Tupi-guarani

Os tupis-guaranis são um grupo cultural e um ramo linguístico que abrange diversos povos que pertencem ao grupo tupi e guarani.

Os tupis-guaranis são um grupo cultural e um ramo linguístico que existe entre os povos indígenas brasileiros. Assim, não há um povo tupi-guarani, mas há diferentes povos que faziam parte da cultura tupi e da guarani.

Ambos os povos são originários da região amazônica, mas realizaram uma migração há milhares de anos que os levou a diferentes locais do continente. Os povos tupis se concentraram no litoral do Brasil, nas regiões Nordeste e Sudeste, enquanto os povos guaranis se espalharam pelo sul do continente, em terras que iam da Bolívia até o Uruguai e estando presentes na região Sul do Brasil.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre os tupis-guaranis

  • O termo tupi-guarani é utilizado em referência a um grupo cultural que abrange as culturas tupi e guarani.
  • Não houve e não há povo tupi-guarani. Esse termo apenas agrupa os diferentes povos tupis e guaranis.
  • Os povos tupis-guaranis também não falam o mesmo idioma. Os tupis falam nheengatu, e os guaranis, o guarani.
  • Ambos os povos têm a mesma origem, sendo oriundos da região amazônica.
  • Iniciaram uma migração há milhares de anos, estabelecendo-se em locais diferentes.

Quem são os tupis-guaranis?

Os povos guaranis, em sua maioria, estão concentrados na região Sul do Brasil.[1]

O termo tupi-guarani é uma generalização frequentemente utilizada para se referir aos povos de cultura tupi e guarani. Nesse sentido, não existe povo tupi-guarani, mas povos que possuem um idioma do tronco linguístico tupi-guarani e de cultura tupi-guarani. Sendo assim, tupis e guaranis são dois povos indígenas distintos.

No caso dos tupis, estamos falando de um termo que era usado para definir diferentes povos indígenas, como os tupinambás, potiguaras, caetés, entre outros. Os diferentes povos tupis ficaram conhecidos por se estabelecerem nas regiões litorâneas do Brasil.

No caso dos guaranis, estamos falando de um grande grupo, formado por diversas divisões culturais internas, sendo formados por povos como baticola, apyteré, tembekuá, entre outros, habitando, predominantemente, a região Sul do Brasil, além de países vizinhos, como o Paraguai e a Argentina.

Tanto tupis como guaranis são conhecidos por terem uma cultura rica e diversa, possuindo uma vida comunitária na qual o trabalho é devidamente dividido, bem como o que é produzido. A arte é rica e cheia de cores e detalhes e existem aproximações e afastamentos entre esses povos. Linguisticamente, os dois povos falam línguas distintas, com os tupis falando nheengatu e os guaranis falando guarani.

Língua tupi-guarani

Não existe língua tupi-guarani, uma vez que o tupi-guarani é um ramo linguístico que abarca diversos idiomas falados por povos indígenas no Brasil. O ramo tupi-guarani abarca idiomas como o tupi antigo e sua versão moderna, o nheengatu, além do guarani, tenetehara, xetá, entre outros. O ramo linguístico tupi-guarani, por sua vez, pertence à família tupiana.

Os tupis falam o nheengatu, considerado a versão moderna do tupi antigo, enquanto os guaranis falam o guarani. No caso do nheengatu, acredita-se que esse idioma surgiu a partir da mistura de elementos linguísticos do tupi antigo, de outras línguas indígenas e do português.

Atualmente, o nheengatu é considerado uma língua ameaçada de extinção, pois é falado por um número estimado entre 6 mil e 20 mil pessoas, sobretudo entre povos indígenas da Região Norte do Brasil.

O guarani, por sua vez, é uma das línguas indígenas mais faladas da América do Sul, sendo falado por mais de 6 milhões de pessoas, a maioria delas concentrada no Paraguai.

Existem quatro grandes dialetos falados dentro do guarani, que são o mbyá, o nhandeva, o kaiowá e o chiringuano. Aqui no Brasil, são encontrados os dialetos nhandeva, kaiowá e mbyá, que são falados por povos de origem guarani que estão localizados na região Sudeste, Sul e Centro-Oeste (no caso do Mato Grosso do Sul).

Cultura tupi-guarani

A cultura de origem tupi-guarani é diversa, sendo marcada por sua riqueza e cores vibrantes. Importante pontuar que a cultura dos povos dentro do grupo tupi e dentro do grupo guarani não é homogênea, havendo diferenças entre tupis e guaranis e, claro, diferenças culturais internas entre os povos dentro desses grandes grupos.

Uma semelhança entre os grupos é o fato de que viviam em aldeias, nas quais toda a comunidade residia em malocas, uma grande cabana que abrigava dezenas ou até centenas de pessoas. Tanto tupis quanto os guaranis possuíam uma autoridade política e religiosa, conhecida pelos termos de cacique e pajé, respectivamente.

A comunidade era bem organizada em suas funções, com trabalhos divididos e tarefas bem claras entre homens e mulheres. Além disso, tanto povos tupis e guaranis tinham sua sobrevivência baseada na caça, pesca, coleta e agricultura. O cultivo de alguns víveres, como a mandioca e o milho, era tradicional em tupis e guaranis.

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Religião tupi-guarani

A cultura de tupis e guaranis possuía uma forte relação com a natureza, fazendo com que ambos  fossem bastante reverentes com a natureza e os espíritos que nela habitam, de acordo com a cosmologia de ambos. A religiosidade tupi era marcada pela crença em divindades como Jurupari e Tupã, acreditando que havia um ser primordial que havia dado origem à humanidade, chamado Tupi.

Os guaranis, por sua vez, tinham em sua religiosidade uma devoção especial por Nhanderu, que consideravam o deus criador.

Os pajés são figuras extremamente importantes para tupis e guaranis, sendo o mediador entre a humanidade e o mundo espiritual, ocupando essa posição por ser considerada uma figura sábia. Sendo assim, os rituais mágicos, o conhecimento do uso de plantas medicinais e outros costumes eram saberes relacionados aos pajés.

Pajé guarani em registro de 2007.[2]

Arte tupi-guarani

Os tupis valorizavam bastante a pintura corporal, mudando a forma como era utilizada a depender do contexto. A pintura corporal tinha uma forte relação com rituais importantes para a comunidade, como os rituais de passagem, sendo também utilizada na guerra. A pintura corporal denotava a posição e a hierarquia do indivíduo na comunidade.

Os guaranis também tinham uma grande riqueza artística, produzindo esculturas de madeira, além de produzir instrumentos e artesanato trançando fibras de taquara. O uso dos recursos naturais na confecção dessas obras levava em consideração a cosmovisão desses povos indígenas e o respeito que eles possuem pela natureza.

A arte de tupis e guaranis também possuía grande riqueza de detalhes na produção de cerâmica e de arte com plumas.

Localização dos tupis-guaranis

Os historiadores apontam que ambos os povos são originários da região amazônica, mas há milhares de anos deram início a um processo migratório que levou ambos a locais distintos da América do Sul.

No caso dos tupis, esse processo migratório os levou a ocupar as regiões litorâneas do Brasil, sobretudo as regiões Nordeste e Sudeste. No caso dos guaranis, a presença deles se espalhou pela Bolívia, Paraguai, Argentina, região Sul do Brasil e Uruguai.

Mitologia tupi-guarani

A mitologia de povos tupi e guarani estava diretamente relacionada com a religiosidade presente nos povos de ambos os grupos. Importante pontuar que havia divindades e figuras míticas distintas na religiosidade dos dois grupos. Entre as figuras presentes na mitologia tupi e guarani, estão:

  • Nhanderu: considerado o criador de tudo para os guaranis;
  • Tupã: divindade presente tanto na mitologia tupi quanto na guarani, e, diferentemente do que se popularizou, era uma figura secundária para ambos;
  • Iara: senhora das águas, presente tanto na mitologia tupi quanto na mitologia guarani.

Origem dos tupis-guaranis

Os povos tupis e guaranis são ambos de origem amazônica, mas iniciaram uma migração há milhares de anos para diferentes partes da América do Sul.

Os guaranis são originários da região dos rios Madeira-Guaporé, iniciando sua migração por volta de 2500 anos antes do presente e se espalhando por diferentes regiões, desde a Bolívia até o Uruguai, concentrando-se em grande número na região entre o Paraguai, a região Sul do Brasil e o nordeste argentino.

No caso dos tupis, acredita-se que essa migração teria se iniciado cerca de 2000 anos atrás, sendo os tupis também originários da região do rio Madeira e do rio Xingu. Essa migração levou os tupis a alcançarem o litoral brasileiro, passando por um significativo crescimento populacional e alcançando uma população de cerca de 5 milhões por volta do ano 1000. O choque do contato entre tupis e portugueses fez com que cerca de 98% da população tupi fosse dizimada.

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História dos tupis-guaranis

Os guaranis tiveram um grande contato com os colonizadores europeus, em especial com os espanhóis, que realizaram um extenso trabalho de catequização dos indígenas guaranis nas missões jesuíticas. O estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, ficou marcado pela existência de sete grandes aldeamentos jesuítas.

Essa região, inclusive, foi palco de um grande conflito envolvendo jesuítas e guaranis contra as coroas de Portugal e Espanha. A chamada Guerra Guaranítica foi um conflito que se estendeu de 1753 a 1756, sendo caracterizada pela resistência jesuítica e guarani em abandonar suas missões, no território do Rio Grande do Sul, por conta da nova divisão territorial estabelecida no Tratado de Madri.

Já os tupis foram uma grande vítima da violência colonizadora, passando por grandes embates com os portugueses e tendo quase toda a sua população dizimada.

Créditos da imagem

[1] Julia Zulian / Shutterstock

[2] Agência Brasil / Wikimedia Commons

Fontes

REDAÇÃO. Guarani: mbya e tupi. Disponível em: https://cpisp.org.br/povos-indigenas-em-sao-paulo/povos-indigenas/guarani-e-tupi/

CORRAINI, Stéfani Ramos. A construção política e social Tupi Guarani: uma visão sobre os povos Tupi Guarani ao longo da História, seus enredos cosmológicos, diferenças e posições entre os subgrupos. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/c6077491-b22e-4150-b4fa-c3ffcd8bcd8e/content

REDAÇÃO. Os guarani mbyá. Disponível em: https://www.ufrgs.br/museu/caixa-os-guarani-mbya

NOELLI, Francisco Silva. As hipóteses sobre o centro de origem e rotas de expansão dos Tupi. Disponível em: https://revistas.usp.br/ra/article/view/111642/109672

ZORZETTO, Ricardo. Ascensão e declínio dos tupi. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2021/12/056-058_genetica_311.pdf

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SILVA, Daniel Neves. "Tupi-guarani"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/tupi-guarani.htm. Acesso em 25 de janeiro de 2026.