RIDE-DF (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno)

Geografia do Brasil

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A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE) abrange uma grande quantidade de municípios do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Esses municípios integram uma área de planejamento e geração de políticas públicas comuns a eles, a fim de propiciar o desenvolvimento da sua população.

Leia também: Cidade e município: qual é a diferença? 

O que é a RIDE-DF?

RIDE é uma área composta por mais de 30 municípios de Goiás e Minas Gerais, além do Distrito Federal. Nessa região há municípios com os mais variados graus de desenvolvimento econômico e social e com várias disparidades. Dessa forma, a criação da RIDE, na teoria, supõe uma integração entre esses municípios para que tais disparidades e desigualdades sejam diminuídas ao longo dos anos.

Vista aérea de Brasília, a principal cidade da RIDE.[1]
Vista aérea de Brasília, a principal cidade da RIDE.[1]

Entretanto, não é isso que ocorre na prática, pois muitos municípios possuem uma relação distante da capital federal, que é a principal beneficiadora das ações implementadas na RIDE. Alguns dos municípios englobados pela rede possuem uma relação de metropolização com Brasília, pois são mais próximos dela, como Planaltina e Formosa, ambos em Goiás.

Com isso, a título de exemplificação, esses municípios acabam atraindo mais recursos para suas políticas públicas. Já municípios distantes geograficamente de Brasília, como Niquelândia (GO), não se desenvolvem da mesma forma. Esse é um ponto negativo da RIDE, mas que pode ser facilmente consertado.

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Origem da RIDE-DF

De acordo com a Constituição Federal (CF) de 1988, em seu artigo 21º, inciso IX, é função da União “elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social”. O artigo 43º caput do mesmo documento alega que “para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais”.

Esses artigos da CF foram a base para a criação da RIDE, que surgiu com base na Lei Complementar 94/1998, promulgada, em 19 de fevereiro de 1998, pelo então presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Essa lei possui oito artigos e trata da regulamentação e disposição da RIDE em meio ao cenário local, regional e nacional.

Objetivos da RIDE-DF

Entre os principais objetivos da RIDE, podemos destacar a necessidade da realização de políticas públicas em conjunto nas cidades integrantes da região.

Essas políticas estão relacionadas com a geração de emprego, renda, serviços públicos e infraestrutura; o desenvolvimento social, saneamento básico, uso e ocupação do solo,  transportes e sistema viário, proteção ao meio ambiente e controle da poluição ambiental; e também dizem respeito à saúde e assistência social, à educação e cultura, ao combate às causas de pobreza e aos fatores de marginalização e segurança pública.

Monumento em Brasília que homenageia os candangos, pessoas que trabalharam na construção da cidade na década de 1950. [2]
Monumento em Brasília que homenageia os candangos, pessoas que trabalharam na construção da cidade na década de 1950. [2]

Cabe ao Executivo criar ações que estimulem a prosperidade dos municípios da RIDE, o que pode ser feito em nível municipal, estadual e/ou federal, podendo haver um convênio entre as três esferas governamentais.

Veja também: Capitais do Brasil – lista com todas as capitais brasileiras

Dados gerais da RIDE

Vejamos agora alguns dados específicos sobre os estados envolvidos na RIDE.

  • Cidades integrantes: ao todo, 33 cidades e o Distrito Federal, que possui uma organização diferente, integram a RIDE, baseada em regiões administrativas. As cidades são, em Goiás:

- Abadiânia

- Água Fria de Goiás

- Águas Lindas de Goiás

- Alexânia

- Alto Paraíso de Goiás

- Alvorada do Norte

- Barro Alto

- Cabeceiras

- Cavalcante

- Cidade Ocidental

- Cocalzinho de Goiás

- Corumbá de Goiás

- Cristalina

- Flores de Goiás

- Formosa

- Goianésia

- Luziânia

- Mimoso de Goiás

- Niquelândia

- Novo Gama

- Padre Bernardo

- Pirenópolis

- Planaltina

- Santo Antônio do Descoberto

- São João d’Aliança

- Simolândia

- Valparaíso de Goiás

- Vila Boa

- Vila Propício

Em Minas Gerais:

- Arinos

- Buritis

- Cabeceira Grande

- Unaí

  • Área: todas as cidades mais o território do Distrito Federal abrangem uma área de, aproximadamente, 94.500 km².  
  • População: estima-se que a população da RIDE, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE - 2010), seja de 4.560.000 pessoas.

Veja agora alguns dados selecionados de todas as cidades, em ordem alfabética, de acordo com o IBGE. Dados fornecidos pelo último censo, em 2010.

Cidade

População estimada|1|

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)

Densidade demográfica

PIB per capita|2|

Cidades de Goiás

Abadiânia

20.461 pessoas

0,689

15,08 hab/km

R$ 16.157,24

Água Fria de Goiás

5.793 pessoas

0,671

2,51 hab/km²

R$ 38.994,18

Águas Lindas de Goiás

217.698 pessoas

0,686

846,02 hab/km²

R$ 9.108,33

Alexânia

28.010 pessoas

0,682

28,09 hab/km²

R$ 29.187,12

Alto Paraíso de Goiás

7.688 pessoas

0,713

2,65 hab/km²

R$ 22.025,32

Alvorada do Norte

8.705 pessoas

0,660

6,42 hab/km²

R$ 13.768,81

Barro Alto

11.408 pessoas

0,742

7,97 hab/km²

R$ 78.477,29

Cabeceiras

8.046 pessoas

0,668

6,52 hab/km²

R$ 26.472,38

Cavalcante

9.725 pessoas

0,584

1,35 hab/km²

R$ 24.807,00

Cidade Ocidental

72.890 pessoas

0,717

143,38 hab/km²

R$ 11.117,88

Cocalzinho de Goiás

20.504 pessoas

0,657

9,73 hab/km²

R$ 15.380,15

Corumbá de Goiás

11.169 pessoas

0,680

9,76 hab/km²

R$ 14.238,76

Cristalina

60.210 pessoas

0,699

7,56 hab/km²

R$ 41.443,33

Flores de Goiás

17.005 pessoas

0,597

3,25 hab/km²

R$ 9.092,34

Formosa

123.684 pessoas

0,744

17,22 hab/km²

R$ 19.918,60

Goianésia

71.075 pessoas

0,727

38,49 hab/km²

R$ 19.655,61

Luziânia

211.508 pessoas

0,701

44,06 hab/km²

R$ 16.989,45

Mimoso de Goiás

2.583 pessoas

0,665

1,94 hab/km²

R$ 21.656,24

Niquelândia

46.730 pessoas

0,715

4,30 hab/km²

R$ 21.803,69

Novo Gama

117.703 pessoas

0,684

487,29 hab/km²

R$ 8.377,21

Padre Bernardo

34.430 pessoas

0,651

8,81 hab/km²

R$ 15.122,22

Pirenópolis

25.064 pessoas

0,693

10,43 hab/km²

R$ 16.657,36

Planaltina

90.640 pessoas

0,669

32,10 hab/km²

R$ 11.448,85

Santo Antônio do Descoberto

75.829 pessoas

0,665

66,99 hab/km²

R$ 9.088,44

São João d’Aliança

14.085 pessoas

0,685

3,08 hab/km²

R$ 23.653,84

Simolândia

6.879 pessoas

0,645

18,72 hab/km²

R$ 14.272,95

Valparaíso de Goiás

172.135 pessoas

0,746

2.165,48 hab/km²

R$ 15.626,97

Vila Boa

6.312 pessoas

0,647

4,47 hab/km²

R$ 23.992,38

Vila Propício

5.882 pessoas

0,634

2,36 hab/km²

R$ 32.016,61

Cidades de Minas Gerais

Arinos

17.862 pessoas

0,656

3,35 hab/km²

R$ 11.260,49

Buritis

25.013 pessoas

0,672

4,35 hab/km²

R$ 28.390,07

Cabeceira Grande

6.988 pessoas

0,648

6,26 hab/km²

R$ 26.260,47

Unaí

84.930 pessoas

0,736

9,18 hab/km²

R$ 31.866,55

Fonte: IBGE

Acesse também: Brasil: subdesenvolvido ou emergente?

Mapa da RIDE-DF

Em 2018, com base em outra lei complementar sancionada pelo então presidente Michel Temer, foram acrescentados na RIDE mais alguns municípios, conforme o mapa e a legenda a seguir.

Observe no mapa, de azul, os municípios incorporados a partir de 2018.

Fonte: Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).
Fonte: Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).

Economia da Ride

A maioria das cidades que integram a RIDE tem sua economia baseada nas atividades de Brasília e entorno, pois é a principal cidade dessa região. Cidades próximas, como Novo Gama, Formosa e Val Paraíso de Goiás, têm forte migração pendular para a capital federal, em que pessoas saem das cidades goianas, trabalham no Distrito Federal e retornam para suas casas.

Entretanto, alguns municípios possuem riquezas naturais que moldam o PIB municipal, como as belas cachoeiras em Formosa e Pirenópolis, onde a indústria turística é bastante expressiva; a extração e produção de níquel em Niquelândia; ou mesmo a agricultura em Unaí, que é grande produtora de grãos no Brasil, com destaque para o feijão e o milho.

Exercícios resolvidos

Questão 1 - (PUCCAMP/2017)

Na América Latina do século XX, em incontáveis momentos, a criação artística articulou-se com utopias ou perspectivas de transformação social. Em diferentes contextos, artistas usaram sua produção para corroborar determinados projetos políticos ou consentiram que suas criações fossem apropriadas e sustentadas por movimentos políticos, dentro ou fora do Estado.

(PRADO, Maria Ligia e PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2014. p. 187-188)

A construção de Brasília contou com apaixonados simpatizantes e ferrenhos críticos do projeto, entre artistas e profissionais liberais de distintos ramos. Dentre as polêmicas que ainda hoje cercam o projeto conhecido como Plano Piloto, destaca-se

A) a incapacidade de inclusão das populações pobres que migraram para a região para a execução da obra, como os “candangos”, trabalhadores que se estabeleceram na periferia da cidade e contribuíram para o surgimento das cidades satélites, hoje densamente povoadas.

B) o alto custo desse investimento para os cofres públicos, uma vez que foi necessário ao governo brasileiro contrair empréstimos nos Estados Unidos para a construção da cidade, que só deixou de representar um peso orçamentário ao ser reconhecida como patrimônio da humanidade e passar a ser mantida, na atualidade, por entidades internacionais.

C) a inadequação do projeto à locomoção na cidade, bem como o isolamento, por guarnições militares, do setor de edifícios que sempre abrigaram os poderes governamentais, características que se vinculavam ao autoritarismo vigente no país sob o

mandato de Juscelino Kubitschek.

D) a marca stalinista presente na arquitetura monumental empregada, na divisão da cidade em “setores”, na numeração de ruas e blocos, e que ecoava as inclinações políticas dos idealizadores do projeto, Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx, que já gozavam de renome internacional.

E) o prejuízo que a transferência da capital federal significou para o Rio de Janeiro, uma vez que resultou em milhares de funcionários públicos desempregados, crise que favoreceu o fortalecimento político de Carlos Lacerda, artífice do golpe de 64 e defensor do regime militar durante toda a ditadura.

Resolução

Alternativa A. Um dos motivos que levou à criação da RIDE está na história do povoamento de Brasília e região, pois ao redor surgiram áreas e cidades, as cidades satélites, que cresceram de forma desordenada e com inchaço populacional. Daí a necessidade de investimentos públicos em conjunto para desenvolver áreas historicamente prejudicadas em suas economias.

Questão 2 - (PUCCAMP/2016)

A década de 1950 foi marcada pelo anseio de modernização do país, cujos reflexos se fazem sentir também no plano da cultura. É de se notar o amadurecimento da poesia de João Cabral, poeta que se rebelou contra o que considerava nosso sentimentalismo, nosso “tradicional lirismo lusitano”, bem como o surgimento de novas tendências experimentalistas, observáveis na linguagem renovadora de Ferreira Gullar e na radicalização dos poetas do concretismo. As linhas geométricas da arquitetura de Brasília e o apego ao construtivismo que marca a criação poética parecem, de fato, tendências próximas e interligadas.

(MOUTINHO, Felipe, inédito)

A inauguração de Brasília, símbolo da modernização empreendida durante o período de governo de JK, foi acompanhada de uma série de impactos imediatos, dentre os quais podemos citar

A) a mudança da capital federal, medida que causou muita polêmica, pois o projeto havia sido inusitado na história do Brasil, e os funcionários federais recusavam-se a mudar para o Centro-Oeste.

B) o fim do isolamento econômico do Centro-Oeste, por meio da inauguração de uma extensa rede viária e de um grande parque industrial nas imediações da capital.

C) a migração de pequenos agricultores do Sul do país para Goiás e Mato Grosso, estimulados por incentivos estatais para o plantio da soja e a agropecuária voltada à exportação.

D) a transformação da localidade em fundamental polo turístico nacional, em função da curiosidade estrangeira em conhecer a primeira cidade planejada da América Latina.

E) o crescimento de cidades satélites muito além da proporção imaginada por Lucio Costa em seus primeiros planejamentos, em função da grande população de trabalhadores atraída à região.

Resolução

Alternativa E. Seguindo o mesmo raciocínio da questão anterior, as cidades satélites, ao redor de Brasília, cresceram desordenadamente, o que agravou a situação da população, havendo a necessidade de reparação histórica em termos de políticas públicas. Essa reparação, teoricamente, veio com a criação da RIDE.

Notas

|1| Dados de 2020.

|2| Dados de 2017.

Créditos das imagens

[1] Brastock / Shutterstock

[2] Kleber Silva / Shutterstock

 

Por Átila Matias
Professor de Geografia

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

MATIAS, Átila. "RIDE-DF (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno)"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/ride.htm. Acesso em 26 de novembro de 2020.