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Dengue: infectologistas explicam o aumento de casos e como funciona a vacina

Saiba o que é a dengue, como funciona a vacina e o porquê do aumento de casos da doença em 2024

Em 23/02/2024 15h41 , atualizado em 23/02/2024 15h54
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e outras doenças.
Ouça o texto abaixo!

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O aumento de casos de dengue em 2024 tem alertado a população e os gestores públicos. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de casos prováveis até o dia 22 de fevereiro chegou a 740.942. No ano passado, neste mesmo período, foram registrados por volta de 165 mil casos.

As unidades federativas mais afetadas pela dengue neste ano são o Distrito Federal, Minas Gerais, Acre, Paraná, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Já são 151 mortes confirmadas pela doença até a última atualização do Painel de Monitoramento do Ministério da Saúde.

O Brasil Escola conversou com infectologistas que explicam o que é a dengue, quais são suas causas, sintomas e os tipos. Entenda também o aumento de casos da doença e como funciona a vacina da dengue que começou a ser distribuída neste mês pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Saiba também: Chikungunya - Causas, sintomas e transmissão da doença 

O que é dengue?

A dengue é uma doença do tipo arbovirose, transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti, afirma o infectologista Boaventura Queiroz. As arboviroses são caracterizadas por serem transmitidas por vírus por meio de vetores artrópodes, segundo o Ministério da Saúde.

Os vírus da dengue são classificados em quatro tipos, que contam com materiais genéticos e linhagens distintas: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

O Ministério da Saúde conceitua a dengue como uma doença febril aguda e sistêmica. Segundo a pasta, a maioria dos doentes se recupera, no entanto, alguns podem desenvolver formas graves da doença, inclusive poder vir a óbito.

A primeira epidemia clínica registrada no país ocorreu em Boa Vista (RR) entre 1981 e 1982, causadas pelos sorotipos 1 e 4, conforme indica o Ministério da Saúde.

A dengue se manifesta da forma clássica, sem a presença de sintomas graves, e a forma hemorrágica ou dengue grave, com sinais de alarme do organismo.

A evolução dos sintomas da dengue hemorrágica ocorre de maneira mais rápida. Entre eles estão manifestações hemorrágicas e derrames cavitários (acumulação anormal de líquido de natureza variada).

Veja também: Conheça doenças causadas por vírus

Vacina da dengue

A vacina da dengue foi inserida no Sistema Único de Saúde (SUS) no dia 21 de dezembro de 2023. A inclusão no calendário nacional de vacinação aconteceu neste mês de fevereiro de 2024, quando o governo federal deu início à distribuição e vacinação da população.

O infectologista Boaventura explica que o imunizante é produzido a partir de um vírus atenuado que possui uma estrutura de proteção contra os sorotipos 1, 2, 3 e 4.

Com a vacina, o organismo é induzido a produzir anticorpos a partir do momento que os antígenos entram em contato com o corpo. Isso ocorre, normalmente, após a segunda dose, que é aplicada após três meses da primeira dose, explica Boaventura. 

Pessoa sendo vacinada
Vacina da dengue está sendo distribuída de forma gratuita por meio do SUS.
Crédito: José Cruz / Agência Brasil.

Os índices de eficácia de proteção são maiores para os tipos 1 e 2 (chega a 90% para qualquer sintoma da doença) e para internação chega a 85% nestes tipos, afirma Queiroz.

O profissional enaltece que ela é bem tolerada pelo organismo humano, apresentando poucos efeitos colaterais de modo geral. A aplicação pode ser feita em pessoas de 4 a 60 anos, entretanto o Ministério da Saúde organizou a campanha de vacinação de acordo com grupos prioritários.

O primeiro grupo atendido é formado por pessoas de 10 a 14 anos. O grupo foi escolhido para iniciar o atendimento da campanha porque essa é a faixa etária com o maior número de hospitalizações por dengue no Brasil, justifica Queiroz.

Sintomas da dengue

Veja quais são os sintomas da dengue, listados pelo infectologista Boaventura Queiroz:

  • Febre alta de início súbito;

  • Dor no corpo (mialgia);

  • Fraqueza;

  • Indisposição digestiva (náuseas e/ou vômitos) com duração de 5/7 dias de sintomas;

  • Manchas no corpo principalmente em pernas com muita coceira.

Entre os sinais de alarme listados por Ivan França, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz:

  • Sangramentos (nariz, gengivas);

  • Dor abdominal intensa e contínua;

  • Vômitos persistentes.

Os sinais de alarme podem indicar o início da piora do quadro clínico da pessoa. Conforme o Ministério da Saúde, esses sinais apontam para o extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos e/ou hemorragia.

Tratamento da dengue

O tratamento da dengue, segundo o Ministério da Saúde, consiste em:

  • Repouso;

  • Ingestão de líquidos;

  • Não se automedicar e procurar o serviço de urgência em caso de sangramento ou aparecimento de pelo menos um sinal de alarme;

  • Retorno para reavaliação clínica conforme orientação médica.

É fundamental que a pessoa com dengue procure orientação médica e não se automedique. Ainda não há tratamento específico para a doença.

A hidratação é muito importante, ela pode ser feita por meio de água, soro, água de coco, entre outros líquidos nutritivos, explica Ivan França.

Em caso de presença de sinais de alerta ou piora no quadro da saúde, é necessário procurar ajuda médica de forma imediata, enfatiza França. 

Boaventura lembra que todos os anti-inflamatórios e antiagregantes plaquetários são contraindicados em suspeita de dengue e durante a atividade da doença.

 Boaventura Queiroz está sorrindo e de óculos na foto
Boaventura Queiroz, médico infectologista.
Crédito: Arquivo Pessoal. 

Aedes aegypti: o mosquito transmissor da dengue

O Aedes aegypti é um mosquito oriundo do continente africano, mais especificamente do Egito. A professora de Biologia Vanessa Sardinha explica neste artigo que ele é responsável pela transmissão de diversas doenças, tais como dengue, chikungunya, zika e febre amarela.

Mosquito Aedes aegypti
Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

A fêmea do mosquito é a única que pica o ser humano e transmite doenças. Durante seu ciclo reprodutivo, ela necessita de sangue para desenvolver seus ovos, explica Vanessa. 

Os reservatórios de água, como calhas, pneus, piscinas, locais com água parada, são propícios para que o Aedes aegypti deposite os ovos. Por isso, o combate ao mosquito se dá principalmente na eliminação dos criadouros do agente transmissor de doenças.

Homem próximo a pneus, que podem ser criadouros do Aedes aegypti, transmissor da dengue
Pneus podem se tornar reservatório de água, sendo criadouros para o Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Crédito: Joa Souza / Shutterstock.

Confira formas de combate ao Aedes aegypti:

Inforgráfico explica formas de combater o Aedes aegypti
Formas de combate ao Aedes aegypti.
Crédito: Divulgação / Ministério da Saúde. 

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Aumento de casos da dengue no Brasil em 2024

O aumento de casos da dengue no Brasil em 2024 é explicado pela elevação das temperaturas no país, bem como pelo descontrole completo de reservatórios do mosquito ao nível local e municipal, em diferentes regiões, considera Boaventura.

O fenômeno El-Niño provocou o aumento do volume de chuvas e consequentemente na ampliação do número de reservatórios de água, tanto no âmbito domiciliar quanto no comunitário, indica Queiroz.

Na opinião do infectologista, os gestores públicos contribuem para a situação na medida que não desenvolvem campanhas com o objetivo de reduzir os reservatórios em lotes baldios e casas abandonadas. Há também o fato de que os moradores não atuam com a vigilância no aparecimento de novos reservatórios, que podem estar em telhados, calhas, pneus, caixas d’água não tapadas, entre outros. 

“Faltaram medidas preventivas por parte das Prefeituras no sentido de identificar criadouros. Nós temos imóveis que não estão ocupados e dentro desses imóveis podem existir criadouros. Então, uma inspeção com drones, por exemplo, seria possível para identificar uma casa que tem uma piscina desativada e que pode ser um grande proliferador do Aedes aegypti.”

Pedro Luiz Côrtes, professor da Universidade de São Paulo (USP) em entrevista ao Jornal USP

Mapa do Brasil mostra incidência da dengue nos estados em 2024
Mapa indica incidência da dengue (casos prováveis por 100 mil habitantes) nos estados em 2024.
Dados atualizados em 22 de fevereiro de 2024.
Crédito: Divulgação / Ministério da Saúde. 

O mapa acima mostra a incidência da dengue nos estados brasileiros. Com 2.956 casos prováveis por 100 mil habitantes, o Distrito Federal é o que apresenta o maior índice. Por lá, já foram registrados mais de 83 mil casos prováveis.

No país, somente este ano foram confirmados 341.366 casos, enquanto mais de 399 mil estão em investigação. Os dados são referentes ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (E-SUS Sinan), apresentados no Painel de Monitoramento da Dengue do Ministério da Saúde. 

Saiba mais sobre a dengue

O professor Fred Mata de Biologia explica sobre a dengue no vídeo abaixo:

 

Em casos de dúvidas sobre a dengue e o SUS disque 136.


Crédito da imagem:

[1] José Cruz / Agência Brasil

[2] Joa Souza / Shutterstock

 

Por Lucas Afonso
Jornalista