Cruz Vermelha

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A Cruz Vermelha é uma organização internacional que surgiu, na segunda metade do século XIX, com o intuito de garantir proteção às pessoas que sofrem as consequências de conflitos armados. Essa organização deu-se pela mobilização de Henri Dunant, um empresário suíço que presenciou os horrores da guerra quando estava na Itália em 1859.

A Cruz Vermelha está presente em mais de 190 países, prestando socorro para milhões de pessoas. Aqui no Brasil, ela existe desde o começo do século XX, tendo sido idealizada pelo médico Joaquim de Oliveira Botelho. Ao todo, a Cruz Vermelha Brasileira está presente em 20 estados e no Distrito Federal.

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Fundação da Cruz Vermelha

O livro escrito e publicado por Henri Dunant, em 1862, motivou a fundação da Cruz Vermelha.[1]
O livro escrito e publicado por Henri Dunant, em 1862, motivou a fundação da Cruz Vermelha.[1]

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho surgiu em 1863, sendo fundado em Genebra, na Suíça. Sua criação ocorreu para atender a uma necessidade da humanidade naquele período — o atendimento humanitário e médico para as pessoas que enfrentavam as dificuldades causadas pelas guerras.

Esse atendimento visava a atender tanto aos soldados que se feriam em batalha quanto aos civis. No caso dos soldados, podemos destacar o fato de que, nos conflitos do século XIX, existia um suporte muito limitado para os que se feriam em batalha. Assim, milhares de soldados não recebiam tratamento ou recebiam um tratamento inadequado e faleciam vítimas de suas feridas.

Essa situação levou o empresário suíço Jean-Henri Dunant a mobilizar-se para que essas pessoas pudessem ter algum tipo de atendimento. O que chamou a atenção de Dunant foi o resultado final de uma batalha que aconteceu, na Itália, em 1859. Essa batalha fez parte do processo de Unificação da Itália e foi travada por italianos e franceses contra austríacos.

Local próximo de onde aconteceu a Batalha de Solferino, na Itália.
Local próximo de onde aconteceu a Batalha de Solferino, na Itália.

Jean-Henri Dunant era um empresário que tinha crescido em uma família calvinista e, portanto, tinha sido ensinado a realizar e valorizar ações de caridade. No ano mencionado (1859), ele realizou uma viagem à Itália para tratar de negócios que possuía na Argélia com Napoleão III. Durante a estadia, ele se deparou com o cenário da Batalha de Solferino.

Nesse combate, milhares de soldados ficaram feridos, e estima-se que a retirada dos corpos do campo de batalha levou cerca de três semanas. Dunant percebeu que o atendimento aos feridos era deficitário, então ele organizou um grupo de voluntários que atuou no atendimento das vítimas de ambos os lados.

Quando retornou à Suíça, Dunant organizou tudo o que presenciou em um livro: Lembrança de Solferino, publicado em 1862. O livro de Dunant ganhou fama, foi traduzido para diversos idiomas, mobilizou personalidades e abriu a possibilidade de realizar-se uma ação até então inexistente no mundo.

Nesse contexto, a repercussão do relato de Dunant fez com que ele e outros cidadãos suíços montassem uma organização voluntária e independente, criada com o propósito de prestar atendimento aos soldados que se feriam nas guerras e para prestar socorro aos civis como forma de amenizar seu sofrimento.

Entre 26 e 29 de outubro de 1863, Henri Dunant, Gustave Moynier, Guillaume-Henri Dufour, Louis Appia e Theodore Maunoir formaram um comitê que formalizou a criação da Cruz Vermelha. No ano seguinte, esse comitê realizou uma Conferência Internacional em Genebra, convidando representantes das nações europeias e de três nações americanas: Estados Unidos, México e Brasil.

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Dessa conferência foi emitido o documento “Convenção de Genebra para a Melhoria das Condições dos Feridos das Forças Armadas em Campo”. Basicamente, esse documento estabeleceu princípios que garantissem a neutralidade e a proteção de todos aqueles que trabalhassem no atendimento médico dos soldados.

Henri Dunant dedicou todos os seus esforços ao sucesso da Cruz Vermelha e, por isso, seu negócio entrou em falência em 1867. Nesse mesmo ano, ele se retirou da Cruz Vermelha por conta de problemas de relacionamento com um de seus membros e fundadores, Gustave Moynier. De toda forma, o trabalho de Dunant no atendimento dos soldados na Batalha de Solferino e os seus esforços na Cruz Vermelha fizeram com que ele fosse premiado com o Nobel da Paz, em 1901.

Princípios e missão da Cruz Vermelha

Membros da Cruz Vermelha Grega atuando em benefício de refugiados sírios que chegavam ao país em 2016.[2]
Membros da Cruz Vermelha Grega atuando em benefício de refugiados sírios que chegavam ao país em 2016.[2]

Atualmente, a Cruz Vermelha é uma organização que mobiliza milhões de voluntários no mundo, estando presente em mais de 190 países e fornecendo ajuda também a outras milhões de pessoas. Essa organização ganhou muita importância no mundo depois de sua atuação nos maiores conflitos do século XX, com destaque para a Primeira e Segunda Guerra Mundial.

No que se refere aos seus princípios, a Cruz Vermelha norteia-se pela defesa da humanidade, atuando de maneira imparcial, neutra, independente e voluntária. Além disso, as diferentes sociedades criadas ao redor do mundo são marcadas pela unidade e pela universalidade da atuação e missão.

Falando da missão, a Cruz Vermelha define-se como uma organização “que assegura a proteção humanitária e a assistência às vítimas de conflitos armados e de outras situações de violência”. Assim, a organização atua no socorro de pessoas que sofrem por conflitos armados, mas também atua quando há situações de emergência nos países em que está instalada.

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Estrutura da Cruz Vermelha

No que se refere à estrutura da Cruz Vermelha, ela se organiza com base no tripé formado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, isto é, a organização surgida em 1863 com a finalidade de promover atendimento médico e humanitário. Esse comitê é formado por cinco órgãos diretivos que têm como função a administração da organização.

Dentro dessa estrutura, está a Assembleia, o Conselho da Assembleia, o Gabinete do Presidente, a Diretoria e a Unidade de Auditoria Interna. Naturalmente, cada seção possui a sua função, sendo que o presidente responde pela organização internacionalmente, e a diretoria é a responsável pela formulação da estratégia do comitê.

Além disso, existe a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Essa federação foi criada em 1919, logo após a Primeira Guerra Mundial, tendo como objetivo a unificação da comunicação e da coordenação das ações realizadas pelas diferentes sociedades da Cruz Vermelha espalhadas pelo mundo.

Por fim, existe também a Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, que representa as 191 sociedades da organização espalhadas pelo mundo. Cada sociedade representa um país no qual a Cruz Vermelha atua. Reforçando-se que entre os princípios da Cruz Vermelha está a determinação de que só pode haver uma dela por país.

Símbolos da Cruz Vermelha

Símbolo oficial do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
Símbolo oficial do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

O símbolo da Cruz Vermelha foi instituído assim que a organização foi criada, em 1863. Como a organização foi criada por cidadãos suíços, o símbolo manifesta uma referência direta ao país. A bandeira da Suíça serviu de inspiração, porém, com as cores invertidas. Assim, o quadrado com fundo vermelho e cruz branca foi convertido em um quadrado de fundo branco e cruz vermelha.

No século XX, uma nova imagem foi adicionada ao símbolo. Por pressão dos turcos, a lua crescente foi incorporada à organização sob a alegação de que a cruz era um símbolo associado ao cristianismo. Assim, a partir de 1929, uma crescente vermelha foi adicionada parte do símbolo da Cruz Vermelha nos países muçulmanos.

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Cruz Vermelha Brasileira

No Brasil, a Cruz Vermelha está presente desde o começo do século XX. A versão brasileira dessa organização foi estabelecida por uma iniciativa do médico Joaquim de Oliveira Botelho, que se mobilizou a partir de 1907. Nesse ano, ele conseguiu reunir membros de áreas diversas em um evento no Rio de Janeiro responsável por pensar as bases da Cruz Vermelha no nosso país.

No ano seguinte, em 5 de dezembro de 1908, foi oficializada a fundação da Cruz Vermelha Brasileira, pois seu estatuto foi de fato estabelecido. Em 1912, a Cruz Vermelha Brasileira conquistou o reconhecimento internacional, e sua atuação ganhou força durante a Primeira Guerra Mundial. Seu primeiro presidente foi Oswaldo Cruz.

Em 1916 surgiu uma seção feminina da organização. Essa seção recebeu o nome de Damas da Cruz Vermelha e estava ligada à formação de enfermeiras em nosso país. A atuação feminina e o aumento no número de enfermeiras têm relação direta com a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial.

Atualmente, a Cruz Vermelha Brasileira segue em funcionamento, estando presente em 20 estados mais o Distrito Federal. Sua sede encontra-se na cidade do Rio de Janeiro.

Créditos das imagens

[1] Olga Popova e Shutterstock

[2] Alpha Media Production e Shutterstock

 

Por Daniel Neves Silva
Professor de História

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SILVA, Daniel Neves. "Cruz Vermelha"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/cruz-vermelha.htm. Acesso em 04 de agosto de 2020.