Celulose

A celulose é um polissacarídeo complexo e componente das paredes celulares das plantas.

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A celulose é um polissacarídeo complexo e o componente primário das paredes celulares de plantas. É o polímero natural mais abundante em nosso planeta, estando presente na madeira, no algodão e em outros materiais vegetais, além de em fungos, em animais e em minerais. A celulose é formada por meio da polimerização de condensação de moléculas de beta-glicose, as quais se unem por ligações glicosídicas.

Leia também: Afinal, o que são os polímeros?

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre celulose

  • A celulose é um polissacarídeo complexo, formado a partir da polimerização por condensação de moléculas de beta-glicose.
  • Ela é o componente primário das paredes celulares de plantas e, por isso, é encontrada em matrizes vegetais, principalmente.
  • É, também, o polímero natural mais abundante do planeta e se mostra como uma alternativa ecologicamente interessante aos materiais sintéticos.
  • Destaca-se por sua biocompatibilidade, por sua biodegradabilidade, por sua renovabilidade, além de suas boas propriedades mecânicas e de sua não toxicidade.
  • A principal aplicação comercial da celulose é na confecção de papel.

O que é celulose?

Estrutura da celulose de uma planta.
A celulose é o componente primário da estrutura das paredes celulares das plantas.

De fórmula (C6H10O5)n, a celulose é um polissacarídeo complexo e o componente primário da estrutura das paredes celulares das plantas. É o polímero natural mais abundante do nosso planeta, estando presente na madeira, no algodão e em outros materiais fibrosos vegetais, mas também em fungos, em animais e em minerais.

Para que serve a celulose?

Como um biopolímero, a celulose desempenha um papel importante ao promover integridade estrutural e rigidez às plantas, auxiliando-as na manutenção de sua forma e na resistência ao estresse mecânico.

A celulose vem ganhando interesse nos anos recentes, dadas sua biocompatibilidade, sua biodegradabilidade, sua importância econômica, suas grandes propriedades mecânicas, sua alta superfície de contato, sua não toxicidade e sua renovabilidade, tornando-a uma alternativa ecologicamente amigável aos materiais sintéticos em diversas aplicações.

Revestimento isolante feito com fibra celulósica, a partir da celulose.
Revestimento isolante feito com fibra celulósica.

Os materiais derivados da celulose vêm sendo aplicados no campo médico e no campo farmacêutico, como em curativos, em carreadores de fármacos e em aglutinantes em comprimidos, e na produção do papel, do biocombustível e dos bioplásticos.

A celulose também vem sendo explorada em outras indústrias, como têxtil (algodão e linho, por exemplo), de adesivos, de revestimentos e de alimentos, e na confecção de produtos biodegradáveis. Também é possível encontrar a celulose em produtos cosméticos, como loções, cremes e xampus, nos quais serve para afinar os fios, além de ser estabilizante e emulsificante.

Fibras de celulose.
Fibras de celulose.

O acetato de celulose, também um biopolímero e o principal derivado da celulose, é utilizado como material nas impressões 3D, revestimento para diversas superfícies, como madeira, metal e papel, promovendo proteção e melhora da aparência, em suprimentos médicos, como suturas e membranas cirúrgicas, por conta de sua biocompatibilidade, em embalagens biodegradáveis de alimentos e bebidas, sendo uma alternativa mais ecológica aos plásticos convencionais, em filmes fotográficos, dadas sua estabilidade e sua transparência, em filtros de cigarros, ajudando a reduzir a inalação de substâncias danosas, e em fibras de roupas e de estofamentos, pois apresenta um toque que remete à seda, sendo comumente misturada com outras fibras.

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Veja também: Amido — polissacarídeo que atua como armazenamento de energia para diversos vegetais

Características da celulose

A celulose é insolúvel em água, consequência de sua estrutura cristalina e de fortes ligações de hidrogênio entre as cadeias, o que impede que moléculas de água as rompam. A estrutura cristalina auxilia a celulose a ter uma alta força de tensão, sendo resistente à hidrólise e ideal para a integridade estrutural da planta. Sua estrutura fibrosa oferece não só rigidez, como também flexibilidade, o que equilibra força e crescimento. É um material atóxico.

Representação das ligações de hidrogênio entre as moléculas de celulose.
Representação das ligações de hidrogênio entre as moléculas de celulose.

Quimicamente, possui uma grande reatividade por conta de seus diversos grupos hidroxila (OH), permitindo a formação de diversas modificações químicas, como na formação dos derivados acetato de celulose, carboximetilcelulose e metilcelulose, por exemplo.

Além disso, é passível de sofrer hidrólise ácida, o que quebra a ligação glicosídica, produzindo glicose ou bioetanol. A celulose é um material biodegradável, sendo facilmente degradada por microrganismos, sendo uma alternativa ecológica aos polímeros convencionais. É quimicamente estável em condições normais, podendo ser degradada em condições mais extremas, como meios ácidos ou alcalinos. Pode ainda reagir com hidróxido de sódio e outras substâncias alcalinas, o que faz aumentar sua reatividade. Embora não seja muito inflamável, a celulose pode entrar em combustão em altas temperaturas.

A natureza polar da celulose, consequência da presença dos grupos hidroxila, permite uma interação com outras substâncias polares, propiciando a formação de géis e a absorção de água, por exemplo.

Fórmula da celulose

A celulose é um polissacarídeo, e, dessa forma, sua fórmula molecular é (C6H10O5)n. O índice “n” indica que a unidade monossacarídica C6H10O5 (formada a partir de moléculas de beta-glicose) se repete “n” vezes, já que estamos diante de um polímero. Estima-se que cadeias de celulose podem apresentar centenas ou até mesmo milhares de unidades monossacarídicas.

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A unidade C6H10O5, estruturalmente, é caracterizada como sendo um anel heterogêneo, cuja conformação de menor energia (mais estável) é a de cadeira. Os anéis de monossacarídeos estão ligados entre si por meio de uma ligação glicosídica beta 1,4. Em cada anel, existem três grupos hidroxila, ligados aos carbonos 2, 3 e 6, sendo esse último um carbono primário localizado fora do anel.

Estrutura simplificada da celulose.
Estrutura simplificada da celulose.

Celulose e a produção de papel

Produção de papel, na qual se observa a principal aplicação comercial da celulose
A principal aplicação comercial da celulose é na produção de papel.

A celulose é opaca na forma de fibras ou de filmes, o que a torna propícia para papel e outros materiais. Porém, a celulose ocorre na natureza em materiais fibrosos conhecidos como lignocelulósicos, uma matriz complexa que, além de celulose, possui hemicelulose, pectina e outras gomas. Além disso, essa matriz é impregnada de lignina, que pode ser entendida como uma espécie de envoltório de resina plástica.

Dessa forma, para a produção de papel, a celulose deve ser separada dos demais materiais lignocelulósicos extraídos em conjunto da matriz vegetal. Diversos processos (físicos, mecânicos, químicos ou biotecnológicos) podem ser feitos para essa separação, porém, o maior destaque é o processo químico conhecido como Kraft.

O processo Kraft para produção de celulose objetiva a transformação da madeira em material fibroso, por meio das seguintes etapas:

  • descascamento;
  • picagem;
  • cozimento (ou polpação);
  • depuração;
  • branqueamento.

Os processos de descascamento e de picagem envolvem a preparação da madeira após sua recepção. As cascas possuem baixo teor de fibras, além de dificultarem etapas posteriores e de piorarem propriedades físicas do produto. Já a picagem serve para fragmentação das toras, as quais são chamadas de cavacos, aumentando sua superfície de contato para o processo de cozimento.

Na etapa de cozimento (ou polpação), os cavacos são introduzidos em digestores, onde são adicionados os reagentes hidróxido de sódio e sulfeto de sódio, sob aquecimento (temperatura na faixa dos 170 °C), para que se inicie a polpação. Aqui, a ideia é dissolver a lignina, e que a celulose seja obtida na forma de uma massa marrom.

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Na depuração, a massa de celulose obtida na polpação passa por um processo mecânico para a retirada de materiais estranhos, como palitos e outros materiais de madeira. A massa é, então, carregada para filtros lavadores, onde será feita a lavagem para retirada de possíveis materiais solúveis das fibras celulósicas. O objetivo aqui, portanto, é reduzir o teor de impurezas.

No branqueamento, a polpa de celulose extraída e limpa é posta para reagir com peróxido de hidrogênio (H2O2), dióxido de cloro (ClO2), gás oxigênio (O2) e hidróxido de sódio (NaOH), para que se melhorem as propriedades da celulose. Aqui, ela se torna mais alva, limpa e pura. Quanto menor o teor de lignina no produto, menor a necessidade dos reagentes de branqueamento. A partir daí, a celulose já está apta para ser utilizada na fabricação do papel.

Confira também: O que é a madeira?

Curiosidades sobre a celulose

  • A celulose é responsável por cerca de 40% da fração de carbono das plantas.
  • Ela é o polímero natural mais abundante da biosfera.
  • A celulose já era utilizada para produção de papel no ano de 105 d.C., na China, por Cai Lun.
  • Ela é feita por meio de uma polimerização de condensação de centenas ou de milhares de moléculas de beta-glicose.
  • A celulose é insolúvel em água, já que suas longas cadeias formam fortes ligações de hidrogênio entre si, o que impede que as moléculas de água as quebrem.
  • Os grupos hidroxila (-OH) tornam a celulose muito reativa.

Fontes

CASTRO, Heizir F. de. Apostila 4: papel e celulose. Lorena: Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP), 2009. Disponível em: https://sistemas.eel.usp.br/docentes/arquivos/5840556/434/apostila4papelecelulose.pdf.

CROPLIFE BRASIL. Da celulose ao papel: como funciona essa cadeia produtiva. São Paulo: CropLife Brasil, 2023. Disponível em: https://croplifebrasil.org/da-celulose-ao-papel-como-funciona-essa-cadeia-produtiva/.

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HEINZE, T. Cellulose: Structure and Properties. In: Advances in Polymer Science. Cham: Springer International Publishing, 2015. p. 1–52. DOI: 10.1007/12_2015_319. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/12_2015_319.

MARINHO, Elina. Cellulose: A comprehensive review of its properties and applications. Sustainable Chemistry for the Environment, [s. l.], v. 11, ref. 100283, 2025. DOI: 10.1016/j.scenv.2025.100283. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2949839225000781.

Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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NOVAIS, Stéfano Araújo. "Celulose"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/celulose.htm. Acesso em 01 de julho de 2026.
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