Serra dos Carajás

A Serra dos Carajás é uma formação geomorfológica localizada no estado do Pará, no Norte do Brasil. Ela abriga a maior província mineral do mundo.

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A Serra dos Carajás é uma formação geomorfológica localizada no sudeste do estado do Pará, na região Norte do Brasil. Caracterizada pelo relevo de serras e de morros, pelo clima equatorial e pela presença da Floresta Amazônica, a Serra dos Carajás desenvolveu-se sobre uma estrutura geológica muito antiga e composta predominantemente por rochas magmáticas e por rochas sedimentares. Ela abriga a maior província mineral do mundo, onde são encontrados minerais críticos como o ferro e o cobre. Com isso, a região tornou-se uma das principais áreas de mineração do Brasil, mas a sua importância não se restringe ao campo da economia. A Serra dos Carajás é, também, fundamental para a preservação da biodiversidade amazônica, além de fazer parte da vida das comunidades tradicionais que habitam a região.

Leia também: Serra do Mar — o conjunto de morros e de serras que caracteriza o relevo litorâneo de quatro estados brasileiros

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Serra dos Carajás

  • A Serra dos Carajás é um complexo geomorfológico localizado no sudeste do estado do Pará, na região Norte do Brasil.
  • Formou-se sobre o escudo cristalino brasileiro, e, por isso, as rochas magmáticas são predominantes.
  • Atualmente, as serras e os morros são as formas de relevo predominantes nessa região. Seu clima é o equatorial, o que acelera os processos intempéricos na Serra dos Carajás.
  • As altitudes na Serra dos Carajás variam entre 300 e 700 metros.
  • A Serra dos Carajás abriga a maior província mineral do mundo, e, por isso, a mineração é a principal atividade econômica desenvolvida nos seus municípios.
  • Ferro, cobre, manganês e níquel são os minerais encontrados em maior abundância na Serra dos Carajás. Devido à sua importância econômica, são classificados como minerais críticos.
  • O que chama a atenção nos minerais da Serra dos Carajás é a sua pureza, que atinge valores acima de 64%.
  • As reservas minerais da Serra dos Carajás foram descobertas em 1967 e começaram a ser exploradas comercialmente duas décadas mais tarde.
  • Essa formação é muito importante para a economia da região Norte e do Brasil. Além disso, a Serra dos Carajás abriga unidades de conservação ambiental, e na sua região habitam povos indígenas e comunidades tradicionais. Assim, sua importância vai além da econômica, sendo, também, sociocultural e ambiental.

O que é a Serra dos Carajás?

A Serra dos Carajás é um complexo geomorfológico brasileiro formado por um conjunto de terrenos acidentados, compostos por serras, por morros e por platôs, que abriga uma das maiores províncias mineralógicas do mundo. Os recursos que são encontrados na Serra dos Carajás são classificados como minerais críticos, sendo eles imprescindíveis para o desenvolvimento econômico de diferentes segmentos da indústria, notadamente de transformação e de tecnologia.

Onde fica a Serra dos Carajás?

A Serra dos Carajás fica localizada na região Norte do Brasil, mais precisamente, na parte sudeste do estado do Pará, a cerca de 700 quilômetros da capital paraense. Nas suas imediações, estão inseridos municípios como Parauapebas, Marabá, Curionópolis, Água Azul do Norte, Canaã dos Carajás e Eldorado dos Carajás.

Mapa da Serra dos Carajás

Mapa da Serra dos Carajás.
Créditos de imagem: Isa Galvão | Brasil Escola.

Características da Serra dos Carajás

A Serra dos Carajás é uma feição geomorfológica que está situada no sudeste do estado do Pará, onde se desenvolveu sobre uma base geológica muito antiga que é constituída por rochas magmáticas (ou vulcânicas), que concentram alto teor de minerais, e por rochas sedimentares chamadas jaspilitos, que não apresentam concentração significativa de minerais com valor econômico. Essa serra integra, então, o domínio dos escudos antigos brasileiros, ou crátons, que se formaram entre o Éon Arqueano e o Éon Proterozoico, que constituem o Pré-Cambriano, o que faz com que as rochas e os minerais que sustentam a Serra dos Carajás tenham idade próxima de 2,7 bilhões de anos.

O fato de ser uma estrutura tão antiga nos indica que ela esteve exposta aos mais diferentes tipos de agentes intempéricos atuantes naquela região no decorrer do tempo geológico, o que explica o relevo serrano que observamos atualmente. Aliás, quando o Brasil assumiu a sua configuração física atual, a área onde fica a Serra dos Carajás passou a ser caracterizada pelo clima equatorial, que é quente e úmido. Tanto o calor quanto a umidade auxiliam na catalisação do processo de intemperismo tanto químico quanto físico.

O relevo da região da Serra dos Carajás é formado predominantemente por serras e por morros. Essas formas de relevo alcançam altitude de até 700 metros, tendo a sua base a cerca de 300 metros de altitude|1|. Parte delas apresenta o topo aplainado, caracterizando, assim, os planaltos. O clima regional, em conjunto com o relevo, proporcionaram a formação de uma densa rede de drenagem repleta de vales encaixados. Os mesmos fatores ambientais foram responsáveis pelo desenvolvimento de um tipo de solo com baixa fertilidade química, que são os latossolos. Isso não impediu, contudo, a instalação da vegetação florestal na região, apresentando, ainda, segmentos com cobertura semelhante à cobertura do Cerrado.

Mineração na Serra dos Carajás

Mina na Serra dos Carajás.
A Serra dos Carajás é a principal área de exploração mineral do território brasileiro, abrigando a maior mina a céu aberto do mundo.

A mineração é a principal atividade econômica desenvolvida na Serra dos Carajás, conhecida por ser a maior província mineral do mundo. Os principais minérios encontrados na região são:

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  • ferro (Fe);
  • cobre (Cu);
  • manganês (Mn);
  • ouro (Au);
  • níquel (Ni).

Além da variedade de minérios disponíveis na província estudada, o que chama a atenção é a sua qualidade. A Serra dos Carajás é a principal produtora de ferro do Brasil, que é obtido a partir da hematita. Esse minério tem o maior grau de pureza dentre todos aqueles em que o ferro é encontrado, o que significa que a proporção de ferro na sua composição é maior do que qualquer tipo de substância categorizada como impureza.

No Complexo Serra Norte, parte da Serra dos Carajás e situado em Parauapebas, o minério extraído tem 66% de ferro em sua composição e forma um volume disponível de 3 bilhões de toneladas. Aliás, as reservas provadas e prováveis de minério de ferro nessa parte da serra é de 1,56 bilhão de toneladas. Mais do que isso, destacamos que o Complexo Serra Norte abriga a maior mina de ferro a céu aberto do mundo, e, segundo a revista Brasil Mineral, a produção dessa área representa metade de toda a produção da empresa Vale, que administra a atividade na Serra dos Carajás.

O Complexo Serra Sul apresenta reservas provadas e prováveis de minério de ferro de 3,4 bilhões de toneladas, enquanto os recursos disponíveis para exploração totalizam 1,9 bilhão de toneladas. Lembremos que esses valores são referentes apenas ao minério de ferro. Diante dessas informações, a empresa atuante na região está com um projeto ativo de investimentos com o objetivo de ampliar a produção de ferro e de cobre na Serra dos Carajás, o que está sendo feito com base na crescente demanda externa por esses minérios.

Veja também: Serra Pelada — área de garimpo que foi o maior garimpo a céu aberto do mundo

Importância da Serra dos Carajás

A Serra dos Carajás tem importância econômica, ambiental e social para o estado do Pará e a região Norte do Brasil. As maiores reservas minerais de ferro do país ficam nessa província, que também concentra minerais que são categorizados como críticos por causa da sua relevância na produção industrial.

Estrada de Ferro Carajás, próxima à Serra dos Carajás.
A exploração mineral na Serra dos Carajás foi responsável pela implementação de infraestrutura espacial na região, a exemplo da Estrada de Ferro Carajás.

O minério de ferro é empregado em diferentes indústrias, sobretudo de base, enquanto cresce exponencialmente a demanda por cobre para a fabricação de aparelhos elétricos e eletrônicos e por redes de infraestrutura para a transmissão de eletricidade em meio a discussões globais sobre a transição energética. Sem contar, ainda, aqueles minerais usados para a fabricação de chips e de equipamentos tecnológicos, como manganês e níquel. Uma parte do que é produzido na região paraense é exportada, destacando-se a China como um dos principais destinos. Assim sendo, a Serra dos Carajás é fundamental para a economia regional e nacional.

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Ainda em se tratando da economia, a produção mineral insere-se em circuitos espaciais econômicos que incluem ferrovias, como a Estrada de Ferro Carajás, portos secos e portos marítimos, como o Porto de Ponta da Madeira, que fica no estado vizinho, o Maranhão. Então, o impacto econômico da Serra dos Carajás vai além da escala produtiva e alcança toda a dinâmica logística e de infraestrutura regional.

Paisagem natural na Serra dos Carajás.
A Serra dos Carajás abriga uma parcela importante da biodiversidade amazônica.

A importância da Serra dos Carajás não se restringe à província mineral nela existente. Levando em conta as municipalidades, somente Parauapebas abriga uma população de 267.836 habitantes, segundo o levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses, 1.965 são autodeclarados indígenas. A região abriga diferentes terras e povos indígenas, os quais têm um modo de vida sustentável que garante a conservação da natureza encontrada no sudeste paraense, que é formado pela Floresta Amazônica. Há, ainda, unidades de conservação administradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), destacando-se a Floresta Nacional de Carajás, que abriga uma extensa biodiversidade que conta, inclusive, com espécies endêmicas.

Dessa forma, a Serra dos Carajás é importante para o dinamismo econômico regional e para a economia brasileira como um todo, mantendo o país em destaque em um cenário internacional competitivo e que busca, cada vez mais, ampliar o consumo de minerais críticos. No entanto, Carajás é uma área fundamental para a manutenção do equilíbrio ambiental e para a proteção das comunidades tradicionais e das populações indígenas.

História da Serra dos Carajás

A Serra dos Carajás, enquanto uma região mineradora, foi identificada na década de 1960, durante um sobrevoo que acontecia pela região amazônica. Engenheiros contratados pela empresa estadunidense United States Steel (USS) estavam em busca de áreas para a exploração de manganês na região Norte do Brasil. Eles sobrevoavam o sudeste do Pará quando houve a necessidade de pousar, e, nesse processo, o geólogo brasileiro Breno Augusto dos Santos notou o tom avermelhado do solo da região, suspeitando da presença de ferro. O fato aconteceu no ano de 1967, e a coleta de amostras de solo permitiu a confirmação de que, ali, havia concentrações importantes de ferro próximas da superfície.

Durante a década de 1970, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que, hoje, corresponde à Agência Nacional de Mineração (ANM), iniciou um amplo e, ao mesmo tempo, minucioso processo de prospecção e de estudo da área visando à sua iminente exploração econômica. As primeiras empresas instalaram-se na Serra dos Carajás a partir do final daquela década, colocando em prática o chamado Projeto Grande Carajás. Nos anos 1980, a Vale, à época Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), iniciou seu empreendimento no local. Hoje, ela é a principal empresa a extrair e a comercializar o minério de ferro da Serra dos Carajás.

O objetivo do Projeto Grande Carajás era o desenvolvimento econômico regional. No mesmo período da sua implementação, mais precisamente em 1985, foi inaugurada a Estrada de Ferro Carajás, que tinha capacidade inicial de transportar 30 toneladas de mercadorias e que é utilizada, atualmente, tanto para o escoamento de cargas quanto para o transporte de passageiros entre os estados do Pará e do Maranhão. Apenas um ano mais tarde, em 1986, a rede logística da Serra dos Carajás passou a contar com uma conexão no litoral nordeste com o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão.

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Ao mesmo tempo que o dinamismo espacial e econômico da Serra dos Carajás aumentava na década de 1980, na região da Serra Pelada, em Marabá, uma verdadeira corrida pelo ouro mobilizou mais de 100 mil pessoas para a Fazenda Três Barras. Os trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas sem nenhum tipo de segurança, com registros constantes de conflitos e violações. A região de garimpo conseguiu obter mais de 40 toneladas de ouro, mas as reservas foram praticamente esgotadas. As atividades foram encerradas no ano de 1992.

Mais recentemente, em 2025, a Vale obteve uma licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para ampliar a produção de minério de ferro na Serra dos Carajás, na região da Serra Sul, de onde deverá obter um adicional de 20 milhões de toneladas. A mesma empresa também aumentará a produção de cobre na região pelos próximos anos, com a exploração da província localizada na cidade de Canaã dos Carajás, expandindo, com isso, a produção de minerais críticos no território brasileiro e ampliando o caráter estratégico da Serra dos Carajás.

Notas

|1| DEPARTAMENTO NACIONAL DA PRODUÇÃO MINERAL. Serra dos Carajás – Folha SB.22-Z-A, escala 1:250.000. Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM). Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil (período 1985-1989). Brasília: DNPM, 1991.

Fontes

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COWIE, Sam; HARARI, Isabel. Corrida por minerais críticos avança em Carajás e pressiona áreas de reforma agrária. Repórter Brasil, 23 fev. 2026. Disponível em: https://reporterbrasil.org.br/2026/02/corrida-por-minerais-criticos-avanca-em-carajas-e-pressiona-areas-de-reforma-agraria/.

DEPARTAMENTO NACIONAL DA PRODUÇÃO MINERAL. Serra dos Carajás – Folha SB.22-Z-A, escala 1:250.000. Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM). Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil (período 1985-1989). Brasília: DNPM, 1991.

FILHO, Marcelo Pellegrini. Potencial mineral da Amazônia é descoberto por acaso, relembra explorador de Carajás. Agência Universitária de Notícias, 16 dez. 2010. Disponível em: https://aunantigo.webhostusp.sti.usp.br/exibir?id=3801&ed=608&f=13.

GOVERNO DO ESTADO DO AMAZONAS. Guia de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, 2020. Disponível em: https://www.sedecti.am.gov.br/wp-content/uploads/2020/10/GUIA-DE-INCENTIVOS-FISCAIS-DA-ZFM.VERSAO-ATUALIZADO-EM-07.10.2020-1.pdf.

OLIVEIRA, Adalberto Luiz R. Projeto Carajás, práticas indigenistas e os povos indígenas no Maranhão. Revista Anthropológicas, v. 15, n. 2, 2004. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/index.php/revistaanthropologicas/article/view/23619.

OLIVEIRA, Diego. Mina de Carajás: conheça a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo. 16 ago. 2025. Disponível em: https://portalamazonia.com/amazonia/mina-carajas-minerio-ferro-ceu-aberto/.

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REDAÇÃO. Estrada de Ferro Carajás é classificada como ferrovia mais segura do Brasil. Vale, 05 fev. 2020. Disponível em: https://vale.com/pt/w/estrada-de-ferro-caraj%C3%A1s-%C3%A9-classificada-como-ferrovia-mais-segura-do-brasil.

REDAÇÃO. Terminal Marítimo Ponta da Madeira completa 35 anos com novo patamar de embarque. Vale, 07 jan. 2021. Disponível em: https://www.vale.com/pt/w/terminal-mar%C3%Adtimo-ponta-da-madeira-completa-35-anos-com-novo-patamar-de-embarque.

REUTERS. Vale recebe licença para expandir produção de minério de ferro. CNN Brasil, 11 set. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/vale-recebe-licenca-para-expandir-producao-de-minerio-de-ferro/.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.
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GUITARRARA, Paloma. "Serra dos Carajás"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/serra-dos-carajas.htm. Acesso em 28 de março de 2026.
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