Imperadores romanos

Cerca de oitenta imperadores romanos administraram Roma entre os séculos I a.C. e V d.C., cada um com características que elevaram ou depreciaram o Império Romano até a sua extinção definitiva.

Imprimir
A+
A-
Escutar texto
Compartilhar
Política de IA
Facebook
X
WhatsApp
Play
1x
Política de IA Conteúdo feito por humanos

Os imperadores romanos foram governantes que se estabeleceram durante o Império Romano, compreendido entre os séculos I a.C. e V d.C. Otávio Augusto deu início ao último período da história da antiga Roma, rompendo com o modelo dos triunviratos e se autodeclarando “primeiro cidadão”. Esse título aludia à República, mas, na prática, significava que ele havia se tornado o primeiro imperador de Roma, intitulado de “Augusto” (algo como “sagrado”).

Até o seu colapso no século V, Roma foi liderada por cerca de oitenta imperadores legítimos e ilegítimos. Alguns ficaram famosos, como Calígula, conhecido como louco, e Nero, a quem se atribuiu a improvável culpa pelo incêndio de Roma. Outros  realizaram feitos notórios como Trajano, que expandiu o império, Diocleciano, que salvou Roma da crise, Tito, que inaugurou o Coliseu, Constantino, que fundou Constantinopla e pôs fim à perseguição aos cristãos, e Teodósio, cujo governo promoveu o cristianismo a religião oficial do Estado.

Anuncie aqui

Após a morte de Teodósio, o Império Romano foi dividido em Ocidental (cuja capital era Roma) e Oriental (que tinha Constantinopla como capital). O último imperador romano foi Rômulo Augústulo, que testemunhou a queda definitiva do império ocidental no século V.

Leia também: Por que Júlio César não foi imperador?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre imperadores romanos

  • Os imperadores romanos foram líderes do Império Romano entre os séculos I a.C. e V d.C.
  • Houve cerca de oitenta deles, entre legítimos, ilegítimos e usurpadores.
  • O primeiro imperador de Roma foi Otávio Augusto, que ascendeu ao poder depois de derrotar seus rivais, Marco Antônio e Lépido.
  • Otávio foi responsável pela Pax Romana e pela fundação da Guarda Pretoriana.
  • Muitos imperadores ficaram conhecidos por suas excentricidades, e não por serem bons líderes. O mais notório deles foi, possivelmente, Calígula.
  • Trajano conduziu o Império Romano ao seu auge territorial, abrangendo até cerca de 5 milhões de km2.
  • Diocleciano foi um dos imperadores mais eficientes de Roma, salvando-a da Crise do Terceiro Século e fundando o sistema de tetrarquias.
  • Constantino fundou Constantinopla como capital oriental do império, legalizou o cristianismo e convocou o primeiro Concílio de Niceia.
  • Teodósio deu continuidade às reformas de Constantino, decretando o cristianismo como religião oficial do Império Romano e dividindo-o definitivamente em Ocidental (com capital em Roma) e Oriental (com capital em Constantinopla).
  • Rômulo Augústulo foi o último imperador de Roma. A sua ineficiente liderança facilitou a entrada das tribos germânicas no Império Ocidental.
  • A queda do Império Romano representa o fim da Antiguidade em 476 d.C. e o início da Idade Média.

Lista de imperadores romanos

A lista de imperadores que você verá abaixo está organizada por ordem cronológica de ocupação do Império Romano no Ocidente. Em alguns casos, as datas indicadas na aba “período” podem coincidir, configurando casos de governos de coimperadores (mais de um imperador no poder, simultaneamente).

Os nomes acompanhados de um asterisco (*) se referem a líderes que ocuparam o cargo de maneira ilegítima, conforme a historiografia convencional, ou seja, ascenderam por meio de golpes, obtiveram a posse sem a aprovação do senado, coagiram o senado para aprovar sua legitimação ou governaram províncias simultaneamente ao poder exercido de maneira legal.

Considere também que os anos de governo de cada imperador referem-se a datas d.C., com exceção do primeiro, que exerceu seu governo em um período que inicia antes de Cristo e vai até depois de Cristo.

 

Imperador romano

Período

Dinastia/ Contexto

Características/ feito relevante

  1.  

Otávio Augusto

27 a.C.-14 d.C.

dinastia Júlio-Claudiana

Primeiro imperador de Roma, estabeleceu o principado e a Pax Romana.

  1.  

Tibério

14-37 d.C.

dinastia Júlio-Claudiana

Definiu grande parte das fronteiras do império.

  1.  

Calígula

37-41

dinastia Júlio-Claudiana

Investiu em diversas reformas urbanas, mas recebeu a notoriedade de “louco”.

  1.  

Cláudio

41-54

dinastia Júlio-Claudiana

Conquistou a Britânia.

  1.  

Nero

54-68

dinastia Júlio-Claudiana

Investiu em recreação e cultura, mas se tornou reconhecido pela tirania. Possivelmente, assassinou a própria mãe e promoveu uma grande perseguição aos cristãos.

  1.  

Galba

68-69

Ano dos Quatro Imperadores

Impopular por não pagar os soldados adequadamente, morreu após sete meses de governo.

  1.  

Otão

69

Ano dos Quatro Imperadores

Suicidou-se para evitar uma guerra civil.

  1.  

Vitélio*

69

Ano dos Quatro Imperadores

Inimigo de Otão e Vespasiano, foi capturado, torturado e morto pelos rivais.

  1.  

Vespasiano

69-79

Ano dos Quatro Imperadores/ dinastia Flaviana

Iniciou a construção do Coliseu e restaurou o setor financeiro.

  1.  

Tito

79-81

dinastia Flaviana

Prestou socorro às vítimas do vulcão de Vesúvio, que destruiu Pompeia, e após outro incêndio em Roma. Inaugurou o Coliseu.

  1.  

Domiciano

81-96

dinastia Flaviana

Fortificou a linha de torres e muralhas do Limes Germanicus.

  1.  

Nerva

96-98

dinastia Antonina

Criou a sucessão adotiva de poder, acolhendo Trajano como filho.

  1.  

Trajano

98-117

dinastia Antonina

Expandiu o império em seu auge, alcançando a Mesopotâmia, a Armênia e a Dácia.

  1.  

Adriano

117-138

dinastia Antonina

Ordenou a construção da Muralha de Adriano, na Britânia.

  1.  

Antonino Pio

138-161

dinastia Antonina

Manteve um dos períodos mais pacíficos e prósperos da história do Império Romano.

  1.  

Lúcio Vero

161-169

dinastia Antonina

Conduziu os romanos à vitória na Guerra Parta de 161–166.

  1.  

Marco Aurélio

161-180

dinastia Antonina

Adepto do estoicismo, foi autor da obra estoica “Meditações”.

  1.  

Cômodo

177-192

dinastia Antonina

Cruel e violento, vestia-se de gladiador nas arenas para batalhar em lutas forjadas.

  1.  

Pertinax

193

Ano dos Cinco Imperadores

Foi assassinado pela Guarda Pretoriana ao tentar impor a ordem após o assassinato de Cômodo.

  1.  

Dídio Juliano*

193

Ano dos Cinco Imperadores

Literalmente comprou a posse do trono do império, mas foi assassinado e sucedido por três usurpadores naquele mesmo ano.

  1.  

Sétimo Severo

193-211

dinastia Severa

Primeiro imperador oriundo de uma província sem ascendência romana (África Proconsular, na atual Líbia). Adotou um modelo de governo sistemático para três Augustos coimperadores.

  1.  

Caracala

198-217

dinastia Severa

Concedeu cidadania romana a todos os homens livres do império.

  1.  

Geta

209-211

dinastia Severa

Foi assassinado por ordens do irmão coimperador, Caracala, e teve seu nome e imagens propositadamente apagados.

  1.  

Macrino*

217-218

dinastia Severa

Conspirou contra Caracala para assumir o trono. Foi o primeiro imperador a nunca exercer anteriormente o ofício de senador.

  1.  

Elagábalo

218-222

dinastia Severa

Surpreendeu os romanos ao se casar com uma sacerdotisa vestal. Foi assassinado aos 18 anos.

  1.  

Alexandre Severo

222-235

dinastia Severa

Reformou a estrutura do Senado romano, mas a falta de destreza no setor militar levou Roma à “Crise do Terceiro Século”.

  1.  

Maximino Trácio*

235-238

Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores

Primeiro imperador de origem camponesa. Seus caros investimentos em guerras levaram Roma a uma crise financeira e ao seu eventual assassinato.

  1.  

Gordiano I

238

Crise do Terceiro Século/ Ano dos Seis Imperadores

Foi proclamado imperador aos 79 anos, mas se suicidou ao saber da morte do filho Gordiano II.

  1.  

Gordiano II

238

Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores

Com apenas 22 dias de governo, foi morto em batalha contra a província rebelde da Numídia.

  1.  

Pupieno

238

Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores

Conduziu uma ligeira e eficiente campanha contra os germânicos. Foi assassinado pela Guarda Pretoriana junto de Balbino.

  1.  

Balbino

238

Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores

Investiu na logística e no abastecimento de Roma durante seus poucos meses de governo. Foi assassinado pelos pretorianos junto de Pupieno.

  1.  

Gordiano III

238-244

Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores

Assumiu o império aos 13 anos. Morreu em uma campanha contra os persas.

  1.  

Filipe, o Árabe*

244-249

Crise do Terceiro Século

Nascido na Arábia, estreitou a relação entre os romanos e árabes. Realizou o evento de comemoração dos mil anos da fundação de Roma.

  1.  

Décio

249-251

Crise do Terceiro Século

Conduziu uma das mais violentas perseguições do império contra os cristãos.

  1.  

Treboniano Galo*

251-253

Crise do Terceiro Século

Primeiro imperador a conceder territórios aos “bárbaros” godos, ao sul do rio Danúbio.

  1.  

Emiliano*

253

Crise do Terceiro Século

Usurpou o trono, mas foi morto pelos próprios soldados.

  1.  

Valeriano

253-260

Crise do Terceiro Século

Foi o primeiro imperador a se tornar escravo, capturado pelos persas e “usado” como escabelo (apoio para os pés) do rei Sapor I.

  1.  

Galiano

253-268

Crise do Terceiro Século

Transformou a cavalaria em um poderoso recurso de combate.

  1.  

Cláudio Gótico

268-270

Crise do Terceiro Século

Derrotou a poderosa coalizão gótica liderada pelos godos na Batalha de Naísso.

  1.  

Aureliano

270-275

Crise do Terceiro Século

Derrotou o Império de Palmira, o Império Gálico e construiu a Muralha Aureliana em Roma.

  1.  

Tácito

275-276

Crise do Terceiro Século

Foi eleito imperador pelo Senado aos 75 anos. Derrotou os godos na Ásia Menor.

  1.  

Probo

276-282

Crise do Terceiro Século

Investiu na agricultura, permitindo o reassentamento de colonos “bárbaros”

  1.  

Caro*

282-283

Crise do Terceiro Século

Acredita-se que tenha morrido ao ser atingido por um raio.

  1.  

Carino*

283-285

Crise do Terceiro Século

Investiu em construção e reformas de termas e aquedutos de Roma.

  1.  

Numeriano*

283-284

Crise do Terceiro Século

Conduziu uma campanha contra os persas, viajando de liteira com os olhos vendados. Possivelmente foi morto ou gravemente adoecido.

  1.  

Diocleciano

284-305

Crise do Terceiro Século/Tetrarquia

Foi um dos maiores imperadores de Roma. Restaurou a civilização após a Crise do Terceiro Século e fundou o poder da tetrarquia (dois augustos e dois césares).

  1.  

Maximiano

286-305

Crise do Terceiro Século/Tetrarquia

Pacificou a Gália e a Germânia.

  1.  

Constâncio Cloro

305-306

Tetrarquia

Reconquistou a Britânia tomada pelo usurpador Alecto. Reformou a Muralha de Adriano.

  1.  

Galério

305-311

Tetrarquia

Conduziu uma das campanhas mais avassaladoras contra os cristãos. Anexou a Armênia ao império.

  1.  

Severo II*

306-307

Tetrarquia

Rendeu-se sem lutar contra o rival Maxêncio e foi executado.

  1.  

Maxêncio*

306-312

Tetrarquia

Ordenou a construção da Basílica de Maxêncio (maior edifício do Fórum Romano). Foi derrotado na notória Batalha da Ponte Mílvia, por Constantino.

  1.  

Licínio

308-324

Tetrarquia

Inicialmente aliado de Constantino, assinou a favor do Édito de Milão (que garantia liberdade religiosa aos cristãos), mas rebelou-se e foi derrotado pelo coimperador.

  1.  

Constantino

306-337

dinastia Constantiniana

Primeiro imperador a favorecer o cristianismo, converteu-se no leito de morte, fundou Constantinopla, assinou o Édito de Milão e convocou o primeiro Concílio de Niceia.

  1.  

Constantino II

337-340

dinastia Constantiniana

Travou uma guerra contra o irmão Constante I e morreu em batalha.

  1.  

Constante I

337-350

dinastia Constantiniana

Derrotou os francos na Gália e reformou o exército romano ocidental.

  1.  

Constâncio II

337-361

dinastia Constantiniana

Expurgou todos os rivais, incluindo parentes e o usurpador Magnêncio.

  1.  

Juliano, o Apóstata

361-363

dinastia Constantiniana

Tentou, sem sucesso, reverter a fé romana ao paganismo.

  1.  

Joviano

363-364

dinastia Constantiniana

Salvou as tropas cercadas na Pérsia, ao conceder a Mesopotâmia e a Armênia aos inimigos, tornando-se o primeiro líder romano a diminuir a extensão territorial de Roma.

  1.  

Valentiniano I

364-375

dinastia Valentiniana

Fortaleceu a linha defensiva de castelos e torres nas margens dos rios Danúbio e Reno.

  1.  

Valente

364-378

dinastia Valentiniana

Desapareceu durante a humilhante derrota contra os godos na Batalha de Adrianópolis.

  1.  

Graciano

375-383

dinastia Valentiniana

Rompeu com os resquícios das práticas pagãs continuadas pelos imperadores: rejeitou o uso do título de Pontifex Maximus (depois ressignificado pelos cristãos) e derrubou o altar da deusa Vitória no Senado.

  1.  

Valentiniano II

375-392

dinastia Valentiniana

Assumiu o cargo aos quatro anos de idade, atuando como governante fantoche especialmente de sua mãe, Justina.

  1.  

Teodósio I

379-395

dinastia Valentiniana

Decretou o cristianismo como religião oficial do império. Após a sua morte, o Império Romano foi dividido em Ocidental e Oriental.

  1.  

Honório

395-423

Império Romano do Ocidente

Transferiu a capital do império para Ravena após o notório Saque de Roma pelo visigodo Alarico I.

  1.  

Constâncio III

421

Império Romano do Ocidente

Derrotou diversos exércitos germânicos, entre visigodos, vândalos e alanos, mas morreu em poucos meses de governo.

  1.  

Valentiniano III

425-455

Império Romano do Ocidente

Assumiu o império após a morte do usurpador Flávio João. Matou o próprio general, Aécio, que havia dificultado os ataques dos hunos liderados por Átila.

  1.  

Petrônio Máximo*

455

Império Romano do Ocidente

Impopular, foi morto a pedradas pela própria população, facilitando o saque dos vândalos a Roma.

  1.  

Ávita*

455-456

Império Romano do Ocidente

Primeiro imperador germano-romano, foi deposto e se tornou bispo.

  1.  

Majoriano

457-461

Império Romano do Ocidente

Último imperador significante de Roma. Reconquistou Gália e Hispânia.

  1.  

Líbio Severo*

461-465

Império Romano do Ocidente

Serviu de fantoche do general germano-romano Ricimero.

  1.  

Antêmio

467-472

Império Romano do Ocidente

Reconstruiu as muralhas de Roma; tentou, sem sucesso, dizimar os vândalos.

  1.  

Olíbrio*

472

Império Romano do Ocidente

Outro fantoche de Ricimero. Estima-se ter morrido de hidropisia.

  1.  

Glicério*

473-474

Império Romano do Ocidente

Rendeu-se ao rival Júlio Nepos e viveu como clérigo até a morte.

  1.  

Júlio Nepos

474-475

Império Romano do Ocidente

Último imperador de Roma reconhecido pelo Oriente.

  1.  

Rômulo Augústulo*

475-476

Império Romano do Ocidente

Último imperador da Roma Ocidental, foi deposto pelo chefe germânico Odoacro, que se tornou subordinado ao imperador bizantino Zenão e primeiro rei da Itália.

Imperadores mais marcantes

Os imperadores citados abaixo foram selecionados tanto por grau de importância na estrutura do Império Romano (como Constantino), quanto pela notoriedade de suas excentricidades (como Calígula).

Anuncie aqui
  • Otávio Augusto (27 a.C.-14 d.C.)

Escultura de Otávio Augusto em pé, primeiro imperador romano.
O primeiro imperador de Roma, Otávio Augusto, em escultura do século I d.C.

Como primeiro imperador de Roma, Augusto foi o principal responsável por estipular as mais importantes características que definiriam o império até os seus momentos finais. Por meio dele, instaurou-se o sistema de principado, que duraria cerca de trezentos anos. Esse sistema atribuía ao líder, na capital romana, a posição de “primeiro cidadão” — ou princeps, usado como referência pelas convenções da república — e dividia as províncias romanas em senatoriais (governadas pelos procônsules) e imperiais (governadas por representantes do imperador).

Sua condução levou Roma ao período da Pax Romana, que por quase duzentos anos significou a contenção de conflitos em grande escala nos limites do império (graças à centralização do poder e ao subsequente controle sobre um exército profissional, forte e organizado). Também fundou a Guarda Pretoriana como uma elite de segurança, que mais tarde se transformaria em uma força de imensa influência no império.

Como fundador do Império Romano, Augusto foi visto como modelo ideal dos imperadores sucessores, tornando-se essencial para a consolidação de outro longo período da história de Roma.

  • Calígula (37-41)

Embora não tenha contribuído de maneira significativa para o engrandecimento de Roma, Calígula certamente é um dos mais lembrados, não pelas conquistas, mas pelas lendas envolvendo suas excentricidades. Além de ser atribuída a ele a figura de um imperador sanguinário e sádico, Calígula muitas vezes é reconhecido por ameaçar nomear seu próprio cavalo como cônsul, guerrear contra o mar ou gastar fortunas do tesouro de Roma em festas e orgias. No entanto, essas acusações são duvidosas e podem ter sido, em grande parte, criadas posteriormente, já que Calígula obteve diversos inimigos entre a elite da sociedade romana.

Calígula e seu cavalo cercados por nobres em um banquete, por Jean Victor Adam (séc. XIX).
A figura representa o cavalo Incitatus ao lado de Calígula, em um banquete.
  • Nero (54-68)

Ao contrário do que afirma a lenda popular, é muito improvável que Nero tenha incendiado Roma. Os documentos da época apontam que, pelo contrário, o imperador investiu no socorro a diversas pessoas, abrindo seus próprios jardins para os desabrigados e investindo na reconstrução das estruturas danificadas ou destruídas pelo fogo. Por outro lado, Nero recebeu notoriedade de tirano, pois governava Roma de maneira sanguinária e chegou a matar a própria mãe. Mesmo assim, gostava de se apresentar como um artista, participando até de competições envolvendo teatro e música.

  • Trajano (98-117)

Sob a liderança de Trajano, o Império Romano alcançou o seu auge de expansão territorial. As incursões de Trajano incluíram o domínio da Dácia, da Armênia e da Mesopotâmia, podendo ter alcançado até 5 milhões km² de expansão, no total. O domínio de tamanho império, no entanto, se mostrou um desafio difícil de superar devido às recorrentes invasões simultâneas que ocorreram nas fronteiras das províncias.

Anuncie aqui
  • Maximino Trácio (235-238)

Este imperador rompeu com as tradições romanas por não ter nascido em uma família nobre. Pelo contrário, ele levava uma vida humilde como camponês e era analfabeto ou semianalfabeto. A sua popularidade entre as legiões, porém, o levou ao poder depois que o ineficiente imperador Alexandre Severo foi assassinado. Entre suas primeiras ações, Maximino taxou os ricos e confiscou propriedades e templos dos devedores.

Potencializado pela falta de “etiqueta” do imperador, o desagrado gerado pelas elites levou o Senado a declará-lo inimigo público, acarretando o seu assassinato poucos anos após a sua ascensão.

  • Diocleciano (284-305)

Quando Roma esteve à beira do colapso, devido a uma crise administrativa, Diocleciano propôs resoluções que estenderiam a duração do império em quase dois séculos. Nos cinquenta anos anteriores a seu governo, vinte e cinco imperadores tentaram reerguer Roma, mas a maioria deles foi assassinada. Províncias se desmembraram entre si, a hiperinflação intensificou a pobreza e a administração ineficiente do grande território permitia incansáveis invasões de francos, godos, alamanos e persas.

Sob seu domínio, Diocleciano propôs a formação da tetrarquia, que dividiria o poder entre dois augustos e dois césares. A divisão se mostrou bem-sucedida, já que tornou possível reorganizar os domínios em porções menores. O sistema de tetrarquia resultaria, mais tarde, na divisão do império em Ocidental e Oriental.

  • Constantino (306-337)

Constantino, “o Grande”, é tido como um dos líderes mais notórios da história do Império Romano: além de ter tornado Constantinopla a imponente capital romana do Oriente (atual Istambul, na Turquia), decretou o fim das perseguições contra os cristãos com o Édito de Milão e se converteu ao cristianismo em seu leito de morte.

Constantino, grande imperador romano, representado em escultura.
O imperador Constantino foi quem convocou o Concílio de Niceia, que foi muito importante para o cristianismo.

As suas decisões referentes à religião influenciaram não apenas os anos seguintes do império, mas toda a história do Ocidente. O cristianismo deixou de ser uma crença marginalizada para se tornar a mais praticada do Império Romano, tornando-se a religião oficial do Estado por meio de Teodósio no ano 380. Além disso, foi Constantino quem convocou o Concílio de Niceia, que condenou o arianismo como heresia e estabeleceu o Credo Niceno como doutrina definitiva do cristianismo.

Anuncie aqui
  • Teodósio I (379-395)

Influenciado pela fé cristã defendida e praticada por Constantino, Teodósio deixou de herança para os dois filhos um Império Romano dividido em Ocidental, com a capital mantida em Roma (governada por Honório) e Oriental, com a capital em Constantinopla (liderada por Arcádio). O decreto da separação foi influenciado pelo sistema de tetrarquia aplicado por Diocleciano, que havia dividido o império em quatro províncias.

Enquanto o Império Romano no Ocidente ruiu no século V, a porção ao leste significou o surgimento do Império Bizantino, que se tornou uma das maiores potências da Idade Média.

  • Rômulo Augústulo (475–476)

Rômulo é reconhecido entre os imperadores de Roma por ter sido aquele que testemunhou a queda definitiva do império ocidental. A ruína do Império Romano, apesar de ter sido praticamente inevitável na segunda metade do século V, foi intensificada devido à inabilidade estratégica e ineficácia diplomática de Rômulo. Além de ter representado um governo-fantoche liderado pelo pai, o imperador antecedeu o germânico Odoacro, que se tornou o primeiro rei da Itália após a rendição imediata de Rômulo. A queda de Roma foi tão significativa, que o ano 476 marca o final da Idade Antiga no Ocidente.

Saiba mais: Quem foi Alexandre, o Grande?

Curiosidades sobre imperadores romanos

  • O primeiro imperador de Roma, Augusto, nunca se referiu a si mesmo pelo título; ele optava pelo uso do princeps, que significa “primeiro cidadão”, como referência ao recém-extinto período da República.
  • Calígula ficou conhecido como “imperador louco” devido às excentricidades atribuídas a ele. Entre elas, dizia-se que havia ordenado um ataque contra o mar após declarar guerra ao deus Netuno e ameaçado nomear seu cavalo como cônsul. A “loucura”, porém, pode ter sido uma atribuição à epilepsia, da qual o imperador sofria.
  • É bem provável que Nero tenha tocado uma cítara enquanto observava a tragédia ao longe, mas isso demonstra mais a sua imponência imediata perante o incêndio do que apreciação. Ou seja, a atribuição feita a Nero como responsável por incendiar Roma é possivelmente fruto de uma lenda criada por seus inimigos. Além disso, incêndios eram relativamente comuns nas cidades, já que o fogo se alastrava facilmente pelas estruturas de madeira e palha.
  • Trajano levou o Império Romano ao seu auge de domínio territorial, alcançando uma extensão de até 5 milhões de km².
  • Maximino Trácio era considerado “rude” pela elite romana devido a sua origem camponesa.
  • Diocleciano, apesar de ter sido um dos maiores imperadores de Roma, abdicou do poder voluntariamente, preferindo levar uma vida simples — em seu palácio — como agricultor.
  • Constantinopla, ao ser fundada como capital pelo imperador Constantino, em 330 d.C., chamava-se originalmente “Nova Roma”, mas não foi construída pelos romanos. A cidade havia sido erigida pelos gregos durante o século VII a.C. e chamava-se Bizâncio, e por isso, os seus habitantes eram referidos como bizantinos.
  • Valeriano foi o único imperador a ser tomado como escravo, quando capturado pelos persas na Batalha de Edessa. Ele passou o resto de sua vida servindo ao rei Sapor I como escabelo, uma espécie de apoio para os pés.
  • Cômodo gostava de se apresentar como gladiador nas arenas romanas, mas as suas lutas eram totalmente forjadas: seus adversários eram geralmente homens desarmados, aleijados ou adoecidos, ou mesmo animais enfraquecidos.
  • O Império Romano entrou literalmente em leilão no ano de 193 e foi comprado por Dídio Juliano, que foi assassinado pelas tropas de Sétimo Severo apenas dois meses mais tarde.
  • É muito possível que quando o Império Romano ruiu, em 476 d.C., sua população não tenha encarado o evento como algo historicamente extraordinário. Essa atenção só foi dada muito tempo mais tarde pelos historiadores da Antiguidade.
  • A queda de Roma em 476 foi tão significativa para a história ocidental que denotou o término da Idade Antiga e o advento da Idade Média.

Créditos das imagens

Wikimedia Commons (reprodução)

Anuncie aqui

Steve O'Prey/ Shutterstock

Fontes

BARLAG, Phillip. Evil Roman Emperors: The Shocking History of Ancient Rome’s Most Wicked Rullers from Caligula to Nero and More. Lanham: Prometheus, 2021.

BEARD, Mary. S.Q.P.R.: uma história da Roma Antiga. São Paulo: Planeta, 2017.

BORNECQUE, Henri; MORNET, Daniel. Roma e os romanos. São Paulo: EPU, 1976.

BOVO, Elisabetta (Org). História das religiões: Origem e desenvolvimento das religiões. Barcelona: Folio, 2008.

Anuncie aqui

CARLAN, Claudio U. Constantino e as transformações do Império Romano no século IV. Revista de História da Arte e da Cultura. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, n.11, p.27-35, 2009.

GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O Livro das Religiões. São Paulo: Cia das Letras, 2001.

GOLDSWORTHY, Adrian. Em nome de Roma: Os conquistadores que formaram o Império Romano. São Paulo: Crítica, 2020.

MASSIE, Alan. Os senhores de Roma. São Paulo: Faro Editorial, 6 v., 2021.

Escritor do artigo
Escrito por: Cassio Remus de Paula Cássio é doutor em História pela UFPR, mestre e bacharel em História pela UEPG. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia.
Deseja fazer uma citação?
PAULA, Cassio Remus de. "Imperadores romanos"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/imperadores-romanos.htm. Acesso em 12 de maio de 2026.
Copiar