RIDE-DF (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno)

RIDE - Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno é uma área com vários municípios integrados para a criação de políticas públicas voltadas a eles.

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A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE) abrange uma grande quantidade de municípios do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Esses municípios integram uma área de planejamento e geração de políticas públicas comuns a eles, a fim de propiciar o desenvolvimento da sua população.

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Leia também: Cidade e município: qual é a diferença? 

Tópicos deste artigo

O que é a RIDE-DF?

RIDE é uma área composta por mais de 30 municípios de Goiás e Minas Gerais, além do Distrito Federal. Nessa região há municípios com os mais variados graus de desenvolvimento econômico e social e com várias disparidades. Dessa forma, a criação da RIDE, na teoria, supõe uma integração entre esses municípios para que tais disparidades e desigualdades sejam diminuídas ao longo dos anos.

Vista aérea de Brasília, a principal cidade da RIDE.
Vista aérea de Brasília, a principal cidade da RIDE.

Entretanto, não é isso que ocorre na prática, pois muitos municípios possuem uma relação distante da capital federal, que é a principal beneficiadora das ações implementadas na RIDE. Alguns dos municípios englobados pela rede possuem uma relação de metropolização com Brasília, pois são mais próximos dela, como Planaltina e Formosa, ambos em Goiás.

Com isso, a título de exemplificação, esses municípios acabam atraindo mais recursos para suas políticas públicas. Já municípios distantes geograficamente de Brasília, como Niquelândia (GO), não se desenvolvem da mesma forma. Esse é um ponto negativo da RIDE, mas que pode ser facilmente consertado.

Origem da RIDE-DF

De acordo com a Constituição Federal (CF) de 1988, em seu artigo 21º, inciso IX, é função da União “elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social”. O artigo 43º caput do mesmo documento alega que “para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais”.

Esses artigos da CF foram a base para a criação da RIDE, que surgiu com base na Lei Complementar 94/1998, promulgada, em 19 de fevereiro de 1998, pelo então presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Essa lei possui oito artigos e trata da regulamentação e disposição da RIDE em meio ao cenário local, regional e nacional.

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Objetivos da RIDE-DF

Entre os principais objetivos da RIDE, podemos destacar a necessidade da realização de políticas públicas em conjunto nas cidades integrantes da região.

Essas políticas estão relacionadas com a geração de emprego, renda, serviços públicos e infraestrutura; o desenvolvimento social, saneamento básico, uso e ocupação do solo,  transportes e sistema viário, proteção ao meio ambiente e controle da poluição ambiental; e também dizem respeito à saúde e assistência social, à educação e cultura, ao combate às causas de pobreza e aos fatores de marginalização e segurança pública.

Monumento em Brasília que homenageia os candangos, pessoas que trabalharam na construção da cidade na década de 1950.
Monumento em Brasília que homenageia os candangos, pessoas que trabalharam na construção da cidade na década de 1950.

Cabe ao Executivo criar ações que estimulem a prosperidade dos municípios da RIDE, o que pode ser feito em nível municipal, estadual e/ou federal, podendo haver um convênio entre as três esferas governamentais.

Veja também: Capitais do Brasil – lista com todas as capitais brasileiras

Dados gerais da RIDE

Vejamos agora alguns dados específicos sobre os estados envolvidos na RIDE.

  • Cidades integrantes: ao todo, 33 cidades e o Distrito Federal, que possui uma organização diferente, integram a RIDE, baseada em regiões administrativas. As cidades são, em Goiás:

- Abadiânia

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- Água Fria de Goiás

- Águas Lindas de Goiás

- Alexânia

- Alto Paraíso de Goiás

- Alvorada do Norte

- Barro Alto

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- Cabeceiras

- Cavalcante

- Cidade Ocidental

- Cocalzinho de Goiás

- Corumbá de Goiás

- Cristalina

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- Flores de Goiás

- Formosa

- Goianésia

- Luziânia

- Mimoso de Goiás

- Niquelândia

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- Novo Gama

- Padre Bernardo

- Pirenópolis

- Planaltina

- Santo Antônio do Descoberto

- São João d’Aliança

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- Simolândia

- Valparaíso de Goiás

- Vila Boa

- Vila Propício

Em Minas Gerais:

- Arinos

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- Buritis

- Cabeceira Grande

- Unaí

  • Área: todas as cidades mais o território do Distrito Federal abrangem uma área de, aproximadamente, 94.500 km².  
  • População: estima-se que a população da RIDE, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE - 2010), seja de 4.560.000 pessoas.

Veja agora alguns dados selecionados de todas as cidades, em ordem alfabética, de acordo com o IBGE. Dados fornecidos pelo último censo, em 2010.

Cidade

População estimada|1|

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)

Densidade demográfica

PIB per capita|2|

Cidades de Goiás

Abadiânia

20.461 pessoas

0,689

15,08 hab/km

R$ 16.157,24

Água Fria de Goiás

5.793 pessoas

0,671

2,51 hab/km²

R$ 38.994,18

Águas Lindas de Goiás

217.698 pessoas

0,686

846,02 hab/km²

R$ 9.108,33

Alexânia

28.010 pessoas

0,682

28,09 hab/km²

R$ 29.187,12

Alto Paraíso de Goiás

7.688 pessoas

0,713

2,65 hab/km²

R$ 22.025,32

Alvorada do Norte

8.705 pessoas

0,660

6,42 hab/km²

R$ 13.768,81

Barro Alto

11.408 pessoas

0,742

7,97 hab/km²

R$ 78.477,29

Cabeceiras

8.046 pessoas

0,668

6,52 hab/km²

R$ 26.472,38

Cavalcante

9.725 pessoas

0,584

1,35 hab/km²

R$ 24.807,00

Cidade Ocidental

72.890 pessoas

0,717

143,38 hab/km²

R$ 11.117,88

Cocalzinho de Goiás

20.504 pessoas

0,657

9,73 hab/km²

R$ 15.380,15

Corumbá de Goiás

11.169 pessoas

0,680

9,76 hab/km²

R$ 14.238,76

Cristalina

60.210 pessoas

0,699

7,56 hab/km²

R$ 41.443,33

Flores de Goiás

17.005 pessoas

0,597

3,25 hab/km²

R$ 9.092,34

Formosa

123.684 pessoas

0,744

17,22 hab/km²

R$ 19.918,60

Goianésia

71.075 pessoas

0,727

38,49 hab/km²

R$ 19.655,61

Luziânia

211.508 pessoas

0,701

44,06 hab/km²

R$ 16.989,45

Mimoso de Goiás

2.583 pessoas

0,665

1,94 hab/km²

R$ 21.656,24

Niquelândia

46.730 pessoas

0,715

4,30 hab/km²

R$ 21.803,69

Novo Gama

117.703 pessoas

0,684

487,29 hab/km²

R$ 8.377,21

Padre Bernardo

34.430 pessoas

0,651

8,81 hab/km²

R$ 15.122,22

Pirenópolis

25.064 pessoas

0,693

10,43 hab/km²

R$ 16.657,36

Planaltina

90.640 pessoas

0,669

32,10 hab/km²

R$ 11.448,85

Santo Antônio do Descoberto

75.829 pessoas

0,665

66,99 hab/km²

R$ 9.088,44

São João d’Aliança

14.085 pessoas

0,685

3,08 hab/km²

R$ 23.653,84

Simolândia

6.879 pessoas

0,645

18,72 hab/km²

R$ 14.272,95

Valparaíso de Goiás

172.135 pessoas

0,746

2.165,48 hab/km²

R$ 15.626,97

Vila Boa

6.312 pessoas

0,647

4,47 hab/km²

R$ 23.992,38

Vila Propício

5.882 pessoas

0,634

2,36 hab/km²

R$ 32.016,61

Cidades de Minas Gerais

Arinos

17.862 pessoas

0,656

3,35 hab/km²

R$ 11.260,49

Buritis

25.013 pessoas

0,672

4,35 hab/km²

R$ 28.390,07

Cabeceira Grande

6.988 pessoas

0,648

6,26 hab/km²

R$ 26.260,47

Unaí

84.930 pessoas

0,736

9,18 hab/km²

R$ 31.866,55

Fonte: IBGE

Acesse também: Brasil: subdesenvolvido ou emergente?

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Mapa da RIDE-DF

Em 2018, com base em outra lei complementar sancionada pelo então presidente Michel Temer, foram acrescentados na RIDE mais alguns municípios, conforme o mapa e a legenda a seguir.

Observe no mapa, de azul, os municípios incorporados a partir de 2018.

Fonte: Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).
Fonte: Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).

Economia da Ride

A maioria das cidades que integram a RIDE tem sua economia baseada nas atividades de Brasília e entorno, pois é a principal cidade dessa região. Cidades próximas, como Novo Gama, Formosa e Val Paraíso de Goiás, têm forte migração pendular para a capital federal, em que pessoas saem das cidades goianas, trabalham no Distrito Federal e retornam para suas casas.

Entretanto, alguns municípios possuem riquezas naturais que moldam o PIB municipal, como as belas cachoeiras em Formosa e Pirenópolis, onde a indústria turística é bastante expressiva; a extração e produção de níquel em Niquelândia; ou mesmo a agricultura em Unaí, que é grande produtora de grãos no Brasil, com destaque para o feijão e o milho.

Exercícios resolvidos

Questão 1 - (PUCCAMP/2017)

Na América Latina do século XX, em incontáveis momentos, a criação artística articulou-se com utopias ou perspectivas de transformação social. Em diferentes contextos, artistas usaram sua produção para corroborar determinados projetos políticos ou consentiram que suas criações fossem apropriadas e sustentadas por movimentos políticos, dentro ou fora do Estado.

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(PRADO, Maria Ligia e PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2014. p. 187-188)

A construção de Brasília contou com apaixonados simpatizantes e ferrenhos críticos do projeto, entre artistas e profissionais liberais de distintos ramos. Dentre as polêmicas que ainda hoje cercam o projeto conhecido como Plano Piloto, destaca-se

A) a incapacidade de inclusão das populações pobres que migraram para a região para a execução da obra, como os “candangos”, trabalhadores que se estabeleceram na periferia da cidade e contribuíram para o surgimento das cidades satélites, hoje densamente povoadas.

B) o alto custo desse investimento para os cofres públicos, uma vez que foi necessário ao governo brasileiro contrair empréstimos nos Estados Unidos para a construção da cidade, que só deixou de representar um peso orçamentário ao ser reconhecida como patrimônio da humanidade e passar a ser mantida, na atualidade, por entidades internacionais.

C) a inadequação do projeto à locomoção na cidade, bem como o isolamento, por guarnições militares, do setor de edifícios que sempre abrigaram os poderes governamentais, características que se vinculavam ao autoritarismo vigente no país sob o

mandato de Juscelino Kubitschek.

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D) a marca stalinista presente na arquitetura monumental empregada, na divisão da cidade em “setores”, na numeração de ruas e blocos, e que ecoava as inclinações políticas dos idealizadores do projeto, Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx, que já gozavam de renome internacional.

E) o prejuízo que a transferência da capital federal significou para o Rio de Janeiro, uma vez que resultou em milhares de funcionários públicos desempregados, crise que favoreceu o fortalecimento político de Carlos Lacerda, artífice do golpe de 64 e defensor do regime militar durante toda a ditadura.

Resolução

Alternativa A. Um dos motivos que levou à criação da RIDE está na história do povoamento de Brasília e região, pois ao redor surgiram áreas e cidades, as cidades satélites, que cresceram de forma desordenada e com inchaço populacional. Daí a necessidade de investimentos públicos em conjunto para desenvolver áreas historicamente prejudicadas em suas economias.

Questão 2 - (PUCCAMP/2016)

A década de 1950 foi marcada pelo anseio de modernização do país, cujos reflexos se fazem sentir também no plano da cultura. É de se notar o amadurecimento da poesia de João Cabral, poeta que se rebelou contra o que considerava nosso sentimentalismo, nosso “tradicional lirismo lusitano”, bem como o surgimento de novas tendências experimentalistas, observáveis na linguagem renovadora de Ferreira Gullar e na radicalização dos poetas do concretismo. As linhas geométricas da arquitetura de Brasília e o apego ao construtivismo que marca a criação poética parecem, de fato, tendências próximas e interligadas.

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(MOUTINHO, Felipe, inédito)

A inauguração de Brasília, símbolo da modernização empreendida durante o período de governo de JK, foi acompanhada de uma série de impactos imediatos, dentre os quais podemos citar

A) a mudança da capital federal, medida que causou muita polêmica, pois o projeto havia sido inusitado na história do Brasil, e os funcionários federais recusavam-se a mudar para o Centro-Oeste.

B) o fim do isolamento econômico do Centro-Oeste, por meio da inauguração de uma extensa rede viária e de um grande parque industrial nas imediações da capital.

C) a migração de pequenos agricultores do Sul do país para Goiás e Mato Grosso, estimulados por incentivos estatais para o plantio da soja e a agropecuária voltada à exportação.

D) a transformação da localidade em fundamental polo turístico nacional, em função da curiosidade estrangeira em conhecer a primeira cidade planejada da América Latina.

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E) o crescimento de cidades satélites muito além da proporção imaginada por Lucio Costa em seus primeiros planejamentos, em função da grande população de trabalhadores atraída à região.

Resolução

Alternativa E. Seguindo o mesmo raciocínio da questão anterior, as cidades satélites, ao redor de Brasília, cresceram desordenadamente, o que agravou a situação da população, havendo a necessidade de reparação histórica em termos de políticas públicas. Essa reparação, teoricamente, veio com a criação da RIDE.

Notas

|1| Dados de 2020.

|2| Dados de 2017.

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Créditos das imagens

Brastock / Shutterstock

Kleber Silva / Shutterstock

 

Por Átila Matias
Professor de Geografia

Escritor do artigo
Escrito por: Átila Matias Escritor oficial Brasil Escola
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MATIAS, Átila. "RIDE-DF (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno)"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/ride.htm. Acesso em 27 de fevereiro de 2026.
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