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Fiódor Dostoiévski

Literatura

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Fiódor Dostoiévski, escritor russo, nasceu em 11 de novembro de 1821, em Moscou. Três anos após o sucesso de seu primeiro livro — Gente pobre —, publicado em 1846, foi preso, por questões políticas, e condenado à morte. A sentença, no entanto, foi revogada, e o autor, então, foi condenado a realizar trabalhos forçados, durante quatro anos, em uma prisão na Sibéria.

Suas obras estão vinculadas ao realismo russo e apresentam crítica sociopolítica, fluxo de consciência e personagens marginalizados. Assim, o autor, que morreu em 9 de fevereiro de 1881, em São Petersburgo, traz à tona elementos profundos da alma humana e, dessa forma, acabou influenciando filósofos como Nietzsche e Sartre.

Leia também: Liev Tolstói — principal representante do realismo russo

Biografia de Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski nasceu em 11 de novembro de 1821, em Moscou, na Rússia. Era filho de um médico, um homem autoritário e exigente que estimulava Fiódor e seu irmão, Mikhail, a estudarem e lerem. Porém, quando, em 1837, a mãe do escritor morreu de tuberculose, o pai de Dostoiévski, desgostoso, entregou-se ao alcoolismo e se tornou ainda mais intratável.

Monumento a Fiódor Dostoiévski na Rússia. |1|
Monumento a Fiódor Dostoiévski na Rússia. |1|

No ano seguinte, o autor começou a estudar na Escola de Engenheiros Militares de São Petersburgo, por influência do pai, que foi assassinado em 1839. Assim, quando terminou os estudos, em 1843, o escritor passou a trabalhar no cargo de alferes. Mas após experimentar a vida boêmia da cidade, deixou o emprego, em 1844, para se dedicar à literatura.

Seu primeiro romance — Gente pobre — foi publicado em 1846. No ano seguinte, Dostoiévski se envolveu com um grupo de rapazes que faziam críticas ao czarismo. Por isso, em 1849, o romancista foi preso e condenado à morte. No entanto, na última hora, essa pena foi revogada, e o escritor foi condenado a realizar trabalhos forçados, em Omsk, na Sibéria, durante quatro anos, seguidos de mais quatro anos como soldado.

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Após sair do presídio em Omsk, em 1854, passou a cumprir sua pena de soldado, em Semipalatinsk, onde conheceu Maria Dimítrievna (1824-1864), uma mulher casada. No entanto, ele pôde se casar com ela, em 1857, quando ficou viúva. Na noite do casamento, o escritor teve uma crise epiléptica. Era o início de um casamento infeliz, que terminaria sete anos depois, com a morte da esposa, vítima de tuberculose.

Pena cumprida, Fiódor Dostoiévski voltou à Rússia em 1859, com sua esposa e seu enteado. A princípio, viviam na cidade de Tver e, depois, voltaram a viver em São Petersburgo. Mais tarde, em 1862, publicou seu livro Recordações da casa dos mortos e, dessa forma, voltou a ser admirado como escritor.

Nesse ano, fez sua primeira viagem a países da Europa e se apaixonou por Paulina Súslova, uma jovem de 16 anos. Dois anos depois, com a morte do irmão, Dostoiévski decidiu manter o jornal criado por ele — Época. Além disso, ficou viúvo e, em 1865, viajou para países da Europa pela segunda vez, reencontrando a jovem Paulina, que rejeitou seu pedido de casamento.

Em 1866, conheceu a jovem estenógrafa Anna Grigórievna (1846-1918), e se casaram um ano depois. Ameaçado pelos credores, o escritor decidiu deixar a Rússia. Em companhia da esposa, ele viveu em países da Europa por aproximadamente quatro anos. Em 1868, sua primeira filha nasceu, na Suíça, e morreu no mesmo ano.

Em 1872, na Rússia, o romancista se tornou redator-chefe do jornal O Cidadão. Assim, viveu os próximos anos dedicado à escrita. Porém, as crises epilépticas eram recorrentes, e a saúde do escritor ficou mais frágil com os anos. Ele morreu em 9 de fevereiro de 1881, em São Petersburgo.

Características literárias de Fiódor Dostoiévski

As obras de Fiódor Dostoiévski — um dos principais autores do realismo na Rússia — apresentam as seguintes características:

  • crítica sociopolítica;

  • análise psicológica;

  • monólogo interior;

  • conservadorismo;

  • nacionalismo;

  • prolixidade;

  • caráter descritivista;

  • personagens marginalizados;

  • ausência de idealizações;

  • profundidade filosófica;

Leia também: Naturalismo — corrente mais extremada do movimento realista

Obras de Fiódor Dostoiévski

 Capa do livro O idiota, de Fiódor Dostoiévski, publicado pela Editora 34. |1|
Capa do livro O idiota, de Fiódor Dostoiévski, publicado pela Editora 34. |1|
  • Gente pobre (1846)

  • O duplo (1846)

  • Senhor Prokhartchin (1846)

  • Romance em nove cartas (1847)

  • A senhoria (1847)

  • Noites brancas (1848)

  • Coração fraco (1848)

  • O ladrão honrado (1848)

  • Uma árvore de Natal e um casamento (1848)

  • A mulher de outro e o marido debaixo da cama (1848)

  • Netochka Nezvanova (1849)

  • O pequeno herói (1849)

  • O sonho do tio (1859).

  • Aldeia de Stiepantchikov e seus habitantes (1859)

  • Humilhados e ofendidos (1861)

  • Recordações da casa dos mortos (1862)

  • Uma história desagradável (1862)

  • Notas do subterrâneo (1864)

  • O crocodilo (1865)

  • Crime e castigo (1866)

  • O jogador (1867)

  • O idiota (1869)

  • O eterno marido (1870)

  • Os demônios (1872)

  • Bobók (1873)

  • O adolescente (1875)

  • Uma criatura gentil (1876)

  • O Mujique Marei (1876)

  • O sonho de um homem ridículo (1877)

  • Os irmãos Karamazov (1881)

O livro O idiota é um dos mais conhecidos do autor. Nessa obra, o protagonista é o príncipe Liév Nikoláievitch Míchkin. Depois de viver alguns anos na Suíça, ele volta a São Petersburgo. O jovem de 26 anos tem epilepsia. A princípio, o título da obra se refere à suposta sequela da doença, isto é, à idiotice. Mas, no decorrer da narrativa, percebemos que o título possui um duplo sentido.

Afinal, esse adjetivo é usado, principalmente, para indicar a compaixão, generosidade e sinceridade do príncipe. A obra, portanto, critica a sociedade russa da época, na qual não havia lugar para um homem de bem. No entanto, a temática é atual e universal, pois, em qualquer parte do mundo, a discussão sobre o comportamento ético continua pertinente, além do fato de que algumas pessoas ainda são consideradas idiotas por agirem corretamente.

Míchkin é o herói ridicularizado por expressar bons valores humanos. Ele é uma alma superior, mas considerada fraca pelas pessoas corruptas que o cercam. Já Parfión Rogójín é o oposto do príncipe. Aparentemente, são amigos. No entanto, os dois se envolvem com a bela e sedutora Nastássia Filíppovna.

Veja também: Memórias póstumas de Brás Cubas — grande clássico do realismo brasileiro

Influência de Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski influenciou vários artistas e intelectuais.

  • Na literatura:

  • André Gide (1869-1951);

  • William Faulkner (1897-1962);

  • Georges Bernanos (1888-1948).

  • Na filosofia e política:

  • Jean-Paul Sartre (1905-1980);

  • Friedrich Nietzsche (1844-1900);

  • Martin Heidegger (1889-1976);

  • Mikhail Bakhtin (1895-1975);

  • Lev Shestov (1866-1938).

  • Na psicanálise:

  • Sigmund Freud (1856-1939).

Frases de Fiódor Dostoiévski

A seguir, vamos ler algumas frases de Fiódor Dostoiévski, extraídas de suas obras Os demônios, O idiota, Bobók e Recordações da casa dos mortos.

“O homem está infeliz porque não sabe que é feliz.”

“Não foi quando ele descobriu a América, mas quando estava prestes a descobri-la, que Colombo ficou feliz.”

“Vida e mentira são sinônimos.”

“Não existem preconceitos triviais.”

“Um ser que se habitua a tudo, esta é a melhor definição que podemos dar do homem.”

Créditos das imagens

|1| Pavel Sapozhnikov / Shutterstock.com

|2| Editora 34 (reprodução) 

 

Por Warley Souza
Professor de Literatura

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Fiódor Dostoiévski"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/fiodor-mikhailovitch-dostoievski.htm. Acesso em 26 de setembro de 2021.

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