Bloqueio das rodovias: população e vários setores passam por transtornos com interdições

Iniciados ainda na noite de 30 de outubro, interdições seguem em muitos estados, causando dificuldades a pessoas e setores da economia.

Em 03/11/2022 09h58 , atualizado em 03/11/2022 10h37

Fila de caminhões na rodovia ocasianada por bloqueios
Fila de caminhões na rodovia ocasionada por bloqueios
Crédito da Imagem: EvGavrilov / Shutterstock
Imprimir
A+
A-
Escutar texto
Compartilhar
Política de IA
Facebook
X
WhatsApp
Play
1x
Política de IA Conteúdo feito por humanos

As manifestações dos caminhoneiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que não aceitam o resultado das eleições, já começa a ser sentido em vários setores da economia como supermercados, combustíveis, saúde, indústrias, viagens entre outros.  Além deles, a população também está tendo inúmeros transtornos.

Iniciados ainda na noite de 30 de outubro, eles seguem hoje, 3 de novembro, em muitos estados, mesmo após a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de liberar todas as estradas do país e com o pedido do atual presidente Bolsonaro, para que os protestos sejam findados.

Anuncie aqui

Tópicos desta notícia

Impacto das manifestações

Algumas entidades já estão emitindo alertas quanto ao fornecimento de itens indispensáveis para a população, que pode ser prejudicada por conta dos bloqueios das estradas. Postos de algumas regiões já estão apresentando falta de produto. As bases também estão com problemas de suprimentos (anidro e hidratado), uma vez que os caminhões não conseguem chegar para descarregamento.

Outro setor que também já está sentindo o impacto dessas paralisações é o de viagens e turismo. As rodoviárias de muitos estados já informaram o atraso e cancelamento de viagens que iriam ocorrer.

As linhas mais afetadas com as manifestações nas rodovias foram as interestaduais para São Paulo e Rio de Janeiro.

Em voos comerciais, muitas pessoas não conseguiram chegar no horário de seus embarques e outros também tiveram voos cancelados, devido aos bloqueios das vias. A  Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) publicou uma nota em seu site oficial informando ter alertado as autoridades sobre o impacto dos bloqueios na malha aérea. Se as obstruções persistirem, "o setor poderá sofrer com desabastecimento de combustível", alertou.

Em relação ao setor supermercadista, algumas unidades já começam a sofrer com baixas no estoque e enfrentam dificuldade na reposição.

No setor de saúde, a Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia para Saúde (Abimed) também comunicou que enviou ofícios para as autoridades competentes a respeito da situação de bloqueio das vias de locomoção no País. O objetivo principal é garantir o pleno acesso à saúde por parte da população, mesmo em um momento conturbado.

Mas ainda assim, casos de pessoas que perderam consultas e exames importantes, por não conseguirem chegar aos locais devido aos bloqueios começaram a aparecer. Outros com parentes em estado grave, necessitando chegar logo aos hospitais para ter atendimento, famílias presas em estradas ou buscando "atalhos" por outros caminhos, aumentando o tempo e gasto das viagens também foram relatados.

Prejuízo para comércio pode superar 2018

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apurou que as perdas diárias para o comércio com os bloqueios podem gerar um prejuízo maior que R$1,8 bilhão, registrado em 2018.

Anuncie aqui

De acordo com a entidade, a greve dos caminhoneiros neste ano em questão causou retração de 5,8% no volume de vendas, com um custo total para o varejo, em valores atuais, de R$18 bilhões.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também alertou quanto ao risco de desabastecimento e falta de combustíveis, caso as rodovias não sejam rapidamente desbloqueadas.

Em nota, a entidade disse que “as indústrias já sentem impactos no escoamento da produção e relatam casos de impossibilidade de deslocamento de trabalhadores. As paralisações também já atingem o transporte de cargas essenciais, como equipamentos e insumos para hospitais, bem como matérias-primas básicas para as atividades industriais”.

Dados da CNI mostram que 99% das empresas brasileiras usam as rodovias para transporte de sua produção.

Quase 48 horas depois, Presidente se manifestou 

Depois de mais de 40 horas sem se manifestar sobre as paralisações e protestos, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou na tarde do último dia 1º, de forma breve. Foi a primeira aparição da autoridade após a divulgação do resultado das eleições, em que ele não foi reeleito. 

Durante a coletiva de imprensa, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro comentou sobre os protestos feitos por caminhoneiros contrários ao resultado da eleição presidencial.

“Os atuais movimentos populares são frutos de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas nossos métodos não podem ser como o da esquerda, que sempre prejudicaram a população”, declarou.

Na noite de ontem (2), o presidente publicou um vídeo em seu Facebook pedindo que seus apoiadores desobstruam as rodovias que estão ocupando por todo o país. Ele disse que entende a frustração dos manifestantes, mas, o momento é de “colocar a cabeça no lugar”. 

Anuncie aqui

O presidente sugeriu que seus apoiadores manifestem sua indignação em praças e locais que não atrapalhem a locomoção dos demais brasileiros.

Por Érica Caetano
Jornalista