Barbarismo

Barbarismo é um vício de linguagem. Consiste no uso incorreto da pronúncia (ortoépico), da escrita (gráfico), do sentido (semântico) ou da sílaba tônica (prosódico) de uma palavra.

Barbarismo é um vício de linguagem e, portanto, é uma incorreção no uso da língua, já que se desvia das regras da gramática normativa. O barbarismo pode ser ortoépico (pronúncia errada): “adevogado”; prosódico, quando trocamos a sílaba tônica da palavra: “brica” em vez de “rubrica”; gráfico ou flexional, quando cometemos um erro ortográfico, como, por exemplo, escrever “analizar” em vez de “analisar”, ou fazemos conjugação equivocada do verbo: “se eu ver” em vez de “se eu vir”.

Por fim, o barbarismo também pode ser semântico, quando se faz uso de uma palavra com sentido equivocado: “Está com o mandato de prisão”. Nesse caso, “mandado” é o correto, sendo “mandato” referente a um cargo político.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre barbarismo

  • O barbarismo é um vício de linguagem que consiste em erro de ortografia, pronúncia ou significado.
  • Existem os seguintes tipos de barbarismo:
    • ortoépico: “freiada” em vez de “freada” etc.;
    • prosódico: “bel” em vez de “Nobel” etc.;
    • gráfico ou flexional: “pesquiza” em vez de “pesquisa”, “eu intervi” em vez de “eu intervim” etc.;
    • semântico: “cavaleiro” em vez de “cavalheiro” etc.

O que é barbarismo?

O barbarismo é um vício de linguagem. Mas o que é um vício de linguagem? É uma incorreção, ou seja, o uso da língua (falada ou escrita) que contraria alguma regra da gramática normativa. Os gramáticos consideram o vício de linguagem como um defeito. Cometer um vício de linguagem significa que você não domina as regras da língua ou é uma pessoa descuidada ao usá-la.

Existem vários tipos de vícios de linguagem. Um deles é o barbarismo, que consiste no uso equivocado de certas palavras. O erro pode estar na pronúncia, na grafia ou no significado. Por exemplo, se alguém diz ou escreve “adevogado” (com “e” depois do “d”) em vez de “advogado” (forma gramaticalmente correta), essa pessoa pratica um barbarismo.

Exemplos de barbarismo

→  Pronúncia errada

  • Viu um carangueijo na praia.
  • Gritou ao ver uma largatixa na parede do quarto. [lagartixa]
  • Meu padastro ficou bravo com a atitude do vizinho. [padrasto]
  • Nem eu nem meu irmão sabíamos trocar peneu.
  • É mesmo um previlégio ter vocês nesta empresa. [privilégio]

Troca da sílaba tônica da palavra

  • Edney era ávaro. [avaro]
  • O jardim estava repleto de crisantemos. [crisântemos]
  • Meu primo Rodolfo é um grande filântropo. [filantropo]
  • Nesse interim, Eduardinha viu um episódio de uma série asiática. [ínterim]
  • Não suporto lidar com pessoas tão púdicas. [pudicas]

Erro na grafia da palavra ou na conjugação verbal

  • É preciso analizar a água para determinar o tipo de contaminação. [analisar]
  • Meu amigo, concerteza vou com você à festa de Andressa. [com certeza]
  • A élice do helicóptero soltou-se em pleno voo. [hélice]
  • Nesse caso, minha amiga, não há excessões. [exceções]
  • O dia em que aquelas pessoas proporam aquilo, fiquei chocada.

 Uso de palavra com sentido equivocado

  • Entrava na sala e comprimentava todos nós. [cumprimentava]
  • Por favor, faça a discrição do suspeito, por favor. [descrição]
  • O colírio servia para delatar a pupila. [dilatar]
  • Quantos professores eu tenho? Acho que são dez discentes. [docentes]
  • Disseram que a convidada é uma pessoa iminente. [eminente]

Quais são os tipos de barbarismo?

→ Barbarismo ortoépico

Quando ocorre erro de pronúncia, tais como:

  • asterístico (asterisco);
  • bandeija (bandeja);
  • cabelereiro (cabeleireiro);
  • cadalço (cadarço);
  • compania (companhia);
  • fóme (fome, com som de “on”);
  • freiada (freada);
  • impecilho (empecilho);
  • iorgute (iogurte);
  • mantega (manteiga) etc.

→ Barbarismo prosódico

Quando ocorre erro de prosódia, isto é, quando, ao pronunciar uma palavra, trocamos a sua sílaba tônica:

  • arquetipo (arquétipo);
  • Nobel (Nobel);
  • gratuíto (gratuito);
  • íbero (ibero);
  • misântropo (misantropo);
  • prototipo (protipo);
  • corde (recorde);
  • brica (rubrica);
  • til (sutil) etc.

→ Barbarismo gráfico ou flexional

Quando ocorre erro de ortografia, isto é, escrevemos uma palavra ou expressão de forma errada:

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  • cidadões (cidadãos);
  • derrepente (de repente);
  • maizena (maisena);
  • pesquiza (pesquisa);
  • proesa (proeza) etc.

Além disso, a conjugação incorreta de um verbo é um barbarismo:

  • “eu intervi” (eu intervim);
  • “elas deteram” (elas detiveram) etc.

→ Barbarismo semântico

Quando o significado da palavra não condiz com o uso que estamos fazendo dela:

  • Ele absorveu o réu. (absolveu);
  • Que homem cavaleiro! (cavalheiro);
  • O projeto foi diferido. (deferido);
  • Ele sofreu descriminação. (discriminação);
  • Coloque as caixas na dispensa. (despensa) etc.

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Exercícios resolvidos sobre barbarismo

Questão 1

Analise este enunciado:

Estou atrasado porque havia engarrafamento e fiquei preso no tráfico.

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Na frase, é possível identificar o seguinte tipo de barbarismo:

A) Ortoépico.

B) Prosódico.

C) Gráfico.

D) Semântico.

Resolução: Alternativa D.

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Na frase, o correto é utilizar a palavra “tráfego” (trânsito de veículos) em vez de “tráfico” (comércio ilegal). Assim, há um erro semântico, já que o sentido da palavra não condiz com o que a pessoa quer expressar.

Questão 2

Analise os seguintes enunciados:

I- A frase está incorreta, ratifique-a.

II- O côndor é um pássaro gigante.

III- Eu medo cerca de 1,90 de altura.

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Apresenta barbarismo a(s) frase(s)

A) I apenas.

B) II apenas.

C) III apenas.

D) I e II apenas.

E) I, II e III.

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Resolução: Alternativa E.

Em “A frase está incorreta, ratifique-a”, temos um barbarismo semântico, pois o correto é usar “retifique”. Já em “O côndor é um pássaro gigante”, a palavra “condor” é oxítona e não paroxítona, de forma que temos um barbarismo prosódico. Por fim, em “Eu medo cerca de 1,90 de altura”, há uma flexão incorreta do verbo “medir” (o correto é “meço”), sendo um barbarismo ortográfico ou flexional.

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática: teoria e prática. 26. ed. São Paulo: Atual Editora, 2001.

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Conceito, tipos e exemplos de barbarismo.
O barbarismo pode ser ortoépico, prosódico, gráfico ou flexional e semântico. (Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola)
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SOUZA, Warley. "Barbarismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/barbarismo.htm. Acesso em 11 de julho de 2026.