Thomas Hardy

Thomas Hardy é um famoso escritor britânico. Suas obras estão vinculadas ao período vitoriano da literatura inglesa. Um de seus livros mais famosos é Tess dos d’Urbervilles.

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Thomas Hardy é um famoso escritor da literatura inglesa. Ele nasceu em 2 de junho de 1840, no condado de Dorset, e morreu em 11 de janeiro de 1928, em Dorchester. Desde cedo, manifestou interesse por literatura e música. Filho de um construtor, acabou estudando arquitetura, profissão que exerceu até 1892, quando passou a se dedicar exclusivamente à literatura.

Suas principais obras estão vinculadas ao período vitoriano. O autor criou uma região fictícia chamada Wessex, que reproduz o meio rural e seus costumes. De viés realista, suas obras criticam a sociedade vitoriana e apresentam personagens femininas ousadas. Uma de suas obras mais conhecidas é o romance Tess dos d’Urbervilles.

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Leia também: Irmãs Brontë — famosas escritoras inglesas do período vitoriano

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Thomas Hardy

  • Thomas Hardy é um autor da literatura inglesa nascido no ano de 1840 e falecido no ano de 1928.
  • Além de escritor, Hardy também atuou como arquiteto durante alguns anos de sua existência.
  • Suas principais obras estão vinculadas ao final do período vitoriano e apresentam elementos como:
    • descrição do meio rural (região fictícia chamada Wessex);
    • crítica à conservadora sociedade vitoriana;
    • personagens femininas que valorizam a liberdade;
    • caráter realista e, portanto, antirromântico;
    • aspecto pessimista e fatalista.
  • Uma de suas obras mais conhecidas é o livro Tess dos d’Urbervilles, que conta a trágica história da jovem Tess Dubeyfield.

Biografia de Thomas Hardy

Fotografia do escritor Thomas Hardy.
O escritor Thomas Hardy.

Filho de um construtor, Thomas Hardy nasceu em 2 de junho de 1840, na aldeia de Higher Bockhampton, no condado de Dorset, na Inglaterra. Desde cedo, mostrou interesse pelos livros e pela música. Logo aprendeu a ler e também a tocar violino. Com oito anos de idade, ingressou em uma escola. Na infância, recebeu forte influência cristã de sua família.

Durante a adolescência, continuou a se dedicar aos livros e à música. Aprendeu latim, francês e alemão. Em 1856, começou a estudar arquitetura, como aprendiz do arquiteto e restaurador John Hicks, na cidade de Dorchester. Com Hicks, também aprendeu o grego. Nessa época, Hardy fazia parte de uma igreja batista.

Em 1862, o escritor foi morar em Londres. Passou a trabalhar com John Norton, conhecido de Jonh Hicks (mestre de Hardy no campo da arquitetura). Depois trabalhou com Arthur Blomfield, filho de um bispo. Em Londres, também estudou no King’s College. Passou a escrever poesia em 1865.

Na época, era comum a publicação de poemas em revistas. Mas os poemas do autor foram rejeitados por elas. Enquanto isso, Hardy continuava trabalhando com Blomfield. O autor publicou seu primeiro conto, em 1865, no Chamber’s Journal, intitulado “Como construí minha própria casa”. Assim, o artista dividia seu tempo entre a literatura e a arquitetura.

No ano de 1867, exaurido, o autor decidiu voltar para Dorset, onde trabalhou novamente com Hicks durante quase dois meses. Três anos depois, assumiu o cargo de arquiteto da igreja St. Juliot, na Cornualha. Em 1871, publicou seu primeiro romance: Remédios desesperados. O primeiro — O homem pobre e a dama — tinha sido rejeitado em 1868.

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Thomas Hardy, em 1874, casou-se com Emma Lavinia Gifford, um casamento marcado por brigas. Em 1887, ele e a esposa conheceram a Itália e, no ano seguinte, a França. Foi somente em 1892 que o escritor finalmente abandonou a arquitetura para se dedicar exclusivamente à literatura, situação que perduraria até a sua morte.

Foi condecorado com a Ordem do Mérito em 1910, além da honraria Liberdade de Dorchester. Apesar do casamento conturbado, o autor ficou bastante abalado quando sua esposa faleceu em 1912. Dois anos depois, ele se casou com Florence Emily Dugdale. Hardy morreu em 11 de janeiro de 1928, em Dorchester.

Veja também: Lord Byron — biografia e principais obras do poeta inglês

Características das obras de Thomas Hardy

É recorrente nas narrativas do autor a utilização do espaço fictício chamado “Wessex”, que seria uma reprodução da região onde o autor nasceu, ou seja, Dorset. Daí o caráter descritivo de suas obras, de forma a reproduzir a cultura de seu tempo e dar maior dramaticidade a suas narrativas.

Elas apresentam também crítica à sociedade vitoriana, elementos religiosos e evidenciam os costumes do período. Como reflexo da vida do autor, é comum o uso de expressões em francês ou latim na fala de personagens, além da utilização de seus conhecimentos de arquitetura na descrição dos ambientes.

Wessex é um espaço rural e, portanto, características culturais desse tipo de espaço são marcantes na obra de Hardy, além da valorização da linguagem oral. Um ambiente calmo e belo, que serve de espaço para o autor criticar comportamentos humanos. Nessa sociedade vitoriana, fortemente religiosa, era exigido da mulher o recato. Porém, as personagens femininas de Hardy quebram esse padrão.

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Ilustração de um espaço rural, como o de Wessex, típico das obras de Thomas Hardy.
O espaço fictício chamado “Wessex” é cenário comum nas obras de Thomas Hardy.

As obras do autor apresentam elementos realistas, sem idealização das pessoas e da sociedade, que são mostradas como realmente são. Portanto, complexas e imperfeitas. Suas obras falam de injustiça e critica as convenções sociais. Assim, opõe a beleza natural à fealdade existencial. E, como pano de fundo, fatos históricos são utilizados pelo autor.

Da mesma forma que existe certa poesia nas descrições rurais em sua prosa, também há traços narrativos nas obras poéticas do autor. Sua poesia é imagética, isto é, busca fazer o leitor visualizar as imagens descritas. Como Hardy é um escritor do final do período vitoriano (1837-1901), sua poesia pode ser associada ao período eduardiano (1901-1914).

A esse respeito, a doutora em Estudos da Tradução Carolina Geaquinto Paganine, comenta:

Quando se estuda Thomas Hardy, uma das primeiras conclusões a que se chega é que sua obra escapa às fáceis classificações em períodos literários ou em padrões estilísticos. Ao mesmo tempo em que Hardy é considerado um dos últimos romancistas do período vitoriano, também é visto como um dos primeiros poetas do século XX. Esse caráter de transição — que alia referências a tradições passadas, mas que também está fundamentalmente vinculado a questões contemporâneas de representação — intrigou os críticos de Hardy, desde o início de sua carreira, quando sua obra era julgada pelo poder de verossimilhança de suas descrições e enredos e pelo grau de afronta à moral e aos bons costumes.

A poesia do autor é marcada pela ambiguidade, pessimismo, fatalismo e antirromantismo (visão realista). Hardy também compôs obras de caráter elegíaco (de tom melancólico) e indicou a oposição entre a doçura e a amargura do amor. Além disso, sua poesia apresenta elementos de caráter filosófico acerca do tempo, da morte, do destino e de Deus.

Livros de Thomas Hardy

  • O pobre homem e a dama (1866).
  • Remédios desesperados (1871).
  • Sob a árvore verdejante (1872).
  • Um par de olhos azuis (1873).
  • Longe da multidão (1874).
  • A volta do nativo (1878).
  • O trompetista-mor (1880).
  • Dois numa torre (1882).
  • O prefeito de Casterbridge (1882).
  • Os habitantes da floresta (1887).
  • Contos de Wessex (1888).
  • Tess dos d’Urbervilles (1891).
  • Judas, o obscuro (1895).
  • Poemas de Wessex e outros versos (1898).
  • Os Dinastas (1908).
  • Letras tardias e anteriores (1922).
  • A famosa tragédia da rainha da Cornualha em Tintagel, Lyonnesse (1923).

Saiba mais: Quem foi Jane Austen e qual a sua importância para a literatura inglesa?

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Tess dos d’Urbervilles, de Thomas Hardy

A história acontece na Inglaterra do século XIX, na região fictícia de Wessex, mais particularmente na aldeia de Marlott. Nesse meio rural, vive uma jovem camponesa chamada Teresa ou, simplesmente, Tess Durbeyfield. Seus pais são John e Joan Durbeyfield. O pai descobre que é membro da nobreza, descendente dos nobres d’Urbervilles. Ter essa ascendência, para o pai de Tess, é uma oportunidade para dar uma vida melhor à filha. Assim, a jovem vai morar na casa dos supostos parentes Stoke-d’Urbervilles.

Camponesa em um jardim ilustrando a capa do livro Tess dos d’Urbervilles, personagens de Thomas Hardy.
Capa do livro Tess dos d’Urbervilles, publicado pela editora Pedra Azul, que conta a trágica história de Tess Dubeyfield.

Ali, Tess conhece Alec d’Urberville. Ele começa então a assediar a jovem, chegando ao abuso sexual. A violência sofrida abala Tess, que volta para casa, grávida. Porém, seu filho morre ainda bebê. Aqui é preciso lembrar que a sociedade vitoriana era totalmente moralista e exigia da mulher a virgindade até o casamento.

Era exigido da mulher vitoriana o recato e a pureza, sendo a situação de Tess uma nódoa em sua história. Porém, a jovem segue em frente e, em uma realidade de trabalho árduo, conhece o filho de um pastor. Seu nome é Angel Clare. Não é difícil prever o que vai acontecer. Eles acabam se casando.

No entanto, Angel vê Tess com o olhar de sua época, marcado pela idealização em torno da figura feminina, símbolo de pureza. Portanto, quando Tess decide contar ao marido o que lhe aconteceu no passado, Angel abandona a esposa e vai embora da Inglaterra. Mais um golpe do destino.

Abandonada e pobre, Tess segue com sua vida difícil de trabalho. E sua desventura continua, pois Alec aparece e seduz Tess, a qual, pela dificuldade financeira, vai morar com ele. Se você está triste pela Tess, agora é que a coisa vai ficar pior: Angel (isso mesmo, o marido) volta disposto a aceitar a esposa. No entanto, ele descobre que sua esposa está morando com outro homem! Para ficar com o marido, Tess mata seu abusador e foge com Angel. Contudo, o tardio idílio amoroso não dura muito. Inevitavelmente, Tess é presa, julgada e condenada à morte por enforcamento.

Assim, nessa obra de Thomas Hardy, de caráter fatalista, pois a heroína não pode fugir do destino, o narrador mostra as consequências da opressão às mulheres em uma sociedade moralista e hipócrita. A protagonista é uma vítima mais da sociedade em que vive do que do destino propriamente dito. Uma sociedade influenciada por ideias religiosas e que exigia da mulher uma pureza impossível.

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A crítica social também está presente ao mostrar o destino de uma jovem pobre, vítima de injustiças. Desse modo, a pureza valorizada pela sociedade vitoriana mostra-se distinta da pureza real, ou seja, a força do caráter de Tess.

Créditos da imagem

Editora Pedra Azul (reprodução)

Fontes

PAGANINE, Carolina Geaquinto. Três contos de Thomas Hardy: tradução comentada de cadeias de significantes, hipotipose e dialeto. 2011. Tese (Doutorado em Estudos da Tradução) – Centro de Comunicação e Expressão, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.

PUJALS, Esteban. Matices de la poesía de Thomas Hardy. Disponível em: https://aedean.org/actas/1/16-MaticesDeLaPoesiadeThomasHardy.pdf.

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SOUZA JÚNIOR, Raimundo Ednardo Soares de. Uma tradução comentada do conto “The three strangers” de Thomas Hardy. 2024. Dissertação (Mestrado em Estudos da Tradução) – Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2024.

THE THOMAS HARDY SOCIETY. Life: timeline. Disponível em: https://www.hardysociety.org/life/timeline/.

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Thomas Hardy"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/thomas-hardy.htm. Acesso em 05 de maio de 2026.
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