As revoluções burguesas foram o processo histórico que se estendeu entre os séculos XVII e XIX (para alguns historiadores, estende-se até o século XX) e que foi responsável por estabelecer as hegemonias política, social, ideológica e econômica da burguesia. Os historiadores entendem que essas revoluções foram fundamentais para a consolidação do capitalismo.
Os dois grandes exemplos de revoluções burguesas na história foram a Revolução Inglesa e a Revolução Francesa. Essas revoluções buscavam limitar o poder real, abolir os privilégios da nobreza, estabelecer as liberdade individuais e outros valores iluministas e consolidar sua posição na política.
Leia também: Afinal, o que é burguesia?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre as revoluções burguesas
- 2 - O que foram as revoluções burguesas?
- 3 - Quais foram as revoluções burguesas?
- 4 - O que as revoluções burguesas defendiam?
- 5 - Revoluções burguesas no Brasil
- 6 - Exercícios resolvidos sobre revoluções burguesas
Resumo sobre as revoluções burguesas
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As revoluções burguesas foram o processo histórico que consolidou a burguesia como classe hegemônica.
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Essas revoluções ocorreram entre os séculos XVII e XIX, estabelecendo a burguesia como grupo dominante política e economicamente.
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As duas revoluções burguesas mais conhecidas são a Revolução Inglesa e a Revolução Francesa.
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A burguesia buscou, por meio dessas revoluções, limitar o poder real, abolir os privilégios da nobreza, garantir vantagens comerciais etc.
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Os historiadores apontam que as revoluções burguesas contribuíram para a consolidação do capitalismo.
O que foram as revoluções burguesas?
As revoluções burguesas são entendidas como o processo que se estendeu dos séculos XVII até o século XIX (século XX, para alguns historiadores) e que resultou na consolidação da burguesia enquanto força hegemônica política e econômica no Ocidente. Esse processo deu-se por meio de ciclos revolucionários que aceleraram transformações, derrubando o Antigo Regime e vestígios do sistema feudal.
Essas revoluções, sobretudo as ocorridas no continente europeu, chocaram-se contra a ordem absolutista, buscando destituir a nobreza e seus privilégios e estabelecer mecanismo para limitar o poder real, além de garantir que a burguesia pudesse consolidar-se como a classe econômica dominante, além de assegurar seu poder político.
Essas revoluções burguesas permitiram a consolidação do capitalismo, dando origem e acelerando o processo de desenvolvimento da indústria e do livre comércio. Os privilégios e o poder político da nobreza e dos monarcas tornaram-se um problema para a burguesia, sendo necessário remover esses obstáculos para garantir os processos de acumulação de capital e de fortalecimento dessa burguesia.
Essas revoluções burguesas foram fortemente inspiradas nos ideais do iluminismo, um movimento intelectual que valorizava a razão e o desenvolvimento científico, mas que, em questões políticas, defendeu fortemente as liberdades individuais, a limitação do poder real e ideias como a igualdade jurídica entre os homens, embora a defesa dessas propostas pela burguesia fossem limitadas unicamente aos seus interesses.
A burguesia fomenta sua ideologia, incentivando revoltas e levantes contra a ordem absolutista, mas procura limitar a participação popular e busca neutralizar grupos populares radicalizados, como foram os casos dos diggers, na Revolução Inglesa, e os sans-culottes, na Revolução Francesa. As mudanças políticas e sociais defendidas pela burguesia, portanto, eram limitadas aos seus interesses.
Quais foram as revoluções burguesas?
Os historiadores consideram que os dois grandes movimentos revolucionários que foram pautados e guiados pelos interesses da burguesia foram a Revolução Inglesa (em suas duas fases, Puritana e Gloriosa) e a Revolução Francesa. Muitos historiadores consideram que a Revolução Americana também foi pautada pelos valores que guiavam a burguesia europeia e a consolidação capitalista, além das Revoluções de 1848. Vejamos os dois casos mais influentes: o inglês e o francês.
→ Revolução Inglesa
A Revolução Inglesa foi um ciclo revolucionário que aconteceu na Inglaterra durante o século XVII, sendo realizado em duas fases conhecidas como Revolução Puritana (1640-1649) e Revolução Gloriosa (1688). No final desse processo revolucionário, o poder real foi limitado, e a burguesia consolidou-se como a classe hegemônica na política e na economia da Inglaterra. Além disso, estabeleceram-se as bases para o estabelecimento do capitalismo e para a acumulação de capital.
As razões para que a Revolução Inglesa acontecesse foram as buscas da burguesia para limitar o poder real, retirando-o das mãos da dinastia Stuart, e por maior poder político que pudesse ampliar seus benefícios econômicos. Os conflitos religiosos também tiveram uma influência muito forte no contexto da Revolução Inglesa.
No caso da Revolução Puritana, um forte conflito consolidou-se entre o Parlamento e os monarcas da dinastia Stuart. A relação do Rei Jaime I e do Rei Carlos I com o Parlamento foram muito ruins. Durante o reinado de Carlos I, um desentendimento com o Parlamento fez o rei determinar a dissolução do Parlamento.
Essa situação resultou em uma guerra civil, iniciada em 1640, na qual um exército do Parlamento lutou contra as tropas de Carlos I, derrotando-as em 1649. O rei Carlos I foi capturado e decapitado. Alguns anos depois, em 1660, a dinastia Stuart foi restaurada para conter a instabilidade política e a radicalização popular no contexto da revolução.
A relação dos Stuart com o Parlamento, no entanto, seguiu ruim, fazendo com que um novo movimento contra os reis absolutistas, nesse caso, contra Jaime II fosse organizada. Isso resultou na Revolução Gloriosa, que levou Guilherme de Orange e sua esposa, Maria Stuart, para o poder. Ambos assumiram o trono com poderes limitados por uma lei chamada Bill of Rights.
A Revolução Inglesa foi importante porque colocou fim ao poder absolutista na Inglaterra, estabelecendo uma monarquia constitucional. O Parlamento, empoderado por novas atribuições, passou a atuar para fortalecer os negócios da burguesia, acelerando seu enriquecimento e o processo de surgimento da indústria e de consolidação do capitalismo na Inglaterra.
Veja também: Revolução Inglesa — mais detalhes sobre esse ciclo revolucionário
→ Revolução Francesa
A Revolução Francesa foi um movimento revolucionário que eclodiu na França a partir de 1789 como demonstração das insatisfações da população e da burguesia com o regime absolutista. A forte crise econômica, a falta de alimentos, os altos preços, os privilégios da nobreza e do clero e, claro, a influência dos ideais iluministas fizeram com que esse movimento eclodisse.
O ponto de partida da Revolução Francesa foi a Queda da Bastilha, um ataque da população de Paris contra a Bastilha, uma prisão localizada nos arredores de Paris. O ataque ocorreu em 24 de julho de 1789, espalhando a revolução pela França. O mote da Revolução Francesa foi a luta por liberdade, por igualdade e por fraternidade.
As mudanças revolucionárias conduziram transformações na França, de modo que aboliram os privilégios da nobreza, estabeleceram a igualdade jurídica entre os homens, defenderam o direito à propriedade privada, limitaram o poder da Igreja Católica, subordinando-a ao governo francês, etc. O engajamento popular foi importante para essas transformações, mas foi reprimido pela alta burguesia, reunida em um grupo político conhecido como girondinos.
Acesse também: Revolução Francesa — mais detalhes sobre esse ciclo revolucionário
O que as revoluções burguesas defendiam?
Levando em consideração os contextos das revoluções burguesas ocorridas na Inglaterra e na França nos séculos XVII e XVIII, respectivamente, os principais objetivos desses movimentos eram:
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limitar o poder real;
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abolir os privilégios da nobreza;
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estabelecer liberdades individuais;
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reforçar o poder político da burguesia;
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garantir vantagens econômicas;
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defender a propriedade privada.
Revoluções burguesas no Brasil
Nunca houve uma revolução burguesa no Brasil, mas, segundo o sociólogo Florestan Fernandes, houve um contínuo processo de mudanças promovidas pela burguesia a partir da abolição da escravatura, realizada em 1888. Ele entende que esse acontecimento deu início à modernização do Brasil, pois o sistema escravista não dava conta das demandas produtivas do país.
Além disso, ele conta que essa modernização econômica aconteceu em uma velocidade muito maior do que as transformações políticas do país, pois não havia engajamento social suficiente para forçar que mudanças políticas e sociais acontecessem. Apesar disso, o estágio de desenvolvimento econômico do país que foi conduzido pela burguesia não foi o suficiente para garantir ao Brasil um estágio de desenvolvimento próximo das grandes potências mundiais.
Exercícios resolvidos sobre revoluções burguesas
Questão 1
(Amauc) A Revolução Francesa, iniciada em 1789, foi um marco histórico fundamental para a modernidade, pois desafiou o sistema feudal e absolutista, promovendo ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Esse movimento gerou profundas transformações políticas e sociais, não apenas na França, mas também teve grande influência em outras partes do mundo. Seus desdobramentos impactaram a ascensão do poder burguês, a queda das monarquias absolutistas e a propagação de ideias revolucionárias em diversos países. Sobre a Revolução Francesa e seus desdobramentos, assinale a alternativa correta:
A) O objetivo principal da Revolução Francesa foi a defesa da manutenção do sistema feudal e da preservação dos privilégios da nobreza.
B) A Revolução Francesa teve como principal consequência a restauração do poder absolutista na França, que se manteve até a Revolução de 1848.
C) A Revolução Francesa resultou apenas na mudança do sistema de governo, sem transformações significativas nas relações sociais e econômicas da França.
D) A Revolução Francesa resultou na vitória absoluta dos ideais republicanos, sem a formação de nenhum tipo de regime autoritário após sua queda.
E) A Revolução Francesa teve forte impacto nas colônias francesas, como Saint-Domingue (atual Haiti), onde os ideais de liberdade inspiraram a Revolução Haitiana e a abolição da escravidão.
Resolução:
Alternativa E.
Embora tenha sido uma revolução burguesa, os ideais da Revolução Francesa serviram de inspiração para o engajamento popular e para a luta pela liberdade. As colônias francesas, como o caso do Haiti, foram motivadas por essa luta, exigindo sua independência. Paradoxalmente, a burguesia francesa atuou para reprimir o movimento no Haiti.
Questão 2
(Ameosc – adaptado) Acerca das revoluções que contribuíram para a formação do mundo contemporâneo, analise as afirmações abaixo:
I. A Revolução Gloriosa (1688), na Inglaterra, resultou na deposição do rei e na ascensão de Guilherme III e Maria II, estabelecendo uma monarquia constitucional que limitava o poder real.
II. A Revolução Francesa (1789) foi caracterizada pela abolição da monarquia e a instituição de uma república, culminando na ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder.
III. A Revolução Americana (1776) foi influenciada pelo Iluminismo e resultou na independência das Treze Colônias da América do Norte, levando à formação dos Estados Unidos.
Então CORRETAS as seguintes afirmações:
A) Apenas, I e II.
B) Apenas, II e III.
C) Apenas, I e III.
D) I, II e III.
E) Todas as afirmações estão incorretas
Resolução:
Alternativa E.
Todas as afirmações trazem informações verdadeiras a respeito da Revolução Inglesa, da Revolução Francesa e da Revolução Americana, três exemplos de revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII.
Fontes
HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções: 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.
MICELI, Paulo. História Moderna. São Paulo: Contexto, 2020.
MENESES, Jaldes. Florestan Fernandes e a teoria da revolução burguesa no Brasil. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sssoc/a/mFjcM9gJxqZNcS7ptpvB9Bx/.