Sujeito paciente

O sujeito paciente sofre a ação verbal. O sujeito agente pratica a ação verbal. O agente da passiva é o elemento da oração que exerce a ação sobre o sujeito paciente.

Sujeito paciente é aquele que sofre ou recebe a ação verbal. Já o sujeito agente é o oposto do paciente, uma vez que ele pratica a ação verbal.

Leia também: Como identificar o sujeito da oração?

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre sujeito paciente

  • O sujeito paciente é o elemento da oração que sofre a ação expressa pelo verbo: “A carta foi lida por todos”.
  • O sujeito agente é o elemento da oração que pratica a ação expressa pelo verbo: “Todos lemos a carta”.
  • O sujeito indeterminado é aquele que não pode ser identificado, já que o agente da ação verbal não é explicitado: “Leram a carta”.
  • O agente da passiva é o elemento que exerce a ação sobre o sujeito paciente: “A carta foi lida por todos”.

O que é o sujeito paciente?

O sujeito paciente é aquele que NÃO pratica a ação verbal, pois ele recebe ou sofre essa ação. Para ficar mais claro, veja estes exemplos:

A multidão foi atacada pela tropa de choque.

Uma bonita foto do casal foi tirada por Lucas.

No primeiro exemplo, a multidão é atacada, ou seja, sofre a ação de ser atacada. Na segunda frase, uma bonita foto do casal é tirada, isto é, sofre a ação de ser tirada. Portanto “a multidão” e “uma linda foto do casal” são sujeitos pacientes.

Nos exemplos de sujeito paciente acima, as frases começam com sujeito e são seguidas de locução verbal. Porém, o sujeito paciente também pode ser expresso em frases com:

  • verbo transitivo direto (precisa de complemento direto, sem preposição);
  • verbo bitransitivo (precisa de complemento direto, sem preposição, e complemento indireto, com preposição).

Quando esses tipos de verbo estão na terceira pessoa (ou seja, “ele”, “ela”, “eles” ou “elas”) e acompanhados de “se”, o sujeito é paciente:

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Aluga-se quarto para moças solteiras.

Vendem-se duas estantes em bom estado.

Entregaram-se as notas aos alunos.

Comprou-se um doce de jiló.

O verbo “alugar” está na terceira pessoa do singular, acompanhado de “se”. Ele é transitivo direto, cujo complemento seria “quarto para moças solteiras” se ele não estivesse acompanhado de “se”:

Aluga quarto para moças solteiras.

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É por isso que esse “se” é chamado de pronome apassivador, uma vez que faz com que o sujeito da oração seja paciente. Portanto, quando o verbo aparece acompanhado desse pronome, aquilo que parecia ser objeto direto (complemento), na verdade, é o sujeito paciente. Afinal, é possível reescrever a frase desta maneira:

Quarto para moças solteiras é alugado.

Percebeu? O sujeito “quarto para moças solteiras” sofre a ação de ser alugado.

O mesmo ocorre com:

Duas estantes em bom estado são vendidas.

As notas foram entregues aos alunos.

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Um doce de jiló foi comprado.

Vale lembrar que os verbos “alugar”, “vender” e “comprar” são transitivos diretos. Já o verbo “entregar” é bitransitivo, pois quem entrega, entrega algo A alguém. Veja que “a” é uma preposição que inicia o objeto indireto (complemento verbal). As outras preposições da língua portuguesa são: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

Exemplos de sujeito paciente

O caderno foi rabiscado pelo meu irmãozinho.

O objeto será enviado na semana que vem.

A prova foi feita em uma hora.

As moças foram hostilizadas pelos vizinhos.

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Aquele livro foi escrito por Machado de Assis.

Consertam-se corações partidos.

Compraram-se os enfeites.

Organizou-se o seminário sem grandes transtornos.

Anunciou-se a estreia do meu novo filme.

Entregaram-se as provas finais.

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Sujeito paciente e sujeito agente

Eu disse acima que sujeito paciente é aquele que sofre a ação verbal. Pois o sujeito agente é o contrário do paciente, ou seja, ele exerce a ação verbal. A palavra “agente” já indica isso, não é mesmo? O sujeito agente é aquele que age, isto é, que pratica a ação verbal.

A seguir, vamos ver alguns exemplos de sujeito paciente e agente. Assim, você vai perceber bem a diferença entre eles.

Analise estas frases:

O padeiro cortou o pão em muitos pedaços.

A mulher alugou o quarto do segundo andar.

Meu amigo comprou uma moto usada.

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A chuva provocou estragos.

Então, quem ou o que cortou, alugou, comprou ou provocou? O padeiro cortou, a mulher alugou, “meu amigo” comprou e a chuva provocou. Portanto, “o padeiro”, “a mulher”, “meu amigo” e “a chuva” são sujeitos agentes, pois eles praticam a ação verbal.

Agora analise estes enunciados:

O arroz foi comido pelo meu irmão.

A aula será finalizada pelo professor às onze e trinta.

Suas mentiras serão desculpadas um dia?

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A gaveta foi fechada com estrondo.

Então, o que foi comido ou fechada? O que será finalizada ou serão desculpadas? O arroz foi comido, a gaveta foi fechada, a aula será finalizada e as mentiras serão desculpadas. Assim, “o arroz”, “a gaveta”, “a aula” e “as mentiras” são sujeitos pacientes, pois eles sofrem a ação verbal.

Além disso, o sujeito pode ser agente e paciente ao mesmo tempo. Isso ocorre quando o verbo aparece acompanhado de pronome reflexivo (“me”, “te”, “se”, “nos”, “vos”, “se”). Tais pronomes são chamados de reflexivos porque fazem com que a ação verbal se volte para o agente:

Eu me analiso.

Tu te analisas.

Ela se analisa.

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Nós nos analisamos.

Vós vos analisais.

Eles se analisam.

Note que os sujeitos “eu”, “tu”, “ela”, “nós”, “vós” e “eles” praticam a ação de analisar a si próprios, ou seja, são agentes, mas também são pacientes. Assim, eles praticam a ação de analisar e sofrem a ação de analisar, pois são analisados.

Sujeito paciente e indeterminado

Você já sabe que o sujeito paciente é aquele que sofre a ação verbal. Esse tipo de sujeito é sempre determinado, pois você pode apontar o sujeito na oração.

o sujeito indeterminado é aquele que existe, mas não pode ser apontado na oração. Além disso, é sempre o agente da ação verbal. Portanto, não existe sujeito paciente indeterminado.

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O sujeito é indeterminado se o verbo da oração está na terceira pessoa do plural, sem que o pronome pessoal “eles” ou “elas” esteja explicitado. Esses dois pronomes é o que chamamos de terceira pessoa do plural. Veja só:

Viveram felizes para sempre.

Sofreram muito naquele verão.

Fizeram duas casas no bairro.

As perguntas que nos vêm à cabeça são: Quem viveu? Quem sofreu? Quem fez? Não dá para apontar o agente da ação verbal. Por isso, o sujeito é indeterminado. Note que os verbos estão na terceira pessoa do plural.

Porém, se explicitos os pronomes pessoais, o sujeito pode ser apontado e, portanto, é determinado:

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Eles viveram felizes para sempre.

Elas sofreram muito naquele verão.

Eles fizeram duas casas no bairro.

Outra forma de se indeterminar o sujeito é usar verbo intransitivo (não precisa de complemento), verbo transitivo indireto (precisa de complemento com preposição) ou verbo de ligação (liga o sujeito ao predicativo, ou seja, a um termo que expressa uma qualidade do sujeito), na terceira pessoa do singular (“ele” ou “ela”), acompanhado de “se”:

Ia-se pelo bosque calmamente.

Precisa-se de ajudantes.

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Fica-se alegre com chocolates.

O verbo “ir” é intransitivo, pois quem vai, vai. Ele não precisa de um complemento. Além disso, está acompanhado do “se”. Assim, não é possível indicar o sujeito, que é indeterminado, pois não sabemos quem vai pelo bosque calmamente. Aliás, o nome desse “se” é índice de indeterminação do sujeito.

Já o verbo “precisa” é transitivo indireto, pois quem precisa, precisa DE alguém ou DE alguma coisa. Esse verbo exige a presença de um complemento iniciado com preposição: “de ajudantes”. Além disso, está acompanhado do índice de indeterminação do sujeito “se”. Assim, não sabemos quem precisa de ajudantes.

Por fim, o verbo “fica” é de ligação, pois liga o sujeito à sua qualidade, ou seja, “alegre” (predicativo do sujeito). Porém, esse verbo aparece acompanhado de “se”, de forma que o sujeito qualificado está indeterminado. Desse modo, não sabemos quem é que fica alegre com chocolates.

Qual a diferença entre sujeito paciente e agente da passiva?

O sujeito paciente pode aparecer acompanhado de verbo na voz passiva analítica ou na voz passiva sintética. Lá vem o professor com mais nomenclatura! É fácil, não se preocupe. Na verdade, já dei exemplos de frases com verbo nessas duas vozes verbais. Então, vou retomar alguns deles.

Quando a oração é formada pelo sujeito paciente + locução verbal + agente da passiva, os verbos estão na voz passiva analítica:

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A multidão foi atacada pela tropa de choque.

Uma bonita foto do casal foi tirada por Lucas.

O caderno foi rabiscado pelo meu irmãozinho.

O objeto será enviado na semana que vem.

A prova foi feita em uma hora.

Entretanto, quando a oração é formada por verbo acompanhado do pronome apassivador “se” + sujeito paciente, o verbo está na voz passiva sintética:

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Aluga-se quarto para moças solteiras.

Vendem-se duas estantes em bom estado.

Entregaram-se as notas aos alunos.

Comprou-se um doce de jiló.

Organizou-se o seminário sem grandes transtornos.

Você notou que, agora há pouco, falei de “agente da passiva”. É que o agente da passiva é o elemento que pratica a ação sobre o sujeito. Ele sempre está presente em oração com verbo na voz passiva analítica. E aparece sempre precedido de preposição “por” ou “de”. A maioria possui preposição “por”, sendo “de” algo mais raro:

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A multidão foi atacada pela tropa de choque.

Uma bonita foto do casal foi tirada por Lucas.

O caderno foi rabiscado pelo meu irmãozinho.

A parede estava coberta de mofo.

Então, quem pratica a ação sobre o sujeito paciente são: a tropa de choque, Lucas, meu irmãozinho e mofo. Vale lembra que “pelo” é a união da preposição “por” mais o artigo “o”. Assim, o elemento que age sobre o sujeito paciente é chamado de “agente da passiva”.

Mas nem sempre esse agente da passiva está expresso na oração. É o caso do enunciado abaixo:

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O objeto será enviado na semana que vem.

Nessa frase, “o objeto” é sujeito paciente, pois sofre a ação de ser enviado. Contudo, a frase não explicita quem vai enviar o tal objeto. Mas sabemos que alguém vai fazer isso, apenas não sabemos quem. Isso porque o enunciador da frase não achou necessário dar tal informação.

Leia tambémVocê sabia que há orações sem sujeito?

Exercícios sobre sujeito paciente

Questão 1

Analise os enunciados abaixo e marque a alternativa que apresenta sujeito paciente.

A) A casa tem as paredes da cor dos seus olhos.

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B) Os documentos tratam das despesas do mês.

C) O filme tem cinco atores poloneses.

D) André penteou-se enquanto esperava.

E) Nós preparamos os lanches para a viagem.

Resolução:

Alternativa D.

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Em “André penteou-se enquanto esperava”, o sujeito é agente, mas também é paciente. Afinal, André pratica a ação de pentear e sofre a ação de ser penteado.

Questão 2

Analise estas frases:

I- A aula acontecerá no auditório.

II- A aula será realizada no auditório.

III- A aula foi assistida por muita gente.

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Há sujeito paciente na(s) frase(s):

A) I apenas.

B) II apenas.

C) III apenas.

D) I e III.

E) II e III.

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Resolução:

Alternativa E.

Em “A aula acontecerá no auditório”, o sujeito “a aula” não sofre a ação verbal. Já em “A aula será realizada no auditório” e “A aula foi assistida por muita gente”, o sujeito “aula” é paciente em ambas as ocorrências, já que sofre a ação verbal.

Fontes

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

SANTOS, Márcia Angélica dos. Aprenda análise sintática. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

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Quadro com exemplos de sujeito paciente na voz analística e na voz sintética.
O sujeito paciente sofre a ação verbal.
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Sujeito paciente"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/estrutura-sintatica-verbo-com-sujeito-paciente.htm. Acesso em 13 de abril de 2026.

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