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Revolução Laranja de 2004

A Revolução Laranja de 2004 foi uma grande mobilização popular que ocorreu na Ucrânia contra fraudes que haviam acontecido na eleição presidencial do país.

Manifestantes em mobilização popular nas ruas de Kiev, na Ucrânia, durante a Revolução Laranja de 2004.
A Revolução Laranja estourou na Ucrânia depois que denúncias de fraude eleitoral foram divulgadas na eleição presidencial de 2004. [1]
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A Revolução Laranja de 2004 se passou na Ucrânia e foi marcada por manifestações populares que aconteceram em Kiev, capital do país, contra fraudes eleitorais que aconteceram na eleição presidencial do país europeu. Nessa ocasião, o candidato Viktor Yuschenko foi prejudicado por manipulações em favor de Viktor Yanukovich.

O protesto demonstrou a insatisfação da população ucraniana com os governos semiautoritários que governavam o país desde 1991. Com a revolta popular, a Suprema Corte anulou a eleição de 2004. Uma nova eleição foi realizada e determinou a vitória do candidato de oposição Viktor Yuschenko.

Veja também: Conflitos no Leste Europeu — as disputas de ordens geopolítica, territorial e étnica

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Revolução Laranja de 2004

  • A Ucrânia conquistou sua independência em 1991 e foi governada até 2004 por governos semiautoritários.

  • Em 2000, a oposição ao governo de Leonid Kuchma ganhou força no país.

  • Os dois grandes nomes da oposição foram Viktor Yuschenko e Yulia Tymoshenko.

  • A eleição presidencial de 2004 foi denunciada pela comunidade internacional por fraude.

  • A população tomou as ruas de Kiev exigindo que uma nova disputa fosse realizada, sem manipulações. Isso teve como resultado a vitória de Viktor Yuschenko.

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Antecedentes da Revolução Laranja de 2004

A Ucrânia é uma nação que conquistou sua independência no final de 1991, durante o processo de fragmentação da União Soviética. O estabelecimento da Ucrânia trouxe grandes desafios, como a organização do novo país, assim como sua adaptação à condição de uma nação de economia capitalista.

Politicamente falando, a Ucrânia se organizou como uma república presidencialista semiautoritária e assumiu posturas distintas e conflitantes a respeito dos seus interesses futuros. Isso porque o país demonstrou sua intenção de se aproximar do Ocidente, mas se manteve ligado à Rússia por meio de relações políticas e econômicas, principalmente.

O desejo de aproximação com o Ocidente fez com que o país não se fechasse completamente em um governo autoritário, como havia ocorrido com outras ex-nações soviéticas. Assim, o país manteve uma espécie de democracia liberal de fachada, embora fosse governado de maneira semiautoritária pelos dois presidentes do período, Leonid Kravchuk (1991–1994) e Leonid Kuchma (1994–2004).

Esse período de governos semiautoritários reforçou a desigualdade social na Ucrânia e permitiu a formação de um grupo de superricos que ficaram conhecidos como “oligarcas”. Esses indivíduos, além de ricos, também se envolviam com a política e controlavam os rumos do país. A existência desse cenário propiciou o surgimento de um movimento de oposição na Ucrânia.

  • Oposição na Ucrânia

O ponto de partida para a Revolução Laranja de 2004 foi o estabelecimento de um movimento de resistência na Ucrânia. Desse modo, a oposição contra o governo contou com o apoio popular e a leniência do presidente, que não utilizou o seu poder para impedir o desenvolvimento dessa oposição.

Esse movimento de resistência recebeu o nome de Nossa Ucrânia e surgiu no começo de 2000, quando estourou o escândalo Gongadze, em que um jornalista de oposição foi assassinado de maneira misteriosa. O assassinato do jornalista acabou caindo nas costas do governo, e dois nomes da oposição começaram a se destacar: Yulia Tymoshenko e Viktor Yuschenko.

Yulia Tymoshenko era uma política tradicional da Ucrânia que estava vinculada com um partido chamado Pátria. Viktor Yushchenko, por sua vez, ganhou espaço com o Nossa Ucrânia, transformando o movimento em partido político em 2001. O partido de Yuschenko esteve no centro da primeira crise na Ucrânia.

Em 2002, foram realizadas eleições legislativas que ficaram marcadas por fraude. O partido de Yuschenko foi o grande prejudicado pela manipulação eleitoral, e isso deu início a alguns protestos na Ucrânia.

Houve grandes manifestações populares entre os anos de 2002 e 2003 que não causaram nenhuma grande transformação imediata, mas que pavimentaram o caminho para a Revolução Laranja de 2004.

O que foi a Revolução Laranja de 2004?

O ex-presidente ucraniano Viktor Yuschenko em Kiev, na Ucrânia, em 2007.
Depois da Revolução Laranja de 2004, Viktor Yuschenko foi eleito presidente da Ucrânia. [2]

O ano de 2004 foi um momento de grandes mudanças para a política ucraniana. A população estava cansada do governo semiautoritário presente em seu país e desejava ver transformações reais na política, sobretudo aquelas que trouxessem melhorias a vida da população (que tinha um dos menores salários da Europa), como o fim da corrupção e a redução da desigualdade social.

Em 2004, uma eleição presidencial estava marcada para acontecer no país. O desejo da população por mudanças e o descrédito em relação ao governo de Kuchma fizeram com que milhares de pessoas passassem a apoiar um dos nomes que haviam crescido no movimento de oposição: Viktor Yuschenko. Por outro lado, o governo ucraniano lançou Viktor Yanukovich como candidato à presidência.

O resultado das eleições demonstrou que Viktor Yanukovich havia recebido quase 50% dos votos, enquanto Yuschenko, apenas 46%. A indicação de que Yanukovich seria o vencedor foi acompanhada por denúncias internacionais de que a eleição não tinha alcançado os padrões de transparência e de que manipulação havia ocorrido.

Imediatamente, protestos populares iniciaram na cidade de Kiev, capital da Ucrânia, e milhares de pessoas engrossaram esse coro, demonstrando o seu descontentamento com as eleições fraudadas. Os protestantes fizeram parte de um movimento que foi chamado de “É a hora!”. O laranja, a cor da campanha de Yuschenko, foi adotado nos protestos populares.

Os protestos foram realizados por mais de duas semanas seguidas, contando com mais de um milhão de pessoas nas ruas de Kiev. Assim, a Corte Suprema da Ucrânia decidiu anular a eleição com base nas denúncias internacionais de fraude. Novamente, Yanukovich e Yuschenko foram colocados na disputa, sendo que o primeiro era conhecido por sua posição pró-Rússia e o segundo, por sua posição pró-Ocidente.

Desse modo, a nova eleição foi realizada no final de dezembro sob grande vigilância de observadores ucranianos e internacionais, e nenhuma irregularidade foi constatada. O resultado determinou a vitória de Viktor Yuschenko, candidato da oposição que recebeu 52% dos votos. O candidato do governo, Viktor Yanukovich, recebeu apenas 44% dos votos.

Saiba mais: Volodimir Zelensky — o presidente da Ucrânia no contexto da invasão russa ao país em 2022

Consequências da Revolução Laranja de 2004

Viktor Yuschenko tomou posse na presidência em 23 de janeiro de 2005, marcando o início de um novo momento na Ucrânia. Foi um período de expectativa por melhorias no país e por redução na corrupção ucraniana, o que acabou não se concretizando. O governo de Yuschenko se mostrou incapaz de governar em conjunto de seus aliados.

Com essa eleição, a rivalidade entre o oeste e o leste do país aumentou, sendo que o oeste ucraniano manteve-se como pró-Ocidente enquanto o leste reforçou sua posição pró-Rússia. A aproximação da Ucrânia com o Ocidente desgastou as relações dessa nação com o país vizinho russo.

Por fim, o descrédito dos políticos ucranianos com sua população aumentou consideravelmente, uma vez que o país manteve-se bastante desigual e extremamente corrupto.

Créditos de imagem

[1] Alexandr Zadiraka / Shutterstock

[2] Perkin Oleksii / Shutterstock

 

Por Daniel Neves Silva
Professor de História 

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Revolução Laranja de 2004"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao-laranja-de-2004.htm. Acesso em 25 de maio de 2022.

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