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Cora Coralina

Literatura

Cora Coralina nasceu na Cidade de Goiás, em 1889, e ficou nacionalmente conhecida por intermédio do poeta Carlos Drummond de Andrade. Faleceu em Goiânia, em 1985.
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ANINHA E SUAS PEDRAS

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina (Outubro, 1981)

Os versos que você acabou de ler são de autoria de Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a Aninha, como a poeta se autorreferiu no título do poema. Conhecida como a autora dos versos que representam um pouco da história da Cidade de Goiás, no estado de Goiás, Cora Coralina ficou nacionalmente conhecida, ganhando o respeito de poetas como Carlos Drummond de Andrade, que foi o grande responsável por despertar o interesse do público nacional para a escritora até então conhecida apenas regionalmente.

Cora Coralina nasceu na Cidade de Goiás em 20 de agosto de 1889. Em 1905, quando estava com dezesseis anos de idade, enviou uma crônica de sua autoria para o jornal “Tribuna Espírita”, da cidade do Rio de Janeiro, sendo essa sua primeira publicação. Em 1908, aos dezenove anos, criou, com a ajuda de duas amigas, o jornal de poemas femininos “A Rosa”. Seu primeiro conto, “Tragédia na Roça”, foi publicado em 1910 no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”. Ficou conhecida por ter ingressado tardiamente no mundo das letras, mas as datas que citamos ajudam a desmistificar essa ideia. Cora começou cedo, porém o reconhecimento chegou quando já era uma senhora de setenta anos. Passou a maior parte de sua vida no estado de São Paulo, lugar onde nasceu seus seis filhos, registrando passagens por Jaboticabal, Penápolis, Andradina e a própria cidade de São Paulo. Regressou para a cidade de Goiás já idosa e viúva, retornando para a Velha Casa da Ponte sobre o Rio Vermelho, residência ancestral de sua família.

Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, seu primeiro livro, foi publicado pela Editora José Olympio em 1965. O livro foi enviado por Cora para vários escritores, tendo sido Drummond um deles, e foi justamente pelas mãos do poeta que a figura da escritora ganhou projeção nacional. Drummond louvou a personagem idosa que escrevia versos singelos, sem muito adentrar as particularidades da escrita de Cora. Construiu-se então um mito, a figura da velhinha que começara a escrever tardiamente, cuja obra poucas vezes ganhou a devida atenção da crítica literária. Ao conferirmos seus depoimentos (existem entrevistas em vídeo da poeta), podemos notar a firmeza que suplantava a ideia de velhinha frágil tão amplamente difundida.

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Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina

Cora Coralina faleceu em Goiânia em 10 de abril de 1985. Após sua morte, a Velha Casa da Ponte foi transformada no Museu de Cora Coralina, que guarda diversos de seus manuscritos, livros, objetos pessoais e as correspondências trocadas durante anos com o amigo Carlos Drummond de Andrade. Cora escreveu sobre seu próprio tempo e sobre um tempo futuro, pois dizia escrever para as gerações vindouras. Deve ser vista muito além da figura mítica que para ela foi criada e, por isso, merece nosso interesse e leitura.

Após sua morte, a Velha Casa da Ponte foi transformada no Museu de Cora Coralina, na Cidade de Goiás, estado de Goiás.*

Após sua morte, a Velha Casa da Ponte foi transformada no Museu de Cora Coralina, na Cidade de Goiás, estado de Goiás.*

*Créditos da imagem: Adelano Lázaro


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Capa do livro “Estórias da casa velha da ponte”, Editora Global. Cora Coralina poucas vezes teve sua obra explorada pela crítica literária
Capa do livro “Estórias da casa velha da ponte”, Editora Global. Cora Coralina poucas vezes teve sua obra explorada pela crítica literária

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Cora Coralina"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/cora-coralina.htm. Acesso em 16 de dezembro de 2019.

Lista de Exercícios
Questão 1

UFG - 2012

Humildade

Cora Coralina

Senhor, fazei com que eu aceite

minha pobreza tal como sempre foi.

Que eu possa agradecer a Vós

minha cama estreita,

minhas coisinhas pobres,

minha casa de chão,

pedras e tábuas remontadas.

E ter sempre um feixe de lenha

debaixo do meu fogão de taipa,

e acender, eu mesma,

o fogo alegre da minha casa

na manhã de um novo dia que começa.

Disponível em:
<http://pensador.uol.com.br/os_melhores_poemas_de_cora_coralina/>.
Acesso em: 18 out. 2011.

Que temática é explorada no poema de Cora Coralina?

a) O povo goiano.

b) A melancolia rural.

c) O trabalho duro.

d) A lentidão do tempo.

e) A vida simples.

Questão 2

UFG – 2008

Leia o poema a seguir.

Evém a Bandeira dos Polistas...

num tropel soturno.

Rasgando as lavras

ensacando ouro,

encadeiam Vila Boa

nos morros vestidos

de pau-d'arco.

Foi quando a perdida gente

riscou o roteiro incerto

do velho Bandeirante.

E Bartolomeu Bueno,

num passe de magia

histórica,

tira Goyaz de um prato de aguardente

e ficou sendo o Anhanguera.

(CORALINA, Cora. Anhanguera. "Melhores poemas". Seleção de Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 84-86. (Coleção Melhores poemas). [Adaptado].

A produção de identidades pode levar à busca de mitos fundadores. O poema de Cora Coralina expressa a relação entre um símbolo mítico e a identidade goiana, ao destacar que

a) o imaginário goiano rejeitou a figura do bandeirante, considerando o caráter usurpador presente na descoberta do ouro.

b) a chegada dos bandeirantes foi considerada o acontecimento que simbolizou o abandono da identidade rural na capitania.

c) a utilização do ardil da aguardente forjou a narrativa de receptividade entre a "perdida gente" e os bandeirantes paulistas.

e) as bandeiras, como estratégia político-militar portuguesa, objetivavam simbolizar o poder metropolitano na região.

e) as bandeiras, como estratégia político-militar portuguesa, objetivavam simbolizar o poder metropolitano na região.

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