A taxa de fecundidade é um indicador demográfico que expressa a quantidade de filhos que uma mulher terá ao longo de sua vida reprodutiva, estabelecida entre 15 e 49 anos de idade. A taxa de fecundidade nos auxilia a prever o crescimento populacional na área estudada, assim como avaliar o sistema de saúde e compreender fenômenos sociais e econômicos, como é o caso da urbanização, da industrialização e da inserção da mulher no mercado de trabalho. No Brasil, a atual taxa de fecundidade é de 1,55 filho por mulher, muito abaixo da chamada taxa de reposição populacional, que é de 2,1. Esse valor é próximo da fecundidade mundial, que é de 2,2 filhos por mulher.
Leia também: Por que o envelhecimento populacional é um problema?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre a taxa de fecundidade
- 2 - O que é a taxa de fecundidade?
- 3 - O que a taxa de fecundidade indica?
- 4 - Cálculo da taxa de fecundidade
- 5 - Taxa de fecundidade no Brasil
- 6 - Taxa de fecundidade no mundo
- 7 - Taxa de fecundidade e fertilidade
- 8 - Exercícios sobre taxa de fecundidade
Resumo sobre a taxa de fecundidade
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Taxa de fecundidade é um indicador demográfico que expressa a quantidade média de filhos que uma mulher terá ao longo de sua vida reprodutiva em uma dada população.
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O intervalo de idade que é levado em consideração para o cálculo da taxa de fecundidade vai de 15 a 49 anos, sendo esse considerado o período fértil da mulher.
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Existem diversos aspectos de uma população que podem ser analisados a partir da taxa de fecundidade, incluindo aqueles de caráter socioeconômicos e de infraestrutura.
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O crescimento populacional também pode ser previsto a partir desse indicador por meio da taxa de reposição, que é de 2,1 filho por mulher.
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Populações com taxa de fecundidade inferior a 2,1 tendem a apresentar menores taxas de crescimento, ao contrário de populações com taxa maior do que esse valor.
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A taxa de fecundidade do Brasil é de 1,55 filho por mulher, abaixo da taxa de reposição. Esse padrão se mantém desde 2010, quando as brasileiras tinham, em média, 1,86 filhos.
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A queda da fecundidade observada desde a década de 1970 no Brasil é explicada por fatores como a urbanização, a maior inserção da mulher no mercado de trabalho e a ampliação do acesso a métodos contraceptivos.
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No mundo, a taxa de fecundidade é de 2,2 filhos por mulher. Os países subdesenvolvidos são aqueles que apresentam maior fecundidade, destacando-se a Somália (6,1).
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Dentre os países com as menores taxas de fecundidade estão Coreia do Sul, com 0,6, Singapura e China, com taxa de 1 filho por mulher.
O que é a taxa de fecundidade?
A taxa de fecundidade é um indicador demográfico que expressa a quantidade média de filhos que uma mulher, pertencente a uma dada população, tem durante a sua vida reprodutiva. Para o cálculo desse indicador, o IBGE considera que o intervalo de fertilidade das mulheres se dá entre os 15 e os 49 anos de idade. Portanto, esse é o recorte etário considerado para o cálculo da taxa de fecundidade no Brasil.
Inúmeros fatores externos podem afetar o comportamento desse indicador, o que reflete diretamente na composição demográfica da população e altera outros indicadores igualmente centrais para a análise de um grupo, como é o caso da taxa de crescimento populacional e da taxa de natalidade.
O que a taxa de fecundidade indica?
A taxa de fecundidade indica a quantidade média de filhos que uma mulher de uma determinada população terá ao longo de sua vida, levando em consideração a existência de um período fértil que limita a probabilidade de as mulheres engravidarem. Como a maioria dos indicadores demográficos, a taxa de fecundidade não acontece de maneira isolada. Isso significa que existem fatores que são próprios da organização social e das condições socioeconômicas e infraestruturais de um país que são os responsáveis diretos pelas flutuações na fecundidade em uma determinada população.
Tendências demográficas futuras de uma população é outro tipo de informação expressa pela taxa de fecundidade, e esse dado está relacionado com a taxa de reposição populacional. Esse segundo indicador mostra o número médio de filhos que as mulheres precisam ter para que a atual geração possa substituir a futura geração em termos quantitativos, uma espécie de “compensação” da mortalidade e pessoas sem filhos.|1| Por meio de cálculos matemáticos, concluiu-se que a taxa de reposição é de 2,1 filhos por mulher. Então, diante disso, em territórios onde a taxa de fecundidade é igual a esse número, temos uma população estável, que nem cresce e nem diminui.
Dessa forma, existe uma gama de informações que são expressas por meio da interpretação da taxa de fecundidade, e a partir dela é possível realizar análises ampliadas acerca de temas como saúde da mulher, educação sexual, inserção da mulher no mercado de trabalho, relações entre urbanização e fecundidade, envelhecimento populacional e diversos outros.
Leia também: Os 10 países mais populosos do mundo
Cálculo da taxa de fecundidade
Segundo o Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS), integrante do Ministério da Saúde do Brasil, o cálculo da taxa de fecundidade é feito por meio das taxas específicas de fecundidade que consistem no número de filhos nascidos vivos por mulheres pertencentes a todas as faixas etárias entre 15 e 49 anos. Temos, então, que o indicador geral é calculado com base na taxa de fecundidade para as mulheres entre 15 e 19, 20 e 24, 25 e 29 e assim sucessivamente até o intervalo de 45 a 49 anos de idade.
Taxa de fecundidade no Brasil
A taxa de fecundidade no Brasil atual é a menor da história, segundo revelou o último censo demográfico realizado pelo IBGE: 1,55 filho por mulher. Esse valor fica muito abaixo da taxa de reposição populacional que vimos previamente e nos ajuda a entender as atuais tendências demográficas em curso no país, que são a desaceleração do crescimento e o envelhecimento da população brasileira. Contudo, a fecundidade aquém da reposição não é um fato inédito na demografia do Brasil.
Observe a tabela a seguir, que apresenta as informações de fecundidade no território nacional desde a década de 1960 até o presente:
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Taxa de fecundidade no Brasil |
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Década |
Taxa de fecundidade |
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1960 |
6,28 |
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1970 |
5,76 |
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1980 |
4,35 |
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1990* |
2,89 |
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2000 |
2,38 |
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2010 |
1,86 |
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2020* |
1,55 |
*Os censos referentes às décadas destacadas foram realizados, respectivamente, em 1991 e 2022.
Fonte: IBGE.
Perceba que já na década passada a fecundidade no Brasil havia alcançado um patamar inferior ao da taxa de reposição, explicando o estreitamento da pirâmide etária brasileira que foi observado no último recenseamento.
Ainda com relação aos dados, chamamos a atenção para o fato de esse indicador ter experimentado queda acentuada desde a década de 1960, o que pode ser explicado por inúmeros fatores. A urbanização brasileira se intensificou em meados do século XX e, em concomitância, tínhamos um processo de industrialização aliado com o maior ingresso da mulher no mercado de trabalho. O custo de vida nas cidades também era mais elevado, o que fez com que muitas pessoas adiassem ou desistissem de ter um filho.
As melhorias no setor da saúde, novas descobertas científicas na medicina, principalmente em se tratando de métodos contraceptivos, e a ampliação do acesso ao conhecimento contribuíram, igualmente, para a gradativa redução do número de filhos por mulher. As crises econômicas, a crise climática e as incertezas com relação ao futuro pesam, hoje, na decisão das mulheres em terem ou não filhos. Em função disso, tem aumentado a idade com que a maioria das brasileiras têm o seu primeiro filho, que é, atualmente, de 28,1 anos. Não somente isso, mas, como resultado do declínio da fecundidade, o país tem 16,1% das mulheres entre 50 e 59 que não tiveram filhos ao longo de seu período fértil.
Taxa de fecundidade no mundo
A taxa de fecundidade no mundo é de 2,2 filhos por mulher. Diferente do cenário observado para o Brasil, esse indicador está ligeiramente acima da taxa de reposição, garantindo crescimento da população. Quando se analisa o dado mais profundamente, nota-se que a manutenção da fecundidade nesse patamar é feita principalmente pelos países subdesenvolvidos, que estão em fase inicial da sua transição demográfica.
Segundo dados do Banco Mundial, Somália, Chade, Níger e República Democrática do Congo apresentam as maiores fecundidades do mundo, que é de 6,1 filhos por mulher. Dos 10 países que lideram o ranking, somente um não fica na África: Afeganistão, com fecundidade de 4,8.
No outro extremo, temos a Coreia do Sul, que apresenta taxa de fecundidade de 0,6 filho por mulher. Na sequência está a China, país asiático que já realizou estrito controle de natalidade, limitando o número de filhos por família, que conta com fecundidade de 1 filho por mulher, mesmo patamar observado em Singapura e na Ucrânia. Na listagem do Banco Mundial, o Brasil fica ao lado de países como Estados Unidos, Colômbia e Sérvia, que aparecem, todos, com taxa de fecundidade de 1,6 filho por mulher.
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Taxa de fecundidade no mundo |
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Ano |
Taxa de fecundidade |
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1960 |
4,7 |
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1965 |
5,1 |
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1970 |
4,8 |
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1975 |
4,1 |
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1980 |
3,7 |
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1985 |
3,5 |
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1990 |
3,3 |
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1995 |
2,9 |
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2000 |
2,7 |
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2005 |
2,6 |
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2010 |
2,6 |
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2015 |
2,5 |
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2020 |
2,3 |
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2023 |
2,2 |
Fonte: Banco Mundial.
Taxa de fecundidade e fertilidade
A fertilidade é uma condição biológica que consiste na capacidade que o corpo possui de se reproduzir. Para as mulheres, essa capacidade acontece entre a primeira menstruação (menarca) e a menopausa, intervalo que é classificado como período fértil. Contudo, nem todas as mulheres apresentam essas condições por fatores diversos que estão atrelados a problemas com origem no seu próprio sistema reprodutor ou outras condições de saúde que afetam a produção de hormônios e a ovulação. Entre as principais causas para a infertilidade feminina estão a endometriose, a síndrome dos ovários policísticos e a insuficiência ovariana.
A fecundidade e a fertilidade aparecem diretamente relacionadas. No entanto, os termos não podem ser utilizados como sinônimos, já que a taxa de fecundidade se apresenta como uma estimativa calculada com base no todo. Esse universo é formado pela quantidade de filhos que as mulheres já tiveram em um dano ano, tratando-se de uma projeção com base em um fato ocorrido. Nesse sentido, ela não considera as particularidades da população feminina estudada, ignorando, assim, casos de infertilidade ou os motivos pelos quais uma parte da população não quis ou não pôde ter filhos.
Leia também: Transição demográfica — teoria que analisa a evolução populacional por meio de quatro fases
Exercícios sobre taxa de fecundidade
Questão 1
(Acafe Medicina) Leia o texto abaixo extraído do site da Agência Brasil de telecomunicação.
Taxa de fecundidade no Brasil cai para 1,57 filho por mulher
A taxa de fecundidade tem diminuído, ao longo dos anos, no Brasil, que noutros tempos já registrou uma das mais elevadas do mundo.
De acordo com levantamento do IBGE, entre 2000 e 2023, seguindo uma tendência mundial, a taxa caiu de 2,32 para 1,57 filho por mulher.
2,32 para 1,57 filho por mulher. A pesquisa Projeções de População, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto, aponta ainda que, após atingir seu máximo em 2042, a população vai começar a diminuir, como explica Márcio Mitsuo Minamiguchi, gerente de Estimativas do Instituto.
Outro dado significativo do estudo, destacado pela tecnologista em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE, Luciene Longo, é que as brasileiras têm engravidado cada vez mais tarde.
Em relação à taxa de fecundidade, que é a média de filhos que as mulheres têm, Roraima aponta o maior percentual, enquanto o Rio de Janeiro registra a queda mais acentuada.
A redução desses números também se reflete no total de nascimentos por ano, que passou de 3,6 milhões em 2000 para 2,6 milhões em 2022, e deve continuar caindo, chegando a 1,5 milhão em 2070.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2024-08/taxa-de-fecundidade-no-brasil-cai-para-157-filho-por-mulher. Acesso em 20/04/2025.
Entre os fatores que ajudam a explicar a queda na taxa de fecundidade, no Brasil, estão:
I. Campanhas de vacinação infantil.
II. Inserção das mulheres no mercado de trabalho.
III. Uso de métodos contraceptivos.
IV. Campanhas contra o tabagismo.
Em relação à diminuição da taxa de fecundidade, no Brasil, assinale a alternativa que apresenta as afirmativas CORRETAS.
a) I e III.
b) II e III.
c) I e IV.
d) II e IV.
Resposta: Alternativa B. A queda da taxa de fecundidade brasileira é explicada pela maior inserção da mulher no mercado de trabalho e pela ampliação do acesso a diferentes métodos contraceptivos. As campanhas de vacinação e o combate ao tabagismo interferem principalmente na queda dos índices de mortalidade infantil e geral da população.
Questão 2
(Fatec) A taxa de fecundidade de 1,48 filho por mulher foi um dos principais temas destacados pelo presidente russo, Vladimir Putin, em um discurso proferido no início de 2020: “Não é o suficiente para o nosso país”.
Embora a taxa de fecundidade entre as mulheres russas em idade reprodutiva tenha aumentado desde 1999, quando chegou a 1,16 filho por mulher, ainda está em patamares distantes dos desejados por Putin.
O governo anunciou propostas para aumentar a taxa a 1,7 filho por mulher dentro de quatro anos, tais como aumento em um programa de transferência de renda para famílias carentes com filhos e benefícios financeiros para famílias com três ou mais filhos.
https://tinyurl.com/rcm3vhu. Acesso em: 10.04.2022. Adaptado.
As propostas do governo russo para aumentar a taxa de fecundidade naquele país decorrem da:
a) escassez da mão de obra na Rússia, haja vista que, nos dias de hoje, a população de imigrantes supera a de pessoas nascidas no país.
b) urgência em diminuir a densidade demográfica do país, a qual está entre as maiores da Terra e contribui para a escassez de recursos naturais.
c) necessidade de aumentar a população nativa, pois se a taxa de fecundidade continuar em 1,48 filho por mulher, a população absoluta nativa da Rússia tenderá a diminuir.
d) exigência do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) de duplicar a população da Eurásia no prazo de 50 anos para suprir os vazios demográficos desse continente.
e) assimetria na distribuição da população sobre o território russo, uma vez que a maior parte da população se concentra no leste e no norte do país, deixando o oeste e o sul praticamente desabitados.
Resposta: Alternativa C. As propostas apresentadas visam ao aumento da população da Rússia, já que a fecundidade atual registrada no país é inferior à taxa de reposição (2,1).
Notas
|1| CYPRESTE, Juliana. Número de filhos por mulher no Brasil é o menor da história, diz IBGE. G1, 27 jun. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/censo/noticia/2025/06/27/numero-de-filhos-por-mulher-no-brasil-e-o-menor-da-historia-diz-ibge.ghtml.
Fontes:
BELLO, Luiz. Censo 2022 mostra um país com menos filhos e menos mães. Agência de Notícias IBGE, 27 jun. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43837-censo-2022-mostra-um-pais-com-menos-filhos-e-menos-maes.
DANTAS, Eugenia Maria; MORAIS, Ione Rodrigues Diniz; FERNANDES, Maria José da Costa. Geografia da população. Natal: EDUFRN, 2011. 2. ed.
IBGE. Fecundidade no Brasil. IBGE Educa – Professores, [s.d.]. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/professores/educa-recursos/20826-taxa-de-fecundidade.html.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. A.5 Taxa de Fecundidade Total – Ficha de qualificação. Informações de Saúde (TABNET) – DATASUS, [s.d.]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/idb2000/fqa05.htm.
REDAÇÃO. Censo 2010: País tem declínio de fecundidade e migração e aumentos na escolarização, ocupação e posse de bens duráveis. Agência de Notícias IBGE, 16 nov. 2011. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/14123-asi-censo-2010-pais-tem-declinio-de-fecundidade-e-migracao-e-aumentos-na-escolarizacao-ocupacao-e-posse-de-bens-duraveis.
WORLD BANK. Fertility rate, total (births per woman). World Bank Data, [s.d.]. Disponível em: https://data.worldbank.org/indicator/SP.DYN.TFRT.IN.