Sacro Império Romano-Germânico

O Sacro Império Romano-Germânico foi um dos impérios mais duradouros da história. Formado a partir da coroação do carolíngio Carlos Magno, atingiu o seu auge durante o governo de Frederico II.

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O Sacro Império Romano-Germânico foi resultado da revitalização do extinto Império Romano, que havia terminado em 476 d.C., quando o líder germânico Odoacro depôs o último de seus imperadores, Rômulo Augusto. Essa revitalização, ocorrida oficialmente no ano 800, adveio da nomeação do Papa Leão III a Carlos Magno como defensor da fé católica, e portanto, imperador do então novo Império Romano.

As anexações nominais de “sacro” e “germânico” surgiriam em momentos posteriores, respectivamente durante os governos de Frederico I “Barba Ruiva”, no século XII, e Frederico III, no século XV. No entanto, a referência como um “império”, aos olhos contemporâneos, pode ser bastante traiçoeira, já que esse I Reich se diferenciava bastante dos governos centralizados que se tornariam comuns na Idade Moderna, especialmente após a Paz de Vestfália, que diminuiu ainda mais o poder do imperador diante dos estados germânicos sob sua influência.

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Leia também: O que provocou a queda do Império Romano?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Sacro Império Romano-Germânico

  • O Sacro Império Romano-Germânico foi um império europeu fundado em 800 e extinto em 1806.
  • Apesar de ter se localizado na atual Alemanha, o Sacro Império se estendeu pela Itália, França, Países Baixos e Europa Central.
  • Sua formação remete à coroação de Carlos Magno em 800 pela Igreja Católica, em um ato que representou a aliança entre o papa e a Dinastia Carolíngia.
  • Apesar de uma crise de sucessão após o término do poder carolíngio, o império foi novamente revitalizado por Otão I em 962.
  • A bandeira do Sacro Império Romano-Germânico remete ao estandarte imperial do século XV, da águia bicéfala sobre fundo dourado.
  • O Sacro Império não era centralizado, diferentemente da maioria dos demais impérios; pelo contrário, ele era formado por inúmeros estados relativamente livres.
  • Em 1555, após décadas de combate à Reforma Protestante iniciada em 1517, decretou-se Paz de Augsburgo, que garantia a liberdade religiosa para os estados germânicos – ao menos teoricamente.
  • O atrito entre os estados católicos, de um lado, e os estados protestantes, do outro, expandiu-se para assuntos estrangeiros, o que suscitou na Guerra dos Trinta anos entre 1618 e 1648.
  • Com o término da guerra e a Paz de Vestfália em 1648, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico se tornou ainda menos influente no poder do Estado.
  • Com a expansão do Império Francês de Napoleão Bonaparte e a derrota dos austríacos na Batalha de Austerlitz, o Sacro Império foi dissolvido, em 1806.

O que foi o Sacro Império Romano-Germânico?

O Sacro Império Romano-Germânico foi um império europeu erigido no ano 800 e extinto mais de mil anos depois, em 1806, tornando-se um dos poucos a perdurar durante três períodos distintos da história tradicional ocidental: a Idade Média, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea. Centralizado na atual Alemanha, o império se estendeu, durante a Idade Média, para o norte da Itália, parte da França oriental, os Países Baixos e diversos territórios a leste que compreendem parcialmente países da atual Europa Central.

Esse império era formado pela integração de diversos territórios submissos ao poder do imperador e surgiu no contexto da Dinastia Carolíngia, com a coroação de Carlos Magno ao final do século VIII. A dissolução do império ocorreu no início do século XIX, quando o imperador Francisco II foi derrotado pelo Império Francês de Napoleão Bonaparte.

O Sacro Império Romano-Germânico se tornou uma das maiores potências da Europa do início do século XIII, entrando em decadência após a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Essa guerra travada entre estados católicos e protestantes significou possivelmente o maior conflito da Idade Moderna, envolvendo quase todas as potências da Europa Ocidental.

Após o fim da guerra, o imperador foi obrigado a aceitar diversas exigências acordadas na Paz de Vestfália (1648). Entre elas, as mais impactantes foram a descentralização do poder (estados poderiam estabelecer alianças entre si ou estrangeiros), as religiões protestantes passaram a ser praticadas em território germânico e diversas nações surgiram como soberanas, tornando-se independentes do império, como a Suíça (formalmente) e os Países Baixos.

Em um contexto anterior à Guerra dos Trinta Anos, o Sacro Império Romano-Germânico, mais especificamente na Saxônia, Alemanha, serviu de palco da Reforma Protestante a partir de 1517 (algo que, indiretamente, levaria ao conflito do século XVII), suscitada pelo monge agostiniano Martinho Lutero em sua crítica à corrupção praticada pelo papa e pela Igreja Católica.

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Veja também: Reforma Protestante — o que foi e quais foram as suas consequências?

Como surgiu o Sacro Império Romano-Germânico?

Apesar de historicamente o Sacro Império Romano-Germânico ter suas origens no ano 800, o seu processo de formação e consolidação ocorreu de forma lenta e sob a influência de diversos personagens históricos. Nesse contexto, grande parte da Europa era dominada pelos francos, inclusive os territórios que compõem a atual Alemanha, mas o Império Carolíngio, após Carlos Magno, se desmembrou em três territórios: Frância Ocidental (mais ou menos correspondente à atual França), Frância Oriental (futura Alemanha) e Lotaríngia (território entre as duas demais que se estendia desde o Mar do Norte até além de Roma ao sul, na Itália).

Quando, ao final do século VIII, Carlos Magno foi nomeado rei dos francos, a política de aliança com a Igreja Católica de Roma iniciada por seu pai, Pepino, o Breve, foi continuada. Este havia fortalecido o poder do papa especialmente através da Doação de Pepino, que consistia em oferecer os territórios outrora sob domínio dos ortodoxos bizantinos para a Igreja Católica, culminando na criação dos Estados Papais. Carlos Magno deu continuidade a essa política, declarando-se protetor do papado em Roma e principal defensor de uma padronização litúrgica da Igreja.

A presença ativa do rei dos francos lhe garantiu uma concessão por parte do Papa Leão III: Carlos Magno foi nomeado, em 800, imperador romano, um título que havia se extinguido desde a dissolução do Império Romano no século V.

Na imagem, a coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III, em 800, evento que deu origem ao Sacro Império Romano-Germânico.
Na imagem, a coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III, em 800, evento que deu origem ao Sacro Império Romano-Germânico.

Por sua vez, com a extinção da Dinastia Carolíngia, o império passou por uma crise de sucessão: entre os séculos IX e X, a Alemanha tornou-se cenário de diversas disputas pela hegemonia de poder, até que o líder Otão I se destacou ao impedir as incursões magiares (que se tornariam os fundadores da atual Hungria) sobre a Europa Central, e em 962, foi nomeado oficialmente o novo imperador do mais uma vez ressuscitado Império Romano. A importância de Otão I também se refletiu em sua política de intervenção nos assuntos da Igreja, que a partir do século XI, culminou na Questão (ou Querela) das Investiduras — uma disputa entre o imperador Henrique IV e o papa Gregório VII.

Por sua vez, os nomes “sacro” e “germânico” surgiram apenas em contextos posteriores à criação do “novo” Império Romano. A referência ao “Sacro Império Romano”, ainda sem ser referenciado como “romano-germânico”, remete ao contexto das Cruzadas, ocorridas entre os séculos XI e XIII. No intuito de retomar os antigos territórios romanos no Oriente Médio, na segunda metade do século XII, o imperador Frederico I Barbarossa, ou “Barba Ruiva” (também referenciado como “Barba Roxa”), se autointitulou líder da resistência contra as incursões árabes, e consigo, passou a referenciar o próprio império como o defensor sagrado da religião cristã.

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Ao referenciar o próprio império como “sacro”, ele não apenas se apropriou da responsabilidade sobre a integridade do cristianismo, mas também passou a confrontar o poder hegemônico do papa apoiando os antipapas (como Vítor IV e Pascoal III), que serviam de contestadores do líder religioso legítimo em Roma, o Papa Alexandre III. O atrito se estendeu em uma guerra entre o Sacro Império e a Liga Lombarda, formada pelos Estados a favor de Alexandre III, o que resultou na derrota parcial de Frederico I, que renunciou às conquistas sobre a Igreja, mas manteve a influência administrativa sobre diversas regiões.

Finalmente, os domínios do império passaram a ser referenciados como “Sacro Império Romano-Germânico” apenas no século XV, durante o governo de Frederico III. Nesse momento, as características de uma nação germânica de império passaram a se destacar; ao mesmo tempo, a presença política dos territórios na Itália passou a se tornar mesmo relevante. Disputas internas favoreceram a mudança, já que o império sofreu diversas mudanças territoriais, e com isso, passou a ser referenciado pouco a pouco aos domínios germânicos ou que abrangesse o conjunto de povos que falavam a língua alemã. Por ser considerado o primeiro reino de identidade germânica da história, o Sacro Império Romano-Germânico é muitas vezes referenciado também como “Primeiro Reich”.

Países do Sacro Império Romano-Germânico

Quando o “novo” Império Romano sob domínio franco foi formado, ao final do século VIII, o conceito de país, ou Estado-nação, ainda não existia — esse é um termo contemporâneo, referenciado às limitações geopolíticas de um Estado. Em termos comparativos, no entanto, é possível identificar quais territórios do Sacro Império Romano-Germânico compuseram os domínios referentes aos países do século XXI.

Por se tratar de um império com mais de mil anos de existência, tomemos como exemplo o auge da expansão territorial do Sacro Império Romano-Germânico. Nesse contexto, ele era governado por Frederico II da Dinastia Hohenstaufen, durante o século XIII. Os inúmeros estados germânicos dominados pelos Hohenstaufen — entre eles, a Bavária e a Áustria — compunham:

  • o Império Alemão (em um recorte geopolítico semelhante à atual Alemanha);
  • o Reino da Boêmia (na região da Boêmia, Morávia e Silésia, cuja maior parte pertence hoje à República Tcheca);
  • o Reino da Borgonha (ao sudeste francês, em fronteira com a Itália); e
  • o Reino da Itália (na maior porção do Norte italiano).

Bandeira do Sacro Império Romano-Germânico

Oficialmente, o símbolo do Sacro Império Romano-Germânico tratava-se de um estandarte que passou por diversas mudanças até a versão mais popularmente conhecida (usada desde o século XV até a dissolução do império, em 1806): uma águia bicéfala negra com detalhes vermelhos sobre um fundo dourado (detalhe que, aliás, influenciaria na seleção das cores utilizadas na bandeira contemporânea da Alemanha).

Águia preta de duas cabeças sobre fundo amarelo na bandeira do Sacro Império Romano-Germânico.
A águia bicéfala sobre fundo dourado representou o Sacro Império Romano-Germânico a partir do século XV.

Através de uma análise iconológica desse estandarte imperial — oficialmente chamado Reichsbanner —, a águia passou a ser representada ainda durante o reinado de Frederico I “Barba Ruiva” no século XII, que substituía o símbolo da cruz cristã utilizada primeiramente pelo império no contexto das Cruzadas. Essa versão inicial da Reichbanner trazia consigo uma águia de uma cabeça, apenas, em referência ao antigo Império Romano, e seu fundo dourado emitia o significado de riqueza e poder.

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A águia bicéfala adotada no estandarte do império por Sigismundo no século XV era uma referência ao duplo poder reivindicado pelos bizantinos sobre o Império Romano: o Ocidental (com a cabeça do animal virada para a esquerda) e o Oriental (à direita). Até o desmantelamento do império, a bandeira sofreu algumas modificações, especialmente no escudo inserido em seu centro, cada qual representava o brasão sob diferentes reinados em específico.

Havia também versões de conotação heráldica (de representações visuais de hierarquia e poder, usada em cerimônias), a exemplo da águia quaternária do início do século XVI, que exibia os 56 escudos dos estados que compunham o império.

Crucifixo, escudos e águia quaternária representada na bandeira do Sacro Império Romano-Germânico do século XVI.
A águia quaternária foi utilizada pelo Sacro Império no século XVI.

Características do Sacro Império Romano-Germânico

O Sacro Império Romano-Germânico era um Estado de características complexas e potencialmente contraditórias que o diferiam da compreensão convencional de entidade política.

Uma das definições mais importantes desse império se refere à descentralização do poder: o imperador estabelecia acordos contratuais com os estados do império sem impor uma legislação autoritária e dependia de decisões dos conselhos e reinados, ou seja, sua organização política era sobretudo consensual, ao menos em teoria. Contraditoriamente, esse consenso poderia ser incitado por meio de negociações muitas vezes desvantajosas para aqueles com menor influência, já que por lei, nenhuma medida poderia ser imposta pelo imperador do Reich.

Também, diferentemente dos Estados modernos, a sucessão do imperador do Sacro Império Romano-Germânico não era hereditária, mas eletiva (ao menos em teoria, já que na prática, a continuidade dinástica era convencional). Eram os príncipes-eleitores que o nomeavam, além disso, havia influência em maior ou menor grau dos príncipes de menor escalão, condes, religiosos, cavaleiros, cidades livres, entre outros grupos e instituições. Sobretudo, na constituição hierárquica do império, não havia submissão direta entre imperador e súditos; cada estado possuía suas próprias leis, tradições e economia.

A ilustração do livro “Crônica de Nuremberg”, século XV, mostra alguns reinos do Sacro Império Romano-Germânico.
A ilustração do livro “Crônica de Nuremberg”, século XV, mostra alguns reinos do Sacro Império Romano-Germânico.

A partir de 1495, por meio do decreto da Paz Perpétua da Terra, proibiu-se que guerras de pequenas proporções fossem conduzidas pelos estados-membros do império. Essa lei era contraditória, pois ao mesmo tempo forçava a paz dentro dos limites do Reich e concedia ao imperador o monopólio sobre questões de guerra. Além disso, nesse mesmo ano, inaugurou-se o Tribunal da Câmara Imperial, controlada pelos estamentos, enquanto o imperador assumia o papel de juiz de um tribunal pessoal relacionado a assuntos legais referentes aos estados.

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Igualmente essencial para a sua definição, o Sacro Império Romano-Germânico, até o século XVI, procurava ser a principal autoridade da fé católica em oposição à influência central do papa em Roma. Conforme vimos anteriormente, essa disputa pela detenção da fé teve início no século XII e se manifestou pela criação dos antipapas, que passaram a ameaçar a autoridade única do líder da Igreja.

Apesar de algumas concessões aos príncipes protestantes do império, a opressão da hegemonia católica acabou por suscitar na Guerra dos Trinta Anos, cujos resultados atribuíram ao Sacro Império o início de sua fase de decadência, um assunto que você verá com maiores detalhes mais adiante.

Mapa do Sacro Império Romano-Germânico

Observe abaixo o mapa do domínio do Sacro Império Romano-Germânico sobre a Europa durante o século XIII. Nesse contexto, o auge territorial do império foi conquistado por Frederico II da Dinastia Hohenstauen.

Mapa do Sacro Império Romano-Germânico.
Domínios do Sacro Império Romano-Germânico no auge do território.

Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico

Levando-se em consideração a reivindicação do Império Romano pelo carolíngio Carlos Magno no ano 800, podemos considerar que até o desmantelamento do império, em 1806, mais de quarenta imperadores governaram o Sacro Império Romano-Germânico. Observe os nomes, períodos de governo e as dinastias referentes a eles na tabela cronológica a seguir.

Considere que as datas coincidentes vezes implicam casos em que houve mais de um imperador por governo. Note também que há hiatos temporais referentes aos períodos de crise do império.

Imperador

Período

Dinastia

1

Carlos Magno

800-814

Carolíngia

2

Luís I, o Piedoso

814-840

Carolíngia

3

Lotário I

823-855

Carolíngia

4

Luís II

850-875

Carolíngia

5

Carlos II, o Calvo

875-877

Carolíngia

6

Carlos III, o Gordo

881-888

Carolíngia

7

Guido de Spoleto

891-894

Guideschi

8

Lambert de Spoleto

892-898

Guideschi

9

Arnulfo da Caríntia

896-899

Carolíngia

10

Luís III, o Cego

901-905

Bosônida

11

Berengário I de Friul

915-924

Unruóquida

12

Otão I, o Grande

962-973

Otoniana

13

Otão II

967-983

Otoniana

14

Otão III

996-1002

Otoniana

15

Henrique II

1014-1024

Otoniana

16

Conrado II

1027-1039

Sálica

17

Henrique III

1046-1056

Sálica

18

Henrique IV

1084-1105

Sálica

19

Henrique V

1111-1125

Sálica

20

Lotário III

1133-1137

Suplimburgo

21

Frederico I “Barba Ruiva”

1155-1190

Hohenstaufen

22

Henrique VI

1191-1197

Hohenstaufen

23

Otão IV

1209-1215

Guelfo

24

Frederico II

1220-1250

Hohenstaufen

25

Henrique VII

1312-1313

Luxemburgo

26

Luís IV, o Bávaro

1328-1347

Wittelsbach

27

Carlos IV

1355-1378

Luxemburgo

28

Sigismundo

1433-1437

Luxemburgo

29

Frederico III

1452-1493

Habsburgo

30

Maximiliano I

1508-1519

Habsburgo

31

Carlos V

1530-1556

Habsburgo

32

Fernando I

1558-1564

Habsburgo

33

Maximiliano II

1564-1576

Habsburgo

34

Rodolfo II

1576-1612

Habsburgo

35

Matias

1612-1619

Habsburgo

36

Fernando II

1619-1637

Habsburgo

37

Fernando III

1637-1657

Habsburgo

38

Leopoldo I

1658-1705

Habsburgo

39

José I

1705-1711

Habsburgo

40

Carlos VI

1711-1740

Habsburgo

41

Carlos VII

1742-1745

Wittelsbach

42

Francisco I

1745-1765

Habsburgo-Lorena

43

José II

1765-1790

Habsburgo-Lorena

44

Leopoldo II

1790-1792

Habsburgo-Lorena

45

Francisco II

1792-1806

Habsburgo-Lorena

Fim do Sacro Império Romano-Germânico

Com o advento da Reforma Protestante em 1517 e a consequente Paz de Augsburgo de 1555, o Sacro Império Romano-Germânico definiu legalmente que cada príncipe poderia exercer e aplicar a religião desejada em seu próprio território sem que houvesse interferências do Estado (princípio do cuius regio, eius regio, “de quem é a religião, dele é a religião” em latim). Em vez de significar a paz, o acordo gerou efeito contrário: tantos os estados católicos (sob influência da liderança da Dinastia Habsburgo) quanto os protestantes passaram a se aliar entre si conforme a ideologia religiosa, mas por motivos de manter seus privilégios políticos.

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Após décadas de novos atritos religiosos dentro da extensão do império, em 1629, o imperador Fernando II revogou a Paz de Augsburgo e exigiu a devolução de terras conquistadas pelos protestantes, o que causou a interferência estrangeira de Estados como a Suécia (protestante) e a França (que embora fosse católica, era representada pela Dinastia Bourbon, que rivalizava com os Habsburgo). O atrito transformou-se em um conflito de imensas proporções, suscitando na Guerra dos Trinta Anos em 1618, que se encerrou em 1648 com a assinatura da Paz de Vestfália.

Pintura representando a Batalha de Austerlitz e a derrota do Sacro Império Romano-Germânico para os franceses.
Obra do início do século XIX demonstra a fatídica Batalha de Austerlitz, que culminou na extinção do Sacro Império.

Derrotado, o imperador foi obrigado a conceder liberdade quase total aos estados sob influência do Sacro Império Romano-Germânico. Ele passou a se envolver em questões cada vez mais exclusivas de natureza jurídica e constitucional. Assim, o império manteve-se em uma relativa estabilidade por mais de um século e meio; em contrapartida, testemunhou a ascensão de novos Estados poderosos, como a Prússia, que rivalizava com a Áustria, governada pela Dinastia Habsburgo como centro do Sacro Império.

Porém, a maior ameaça provinha da França. Com a expansão do Império Francês comandado por Napoleão Bonaparte a leste da Europa, os estados germânicos conquistados passaram por uma intensa reforma territorial: os estados seculares foram dissolvidos, as cidades livres foram absorvidas, e como resultado, em 1806, sob governo de Francisco II, o Sacro Império Romano-Germânico chegou ao fim, especialmente devido ao resultado da Batalha de Austerlitz (1805), que garantiu uma importante vitória para os franceses.

Apesar de Fernando II ter se autoproclamado líder do Império Austríaco em 1804, frente à ameaça francesa, a ação de Napoleão ao criar a Confederação do Reno — formado por dezesseis estados germânicos aliados, controlados anteriormente pelo recém-extinto império — forçou, ao mesmo tempo, que o imperador da Casa Habsburgo abdicasse, e consigo, testemunhasse a dissolução do milenar Primeiro Reich.

Saiba mais: Quantos e quais foram os grandes imperadores romanos?

Exercícios resolvidos sobre Sacro Império Romano-Germânico

Questão 1. (Fuvest) A respeito da Guerra dos 30 anos (1618-1648) na Europa, é correto afirmar que:

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a) A guerra ficou dividida entre católicos de um lado e protestantes do outro. 

b) As disputas se iniciaram por divergências religiosas e chegaram a exprimir uma disputa pela liderança no continente. 

c) A guerra terminou com a assinatura da Paz de Versalhes. 

d) O controle comercial das rotas que ligavam o mediterrâneo ao mar do norte estava no centro da disputa. 

e) Ela foi uma prolongação da primeira tentativa de a monarquia inglesa invadir e dominar os territórios franceses.

Resposta: B

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Apesar de a alternativa A parecer correta, é necessário considerar que a França, um Estado católico, não apoiou o Sacro Império Romano-Germânico, que compartilhava da mesma religião. Portanto, associar a Guerra dos Trinta Anos a um conflito travado estritamente entre católicos e protestantes é incorreta. Dessa forma, a alternativa B é a correta, pois identifica o aumento das proporções do conflito, que se iniciou por um pretexto religioso, mas se tornou a principal questão de controle das potências europeias sobre o continente.

Questão 2. No século X, o imperador Oto I, do Sacro Império Romano-Germânico, passou a intervir nos assuntos da Igreja. Ele fundou bispados e abadias e, em consequência, criou discordâncias com o clero. Esse episódio ficou conhecido como:

a) Concordata de Worms.

b) Cisma do Oriente.

c) Tratado de Verdun.

d) Questão das Investiduras.

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e) Guerra Santa.

Resposta: D

A Questão das Investiduras foi o primeiro conflito de grandes proporções travado entre o Sacro Império Romano-Germânico e a Igreja Católica. Apesar de a disputa se tornar inevitável apenas no século XI, durante o governo de Henrique IV, foi Otão I quem incitou as primeiras intervenções do império sobre a fé, através da nomeação de abades, bispos e a influência direta nas eleições eclesiásticas.

Créditos das imagens

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Fontes

ECO, Umberto (Org.). Idade Média: Bárbaros, cristãos e muçulmanos. Porto Alegre: Dom Quixote, v.1, 2011.

ECO, Umberto (Org.). Idade Média: Catedrais, cavaleiros e cidades. Porto Alegre: Dom Quixote, v.2, 2013.

HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1996.

LÓPEZ, Roberto. Poder e religião na Europa medieval: Papado, Império e grandes reinos dinásticos. Barcelona: Bonalletra Alcompas, 2018.

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MAINKA, Peter J. O Sacro Império Romano-Germânico por volta de 1500 – um irregulare aliquod corpus et monstro símile? In: Diálogos. Maringá: Universidade Estadual de Maringá, v.23, n.2, p.162-184, 2019.

STOLLBERG-RILINGER, Barbara. El Sacro Imperio Romano-Germánico: Una historia concisa. Madri: La Esfera de Los Libros, 2020.

Escritor do artigo
Escrito por: Cassio Remus de Paula Cássio é doutor em História pela UFPR, mestre e bacharel em História pela UEPG. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia.
Deseja fazer uma citação?
PAULA, Cassio Remus de. "Sacro Império Romano-Germânico"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/sacro-imperio-germanico.htm. Acesso em 21 de julho de 2026.
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Exercício 1

(Ufes) Em fevereiro de 1076, o papa Gregório VII, reagindo contra a decisão dos bispos alemães de se proclamarem independentes da Santa Sé, excomunga Henrique IV, soberano do Sacro Império Romano-Germânico, nos seguintes termos: O episódio faz parte de um dos mais importantes conflitos ocorridos no Período Medieval entre o papado e o Império, denominado “Questão das Investiduras” (1075-1122), que consistiu:

a) na retomada, por parte da Santa Sé, das propriedades fundiárias concedidas em arrendamento aos príncipes alemães para que investissem na produção agrícola, destinada a abastecer os núcleos urbanos emergentes;

b) na decisão de Gregório VII, proclamada diante dos bispos reunidos no Concílio de Avignon, de impedir por todos os meios as investidas de Henrique IV e seus aliados contra a Itália, o que levou o papado a buscar o apoio da monarquia francesa;

c) na condenação, por parte de Gregório VII, da interferência do poder laico na composição do clero, especialmente no que dizia respeito à indicação dos bispos pelos soberanos;

d) no repúdio de Henrique IV às pretensões do papado de sagrar os cavaleiros alemães, uma vez que historicamente tal prerrogativa cabia apenas ao imperador, como herdeiro legítimo dos Césares romanos;
e) na cisão entre a Santa Sé e a monarquia alemã, por conta da revelação de que agentes papais teriam penetrado no território do Sacro Império Romano-Germânico com o objetivo de sublevar a nobreza contra Henrique IV.

Exercício 2

Observe a imagem e, logo em seguida, leia o texto:

Brasão de armas do Sacro Império Romano-Germânico *
Brasão de armas do Sacro Império Romano-Germânico *

* Créditos da imagem: Commons

“[... a figura da águia bicéfala coroada é inequivocamente – do ponto de vista iconográfico – um símbolo de poder, e poder imperial. Tal representação, como dito antes, simbolizava o estatuto político de Império, do Sacro-Império Romano Germânico, que durante todo o século XVII ainda o exibia com grandiosidade.” (TRINDADE, Jaelson Bitran. O Império dos Mil Anos e a arte do “tempo barroco”: a águia bicéfala como emblema da Cristandade. Anais do Museu Paulista. São Paulo. n. Sér. v. 18. n. 2. p.11-91. Jul. - Dez. 2010.)

Na representação simbólica do Sacro Império, as duas cabeças da águia indicam, respectivamente:

a) o poder espiritual (exercido pelo imperador) e o poder secular/terreno (exercido pelo papa).

b) Roma Antiga e a Alemanha Moderna.

c) o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente.

d) o poder espiritual (exercido pelo Papa) e o poder secular/terreno (exercido pelo imperador).

e) Cristo e Pilatos.

Exercício 3

O Sacro Império Romano-Germânico formou-se após o enfraquecimento do Império Carolíngio. Qual foi o acontecimento que marcou efetivamente a formação desse império?

a) A retomada da Península Ibérica pelos reis espanhóis.

b) A coroação de Oto I, em 962 d.C., pelo papa João XII.

c) A ocupação de Roma pelos Hunos.

d) A tomada de Constantinopla pelos turcos-otomanos.

e) A Querela das Investiduras.

Exercício 4

O Sacro Império Romano-Germânico resistiu, como unidade político-religiosa das nações católicas europeias, até o início do século XIX. Que processo político emergiu na Europa e provocou a ruína do Sacro Império Romano-Germânico?

a) A Revolução Bolchevique na Rússia.

b) A Guerra Franco-Prussiana.

c) O processo da formação das monarquias absolutistas após as guerras civis religiosas.

d) A Guerra dos Cem Anos .

e) O processo revolucionário francês e a ascensão de Napoleão Bonaparte como Imperador.

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Guerras Napoleônicas

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Império Carolíngio

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