Pré-Cambriano é o intervalo de tempo mais longo na escala de tempo geológico. Esse período começou com o surgimento da Terra, há 4,6 bilhões de anos, e se estendeu até 542 milhões de anos, sendo importante para a compreensão do processo evolutivo do nosso planeta e da sua transformação de um ambiente quente, instável e hostil para um conjunto extenso de ecossistemas biodiversos e sustentados por estruturas geológicas mais estáveis e variadas.
Foi no Pré-Cambriano que a litosfera se formou e que houve o surgimento da vida no planeta, além do aumento do volume de oxigênio na atmosfera e do aparecimento de climas mais amenos e capazes de sustentar formas de vida cada vez mais complexas. Foi justamente com a explosão do Cambriano, caracterizada pela rápida ampliação da biosfera, que o Pré-Cambriano chegou ao fim.
Leia também: Período Cambriano — detalhes sobre o primeiro período da Era Paleozoica
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre o Pré-Cambriano
- 2 - O que é Pré-Cambriano?
- 3 - Divisões do Pré-Cambriano
- 4 - Características do Pré-Cambriano
- 5 - Animais do Pré-Cambriano
- 6 - Principais eventos do Pré-Cambriano
- 7 - Fim do Pré-Cambriano
- 8 - Pré-Cambriano e Cambriano
- 9 - Exercícios resolvidos sobre Pré-Cambriano
Resumo sobre o Pré-Cambriano
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Pré-Cambriano é o intervalo mais longo da escala de tempo geológico e da evolução do planeta Terra, estendendo-se de 4,6 bilhões a 542 milhões de anos.
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É dividido em três éons: Hadeano, Arqueano e Proterozoico. Entretanto, é preciso mencionar que o Hadeano não é um consenso entre pesquisadores.
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O Pré-Cambriano começa com o surgimento do planeta Terra, que era um ambiente muito instável e hostil em que o vulcanismo e quedas de meteoritos eram constantes.
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No começo, a atmosfera era formada por gases como o dióxido de carbono e a amônia, e, por isso, não havia formas de vida no nosso planeta.
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A água existia apenas na forma de vapor. Por ser um ambiente instável, gradualmente houve o resfriamento do planeta, o que levou à condensação da água e desenvolvimento de corpos hídricos, como mares rasos.
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Os seres procariontes, as primeiras formas de vida, apareceram por volta de 3,7 bilhões de anos. Dentre eles estavam as cianobactérias.
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As cianobactérias foram as principais responsáveis por elevar o volume de oxigênio disponível na atmosfera por meio da fotossíntese. Contribuiu, assim, para a alteração da composição atmosférica e para a formação da cama de ozônio.
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A superfície terrestre se solidificou gradativamente, e foi ainda no Pré-Cambriano que as primeiras rochas se formaram. Contudo, poucas delas sobreviveram ao tempo.
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No último éon do Pré-Cambriano aconteceu a formação de um supercontinente, Rodínia, e a diversificação e complexificação das formas de vida por meio da fauna de Ediacara.
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O rápido aumento do volume de oxigênio na atmosfera, o resfriamento do planeta e o rápido surgimento de novas espécies de animais e vegetais determinou o fim do Pré-Cambriano e início de um novo éon, o Fanerozoico, inaugurado pelo período Cambriano há 542 milhões de anos.
O que é Pré-Cambriano?
Pré-Cambriano é o intervalo mais longo da escala de tempo geológico. Esse período vai de 4,6 bilhões de anos, aproximadamente, até 542 milhões de anos, apresentando duração que é equivalente a quase 90% de toda a história evolutiva do planeta Terra.
O Pré-Cambriano não é uma era geológica, embora seja comumente referida como tal, tampouco um éon geológico. Na verdade, ele representa uma subdivisão muito particular da escala geológica e, por isso, representa uma categoria individual e única. Considera-se Pré-Cambriano tudo aquilo que veio antes da explosão cambriana, um evento que foi marcado pela rápida multiplicação e pela diferenciação das formas de vida animal e vegetal existentes no mundo e demarcou o início do Período Cambriano, que inaugura a Era Paleozoica.
Divisões do Pré-Cambriano
O Pré-Cambriano é dividido em três éons geológicos:
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Hadeano: entre 4,6 e 4 bilhões de anos. Esse éon não é um consenso entre os pesquisadores, o que se deve principalmente à dificuldade de se encontrar registros geológicos que datam daquele período, haja vista a instabilidade tectônica do planeta Terra durante as primeiras centenas de milhões de anos do seu processo evolutivo. A Comissão Internacional sobre Estratigrafia (ICS, na sigla em inglês) definiu o intervalo que apresentamos acima para esse éon na sua escala oficial de tempo geológico somente no final do ano de 2022. No entanto, em 2012, já utilizava o nome Hadeano de maneira informal.
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Arqueano: de 4 a 2,5 bilhões de anos. O Arqueano é, em muitos materiais, listado como sendo o primeiro éon do Pré-Cambriano. Por isso, não é incomum encontrarmos referências que estendem o seu início para 4,6 bilhões de anos. O Arqueano, diferente do Hadeano, foi subdividido em eras geológicas. São elas:
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Eoarqueano;
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Paleoarqueano;
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Mesoarqueano;
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Neoarqueano.
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Proterozoico: esse foi o último éon do Pré-Cambriano, estendendo-se de 2,5 bilhões a 542 milhões de anos. Ele também foi dividido em eras geológicas, que são:
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Paleoproterozoico;
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Mesoproterozoico;
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Neoproterozoico.
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Veja também: Quais são as eras geológicas?
Características do Pré-Cambriano
O Pré-Cambriano é o intervalo de tempo mais longo do processo evolutivo da Terra e, por isso, um dos mais importantes quando falamos no desenvolvimento de estruturas e dos diferentes compostos que fazem parte tanto da base geológica quanto da atmosfera terrestre. O período Pré-Cambriano se inicia com o surgimento do nosso planeta há aproximadamente 4,6 bilhões de anos. A Terra primitiva era marcada pelas temperaturas extremas e por um ambiente tectonicamente instável onde o vulcanismo era uma constante. Além disso, não havia uma camada gasosa que protegia o planeta de ameaças externas, motivo pelo qual era alvo recorrente de meteoros.
Não havia placas tectônicas no éon Hadeano, o que se deve à instabilidade e constante formação e transformação das rochas e da própria superfície terrestre. Até mesmo por isso é que não temos registros geológicos do início do Pré-Cambriano. As poucas rochas mais antigas existentes ainda hoje na litosfera datam do início do Arqueano. Se nem mesmo a estrutura geológica da Terra havia se estabelecido, não podemos falar em formas de vida durante o Hadeano. Por um certo intervalo de tempo, o planeta era inóspito, o que significa que não conseguia sustentar nenhum tipo de organismo vivo. No entanto, justamente pela sua instabilidade é que houve mudanças significativas, sobretudo ao longo do éon Arqueano.
A atmosfera terrestre era composta majoritariamente por gases do efeito estufa e por outras substâncias gasosas que tinham origem no interior do planeta. O ar era, então, formado por dióxido de carbono (CO2), por amônia (NH3) e por uma quantidade de água no estado de vapor, também proveniente das camadas internas.
Gradativamente, a Terra passou por um processo de resfriamento que transformou tanto a sua superfície quanto a sua atmosfera. As primeiras rochas se formaram entre o Hadeano e o Arqueano, algumas das quais se uniram para formar as primeiras massas continentais até o final do segundo éon do Pré-Cambriano. A diminuição das temperaturas provocou a condensação da água que, por sua vez, formou mares e oceanos rasos. Os oceanos passaram, então, a absorver parte do CO2 proveniente dos vulcões. Assim sendo, o ambiente marinho da Terra primitiva era quente e ácido.
Foi durante o Arqueano que as primeiras formas de vida se desenvolveram por volta de 3,7 milhões de anos. Tratava-se de procariontes, seres microscópicos de baixa complexidade orgânica e unicelulares. Com o desenvolvimento desses organismos é que surgiram as cianobactérias, também procariontes, mas que realizavam a fotossíntese. Com isso, por volta de 2,4 bilhões de anos atrás, os níveis de oxigênio na atmosfera aumentaram de forma considerável, alcançando 21% da sua composição no éon Proterozoico.
Enquanto a atmosfera se desenvolveu, a superfície terrestre passava a ser composta por blocos rochosos e por diferentes tipos de rocha ainda no Arqueano, com destaque para as rochas magmáticas. Data desse período as estruturas antigas que conhecemos como escudo cristalino, ou cráton. Bacias oceânicas de grandes dimensões também se desenvolveram durante o Arqueano, contendo importantes depósitos minerais. No éon seguinte, Proterozoico, aconteceu a oxidação de parte desses metais, assim como o desenvolvimento de novas jazidas.
O último éon o Pré-Cambriano foi o mais extenso deles. Durante ele, mais precisamente, por volta de 900 milhões de anos, a litosfera terrestre se consolidou, e um supercontinente configurava a superfície do planeta: Rodínia. Os seres eucariontes já existiam, mas foi somente mais próximo da transição para a Era Cenozoica que a Terra testemunhou o surgimento dos seus primeiros organismos multicelulares complexos, destacando-se a fauna de Edicara, que conheceremos no próximo tópico. As formas de vida que existiram durante o Pré-Cambriano, principalmente a partir de 600 milhões de anos, eram aquáticas. As plantas e animais terrestres apareceram somente na Era Paleozoica.
Vale mencionar, também, que, entre o Arqueano e o Proterozoico, formaram-se as primeiras geleiras, que não existiam até então por conta do clima quente do planeta Terra. À medida que as temperaturas caíram, não somente áreas congeladas puderam se manter um pouco mais estáveis como, também, houve o registro de uma primeira era do gelo, que aconteceu entre 2,4 e 2,2 bilhões de anos no passado geológico.
Confira também: Pangeia — o supercontinente que compunha a superfície terrestre dos períodos Permiano ao Triássico
Animais do Pré-Cambriano
A fauna do Pré-Cambriano era limitada por conta do clima hostil que caracterizou o planeta Terra durante quase todo esse intervalo de tempo. O resfriamento e a formação dos oceanos proporcionou o surgimento dos primeiros seres vivos do mundo: os micro-organismos procariontes. Dentre esses micro-organismos estavam as cianobactérias. As cianobactérias, por sua vez, aglomeravam-se e formavam os chamados estromatólitos, considerados, hoje, fósseis vivos, já que se tratam de estruturas rochosas compostas por cianobactérias e por sedimentos rochosos em áreas litorâneas.
Além dos estromatólitos, a fauna de Ediacara viveu durante o Pré-Cambriano. Esse conjunto de organismos vivos é muito distinto dos animais que habitam os mares modernos. Trata-se de seres invertebrados que apresentavam um corpo mole e achatado que era dividido em duas seções, sendo comparados, muitas vezes, a artrópodes e a anelídeos, uma vez que não há nenhuma forma moderna que se assemelhe a eles. Pelos icnofósseis encontrados, a biota de Ediacara pode, inclusive, ser confundida com folhas.
Entre os animais de Ediacara, estavam aqueles dos gêneros Charnia, Dickinsonia e Spriggina, que são vistos na imagem abaixo, que é uma reconstrução do mar de Ediacara exposta no Museu Field de História Natural em Chicago, nos Estados Unidos.
Principais eventos do Pré-Cambriano
A seguir, confira os principais eventos do Pré-Cambriano:
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surgimento do planeta Terra;
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formação da água líquida a partir do resfriamento e da condensação;
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desenvolvimento dos mares e dos oceanos;
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formação das primeiras rochas e dos primeiros depósitos minerais;
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consolidação da litosfera e formação das placas tectônicas;
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surgimento da vida, inicialmente microorganismos procariontes e, depois, seres multicelulares pertencentes à fauna de Edicara;
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formação da atmosfera terrestre;
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Grande Evento de Oxigenação, que ocasionou o aumento da concentração de oxigênio na atmosfera durante o éon Proterozoico;
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estabelecimento de uma camada de ozônio, fruto da maior presença de oxigênio na atmosfera;
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agregação dos primeiros continentes e supercontinentes, destacando-se Rodínia no éon Proterozoico.
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Fim do Pré-Cambriano
O Pré-Cambriano chegou ao fim há 542 milhões de anos. A fronteira entre esse extenso intervalo de tempo e o Éon Fanerozoico foi delimitada pelo surgimento de formas de vida pluricelulares e com organismos complexos, além da chamada explosão cambriana, que foi um evento caracterizado pela rápida expansão da biosfera terrestre mediante o aparecimento de novas espécies de animais e de plantas. Além disso, por conta do aumento expressivo do oxigênio atmosférico, antigas formas de vida foram extintas em massa, outro evento que caracterizou o fim do Pré-Cambriano.
Pré-Cambriano e Cambriano
O Cambriano é o primeiro período da Era Paleozoica, que inaugura o Éon Fanerozoico. Ele foi importante para a história evolutiva do planeta Terra porque foi marcado pela diversificação das formas de vida que constituem a biosfera, e isso inclui tanto a fauna quanto a flora. Mais do que isso, os principais registros fósseis que nos auxiliam a compreendem a paleogeografia terrestre datam de períodos e épocas a partir do Cambriano. Dessa forma, esse intervalo de tempo que se estende desde 542 milhões de anos até hoje, embora mais curto em comparação a toda a história geológica da Terra, é marcado pelas transformações que conduziram até o atual estágio do nosso planeta.
O que veio antes do Cambriano, portanto, Pré-Cambriano, foi um longo período em que a Terra se formou e gradativamente se tornou um planeta mais estável e habitável. Por conta disso, convencionou-se a divisão do tempo geológico dessa maneira, evidenciando a importância do Período Cambriano.
Exercícios resolvidos sobre Pré-Cambriano
Questão 1
Qual dos acontecimentos a seguir não é identificado no Pré-Cambriano?
A) Surgimento das primeiras formas de vida do planeta Terra.
B) Formação do supercontinente Rodínia.
C) Aumento do volume de oxigênio na atmosfera.
D) Consolidação da litosfera e formação das primeiras rochas.
E) Resfriamento acentuado que levou à última glaciação da Terra.
Resolução:
Alternativa E.
Diferente do afirmado, os ciclos de resfriamento e de aquecimento provocaram a primeira glaciação do planeta Terra durante o Arqueano, no Pré-Cambriano. A glaciação mais recente, que podemos chamar de última glaciação, aconteceu há 11.700 anos apenas.
Questão 2
(Avança SP) São características geomorfológicas, do Brasil, ligadas à era Proterozoica (Pré-Cambriano):
A) Grandes abalos orogênicos, em nossos terrenos.
B) Início da formação das grandes bacias sedimentares brasileiras com a acumulação de sedimentos entre nossos escudos e núcleos.
C) Derrame de lava (deserto de Botucatu).
D) Início da formação dos núcleos e escudos brasileiros.
E) Formação de jazidas de carvão mineral, no sul do Brasil.
Resolução:
Alternativa D.
Considerando a composição da estrutura geológica brasileira, temos que o Proterozoico, no Pré-Cambriano, foi o intervalo de tempo em que surgiram as rochas mais antigas do território nacional, que são aquelas que constituem os escudos cristalinos.
Crédito de imagem
Fossiladder13 / Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
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