Êxodo urbano

Êxodo urbano é um tipo de movimento migratório marcado pela saída definitiva da cidade para o campo a fim de obter uma melhor qualidade de vida e contato com a natureza.

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O êxodo urbano é um tipo de movimento migratório caracterizado pela saída definitiva de pessoas do meio urbano para o meio rural. Esse deslocamento inclui, também, áreas urbanas com menor densidade populacional como as cidades pequenas do interior. A principal causa por trás desse movimento é a busca por melhor qualidade de vida no campo, embora haja muitas outras razões de cunho pessoal, desde a aposentadoria até a necessidade de retornar para o seu local de origem (migração de retorno), que motivem o êxodo urbano.

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Com isso, as áreas receptoras experimentam aumento da demanda por moradia e por serviços essenciais, o que se torna um desafio principalmente para a gestão. Do lado do migrante, a adaptação a um novo modo de vida e as inserções social e profissional podem impor certa dificuldade. No Brasil, assim como observado em outros países, o êxodo urbano ganhou forças com a pandemia de covid-19, que aconteceu entre 2020 e 2022. Entretanto, o campo brasileiro continua perdendo população, e a taxa de urbanização tem aumentado, o que indica que o êxodo urbano ainda é um fenômeno pontual no território brasileiro.

Leia também: Êxodo rural — detalhes sobre o processo de migração de pessoas do campo para a cidade

Tópicos deste artigo

Resumo sobre êxodo urbano

  • Êxodo urbano é o movimento migratório de saída definitiva da cidade para o campo.

  • A principal causa do êxodo urbano é a busca por maior qualidade de vida no meio rural, longe da poluição, da agitação e do barulho dos grandes centros urbanos.

  • Ganhou forças depois da pandemia de covid-19, tendo sido facilitado pela ampliação da modalidade de trabalho remoto.

  • A perda de população dos centros urbanos e a maior demanda por serviços básicos e por infraestrutura no meio rural e nas pequenas cidades são consequências do êxodo urbano.

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  • O atendimento da nova demanda populacional por moradia e por serviços essenciais, a reinserção no mercado de trabalho e a adaptação são desafios do êxodo urbano.

  • Esse movimento migratório tem acontecido no Brasil e ganhou mais adeptos com a pandemia. No entanto, ele ainda não é tão expressivo quanto o êxodo rural.

O que é o êxodo urbano?

Imagem explicando o que é êxodo urbano. [imagem_principal]
O movimento definitivo de migração da cidade para o campo recebe o nome de êxodo urbano.

O êxodo urbano é o movimento migratório que marca a saída definitiva de pessoas da cidade em direção ao campo ou a cidades pequenas do interior. Esse tipo de deslocamento pode ser compreendido como o inverso do êxodo rural, não obstante ele também inclua áreas urbanas menos densas e que apresentam tempos e dinâmicas muito distintos daqueles observados nas grandes cidades e regiões metropolitanas. Dentro do movimento de êxodo urbano, existe, ainda, uma tendência que tem sido chamada de neorruralismo.

Os neorrurais são a população recém-chegada no campo que abandonou a sua vida e a sua carreira na cidade por um novo estilo de vida baseado parcial ou integralmente nas atividades desenvolvidas no campo. Alguns autores definem que os neorrurais não tiveram vivência anterior no meio rural, enquanto outros falam em uma espécie de migração de retorno de indivíduos que viviam no campo, mudaram para a cidade e readequaram seu estilo de vida para o urbano e, depois, retornaram para o meio rural|1|.

Causas do êxodo urbano

O êxodo urbano é um fenômeno complexo que ganhou ainda mais notoriedade no mundo após a pandemia de covid-19. Embora inúmeras causas estejam por trás dessa mudança, a principal delas é a busca por uma vida com mais qualidade.

A despeito do acesso a serviços e das facilidades proporcionadas no meio urbano, as cidades, sobretudo os centros regionais e as metrópoles, apresentam intenso dinamismo que resulta em um cotidiano mais agitado, barulhento e com maior índice de poluição e de degradação ambiental. Além disso, a insegurança crescente e o alto custo de vida são fatores que pesam na decisão de migrar para o meio rural ou para cidades médias e pequenas. Com a pandemia que se instalou entre 2020 e 2022, a ampliação do trabalho remoto, que muitas empresas incorporaram mesmo com o término da crise sanitária, facilitou o processo de mudança.

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Mãe e filho tendo uma vida pacífica no meio rural, uma das situações ligadas ao êxodo urbano.
A busca por um estilo de vida mais saudável é uma das causas do êxodo urbano.

O meio ambiente saudável e a tranquilidade são os requisitos procurados por pessoas que trabalharam nas cidades e, após a aposentadoria, praticam o êxodo urbano. Em alguns casos, trata-se de indivíduos que já possuíam uma propriedade rural ou já tinham família vivendo no campo e em cidades interioranas. No entanto, esse é um movimento que tem crescido mesmo entre aqueles que sempre viveram em centros urbanos e que não tiveram nenhuma relação prévia com o meio rural.

Na ocasião da migração de retorno, muito comum quando tratamos do êxodo urbano, não se pode ignorar aquelas pessoas que haviam migrado para a cidade em busca de oportunidades de trabalho e de melhores condições de vida e que não conseguiram se inserir no mercado formal. Com isso, manter-se na cidade se tornou uma tarefa muito difícil e cara, fazendo do êxodo urbano uma necessidade. Dessa forma, não foi uma ação voluntária com base na vontade do indivíduo.

Veja também: Migração pendular — o movimento diário de ida e de retorno realizado por indivíduos em direção a outros municípios

Consequências do êxodo urbano

O êxodo urbano tem provocado um aumento populacional das áreas rurais e das pequenas e médias cidades, sendo essa uma tendência demográfica observada em muitos países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos. Ainda que seja um aumento pouco significativo, ele não deve ser ignorado, uma vez que tem se mostrado consistente desde 2020 por conta da pandemia.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a população rural cresceu 0,29% no intervalo de 2023 a 2024, o que consistiu em um acréscimo de 134.000 habitantes|2|. No entanto, na última meia década, o campo daquele país ganhou mais de um milhão de novos moradores, inclusive, por migração. Na medida em que o campo vai ganhando população, as áreas urbanizadas perdem. Novamente, é importante pontuar que esse movimento não apresenta, ainda, um impacto definitivo ou marcante na população urbana.

Com o êxodo urbano, há maior demanda para os serviços essenciais, como saneamento básico, no campo e nas cidades, da mesma forma que cresce a procura por imóveis nessas localidades, o que pode pressionar o mercado e resultar no aumento dos preços e na prática da especulação imobiliária. Para as pessoas que migram, existe um período de adaptação, visto que se trata de um novo modo de vida em um ambiente bastante distinto dos centros urbanos, a possível necessidade de recolocação profissional e todas as consequências que surgem da inserção em um novo meio social.

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Migração intraurbana e êxodo urbano

Diferença entre migração intraurbana e êxodo urbano.
Diferença entre migração intraurbana e êxodo urbano. (Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola)

O êxodo urbano é o movimento migratório de saída definitiva da cidade para o campo. Sua principal causa é a busca por maior qualidade de vida no meio rural, longe da poluição, da agitação e do barulho dos grandes centros urbanos.

A migração intraurbana é a migração que acontece dentro dos limites municipais de uma mesma cidade, como de um bairro a outro ou de uma região a outra, no caso de cidades muito grandes como as metrópoles.

Esse tipo de movimento acaba se tornando uma alternativa para aquelas pessoas que desejam, ou que precisam, manter vínculo com o centro urbano e, ao mesmo tempo, garantir maior qualidade de vida no que diz respeito ao acesso a um meio ambiente equilibrado e a espaços menos movimentados, com maior oferta de segurança. Por isso, bairros planejados e condomínios fechados construídos nas áreas periurbanas, afastadas do centro e mais próximas do meio rural, têm se popularizado.

Condomínio fechado mais afastado da cidade, um exemplo de migração intraurbana e uma alternativa ao êxodo urbano.
Em busca de maior segurança, mas sem perder o contato com a cidade, os condomínios fechados são uma alternativa ao êxodo urbano.

É válido mencionarmos que esse tipo de movimento não é acessível para toda a população da cidade. A migração intraurbana para condomínios fechados ou para bairros afastados resulta em altos custos de deslocamento e de manutenção. Em alguns casos, o próprio êxodo urbano acaba sendo uma alternativa viável, haja vista o menor custo de vida nas cidades pequenas e áreas rurais.

Desafios do êxodo urbano

Os maiores desafios do êxodo urbano são impostos às localidades receptoras de migrantes e àqueles que estão chegando, especialmente indivíduos que não tinham vínculos no campo antes da mudança. A chegada dessa nova população amplia a demanda por serviços básicos, como a saúde, e também por infraestrutura social, principalmente de saneamento básico. Somado a isso está a busca por uma moradia, o que pode ampliar o valor de terrenos e de aluguéis por meio da especulação imobiliária.

Para as pessoas que migram e precisam buscar um emprego nas imediações, essa procura se torna, também, um desafio. As oportunidades nas cidades pequenas e no meio rural são mais escassas do que nos grandes centros urbanos, o que demanda um conhecimento prévio das condições do mercado de trabalho da área e o planejamento adequado antes da migração definitiva.

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Êxodo urbano no Brasil

O êxodo urbano é um fenômeno que ganhou muitos adeptos no Brasil nos últimos cinco anos em função da pandemia de covid-19, principalmente quando consideramos casos como o dos neorrurais. No entanto, esse movimento não é tão expressivo como foi o êxodo rural em meados do século XX, que mudou drasticamente a paisagem urbana brasileira e tornou o Brasil um país urbanizado, com mais de 50% da população morando em cidades, na década de 1970.

Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2022, a população rural brasileira diminuiu em 4,3 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a taxa de urbanização do país saltou de 84,4% em 2010 para 87,4% doze anos mais tarde, mostrando que o êxodo rural ainda é um movimento migratório predominante no território brasileiro. É importante notar, entretanto, que o censo mostrou um movimento inédito que aconteceu no país entre 2010 e 2022, que foi a diminuição da população de algumas das metrópoles nacionais, como Belém (PA), Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Natal (RN).

Cidade brasileira fazendo alusão ao êxodo urbano no Brasil.
No Brasil, a migração de cidades grandes para cidades médias tem sido mais comum do que o êxodo urbano.

Essa saída de população das grandes cidades brasileiras foi motivada pela deterioração da qualidade de vida nos centros urbanos e pela busca por áreas que ofereçam um ambiente mais seguro e mais tranquilo para se morar. Constatou-se, com isso, um fluxo migratório preferencial para as cidades médias, que são aquelas que tem entre 100 e 500 mil habitantes, e também para as cidades pequenas. Nesse cenário, o êxodo urbano se torna um fenômeno bastante pontual no Brasil e que, apesar de ter muitos adeptos, ainda perde espaço para a migração intraurbana e para a migração interurbana, entre diferentes cidades.

Exercícios resolvidos sobre êxodo urbano

Questão 1

Assinale a alternativa que melhor define o êxodo urbano.

A) Movimento de saída de pessoas do campo para a cidade.

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B) Movimento de expulsão de pessoas do centro para a periferia.

C) Migração que acontece dentro dos limites de uma mesma cidade.

D) Movimento de saída de pessoas da cidade para o campo.

E) Migração que acontece de uma cidade para outra.

Resolução:

Alternativa D.

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O êxodo urbano é o processo de saída de pessoas da cidade para o campo, o inverso do que acontece no êxodo rural (descrito na alternativa A).

Questão 2

Sobre o êxodo urbano no território brasileiro, assinale a alternativa correta.

A) O êxodo urbano superou o êxodo rural, e o campo brasileiro começou a perder população em um ritmo acelerado.

B) O meio rural do Brasil tem perdido população desde meados do século XX, e, por isso, podemos concluir que não há êxodo urbano acontecendo no território brasileiro.

C) Apesar de o êxodo urbano ter ganhado adeptos nos últimos anos, ele ainda é um movimento restrito espacialmente.

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D) O êxodo urbano tem sido o maior responsável pelo esvaziamento das grandes metrópoles brasileiras, destacando-se São Paulo e Rio de Janeiro.

E) As informações do censo do IBGE de 2022 mostram que a taxa de urbanização do Brasil tem caído de forma consistente, o que é resultado do expressivo êxodo urbano no país.

Resolução:

Alternativa C.

O êxodo urbano acontece, sim, no Brasil, mas ele ainda não tem a mesma força que o êxodo rural tem, o que ficou comprovado no último censo do IBGE, que mostrou o decréscimo da população do campo e aumento da população urbana no país.

Notas

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|1| PAZ, Sheila Peirot. Neo-rurais agroecológicos e desenvolvimento rural sustentável em Santo Antônio da Patrulha/RS. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, 2017. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/180315.

|2| WINIKOFF, Justin B. Rural county population growth has continued in recent years. Economic Research Service, USDA, 26 ago. 2025. Disponível em: https://www.ers.usda.gov/data-products/charts-of-note/chart-detail?chartId=113167.

Fontes

PAZ, Sheila Peirot. Neo-rurais agroecológicos e desenvolvimento rural sustentável em Santo Antônio da Patrulha/RS. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, 2017. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/180315.

REDAÇÃO. Encolhimento das metrópoles revela deslocamento populacional para cidades menores. Jornal da USP, 07 jul. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/encolhimento-das-metropoles-revela-deslocamento-populacional-para-cidades-menores/.

RODRIGUES, Léo. Censo 2022: o que explica a queda populacional em diferentes capitais. Agência Brasil, 02 jul. 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-07/censo-2022-o-que-explica-queda-populacional-em-diferentes-capitais.

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SIQUEIRA, Breno; BRITTO, Vinícius. Censo 2022: 87% da população brasileira vive em áreas urbanas. Agência de Notícias IBGE, 14 nov. 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/41901-censo-2022-87-da-populacao-brasileira-vive-em-areas-urbanas.

VIEIRA, Natalie Sales dos Santos; JESUS, Nilma Gonçalves de; MARQUES, Djair Bastos. O ÊXODO URBANO NO BRASIL: TRANSFORMAÇÕES DEMOGRÁFICAS, DESIGUALDADES E DESAFIOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (1970–2024). Revista Políticas Públicas & Cidades, [S. l.], v. 14, n. 7, p. e2410, 2025. Disponível em: https://journalppc.com/RPPC/article/view/2410.

WINIKOFF, Justin B. Rural county population growth has continued in recent years. Economic Research Service, USDA, 26 ago. 2025. Disponível em: https://www.ers.usda.gov/data-products/charts-of-note/chart-detail?chartId=113167.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.
Deseja fazer uma citação?
GUITARRARA, Paloma. "Êxodo urbano"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/exodo-urbano.htm. Acesso em 09 de fevereiro de 2026.
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