Maria Stuart

História

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Maria Stuart nasceu na Escócia e tornou-se rainha com poucos dias de vida por causa da morte de seu pai. Casou-se com Francisco II, rei da França, mas retornou ao país natal porque seu marido faleceu e, assim, assumiu de fato o seu reino. Na Escócia encontrou um país dividido por questões religiosas e foi deposta do trono em 1567, depois de casar-se com o homem suspeito de ter matado seu segundo marido.

Com a deposição, ela se abrigou na Inglaterra, governada por Elizabeth I. Como Mary Stuart tinha ambições sobre o trono inglês, Elizabeth transformou-a em sua prisioneira, mantendo-a isolada durante 19 anos. Seu envolvimento em uma conspiração fez com que ela fosse executada em 1587. Seu filho, James, conseguiu ser coroado rei da Escócia e da Inglaterra.

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Nascimento

Palácio de Linlithgow, local onde Maria Stuart nasceu, em 1542.
Palácio de Linlithgow, local onde Maria Stuart nasceu, em 1542.

Maria Stuart nasceu no Palácio de Linlithgow, na Escócia, no dia 8 de dezembro de 1542. Ela era filha de James V, rei da Escócia, e de Marie de Guise, sua segunda esposa. Maria Stuart foi a única filha legítima de James V a sobreviver à infância e era sobrinha-neta de Henrique VIII, o rei da Inglaterra, uma vez que ela era neta de Margaret Tudor, irmã do rei inglês.

Com seis dias de vida, Maria Stuart foi coroada rainha da Escócia porque seu pai contraiu uma doença, enquanto liderava uma campanha militar, e faleceu. Essa campanha impediu que James V presenciasse o nascimento de sua filha, e ele ficou sabendo do parto de sua esposa quando já estava acamado.

Com a coroação de Maria Stuart, a Escócia passou a ser governada por regentes que permaneceriam na função até que a rainha alcançasse a idade adulta. Nesse momento tão prematuro ela não só se tornava rainha como já tinha sido prometida em casamento para Edward, filho de Henrique VIII. Esse casamento foi a forma proposta pelo rei inglês para pôr-se fim na guerra entre ingleses e escoceses e unir-se as duas coroas.

O acordo de casamento foi assinado por meio do Tratado de Greenwich, mas foi rejeitado pela nobreza escocesa. Isso agravou a guerra entre Inglaterra e Escócia e fez os escoceses procurarem ajuda na França. O apoio francês nesse conflito rendeu um acordo de casamento entre Maria Stuart e Francisco, filho de Henrique II, o rei da França.

Vida na França

Durante sua vida, Maria Stuart foi rainha consorte da França, rainha da Escócia e reclamou o trono inglês. Foi morta por conspirar contra Elizabeth I.[1]
Durante sua vida, Maria Stuart foi rainha consorte da França, rainha da Escócia e reclamou o trono inglês. Foi morta por conspirar contra Elizabeth I.[1]

Esse acordo entre Escócia e França ficou conhecido como Tratado de Haddington. Nele foi determinado que Maria Stuart seria enviada para a corte francesa, onde seria educada até que o casamento com Francisco fosse realizado. Com a sua ida para a França, a Escócia seria governada por Marie de Guise, sua mãe, que assumiria a função de regente.

O casamento foi realizado oficialmente em 1558, quando Maria tinha apenas 15 anos. Nesse mesmo ano, Elizabeth Tudor foi coroada como Elizabeth I, e esse evento foi alvo de muita polêmica na Inglaterra porque os católicos consideravam-na uma filha ilegítima, já que não aceitavam o casamento de Henrique VIII com Ana Bolena por questões religiosas.

Maria Stuart, baseando-se no apoio que tinha dos católicos ingleses, reclamou o seu direito ao trono inglês quando Elizabeth tornou-se rainha. Uma rivalidade entre as duas nasceu disso, sobretudo pelo contexto do Reino Unido: Escócia e Inglaterra estavam divididas entre protestantes e católicos. Essa divisão foi levada à sucessão do trono, pois Maria era católica e Elizabeth era protestante.

O casamento de Maria Stuart com Francisco aconteceu em Paris, em abril de 1558, e, em julho de 1559, os dois tornavam-se rei e rainha da França, sendo ela apenas rainha consorte. O reinado de Francisco II, no entanto, durou poucos meses, e, em dezembro de 1560, ele faleceu por conta de uma inflamação no ouvido. Meses depois, Maria Stuart retornou à Escócia.

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Reinado de Maria Stuart

Quando Maria Stuart chegou à Escócia em 1561, encontrou o país dividido pela disputa entre protestantes e católicos. Ela era vista com desconfiança na Inglaterra pelos apoiadores de Elizabeth e na Escócia contava com a desconfiança dos protestantes. Seu reinado no país natal durou apenas seis anos, sendo encerrado com a sua deposição.

O retorno de Maria Stuart à Escócia está muito relacionado a esse conflito e ao fato de que sua mãe, Marie de Guise, tinha falecido em 1560. Em 1561, ela tinha 18 anos, idade suficiente para governar plenamente sem a necessidade de ter um regente. Quando ela assumiu o trono, não tomou nenhuma ação contra os protestantes, deixando-os viver em liberdade.

O conselho privado de Maria Stuart, inclusive, era formado majoritariamente por protestantes, e alguns historiadores sugerem que essas ações podem ser um indicativo de que Maria estava mais preocupada em obter o trono inglês do que necessariamente tomar um partido na disputa entre católicos e protestantes na Escócia.

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Casamentos de Maria Stuart

Em 1565, Maria Stuart decidiu casar-se com Lord Darnley, um nobre inglês que era seu primo, e como tal, era um súdito de Elizabeth. Ele também pertencia a uma família da nobreza tradicional da Escócia e da linhagem católica que envolvia o casamento de Henrique VIII e Catarina de Aragão. Assim, ele era também um dos herdeiros do trono inglês.

Seu casamento com Lord Darnley, chamado Henrique Stuart, não foi muito popular, mas aconteceu de toda forma, e a cerimônia foi realizada em 29 de julho de 1565, quando Maria Stuart tinha 22 anos de idade, e Henrique Stuart, 19 anos. Ele se tornou rei consorte, garantindo-se o título real, mas não tinha os poderes de governo que Maria Stuart enquanto rainha possuía.

Rapidamente, Maria Stuart engravidou de um filho com Lord Darnley, mas seu casamento entrou em crise. O rei consorte queria ter direito ao que é conhecido na Escócia como crown matrimonial (coroa matrimonial, em tradução literal e livre), o que significa que ele queria governar a Escócia possuindo os mesmos poderes de Maria Stuart.

A rainha escocesa rejeitou o pedido de seu marido, e ele, que era católico, juntou-se aos protestantes e passou a conspirar contra sua esposa. Com isso, ele e um grupo de protestantes assassinaram o secretário privado de Maria Stuart, o italiano David Rizzio, em 9 de março de 1566. Lord Darnley estava enciumado da proximidade dos dois. O assassinato aconteceu na frente de Maria Stuart, durante o jantar, e depois disso ela convenceu seu marido a abandonar a conspiração, e ambos fugiram dos conspiradores, refugiando-se em Dunbar Castle.

O Lord Darnley tentou negar seu envolvimento com a conspiração, mas ele fez parte dela desde o início. O plano dos conspiradores eram aprisionar Maria Stuart e colocar o lorde no trono escocês. Maria Stuart, no entanto, perdoou os conspiradores, e, em um primeiro momento, não fez nada com seu marido. Seu filho, James Stuart, nasceu pouco tempo depois disso, em 19 de junho de 1566.

Meses depois do nascimento de James, boatos de que Maria Stuart estaria apaixonada por Earl Bothwell começaram a correr na Corte escocesa. Sua relação com Henrique Stuart permaneceu fria, e um incêndio na residência em que ele estava instalado, recuperando-se de uma doença, tirou a sua vida, em fevereiro de 1567. Aparentemente, a causa da morte foi sufocamento pela fumaça, mas a rainha escocesa e o Earl Bothwell rapidamente tornaram-se suspeitos do assassinato.

Deposição do trono

Menos de três meses depois da morte de Henrique Stuart, a rainha escocesa decidiu casar-se com Earl Bothwell, chamado James Hepburn. O casamento aconteceu seguindo ritual protestante, e Earl Bothwell tinha se divorciado de sua esposa apenas 12 dias antes de casar-se com a rainha. O casamento de Maria Stuart com o homem suspeito de ter matado seu ex-marido deixou a nobreza indignada.

Nobres católicos e protestantes voltaram-se contra ela, e uma nova conspiração surgiu. Em julho de 1567, ela foi forçada a renunciar ao trono escocês em benefício de seu filho, James, que, após a coroação, tornou-se James VI da Escócia. Ela tentou recuperar o trono em 1568, mas fracassou e fugiu do país.

Ela pediu abrigo para Elizabeth I, pensando principalmente que a rainha inglesa poderia auxiliar-lhe a recuperar o trono escocês. Elizabeth I aceitou abrigá-la, mas, na prática, converteu-a em uma prisioneira. Durante 19 anos, Maria Stuart viveu desse modo, com luxos da nobreza, porém completamente isolada.

As ações de Elizabeth I foram realizadas seguindo em parte as opiniões manifestadas por seus conselheiros, que viam na presença de Maria Stuart um risco para a posição de Elizabeth I no trono inglês. Durante todo o período da prisão de Maria, dois conselheiros de Elizabeth I monitoraram as ações da antiga rainha da Escócia.

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Morte

Elizabeth I, rainha da Inglaterra, manteve Maria Stuart como sua prisioneira por quase duas décadas.[1]
Elizabeth I, rainha da Inglaterra, manteve Maria Stuart como sua prisioneira por quase duas décadas.[1]

Em 1586, Maria Stuart foi acusada de estar envolvida em uma conspiração contra a rainha da Inglaterra. Essa foi a conspiração de Babington, que envolvia o assassinato de Elizabeth I. A escocesa foi levada a julgamento e condenada à morte.

Sua execução foi realizada em 8 de fevereiro de 1587, e ela foi morta por decapitação. A morte de Maria Stuart foi considerada brutal e violenta, e os relatos de sua execução são fortes, devido a dois erros cometidos pelo carrasco.

O grande desejo da vida de Maria Stuart (unificar os tronos escocês e inglês) aconteceu anos depois, quando seu filho, James VI da Escócia, foi coroado como James I, rei da Inglaterra, em 1603.

Créditos das imagens

[1] Sergey Goryachev e Shutterstock

 

Por Daniel Neves
Professor de História

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SILVA, Daniel Neves. "Maria Stuart"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia/maria-stuart.htm. Acesso em 28 de novembro de 2020.

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