Sujeito paciente é aquele que sofre ou recebe a ação verbal. Já o sujeito agente é o oposto do paciente, uma vez que ele pratica a ação verbal.
Leia também: Como identificar o sujeito da oração?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre sujeito paciente
- 2 - O que é o sujeito paciente?
- 3 - Exemplos de sujeito paciente
- 4 - Sujeito paciente e sujeito agente
- 5 - Sujeito paciente e indeterminado
- 6 - Qual a diferença entre sujeito paciente e agente da passiva?
- 7 - Exercícios sobre sujeito paciente
Resumo sobre sujeito paciente
- O sujeito paciente é o elemento da oração que sofre a ação expressa pelo verbo: “A carta foi lida por todos”.
- O sujeito agente é o elemento da oração que pratica a ação expressa pelo verbo: “Todos lemos a carta”.
- O sujeito indeterminado é aquele que não pode ser identificado, já que o agente da ação verbal não é explicitado: “Leram a carta”.
- O agente da passiva é o elemento que exerce a ação sobre o sujeito paciente: “A carta foi lida por todos”.
O que é o sujeito paciente?
O sujeito paciente é aquele que NÃO pratica a ação verbal, pois ele recebe ou sofre essa ação. Para ficar mais claro, veja estes exemplos:
A multidão foi atacada pela tropa de choque.
Uma bonita foto do casal foi tirada por Lucas.
No primeiro exemplo, a multidão é atacada, ou seja, sofre a ação de ser atacada. Na segunda frase, uma bonita foto do casal é tirada, isto é, sofre a ação de ser tirada. Portanto “a multidão” e “uma linda foto do casal” são sujeitos pacientes.
Nos exemplos de sujeito paciente acima, as frases começam com sujeito e são seguidas de locução verbal. Porém, o sujeito paciente também pode ser expresso em frases com:
- verbo transitivo direto (precisa de complemento direto, sem preposição);
- verbo bitransitivo (precisa de complemento direto, sem preposição, e complemento indireto, com preposição).
Quando esses tipos de verbo estão na terceira pessoa (ou seja, “ele”, “ela”, “eles” ou “elas”) e acompanhados de “se”, o sujeito é paciente:
Aluga-se quarto para moças solteiras.
Vendem-se duas estantes em bom estado.
Entregaram-se as notas aos alunos.
Comprou-se um doce de jiló.
O verbo “alugar” está na terceira pessoa do singular, acompanhado de “se”. Ele é transitivo direto, cujo complemento seria “quarto para moças solteiras” se ele não estivesse acompanhado de “se”:
Aluga quarto para moças solteiras.
É por isso que esse “se” é chamado de pronome apassivador, uma vez que faz com que o sujeito da oração seja paciente. Portanto, quando o verbo aparece acompanhado desse pronome, aquilo que parecia ser objeto direto (complemento), na verdade, é o sujeito paciente. Afinal, é possível reescrever a frase desta maneira:
Quarto para moças solteiras é alugado.
Percebeu? O sujeito “quarto para moças solteiras” sofre a ação de ser alugado.
O mesmo ocorre com:
Duas estantes em bom estado são vendidas.
As notas foram entregues aos alunos.
Um doce de jiló foi comprado.
Vale lembrar que os verbos “alugar”, “vender” e “comprar” são transitivos diretos. Já o verbo “entregar” é bitransitivo, pois quem entrega, entrega algo A alguém. Veja que “a” é uma preposição que inicia o objeto indireto (complemento verbal). As outras preposições da língua portuguesa são: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
Exemplos de sujeito paciente
O caderno foi rabiscado pelo meu irmãozinho.
O objeto será enviado na semana que vem.
A prova foi feita em uma hora.
As moças foram hostilizadas pelos vizinhos.
Aquele livro foi escrito por Machado de Assis.
Consertam-se corações partidos.
Compraram-se os enfeites.
Organizou-se o seminário sem grandes transtornos.
Anunciou-se a estreia do meu novo filme.
Entregaram-se as provas finais.
Sujeito paciente e sujeito agente
Eu disse acima que sujeito paciente é aquele que sofre a ação verbal. Pois o sujeito agente é o contrário do paciente, ou seja, ele exerce a ação verbal. A palavra “agente” já indica isso, não é mesmo? O sujeito agente é aquele que age, isto é, que pratica a ação verbal.
A seguir, vamos ver alguns exemplos de sujeito paciente e agente. Assim, você vai perceber bem a diferença entre eles.
Analise estas frases:
O padeiro cortou o pão em muitos pedaços.
A mulher alugou o quarto do segundo andar.
Meu amigo comprou uma moto usada.
A chuva provocou estragos.
Então, quem ou o que cortou, alugou, comprou ou provocou? O padeiro cortou, a mulher alugou, “meu amigo” comprou e a chuva provocou. Portanto, “o padeiro”, “a mulher”, “meu amigo” e “a chuva” são sujeitos agentes, pois eles praticam a ação verbal.
Agora analise estes enunciados:
O arroz foi comido pelo meu irmão.
A aula será finalizada pelo professor às onze e trinta.
Suas mentiras serão desculpadas um dia?
A gaveta foi fechada com estrondo.
Então, o que foi comido ou fechada? O que será finalizada ou serão desculpadas? O arroz foi comido, a gaveta foi fechada, a aula será finalizada e as mentiras serão desculpadas. Assim, “o arroz”, “a gaveta”, “a aula” e “as mentiras” são sujeitos pacientes, pois eles sofrem a ação verbal.
Além disso, o sujeito pode ser agente e paciente ao mesmo tempo. Isso ocorre quando o verbo aparece acompanhado de pronome reflexivo (“me”, “te”, “se”, “nos”, “vos”, “se”). Tais pronomes são chamados de reflexivos porque fazem com que a ação verbal se volte para o agente:
Eu me analiso.
Tu te analisas.
Ela se analisa.
Nós nos analisamos.
Vós vos analisais.
Eles se analisam.
Note que os sujeitos “eu”, “tu”, “ela”, “nós”, “vós” e “eles” praticam a ação de analisar a si próprios, ou seja, são agentes, mas também são pacientes. Assim, eles praticam a ação de analisar e sofrem a ação de analisar, pois são analisados.
Sujeito paciente e indeterminado
Você já sabe que o sujeito paciente é aquele que sofre a ação verbal. Esse tipo de sujeito é sempre determinado, pois você pode apontar o sujeito na oração.
Já o sujeito indeterminado é aquele que existe, mas não pode ser apontado na oração. Além disso, é sempre o agente da ação verbal. Portanto, não existe sujeito paciente indeterminado.
O sujeito é indeterminado se o verbo da oração está na terceira pessoa do plural, sem que o pronome pessoal “eles” ou “elas” esteja explicitado. Esses dois pronomes é o que chamamos de terceira pessoa do plural. Veja só:
Viveram felizes para sempre.
Sofreram muito naquele verão.
Fizeram duas casas no bairro.
As perguntas que nos vêm à cabeça são: Quem viveu? Quem sofreu? Quem fez? Não dá para apontar o agente da ação verbal. Por isso, o sujeito é indeterminado. Note que os verbos estão na terceira pessoa do plural.
Porém, se explicitos os pronomes pessoais, o sujeito pode ser apontado e, portanto, é determinado:
Eles viveram felizes para sempre.
Elas sofreram muito naquele verão.
Eles fizeram duas casas no bairro.
Outra forma de se indeterminar o sujeito é usar verbo intransitivo (não precisa de complemento), verbo transitivo indireto (precisa de complemento com preposição) ou verbo de ligação (liga o sujeito ao predicativo, ou seja, a um termo que expressa uma qualidade do sujeito), na terceira pessoa do singular (“ele” ou “ela”), acompanhado de “se”:
Ia-se pelo bosque calmamente.
Precisa-se de ajudantes.
Fica-se alegre com chocolates.
O verbo “ir” é intransitivo, pois quem vai, vai. Ele não precisa de um complemento. Além disso, está acompanhado do “se”. Assim, não é possível indicar o sujeito, que é indeterminado, pois não sabemos quem vai pelo bosque calmamente. Aliás, o nome desse “se” é índice de indeterminação do sujeito.
Já o verbo “precisa” é transitivo indireto, pois quem precisa, precisa DE alguém ou DE alguma coisa. Esse verbo exige a presença de um complemento iniciado com preposição: “de ajudantes”. Além disso, está acompanhado do índice de indeterminação do sujeito “se”. Assim, não sabemos quem precisa de ajudantes.
Por fim, o verbo “fica” é de ligação, pois liga o sujeito à sua qualidade, ou seja, “alegre” (predicativo do sujeito). Porém, esse verbo aparece acompanhado de “se”, de forma que o sujeito qualificado está indeterminado. Desse modo, não sabemos quem é que fica alegre com chocolates.
Qual a diferença entre sujeito paciente e agente da passiva?
O sujeito paciente pode aparecer acompanhado de verbo na voz passiva analítica ou na voz passiva sintética. Lá vem o professor com mais nomenclatura! É fácil, não se preocupe. Na verdade, já dei exemplos de frases com verbo nessas duas vozes verbais. Então, vou retomar alguns deles.
Quando a oração é formada pelo sujeito paciente + locução verbal + agente da passiva, os verbos estão na voz passiva analítica:
A multidão foi atacada pela tropa de choque.
Uma bonita foto do casal foi tirada por Lucas.
O caderno foi rabiscado pelo meu irmãozinho.
O objeto será enviado na semana que vem.
A prova foi feita em uma hora.
Entretanto, quando a oração é formada por verbo acompanhado do pronome apassivador “se” + sujeito paciente, o verbo está na voz passiva sintética:
Aluga-se quarto para moças solteiras.
Vendem-se duas estantes em bom estado.
Entregaram-se as notas aos alunos.
Comprou-se um doce de jiló.
Organizou-se o seminário sem grandes transtornos.
Você notou que, agora há pouco, falei de “agente da passiva”. É que o agente da passiva é o elemento que pratica a ação sobre o sujeito. Ele sempre está presente em oração com verbo na voz passiva analítica. E aparece sempre precedido de preposição “por” ou “de”. A maioria possui preposição “por”, sendo “de” algo mais raro:
A multidão foi atacada pela tropa de choque.
Uma bonita foto do casal foi tirada por Lucas.
O caderno foi rabiscado pelo meu irmãozinho.
A parede estava coberta de mofo.
Então, quem pratica a ação sobre o sujeito paciente são: a tropa de choque, Lucas, meu irmãozinho e mofo. Vale lembra que “pelo” é a união da preposição “por” mais o artigo “o”. Assim, o elemento que age sobre o sujeito paciente é chamado de “agente da passiva”.
Mas nem sempre esse agente da passiva está expresso na oração. É o caso do enunciado abaixo:
O objeto será enviado na semana que vem.
Nessa frase, “o objeto” é sujeito paciente, pois sofre a ação de ser enviado. Contudo, a frase não explicita quem vai enviar o tal objeto. Mas sabemos que alguém vai fazer isso, apenas não sabemos quem. Isso porque o enunciador da frase não achou necessário dar tal informação.
Leia também: Você sabia que há orações sem sujeito?
Exercícios sobre sujeito paciente
Questão 1
Analise os enunciados abaixo e marque a alternativa que apresenta sujeito paciente.
A) A casa tem as paredes da cor dos seus olhos.
B) Os documentos tratam das despesas do mês.
C) O filme tem cinco atores poloneses.
D) André penteou-se enquanto esperava.
E) Nós preparamos os lanches para a viagem.
Resolução:
Alternativa D.
Em “André penteou-se enquanto esperava”, o sujeito é agente, mas também é paciente. Afinal, André pratica a ação de pentear e sofre a ação de ser penteado.
Questão 2
Analise estas frases:
I- A aula acontecerá no auditório.
II- A aula será realizada no auditório.
III- A aula foi assistida por muita gente.
Há sujeito paciente na(s) frase(s):
A) I apenas.
B) II apenas.
C) III apenas.
D) I e III.
E) II e III.
Resolução:
Alternativa E.
Em “A aula acontecerá no auditório”, o sujeito “a aula” não sofre a ação verbal. Já em “A aula será realizada no auditório” e “A aula foi assistida por muita gente”, o sujeito “aula” é paciente em ambas as ocorrências, já que sofre a ação verbal.
Fontes
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
SANTOS, Márcia Angélica dos. Aprenda análise sintática. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.