Os imperadores romanos foram governantes que se estabeleceram durante o Império Romano, compreendido entre os séculos I a.C. e V d.C. Otávio Augusto deu início ao último período da história da antiga Roma, rompendo com o modelo dos triunviratos e se autodeclarando “primeiro cidadão”. Esse título aludia à República, mas, na prática, significava que ele havia se tornado o primeiro imperador de Roma, intitulado de “Augusto” (algo como “sagrado”).
Até o seu colapso no século V, Roma foi liderada por cerca de oitenta imperadores legítimos e ilegítimos. Alguns ficaram famosos, como Calígula, conhecido como louco, e Nero, a quem se atribuiu a improvável culpa pelo incêndio de Roma. Outros realizaram feitos notórios como Trajano, que expandiu o império, Diocleciano, que salvou Roma da crise, Tito, que inaugurou o Coliseu, Constantino, que fundou Constantinopla e pôs fim à perseguição aos cristãos, e Teodósio, cujo governo promoveu o cristianismo a religião oficial do Estado.
Após a morte de Teodósio, o Império Romano foi dividido em Ocidental (cuja capital era Roma) e Oriental (que tinha Constantinopla como capital). O último imperador romano foi Rômulo Augústulo, que testemunhou a queda definitiva do império ocidental no século V.
Leia também: Por que Júlio César não foi imperador?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre imperadores romanos
- 2 - Lista de imperadores romanos
- 3 - Imperadores mais marcantes
- 4 - Curiosidades sobre imperadores romanos
Resumo sobre imperadores romanos
- Os imperadores romanos foram líderes do Império Romano entre os séculos I a.C. e V d.C.
- Houve cerca de oitenta deles, entre legítimos, ilegítimos e usurpadores.
- O primeiro imperador de Roma foi Otávio Augusto, que ascendeu ao poder depois de derrotar seus rivais, Marco Antônio e Lépido.
- Otávio foi responsável pela Pax Romana e pela fundação da Guarda Pretoriana.
- Muitos imperadores ficaram conhecidos por suas excentricidades, e não por serem bons líderes. O mais notório deles foi, possivelmente, Calígula.
- Trajano conduziu o Império Romano ao seu auge territorial, abrangendo até cerca de 5 milhões de km2.
- Diocleciano foi um dos imperadores mais eficientes de Roma, salvando-a da Crise do Terceiro Século e fundando o sistema de tetrarquias.
- Constantino fundou Constantinopla como capital oriental do império, legalizou o cristianismo e convocou o primeiro Concílio de Niceia.
- Teodósio deu continuidade às reformas de Constantino, decretando o cristianismo como religião oficial do Império Romano e dividindo-o definitivamente em Ocidental (com capital em Roma) e Oriental (com capital em Constantinopla).
- Rômulo Augústulo foi o último imperador de Roma. A sua ineficiente liderança facilitou a entrada das tribos germânicas no Império Ocidental.
- A queda do Império Romano representa o fim da Antiguidade em 476 d.C. e o início da Idade Média.
Lista de imperadores romanos
A lista de imperadores que você verá abaixo está organizada por ordem cronológica de ocupação do Império Romano no Ocidente. Em alguns casos, as datas indicadas na aba “período” podem coincidir, configurando casos de governos de coimperadores (mais de um imperador no poder, simultaneamente).
Os nomes acompanhados de um asterisco (*) se referem a líderes que ocuparam o cargo de maneira ilegítima, conforme a historiografia convencional, ou seja, ascenderam por meio de golpes, obtiveram a posse sem a aprovação do senado, coagiram o senado para aprovar sua legitimação ou governaram províncias simultaneamente ao poder exercido de maneira legal.
Considere também que os anos de governo de cada imperador referem-se a datas d.C., com exceção do primeiro, que exerceu seu governo em um período que inicia antes de Cristo e vai até depois de Cristo.
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Imperador romano |
Período |
Dinastia/ Contexto |
Características/ feito relevante |
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27 a.C.-14 d.C. |
dinastia Júlio-Claudiana |
Primeiro imperador de Roma, estabeleceu o principado e a Pax Romana. |
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Tibério |
14-37 d.C. |
Definiu grande parte das fronteiras do império. |
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37-41 |
dinastia Júlio-Claudiana |
Investiu em diversas reformas urbanas, mas recebeu a notoriedade de “louco”. |
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Cláudio |
41-54 |
dinastia Júlio-Claudiana |
Conquistou a Britânia. |
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54-68 |
dinastia Júlio-Claudiana |
Investiu em recreação e cultura, mas se tornou reconhecido pela tirania. Possivelmente, assassinou a própria mãe e promoveu uma grande perseguição aos cristãos. |
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Galba |
68-69 |
Ano dos Quatro Imperadores |
Impopular por não pagar os soldados adequadamente, morreu após sete meses de governo. |
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Otão |
69 |
Ano dos Quatro Imperadores |
Suicidou-se para evitar uma guerra civil. |
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Vitélio* |
69 |
Ano dos Quatro Imperadores |
Inimigo de Otão e Vespasiano, foi capturado, torturado e morto pelos rivais. |
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Vespasiano |
69-79 |
Ano dos Quatro Imperadores/ dinastia Flaviana |
Iniciou a construção do Coliseu e restaurou o setor financeiro. |
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Tito |
79-81 |
dinastia Flaviana |
Prestou socorro às vítimas do vulcão de Vesúvio, que destruiu Pompeia, e após outro incêndio em Roma. Inaugurou o Coliseu. |
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Domiciano |
81-96 |
dinastia Flaviana |
Fortificou a linha de torres e muralhas do Limes Germanicus. |
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Nerva |
96-98 |
dinastia Antonina |
Criou a sucessão adotiva de poder, acolhendo Trajano como filho. |
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Trajano |
98-117 |
dinastia Antonina |
Expandiu o império em seu auge, alcançando a Mesopotâmia, a Armênia e a Dácia. |
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Adriano |
117-138 |
dinastia Antonina |
Ordenou a construção da Muralha de Adriano, na Britânia. |
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Antonino Pio |
138-161 |
dinastia Antonina |
Manteve um dos períodos mais pacíficos e prósperos da história do Império Romano. |
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Lúcio Vero |
161-169 |
dinastia Antonina |
Conduziu os romanos à vitória na Guerra Parta de 161–166. |
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Marco Aurélio |
161-180 |
dinastia Antonina |
Adepto do estoicismo, foi autor da obra estoica “Meditações”. |
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Cômodo |
177-192 |
dinastia Antonina |
Cruel e violento, vestia-se de gladiador nas arenas para batalhar em lutas forjadas. |
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Pertinax |
193 |
Ano dos Cinco Imperadores |
Foi assassinado pela Guarda Pretoriana ao tentar impor a ordem após o assassinato de Cômodo. |
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Dídio Juliano* |
193 |
Ano dos Cinco Imperadores |
Literalmente comprou a posse do trono do império, mas foi assassinado e sucedido por três usurpadores naquele mesmo ano. |
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Sétimo Severo |
193-211 |
dinastia Severa |
Primeiro imperador oriundo de uma província sem ascendência romana (África Proconsular, na atual Líbia). Adotou um modelo de governo sistemático para três Augustos coimperadores. |
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Caracala |
198-217 |
dinastia Severa |
Concedeu cidadania romana a todos os homens livres do império. |
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Geta |
209-211 |
dinastia Severa |
Foi assassinado por ordens do irmão coimperador, Caracala, e teve seu nome e imagens propositadamente apagados. |
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Macrino* |
217-218 |
dinastia Severa |
Conspirou contra Caracala para assumir o trono. Foi o primeiro imperador a nunca exercer anteriormente o ofício de senador. |
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Elagábalo |
218-222 |
dinastia Severa |
Surpreendeu os romanos ao se casar com uma sacerdotisa vestal. Foi assassinado aos 18 anos. |
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Alexandre Severo |
222-235 |
dinastia Severa |
Reformou a estrutura do Senado romano, mas a falta de destreza no setor militar levou Roma à “Crise do Terceiro Século”. |
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Maximino Trácio* |
235-238 |
Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores |
Primeiro imperador de origem camponesa. Seus caros investimentos em guerras levaram Roma a uma crise financeira e ao seu eventual assassinato. |
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Gordiano I |
238 |
Crise do Terceiro Século/ Ano dos Seis Imperadores |
Foi proclamado imperador aos 79 anos, mas se suicidou ao saber da morte do filho Gordiano II. |
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Gordiano II |
238 |
Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores |
Com apenas 22 dias de governo, foi morto em batalha contra a província rebelde da Numídia. |
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Pupieno |
238 |
Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores |
Conduziu uma ligeira e eficiente campanha contra os germânicos. Foi assassinado pela Guarda Pretoriana junto de Balbino. |
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Balbino |
238 |
Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores |
Investiu na logística e no abastecimento de Roma durante seus poucos meses de governo. Foi assassinado pelos pretorianos junto de Pupieno. |
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Gordiano III |
238-244 |
Crise do Terceiro Século/Ano dos Seis Imperadores |
Assumiu o império aos 13 anos. Morreu em uma campanha contra os persas. |
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Filipe, o Árabe* |
244-249 |
Crise do Terceiro Século |
Nascido na Arábia, estreitou a relação entre os romanos e árabes. Realizou o evento de comemoração dos mil anos da fundação de Roma. |
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Décio |
249-251 |
Crise do Terceiro Século |
Conduziu uma das mais violentas perseguições do império contra os cristãos. |
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Treboniano Galo* |
251-253 |
Crise do Terceiro Século |
Primeiro imperador a conceder territórios aos “bárbaros” godos, ao sul do rio Danúbio. |
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Emiliano* |
253 |
Crise do Terceiro Século |
Usurpou o trono, mas foi morto pelos próprios soldados. |
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Valeriano |
253-260 |
Crise do Terceiro Século |
Foi o primeiro imperador a se tornar escravo, capturado pelos persas e “usado” como escabelo (apoio para os pés) do rei Sapor I. |
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Galiano |
253-268 |
Crise do Terceiro Século |
Transformou a cavalaria em um poderoso recurso de combate. |
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Cláudio Gótico |
268-270 |
Crise do Terceiro Século |
Derrotou a poderosa coalizão gótica liderada pelos godos na Batalha de Naísso. |
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Aureliano |
270-275 |
Crise do Terceiro Século |
Derrotou o Império de Palmira, o Império Gálico e construiu a Muralha Aureliana em Roma. |
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Tácito |
275-276 |
Crise do Terceiro Século |
Foi eleito imperador pelo Senado aos 75 anos. Derrotou os godos na Ásia Menor. |
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Probo |
276-282 |
Crise do Terceiro Século |
Investiu na agricultura, permitindo o reassentamento de colonos “bárbaros” |
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Caro* |
282-283 |
Crise do Terceiro Século |
Acredita-se que tenha morrido ao ser atingido por um raio. |
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Carino* |
283-285 |
Crise do Terceiro Século |
Investiu em construção e reformas de termas e aquedutos de Roma. |
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Numeriano* |
283-284 |
Crise do Terceiro Século |
Conduziu uma campanha contra os persas, viajando de liteira com os olhos vendados. Possivelmente foi morto ou gravemente adoecido. |
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Diocleciano |
284-305 |
Crise do Terceiro Século/Tetrarquia |
Foi um dos maiores imperadores de Roma. Restaurou a civilização após a Crise do Terceiro Século e fundou o poder da tetrarquia (dois augustos e dois césares). |
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Maximiano |
286-305 |
Crise do Terceiro Século/Tetrarquia |
Pacificou a Gália e a Germânia. |
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Constâncio Cloro |
305-306 |
Tetrarquia |
Reconquistou a Britânia tomada pelo usurpador Alecto. Reformou a Muralha de Adriano. |
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Galério |
305-311 |
Tetrarquia |
Conduziu uma das campanhas mais avassaladoras contra os cristãos. Anexou a Armênia ao império. |
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Severo II* |
306-307 |
Tetrarquia |
Rendeu-se sem lutar contra o rival Maxêncio e foi executado. |
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Maxêncio* |
306-312 |
Tetrarquia |
Ordenou a construção da Basílica de Maxêncio (maior edifício do Fórum Romano). Foi derrotado na notória Batalha da Ponte Mílvia, por Constantino. |
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Licínio |
308-324 |
Tetrarquia |
Inicialmente aliado de Constantino, assinou a favor do Édito de Milão (que garantia liberdade religiosa aos cristãos), mas rebelou-se e foi derrotado pelo coimperador. |
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306-337 |
dinastia Constantiniana |
Primeiro imperador a favorecer o cristianismo, converteu-se no leito de morte, fundou Constantinopla, assinou o Édito de Milão e convocou o primeiro Concílio de Niceia. |
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Constantino II |
337-340 |
dinastia Constantiniana |
Travou uma guerra contra o irmão Constante I e morreu em batalha. |
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Constante I |
337-350 |
dinastia Constantiniana |
Derrotou os francos na Gália e reformou o exército romano ocidental. |
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Constâncio II |
337-361 |
dinastia Constantiniana |
Expurgou todos os rivais, incluindo parentes e o usurpador Magnêncio. |
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Juliano, o Apóstata |
361-363 |
dinastia Constantiniana |
Tentou, sem sucesso, reverter a fé romana ao paganismo. |
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Joviano |
363-364 |
dinastia Constantiniana |
Salvou as tropas cercadas na Pérsia, ao conceder a Mesopotâmia e a Armênia aos inimigos, tornando-se o primeiro líder romano a diminuir a extensão territorial de Roma. |
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Valentiniano I |
364-375 |
dinastia Valentiniana |
Fortaleceu a linha defensiva de castelos e torres nas margens dos rios Danúbio e Reno. |
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Valente |
364-378 |
dinastia Valentiniana |
Desapareceu durante a humilhante derrota contra os godos na Batalha de Adrianópolis. |
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Graciano |
375-383 |
dinastia Valentiniana |
Rompeu com os resquícios das práticas pagãs continuadas pelos imperadores: rejeitou o uso do título de Pontifex Maximus (depois ressignificado pelos cristãos) e derrubou o altar da deusa Vitória no Senado. |
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Valentiniano II |
375-392 |
dinastia Valentiniana |
Assumiu o cargo aos quatro anos de idade, atuando como governante fantoche especialmente de sua mãe, Justina. |
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Teodósio I |
379-395 |
dinastia Valentiniana |
Decretou o cristianismo como religião oficial do império. Após a sua morte, o Império Romano foi dividido em Ocidental e Oriental. |
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Honório |
395-423 |
Império Romano do Ocidente |
Transferiu a capital do império para Ravena após o notório Saque de Roma pelo visigodo Alarico I. |
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Constâncio III |
421 |
Império Romano do Ocidente |
Derrotou diversos exércitos germânicos, entre visigodos, vândalos e alanos, mas morreu em poucos meses de governo. |
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Valentiniano III |
425-455 |
Império Romano do Ocidente |
Assumiu o império após a morte do usurpador Flávio João. Matou o próprio general, Aécio, que havia dificultado os ataques dos hunos liderados por Átila. |
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Petrônio Máximo* |
455 |
Império Romano do Ocidente |
Impopular, foi morto a pedradas pela própria população, facilitando o saque dos vândalos a Roma. |
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Ávita* |
455-456 |
Império Romano do Ocidente |
Primeiro imperador germano-romano, foi deposto e se tornou bispo. |
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Majoriano |
457-461 |
Império Romano do Ocidente |
Último imperador significante de Roma. Reconquistou Gália e Hispânia. |
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Líbio Severo* |
461-465 |
Império Romano do Ocidente |
Serviu de fantoche do general germano-romano Ricimero. |
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Antêmio |
467-472 |
Império Romano do Ocidente |
Reconstruiu as muralhas de Roma; tentou, sem sucesso, dizimar os vândalos. |
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Olíbrio* |
472 |
Império Romano do Ocidente |
Outro fantoche de Ricimero. Estima-se ter morrido de hidropisia. |
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Glicério* |
473-474 |
Império Romano do Ocidente |
Rendeu-se ao rival Júlio Nepos e viveu como clérigo até a morte. |
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Júlio Nepos |
474-475 |
Império Romano do Ocidente |
Último imperador de Roma reconhecido pelo Oriente. |
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Rômulo Augústulo* |
475-476 |
Império Romano do Ocidente |
Último imperador da Roma Ocidental, foi deposto pelo chefe germânico Odoacro, que se tornou subordinado ao imperador bizantino Zenão e primeiro rei da Itália. |
Imperadores mais marcantes
Os imperadores citados abaixo foram selecionados tanto por grau de importância na estrutura do Império Romano (como Constantino), quanto pela notoriedade de suas excentricidades (como Calígula).
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Otávio Augusto (27 a.C.-14 d.C.)
Como primeiro imperador de Roma, Augusto foi o principal responsável por estipular as mais importantes características que definiriam o império até os seus momentos finais. Por meio dele, instaurou-se o sistema de principado, que duraria cerca de trezentos anos. Esse sistema atribuía ao líder, na capital romana, a posição de “primeiro cidadão” — ou princeps, usado como referência pelas convenções da república — e dividia as províncias romanas em senatoriais (governadas pelos procônsules) e imperiais (governadas por representantes do imperador).
Sua condução levou Roma ao período da Pax Romana, que por quase duzentos anos significou a contenção de conflitos em grande escala nos limites do império (graças à centralização do poder e ao subsequente controle sobre um exército profissional, forte e organizado). Também fundou a Guarda Pretoriana como uma elite de segurança, que mais tarde se transformaria em uma força de imensa influência no império.
Como fundador do Império Romano, Augusto foi visto como modelo ideal dos imperadores sucessores, tornando-se essencial para a consolidação de outro longo período da história de Roma.
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Calígula (37-41)
Embora não tenha contribuído de maneira significativa para o engrandecimento de Roma, Calígula certamente é um dos mais lembrados, não pelas conquistas, mas pelas lendas envolvendo suas excentricidades. Além de ser atribuída a ele a figura de um imperador sanguinário e sádico, Calígula muitas vezes é reconhecido por ameaçar nomear seu próprio cavalo como cônsul, guerrear contra o mar ou gastar fortunas do tesouro de Roma em festas e orgias. No entanto, essas acusações são duvidosas e podem ter sido, em grande parte, criadas posteriormente, já que Calígula obteve diversos inimigos entre a elite da sociedade romana.
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Nero (54-68)
Ao contrário do que afirma a lenda popular, é muito improvável que Nero tenha incendiado Roma. Os documentos da época apontam que, pelo contrário, o imperador investiu no socorro a diversas pessoas, abrindo seus próprios jardins para os desabrigados e investindo na reconstrução das estruturas danificadas ou destruídas pelo fogo. Por outro lado, Nero recebeu notoriedade de tirano, pois governava Roma de maneira sanguinária e chegou a matar a própria mãe. Mesmo assim, gostava de se apresentar como um artista, participando até de competições envolvendo teatro e música.
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Trajano (98-117)
Sob a liderança de Trajano, o Império Romano alcançou o seu auge de expansão territorial. As incursões de Trajano incluíram o domínio da Dácia, da Armênia e da Mesopotâmia, podendo ter alcançado até 5 milhões km² de expansão, no total. O domínio de tamanho império, no entanto, se mostrou um desafio difícil de superar devido às recorrentes invasões simultâneas que ocorreram nas fronteiras das províncias.
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Maximino Trácio (235-238)
Este imperador rompeu com as tradições romanas por não ter nascido em uma família nobre. Pelo contrário, ele levava uma vida humilde como camponês e era analfabeto ou semianalfabeto. A sua popularidade entre as legiões, porém, o levou ao poder depois que o ineficiente imperador Alexandre Severo foi assassinado. Entre suas primeiras ações, Maximino taxou os ricos e confiscou propriedades e templos dos devedores.
Potencializado pela falta de “etiqueta” do imperador, o desagrado gerado pelas elites levou o Senado a declará-lo inimigo público, acarretando o seu assassinato poucos anos após a sua ascensão.
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Diocleciano (284-305)
Quando Roma esteve à beira do colapso, devido a uma crise administrativa, Diocleciano propôs resoluções que estenderiam a duração do império em quase dois séculos. Nos cinquenta anos anteriores a seu governo, vinte e cinco imperadores tentaram reerguer Roma, mas a maioria deles foi assassinada. Províncias se desmembraram entre si, a hiperinflação intensificou a pobreza e a administração ineficiente do grande território permitia incansáveis invasões de francos, godos, alamanos e persas.
Sob seu domínio, Diocleciano propôs a formação da tetrarquia, que dividiria o poder entre dois augustos e dois césares. A divisão se mostrou bem-sucedida, já que tornou possível reorganizar os domínios em porções menores. O sistema de tetrarquia resultaria, mais tarde, na divisão do império em Ocidental e Oriental.
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Constantino (306-337)
Constantino, “o Grande”, é tido como um dos líderes mais notórios da história do Império Romano: além de ter tornado Constantinopla a imponente capital romana do Oriente (atual Istambul, na Turquia), decretou o fim das perseguições contra os cristãos com o Édito de Milão e se converteu ao cristianismo em seu leito de morte.
As suas decisões referentes à religião influenciaram não apenas os anos seguintes do império, mas toda a história do Ocidente. O cristianismo deixou de ser uma crença marginalizada para se tornar a mais praticada do Império Romano, tornando-se a religião oficial do Estado por meio de Teodósio no ano 380. Além disso, foi Constantino quem convocou o Concílio de Niceia, que condenou o arianismo como heresia e estabeleceu o Credo Niceno como doutrina definitiva do cristianismo.
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Teodósio I (379-395)
Influenciado pela fé cristã defendida e praticada por Constantino, Teodósio deixou de herança para os dois filhos um Império Romano dividido em Ocidental, com a capital mantida em Roma (governada por Honório) e Oriental, com a capital em Constantinopla (liderada por Arcádio). O decreto da separação foi influenciado pelo sistema de tetrarquia aplicado por Diocleciano, que havia dividido o império em quatro províncias.
Enquanto o Império Romano no Ocidente ruiu no século V, a porção ao leste significou o surgimento do Império Bizantino, que se tornou uma das maiores potências da Idade Média.
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Rômulo Augústulo (475–476)
Rômulo é reconhecido entre os imperadores de Roma por ter sido aquele que testemunhou a queda definitiva do império ocidental. A ruína do Império Romano, apesar de ter sido praticamente inevitável na segunda metade do século V, foi intensificada devido à inabilidade estratégica e ineficácia diplomática de Rômulo. Além de ter representado um governo-fantoche liderado pelo pai, o imperador antecedeu o germânico Odoacro, que se tornou o primeiro rei da Itália após a rendição imediata de Rômulo. A queda de Roma foi tão significativa, que o ano 476 marca o final da Idade Antiga no Ocidente.
Saiba mais: Quem foi Alexandre, o Grande?
Curiosidades sobre imperadores romanos
- O primeiro imperador de Roma, Augusto, nunca se referiu a si mesmo pelo título; ele optava pelo uso do princeps, que significa “primeiro cidadão”, como referência ao recém-extinto período da República.
- Calígula ficou conhecido como “imperador louco” devido às excentricidades atribuídas a ele. Entre elas, dizia-se que havia ordenado um ataque contra o mar após declarar guerra ao deus Netuno e ameaçado nomear seu cavalo como cônsul. A “loucura”, porém, pode ter sido uma atribuição à epilepsia, da qual o imperador sofria.
- É bem provável que Nero tenha tocado uma cítara enquanto observava a tragédia ao longe, mas isso demonstra mais a sua imponência imediata perante o incêndio do que apreciação. Ou seja, a atribuição feita a Nero como responsável por incendiar Roma é possivelmente fruto de uma lenda criada por seus inimigos. Além disso, incêndios eram relativamente comuns nas cidades, já que o fogo se alastrava facilmente pelas estruturas de madeira e palha.
- Trajano levou o Império Romano ao seu auge de domínio territorial, alcançando uma extensão de até 5 milhões de km².
- Maximino Trácio era considerado “rude” pela elite romana devido a sua origem camponesa.
- Diocleciano, apesar de ter sido um dos maiores imperadores de Roma, abdicou do poder voluntariamente, preferindo levar uma vida simples — em seu palácio — como agricultor.
- Constantinopla, ao ser fundada como capital pelo imperador Constantino, em 330 d.C., chamava-se originalmente “Nova Roma”, mas não foi construída pelos romanos. A cidade havia sido erigida pelos gregos durante o século VII a.C. e chamava-se Bizâncio, e por isso, os seus habitantes eram referidos como bizantinos.
- Valeriano foi o único imperador a ser tomado como escravo, quando capturado pelos persas na Batalha de Edessa. Ele passou o resto de sua vida servindo ao rei Sapor I como escabelo, uma espécie de apoio para os pés.
- Cômodo gostava de se apresentar como gladiador nas arenas romanas, mas as suas lutas eram totalmente forjadas: seus adversários eram geralmente homens desarmados, aleijados ou adoecidos, ou mesmo animais enfraquecidos.
- O Império Romano entrou literalmente em leilão no ano de 193 e foi comprado por Dídio Juliano, que foi assassinado pelas tropas de Sétimo Severo apenas dois meses mais tarde.
- É muito possível que quando o Império Romano ruiu, em 476 d.C., sua população não tenha encarado o evento como algo historicamente extraordinário. Essa atenção só foi dada muito tempo mais tarde pelos historiadores da Antiguidade.
- A queda de Roma em 476 foi tão significativa para a história ocidental que denotou o término da Idade Antiga e o advento da Idade Média.
Créditos das imagens
Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
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