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Benito Mussolini

Biografia

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Benito Mussolini foi o líder do fascismo italiano e governou ditatorialmente a Itália entre 1922 e 1943. Mussolini é considerado o grande responsável pela ascensão do fascismo na Europa. Ele conseguiu assumir o poder em 1922, durante um evento chamado de Marcha sobre Roma. A derrota da Itália na Segunda Guerra fez com que Mussolini fosse capturado e executado por partisans, em 1945.

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Primeiros anos de Benito Mussolini

Benito Amilcare Andrea Mussolini nasceu em 29 de julho de 1883, na cidade de Predappio, região central da Itália. Seus pais chamavam-se Alessandro Mussolini e Rosa Mussolini, tendo sido o primeiro filho do casal. Mussolini teve dois irmãos mais novos chamados Arnaldo Mussolini e Edvige Mussolini.

A família de Benito Mussolini tinha uma condição simples, uma vez que seu pai era um ferreiro que eventualmente fazia bicos como jornalista, e sua mãe era professora infantil. Já na infância, Mussolini demonstrava ser uma criança difícil e ficou conhecido por ser desobediente e agressivo, sendo marcado por duas expulsões escolares por agredir colegas de escola com canivete.

Depois de concluir seus estudos regulares, Mussolini conseguiu um título para trabalhar como professor de escola primária.

Mussolini como socialista

Em 1902, Mussolini mudou-se para a Suíça à procura de trabalho, mas também para fugir do serviço militar italiano. Na Suíça, Mussolini passou a dedicar-se à leitura de muitos autores de cunho anarquista e socialista, como Georges Sorel e Karl Kautsky. Teve uma série de empregos e trabalhou, inclusive, em sindicatos.

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A juventude socialista de Mussolini, um dos grandes nomes do fascismo no mundo, é paradoxal, mas tem, de certa forma, grande influência familiar, pois o pai de Mussolini era um socialista engajado. Mussolini foi um membro ativo de grupos socialistas na Suíça, trabalhando em sindicatos, realizando discursos e notabilizando-se pela sua capacidade retórica. Ele atuou como jornalista, produzia propagandas e tinha opiniões radicais a respeito de como os socialistas deveriam tomar o poder.

Em 1904, Mussolini retornou à Itália para cumprir os deveres militares dos quais ele havia fugido e esteve alistado no exército italiano até meados de 1906, quando, então, abandonou o exército e passou a trabalhar como professor.

A partir de 1909, Mussolini passou uma pequena temporada no Império Austro-húngaro e lá trabalhou em um sindicato, mas também como editor de um jornal voltado para os trabalhadores locais. Quando ele retornou para a Itália, no ano seguinte, ele continuou a trabalhar como editor de jornal, primeiro para o Lotta di Classe (Luta de Classe) e poucos anos depois se tornou o editor do principal jornalista da Itália, o Avanti!

Nesse momento, Mussolini advogava pelas ideias que a ascensão dos trabalhadores deveria acontecer pelo uso da força e pela via revolucionária e tornou-se um dos grandes nomes que defendiam o antinacionalismo e antimilitarismo da Itália. Essas opiniões de Mussolini eram significativas na Itália pré-guerra (1912-1914), pois o clima bélico e o nacionalismo estavam em grande evidência na Europa como um todo. Nesse momento, Mussolini tinha um papel de destaque entre os socialistas italianos.

Primeira Guerra Mundial

Em 28 de julho de 1914, iniciou-se a Primeira Guerra Mundial como uma consequência do assassinato do arquiduque austríaco Francisco Ferdinando junto de sua esposa, a arquiduquesa Sofia. A partir daí, em um efeito dominó, diversas nações europeias foram declarando guerra, umas às outras.

A Itália, no entanto, permaneceu neutra e essa neutralidade foi anunciada pelo governo italiano em 3 de agosto. Mussolini, assim como os socialistas em geral, manteve-se contra a adesão da Itália à guerra, mas a opinião de Mussolini logo mudou. O futuro ditador italiano utilizou sua posição como editor do Avanti! para publicar um artigo manifestando ser contra a neutralidade italiana.

A postura dos socialistas italianos era baseado no lema “nem apoiar nem sabotar a guerra”, e a visão deles afirmava que a guerra era obra da ganância capitalista. O artigo de Mussolini não foi bem recebido no interior Partido Socialista Italiano, o que gerou sua expulsão do partido pouquíssimo tempo depois da publicação.

Em maio de 1915, a Itália aderiu à guerra e entrou do lado da Tríplice Entente. Os italianos declararam guerra à Áustria-Hungria, e o historiador Donald Sassoon sugere que a entrada dos italianos do lado da Entente foi resultado de barganha. Os italianos aderiram à Entente, porque lhes foi prometido uma série de territórios, além de empréstimos em condições favoráveis|1|.

No final de agosto de 1915, Mussolini apresentou-se no exército e foi alistado no 11º Regimento de Bersaglieri, um corpo de infantaria do exército italiano. Na guerra, Mussolini contraiu febre paratifoide e foi ferido quando um morteiro explodiu na trincheira em que ele estava localizado. Ele foi enviado para o hospital com mais de 40 pedaços de metal do corpo e foi dispensado do exército em agosto de 1917.

Durante todo o período da guerra, Mussolini manteve-se favorável à presença italiana no conflito, e pesquisas conduzidas pelo historiador Peter Martland apontam que Mussolini recebia da inteligência britânica, por semana, a quantia de 100 libras (uma pequena fortuna na época) para que ele publicasse propaganda em defesa da permanência italiana na guerra.

Surgimento do fascismo

O fascismo italiano ficou marcado pelas milícias de camisas negras que perseguiam e agrediam seus opositores.[1]
O fascismo italiano ficou marcado pelas milícias de camisas negras que perseguiam e agrediam seus opositores.[1]

Depois da guerra, Mussolini tornou-se cada vez mais conservador e reacionário e voltou-se duramente contra o grupo pelo qual fez parte durante anos: os socialistas. Donald Sassoon considera que a plataforma política de Mussolini, até 1919, não era abertamente de direita ainda, pois ele ainda pregava uma série de valores que eram comuns à esquerda, como o sufrágio às mulheres e o salário mínimo|2|.

Nesse momento, Mussolini escrevia apenas para um jornal de pequena circulação, o Il Popolo d’Italia (O Povo da Itália). Usando esse jornal e sua boa retórica, Mussolini explorou os sentimentos de insatisfação que atingiam os italianos no pós-guerra. Os italianos estavam frustrados com o resultado da guerra (a Itália não teve suas reivindicações correspondidas), a economia do país patinava e os socialistas cresciam.

O nacionalismo tornou-se uma grande força política na Itália e Mussolini, aproveitando-se dessa onda, passou a defender a implantação de um governo forte sob a liderança de um ditador. Logo, ele fundou um grupo que compartilhava de suas ideias, o Fasci Italiani di Combattimento, fundado oficialmente em 1919. Esse foi o movimento precursor do fascismo.

Os membros desse grupo adotavam uma caracterização militarizada, vestindo-se de roupas negras, e pequenas milícias foram formadas e chamadas de “squadristi” (conhecidos em português como camisas negras). Em seguida, Mussolini tornou-se o grande nome do conservadorismo em toda a Itália e passou a incentivar os squadristi a agir violentamente contra os opositores de seus ideais, sobretudo contra os socialistas. Sua guinada à direita consolidou-se na década de 1920.

Caso queira se aprofundar no debate a respeito do que é o fascismo, sugerimos a leitura do seguinte texto: O que é fascismo?

Marcha sobre Roma

Bandeira da Itália durante o período que os fascistas estiveram no poder do país (1922 a 1945).
Bandeira da Itália durante o período que os fascistas estiveram no poder do país (1922 a 1945).

Entre 1919 e 1922, a atuação dos fascistas cresceu consideravelmente na Itália. O crescimento dos fascistas foi um resultado direto do fortalecimento dos socialistas após a Primeira Guerra. Grupos como liberais e os monarquistas passaram a apoiar veladamente a ação violenta dos fascistas contra os socialistas.

Isso porque, além do crescimento político, a ação direta dos socialistas e de sindicatos de operários no interior da Itália era exponencial. Os socialistas tinham um bom número de cadeiras no Parlamento italiano e realizavam invasões de fábricas e greves em todo o país. A agitação no campo entre camponeses socialistas também era evidente e incomodava liberais e conservadores.

O resultado disso foi que, em 1921, o Fasci di Combattimento tornou-se oficialmente um partido chamado Partido Nacional Fascista e já contava com 80 mil membros naquele ano e mais de 300 mil no ano seguinte|3|. Logo, os fascistas passaram a ocupar o poder de cidades italianas, como Milão, à força.

Em outubro de 1922, uma grande manifestação de fascistas italianos foi realizada para forçar a monarquia italiana a nomear Mussolini como o primeiro-ministro do país. Em 28 de outubro, mais de 30 mil fascistas se instalaram-se nos arredores de Roma como forma de exigir que o rei Vítor Emanuel III nomeasse Mussolini para o cargo citado.

A pressão realizada durante a Marcha sobre Roma deu certo e, no dia 30 de outubro de 1922, Benito Mussolini era empossado como primeiro-ministro italiano. A nomeação dele ao cargo aconteceu dentro da legalidade constitucional da Itália.

Leia também: Ustasha: partido de orientação fascista que surgiu na Croácia, nação vizinha da Itália

Mussolini como ditador

A educação na Itália fascista era marcada pela doutrinação das crianças como forma de convertê-las em fascistas quando alcançassem a idade adulta.
A educação na Itália fascista era marcada pela doutrinação das crianças como forma de convertê-las em fascistas quando alcançassem a idade adulta.

Após assumir o poder da Itália, em 1922, Mussolini passou a se identificar como Il Duce, traduzido como “o líder”. As ações de Mussolini visavam à construção de um Estado policial e para isso a oposição, de uma maneira geral, foi perseguida violentamente e todos os partidos políticos – com exceção do fascista – foram fechados.

Com a morte da democracia italiana, o Estado fascista passou a se utilizar de uma polícia secreta para monitorar a população do país. Na economia, ele implantou uma série de obras públicas para empregar os desempregados e concentrou seus esforços na educação com o intuito de doutrinar a nova geração italiana, transformando-os em fascistas assumidos. A respeito da educação, o próprio Mussolini dizia que:

A educação fascista é moral, física, social e militar: ela almeja criar um completo e harmônico humano desenvolvido, um fascista de acordo com nossa visão|4|.

Mussolini impôs uma agenda econômica planificada, uma vez que o Estado fascista – um Estado forte – tomou o controle de grande parte das iniciativas privadas na Itália. Os resultados na economia não foram tão positivos como esperava-se e, por isso, o Estado fascista investia maciçamente em propaganda política. Junto da propaganda que ressaltava os feitos do Estado, o fascismo também realizava o culto à personalidade de Mussolini.

A transformação de Mussolini em ditador aconteceu oficialmente a partir de 1925, quando ele se autodeclarou ditador da Itália. A ascensão dos nazistas na Alemanha, na década de 1930, fez com que Itália e Alemanha estreitassem seus laços. Essa relação de fidelidade entre alemães e italianos permaneceu até 1945.

Os alemães apoiaram os italianos quando Mussolini ordenou a invasão da Etiópia, em 1936. Esse acontecimento era parte dos interesses dos fascistas italianos na ampliação das colônias de seu país no continente africano. Com o crescimento das tensões na Europa, os dois países assinaram o Pacto de Aço, em 1939. Esse pacto estipulava um acordo de amizade entre Alemanha e Itália e selava a cooperação militar entre as duas nações em caso de guerra.

Leia também: Totalitarismo – regime político em que o fascismo foi baseado

Segunda Guerra Mundial

A partir da década de 1930, Hitler e Mussolini tornaram-se grandes aliados.[2]
A partir da década de 1930, Hitler e Mussolini tornaram-se grandes aliados.[2]

O envolvimento da Itália na Guerra Civil Espanhola e a invasão da Etiópia foram extremamente prejudiciais para a economia italiana e isso aumentou a dependência do país em relação à Alemanha. Em 1939, a Segunda Guerra Mundial estourou quando os alemães invadiram a Polônia, e no ano seguinte, 1940, os italianos entraram no conflito ao declarar guerra contra franceses e britânicos em junho.

Os italianos atacaram os britânicos, no norte da África, auxiliaram os alemães em batalhas na Europa Ocidental e lançaram-se contra os gregos. Em dificuldade na Grécia, os alemães precisaram ir em socorro aos italianos e, por isso, acabaram invadindo a Iugoslávia, em 1941. O envolvimento da Itália, de todas as formas possíveis, foi um desastre.

A Segunda Guerra Mundial abriu o caminho para a derrocada de Mussolini, uma vez que o país acumulou derrotas no conflito. A situação para Mussolini tornou-se complicada a partir de 1942 e 1943, uma vez que o envolvimento dos alemães com a luta contra os soviéticos enfraqueceu outras posições do Eixo na guerra.

Com a expulsão do Eixo do norte da África, as tropas dos Aliados organizaram-se para invadir a Itália. Em julho de 1943, as primeiras tropas Aliadas começaram a ser desembarcadas na Sicília, sul do território italiano. Em agosto, as tropas do Eixo abandonavam a Sicília em mais uma derrota dos italianos na guerra.

Insatisfeitos com as constantes derrotas dos italianos na guerra, o conselho de fascistas que fazia parte do governo italiano resolveu sacar Mussolini do poder. Antes mesmo de serem derrotados na Sicília, esse conselho reuniu-se e decidiu por derrubar Mussolini do poder. Em 25 de julho de 1943, ele foi preso e destituído do comando da Itália.

Acesse também: Como foi participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial?

Morte de Mussolini

Poucas semanas depois de ser preso, Mussolini foi resgatado por uma expedição alemã designada para libertá-lo e reintroduzi-lo ao poder da Itália. Como parte de um acordo com Hitler, foi fundada a República Social Italiana, um Estado fantoche que atuava na defesa dos interesses alemães. Essa república controlava somente as regiões central e norte do país, pois o sul estava nas mãos dos Aliados.

O colapso dos alemães na guerra representou o colapso do Estado fantoche governado por Mussolini. Os esforços das forças Aliadas somados aos esforços dos partisans italianos, guerrilheiros que lutavam contra o nazismo, fizeram com que o fascismo fosse derrubado na Itália. Sem saída, Mussolini resolveu fugir para Suíça, de onde pegaria um voo até a Espanha.

No meio do percurso, ele foi reconhecido por partisans e preso no dia 27 de abril de 1945 junto de sua amante, chamada Claretta Petacci. Dois dias depois, ele e sua amante passaram por um julgamento que condenou ambos à morte. Mussolini e Petacci foram executados a tiros por partisans – ainda não se sabe o autor do tiro.

Em seguida, seu corpo foi levado até Milão, onde foi vilipendiado (profanado) pela população milanesa. O corpo de Mussolini foi chutado, baleado, cuspido, etc. pela população enfurecida com a destruição trazida pelos fascistas ao seu país. Em seguida, o corpo de Mussolini e de sua amante foi pendurado de cabeça para baixo em uma viga de metal em um posto de gasolina.

Notas

|1| SASSOON, Donald. Mussolini e a ascensão do fascismo. Rio de Janeiro: Agir, 2009, p. 38.

|2| Idem, p. 63-64.

|3| Idem, p. 19.

|4| IODICE, Emilio F. Lessons from History: The startling rise to power of Benito Mussolini. Para acessar, clique aqui [em inglês]. Termo foi adaptado em uma tradução livre.

Créditos das imagens

[1] photofilmVAN/Shutterstock

[2] Everett Historical/Shutterstock

 

Por Daniel Neves Silva
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Benito Mussolini"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/benito-mussolini.htm. Acesso em 04 de abril de 2020.

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