Quilombos são comunidades que foram criadas por africanos escravizados que haviam fugido. Para viver em liberdade, eles formavam essas comunidades, sustentando-as como focos de resistência contra a escravidão. Esses locais buscavam replicar um modo de vida semelhante ao existente na África. O maior quilombo da história brasileira foi o Quilombo dos Palmares, formado em Alagoas, e destruído pelos portugueses em 1694. Atualmente, os quilombos ainda existem e preservam o legado cultural quilombola em nosso país, lutando por ter seu direito à terra garantido.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre quilombos
- 2 - O que é quilombo?
- 3 - Origem e história dos quilombos
- 4 - Como era a vida nos quilombos?
- 5 - Maiores quilombos do Brasil
- 6 - O que é ser um quilombola?
- 7 - Quilombos hoje
Resumo sobre quilombos
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Os quilombos são comunidades formadas por africanos escravizados no período colonial da história brasileira, enquanto fugiam da escravidão.
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O primeiro quilombo do qual se tem conhecimento foi formado no interior da Bahia, em 1575.
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Quilombos eram locais onde os escravizados buscavam viver em liberdade.
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Buscava-se replicar no quilombo um modo de vida semelhante ao da África.
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O maior quilombo da história do Brasil foi o Quilombo dos Palmares.
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O que é quilombo?
Os quilombos são comunidades formadas por africanos escravizados e seus descendentes, que surgiram no Brasil durante o período colonial. Essas comunidades eram construídas para abrigar escravos que fugiam e se tornaram verdadeiros locais de resistência em nosso país. Havia quilombos nas mais diferentes regiões do Brasil. Os quilombos abrigavam não somente africanos, mas também indígenas que fugiam da escravização, e até portugueses pobres poderiam residir nesses locais. Eram comunidades onde os escravizados podiam viver em liberdade, buscando replicar um modo de vida semelhante ao existente no continente africano.
Ao longo da história, diversos quilombos se formaram no Brasil, tanto em locais afastados como próximos de grandes cidades. O maior quilombo de que temos conhecimento foi o Quilombo dos Palmares, que foi destruído pelos portugueses no final do século XVII, mas chegou a ter cerca de vinte mil habitantes.
Origem e história dos quilombos
Como já foi dito, os quilombos foram construídos pelos africanos escravizados e seus descendentes durante o período colonial, como forma de resistir ao trabalho escravo. O primeiro quilombo do qual temos conhecimento surgiu no interior da Bahia e remonta ao ano de 1575. Logo, os quilombos se espalharam por diversas partes do Brasil.
Veja também: E na África, também havia escravidão?
Como era a vida nos quilombos?
Os quilombos eram comunidades onde os escravizados poderiam tornar a viver em liberdade. Esses locais buscavam replicar um modo de vida parecido com o da África. Essas comunidades poderiam ser construídas em locais afastados, o que permitiria uma segurança extra, mas muitos quilombos eram formados próximos de cidades, para garantir uma rede comercial que seria útil para a sobrevivência dos quilombolas.
A palavra “quilombo” deriva do idioma quimbundo e era um termo utilizado na região de Angola para se referir a acampamentos militares. Essa ideia é percebida na estrutura de um quilombo, pois muitos deles possuíam paliçadas para garantir a segurança de quem residia ali, além de terem armadilhas espalhadas pelo seu perímetro. A população dos quilombos não era composta apenas por africanos e seus descendentes, havia também indígenas e homens brancos livres vivendo todos dentro das regras estabelecidas naquelas comunidades.
Os quilombolas produziam parte dos seus alimentos por meio da agricultura, mas também coletavam frutos e raízes, além de praticarem a caça e a pesca. Os produtos excedentes poderiam ser comercializados com comunidades próximas. Esse é um fato interessante e que poucos conhecem: muitas fazendas e engenhos mantinham uma relação pacífica com quilombos, mantendo um ativo comércio entre eles.
Por outro lado, havia fazendas e engenhos que os denunciavam, caso constatassem a sua existência. Quando as autoridades portuguesas tomavam conhecimento dos quilombos, reuniam esforços para destruí-los, mobilizando bandeirantes e um grande esforço militar contra eles. Assim, os quilombos eram constantemente atacados, mas a resistência quilombola contra a violência colonial foi enorme.
Maiores quilombos do Brasil
Ao longo da história, diversos quilombos foram formados, mas o maior e mais famoso deles foi o Quilombo dos Palmares. Esse quilombo, que se estabeleceu na região da Serra da Barriga, chegou a ter cerca de 20 mil habitantes no seu auge. Além disso, ficou marcado por sua grande resistência aos ataques portugueses.
Os historiadores apontam que o primeiro registro que se tem do Quilombo dos Palmares é de 1597, mas é possível que esse quilombo já existia antes disso. Acredita-se que Palmares foi formado por escravizados que fugiram de engenhos presentes na capitania de Pernambuco. Era o início da trajetória do maior quilombo do Brasil.
O lugar escolhido para a construção do Quilombo dos Palmares foi estratégico: era um local de difícil acesso na Serra da Barriga, protegido por uma floresta densa em uma área repleta de palmeiras (daí vem o nome do quilombo). Palmares era formado por diversos mocambos, mas o mocambo chamado Cerca Real dos Macacos foi o principal deles. Só no mocambo do Macaco, estima-se que habitavam cerca de seis mil pessoas, um número expressivo.
Como mencionado, muitos dos seus residentes eram de origem africana, mas havia pessoas que nasceram no quilombo, escravizados nascidos no Brasil e indígenas, por exemplo. Outros mocambos também compunham o Quilombo dos Palmares, como o mocambo de Andalaquituche.
Os palmaristas, como ficaram conhecidos os habitantes de Palmares, produziam tudo que necessitavam para sobreviver e construíram uma enorme defesa ao redor do quilombo. Protegê-lo era fundamental, porque ainda no começo do século XVIII, já existem registros de tentativas de Portugal de destruir o quilombo.
A resistência palmarista contra os ataques coloniais existiu durante todo o século XVII. Durante meados desse século, o conflito entre portugueses e holandeses foi benéfico para Palmares, porque o quilombo deixou de ser a prioridade de ambos os lados. Os historiadores apontam que o quilombo cresceu bastante nesse período. Depois que os holandeses foram expulsos do Nordeste, Portugal retomou os ataques contra Palmares.
Em 1678, os portugueses ofereceram um acordo de paz em condições não muito favoráveis. O líder do quilombo na ocasião, Ganga Zumba, aceitou o acordo, mas Zumbi, chefe militar importante do quilombo, não concordou, pois ele previa a devolução de escravizados fugidos, que não haviam nascido no quilombo, à escravidão ─ Zumbi não aceitava essa condição. A divisão fez com que a liderança de Ganga Zumba fosse contestada. Nesse mesmo ano, ele foi assassinado, e Zumbi assumiu o quilombo.
Zumbi rejeitou o acordo dos portugueses e, de 1678 a 1694, liderou a resistência do Quilombo dos Palmares contra os seus ataques. Em 1694, o quilombo foi destruído, mas Zumbi escapou, sendo morto pelos portugueses apenas em 20 de novembro de 1695.
O que é ser um quilombola?
Ser um quilombola é ser um membro de uma comunidade quilombola ou ser descendente direito destes. Nos períodos colonial e monárquico, quando a luta pela escravidão motivava a formação de quilombos, todos aqueles que residiam nesses locais eram conhecidos como quilombolas. Eles eram parte da resistência contra a escravidão.
O forte racismo presente no Brasil e a falta de oportunidade para os ex-escravizados e seus descendentes fizeram com que os quilombos se mantivessem habitados, o que permitiu que, ainda hoje, haja comunidades quilombolas em nosso país. Os quilombos são, atualmente, os descendentes dos escravizados que formaram essas comunidades.
Hoje, os quilombolas buscam preservar as tradições culturais que se formaram nesses espaços. Muitos quilombos lutam pela demarcação de suas terras, a fim de garantir a concretização de um espaço que preserve o legado cultural dos quilombos em nosso país. Atualmente, existem 494 territórios quilombolas demarcados no Brasil e muitos outros que procuram esse reconhecimento do Estado.
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Quilombos hoje
Os quilombos atuais são espaços nos quais os quilombolas mantêm viva a cultura negra e suas tradições, buscando garantir um estilo de vida que seja sustentável. Essas comunidades se espalharam pelo país, mantendo um estilo de vida simples e que resiste ao crescimento urbano. Estima-se que, atualmente, cerca de 1,3 milhão de pessoas residam em comunidades quilombolas. O grande desafio dessas comunidades é manter vivas suas tradições, barrar o avanço de posseiros sobre suas terras e garantir a demarcação de seus territórios.
Créditos das imagens
[2] Agência Brasil / Wikimedia Commons
Fontes
SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio (orgs.). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.