resíduos de tamanho moderado fazem a reentrada com uma frequência semanal, enquanto os menores atingem a superfície terrestre quase que diariamente.
Lixo espacial é perigoso?
O lixo espacial pode, sim, ser perigoso. O perigo não é tanto pela queda, embora ele exista, já que a maior parte dos resíduos acabam sendo destruídos assim que atingem camadas mais baixas da atmosfera devido à sua alta velocidade. Aqueles de maiores dimensões podem ser rastreados, e a sua trajetória é acompanhada com o propósito de se estimar o local de impacto. Entretanto, todo e qualquer resíduo espacial em órbita oferece riscos aos satélites, aos veículos espaciais em atividade e, até mesmo, aos objetos que trafegam pelo espaço aberto.
Os detritos pequenos se movem a uma velocidade de quase 8 km/s, ou 28.000 km/h, e o seu impacto é frequentemente comparado ao de projéteis de grandes dimensões. Então, a colisão desse tipo de objeto com satélites de comunicação ou meteorológicos, por exemplo, ou, ainda, com robôs, foguetes e sondas, ocasiona desde furos na fuselagem até problemas graves que comprometem a continuidade do funcionamento do objeto atingido.
O perigo é ainda maior na órbita terrestre baixa, onde se concentra a grande maioria tanto do lixo espacial quanto dos satélites. Os riscos que são oferecidos por esse tipo de resíduo já foram retratados na ficção, como no filme Gravidade, de 2013.|2|
Impactos do lixo espacial
Os impactos do lixo espacial são percebidos tanto em órbita quanto na superfície terrestre. Vimos que os detritos se acumulam ao redor do planeta há mais de meio século, e que o fato de se deslocarem em alta velocidade representa perigo para os objetos que estão em operação no espaço, o que inclui a Estação Espacial Internacional, e para as futuras missões espaciais. Além da poluição da alta atmosfera, o lixo espacial também polui a superfície terrestre quando cai, e aqui estamos tratando de objetos de maior dimensão (> 10 cm).
Fragmentos de foguetes e de outros veículos espaciais que saem de órbita e caem no planeta Terra podem conter resquícios de combustíveis e metais considerados tóxicos para a água e o solo, representando, assim, um risco ambiental. Temos exemplos desse tipo de impacto nas florestas do leste da Sibéria, na Rússia, que é afetada pelo lixo espacial proveniente de veículos de lançamento conhecidos como Proton, utilizados desde o ápice da corrida espacial para colocar satélites em órbita até o presente. Os residentes locais exibiram problemas de saúde resultantes dos materiais tóxicos desses detritos, como alergias, doenças de pele e casos de câncer|3|.
Portanto, o lixo espacial prejudica os trabalhos que estão sendo realizados no espaço ao colidir com satélites e veículos espaciais, podendo afetar serviços como a comunicação, a transmissão de dados, a previsão do tempo e a análise da atmosfera. Apresenta, ao mesmo tempo, alto potencial poluidor dos recursos naturais na superfície terrestre, como os solos e os corpos hídricos, gerando consequências negativas para a saúde humana e para as demais formas de vida dos ecossistemas afetados.
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Soluções para o lixo espacial
Desde 1957, a ESA aponta que foram realizados 6.050 lançamentos de missões espaciais, as quais contribuíram para as 17.000 toneladas de resíduos que orbitam o planeta Terra atualmente. Com o avanço da tecnologia e a expansão das pesquisas sobre o espaço profundo, a tendência é de que esse número cresça de maneira significativa nos próximos anos, o que suscita debates acerca do problema do lixo espacial e como solucioná-lo.
Agências como a ESA e a Nasa adotam protocolos que procuram reduzir o impacto ambiental dos detritos via implementação de novas tecnologias na construção das aeronaves, sondas e satélites, concepção de novas técnicas de engenharia e, também, treinamento de astronautas em missão para a redução do volume de resíduos produzidos. Em 2028, a agência europeia pretende lançar a missão ClearSpace-1, que tem como objetivo promover a retirada de lixo espacial da baixa órbita. Para isso, tem testado a tecnologia ADRIOS, que significa Remoção Ativa de Detritos – Manutenção em Órbita (Active Debris Removal – In-Orbit Servicing) para a coleta dos materiais.
Os esforços não se limitam às agências espaciais europeia e estadunidense. De maneira a coordenar os estudos para a análise dos resíduos em órbita e buscar soluções efetivas para o problema do lixo espacial, diversas agências espaciais ao redor do globo se uniram para formar o Comitê Interagências de Coordenação de Detritos Espaciais (IADC, na sigla em inglês), em operação desde 1993. Além da ESA e da NASA, os seguintes países e suas respectivas agências integram esse comitê:
- Alemanha;
- Canadá;
- China;
- Coreia do Sul;
- França;
- Índia;
- Itália;
- Japão;
- Reino Unido;
- Rússia;
- Ucrânia.
Notas
|1| DOBRIJEVIC, Daisy; CROOKES, David. The 'Black Knight' satellite: A 120-year-old conspiracy theory. Space, 10 jun. 2025. Disponível em: https://www.space.com/what-is-the-black-knight.html.
|2| SKIBBA, Ramin. A Nasa tem um plano para limpar o lixo espacial, mas será que é suficiente? National Geographic, 18 nov. 2024. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/11/a-nasa-tem-um-plano-para-limpar-o-lixo-espacial-mas-sera-que-e-suficiente.
|3| VASSILIEVA, Maria. Russians say space rocket debris is health hazard. BBC, 07 ago. 2012. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-europe-19127713.
Fontes
AGIUS, Matthew Ward. Como resolver o problema crescente do lixo espacial? DW, 06 abr. 2025. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/como-resolver-o-problema-crescente-do-lixo-espacial/a-72126824.
BENNETT, Mia M. Orbital debris requires prevention and mitigation across the satellite life cycle. Communications Engineering, n. 4, 2025. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s44172-025-00430-5.
ESA. About space debris. European Space Agency (ESA), [s.d.]. Disponível em: https://www.esa.int/Space_Safety/Space_Debris/About_space_debris.
ESA. Space debris by the numbers. European Space Agency (ESA), [s.d.]. Disponível em: https://www.esa.int/Space_Safety/Space_Debris/Space_debris_by_the_numbers.
HOFFPAUIR, Daniel. Space Debris: Understanding the Risks to NASA Spacecraft. NASA, 11 jul. 2016. Disponível em: https://www.nasa.gov/centers-and-facilities/nesc/space-debris-understanding-the-risks-to-nasa-spacecraft/.
Inter-Agency Space Debris Coordination Committee (IADC). Disponível em: https://www.iadc-home.org/what_iadc.
NASA. Nasa Orbital Debris Program Office. NASA, [s.d.]. Disponível em: https://orbitaldebris.jsc.nasa.gov/.
ORBITAL RADAR. Space Debris Statistics, [s.d.]. Disponível em: https://orbitalradar.com/space-debris-statistics.
REDAÇÃO. O que é lixo espacial, uma das maiores preocupações para a exploração do espaço. National Geographic, 07 out. 2022. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2022/09/o-que-e-lixo-espacial-uma-das-maiores-preocupacoes-para-a-exploracao-do-espaco.