Olhos d’água

Olhos d’água é um livro da escritora Conceição Evaristo. Essa obra da literatura contemporânea possui 15 contos e possui um realismo expresso com forte lirismo.

Capa do livro Olhos d’água, de Conceição Evaristo.
Capa do livro Olhos d’água, de Conceição Evaristo, publicado pela editora Pallas.|1|
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Olhos d’água é um famoso livro de contos da escritora brasileira Conceição Evaristo. A obra apresenta personagens socialmente marginalizados, vítimas da desigualdade social e do racismo. Alguns personagens marcantes da obra são Ana Davenga, morta a tiros pela polícia, e Duzu, que vai para a capital para estudar, mas acaba sendo levada à prostituição.

Há também Maria, acusada injustamente de cúmplice em um assalto e agredida até a morte; Salinda, que é casada com um homem possessivo e encontra o amor nos braços de outra mulher; Zaíta, uma menina que é vítima de um tiroteio no morro; Kimbá, que se envolve amorosamente com dois integrantes de outra classe social.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre  Olhos d’água

  • O livro Olhos d’água, da escritora mineira Conceição Evaristo, possui 15 contos:
    • “Olhos d’água”: para descobrir qual é a cor dos olhos de sua mãe, a narradora reencontra suas origens;
    • “Ana Davenga”: a trágica história de amor entre Ana e o criminoso Davenga;
    • “Duzu-Querença”: a história de Duzu, imersa na pobreza e na prostituição, e de sua neta Querença, que herda a ancestralidade da avó;
    • “Maria”: em um ônibus, a personagem Maria é acusada de cúmplice de assalto e linchada pelos passageiros;
    • “Quantos filhos Natalina teve?”: depois de abortos e de dar seus três primeiros filhos, Natalina decide criar o quarto filho;
    • “Beijo na face”: Salinda, casada com um homem ciumento e agressivo, encontra o amor nos braços de outra mulher;
    • “Luamanda”: Luamanda relembra seus muitos amores;
    • “O cooper de Cida”: Cida, após seu habitual cooper matinal, decide parar e tirar um tempo para si mesma;
    • “Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos”: a menina Zaíta, em busca de uma figurinha perdida, acaba encontrando uma violenta morte;
    • “Di Lixão”: com dor de dente, Di Lixão, um rapaz que mora na rua, encontra a morte;
    • “Lumbiá”: um menino, vendedor de chicletes, amendoim e flores, ao fugir depois de roubar o menino Jesus de um presépio, é atropelado;
    • “Os amores de Kimbá”: triângulo amoroso entre Kimbá (morador de uma favela), Beth e Gustavo (dois integrantes da classe média ou alta);
    • “Ei, Ardoca”: Ardoca decide morrer em um trem, e, após a morte, um homem leva seus pertences;
    • “A gente combinamos de não morrer”: pensamentos do traficante Dorvi, sua companheira Bica e a mãe dela, durante uma saraivada de balas no morro;
    • “Ayoluwa, a alegria do nosso povo”: um povoado entregue ao desamparo encontra a esperança com o nascimento da menina Ayoluwa.

Análise da obra Olhos d’água

  • Tempo

Os contos do livro Olhos d’água não especificam a época em que os fatos transcorrem, de forma que somos levados a situar a ação da maioria dos contos na contemporaneidade, ou seja, no início do século XXI. Já o tempo da narrativa predominante é o cronológico, pois, na maioria dos contos, há uma cronologia, uma sequência de ações.

No entanto, os narradores costumam retroceder no tempo, de forma a mostrar o passado dos protagonistas. No conto que nomeia a obra, isto é, em “Olhos d’água”, por exemplo, a história começa no momento em que a narradora acorda com uma pergunta até o momento em que ela volta para a cidade natal e reencontra a mãe.

Contudo, há seis histórias em que predomina o tempo psicológico. No conto “Quantos filhos Natalina teve?”, a protagonista alisa carinhosamente a barriga enquanto se entrega às próprias memórias. A ação principal de “Beijo na face” está no ato de desfazer uma mala e atender ao telefone, sendo todo o resto as impressões da protagonista sobre a sua realidade.

Em “Luamanda”, a ação principal consiste em Luamanda olhando-se no espelho. Já em “Di Lixão”, o protagonista sente dor de dente, enquanto se entrega às lembranças. Já em “Os amores de Kimbá”, a ação principal consiste na trajetória do protagonista até a casa de Beth, enquanto relembra o passado. O conto “A gente combinamos de não morrer” está centrado na mente de cada personagem principal.

  • Espaço

    • “Olhos d’água”: a história ocorre em Minas Gerais, sem outra menção a um espaço geográfico.
    • “Ana Davenga”: a ação transcorre em um barraco de um morro, mas não há especificação da localização de tal morro.
    • “Duzu-Querença”: o narrador não dá nome à cidade onde a história se passa, diz apenas que Duzu foi para a capital e, depois, que Duzu vivia em um morro.
    • “Maria”: a ação principal transcorre dentro de um ônibus, e não há indicação da cidade onde a ação acontece.
    • “Quantos filhos Natalina teve?”: há menção ao morro onde a jovem Natalina vive; mas nem o morro nem a cidade para onde Natalina partiu são identificados.
    • “Beijo na face”: parte da ação transcorre em Chã de Alegria, já a ação principal ocorre na casa de Salinda, mas não há especificação da cidade.
    • “Luamanda”: a ação ocorre no que parece ser a casa da protagonista, não há especificação da cidade.
    • “O cooper de Cida”: a história principal transcorre no Rio de Janeiro, em Copacabana; já o nome da cidade natal da protagonista não é mencionado.
    • “Zaíta esqueceu de guardar os presentes”: tudo indica que a ação ocorre em uma favela, não se sabe de que cidade.
    • “Di Lixão”: a ação principal ocorre sob uma marquise, de uma cidade não mencionada.
    • “Lumbiá”: espaço urbano, sem indicação de cidade.
    • “Os amores de Kimbá”: o protagonista mora em um barraco no morro, já Beth mora em um apartamento longe do morro, sem indicação da cidade.
    • “Ei, Ardoca”: o principal espaço da ação é o trem, em uma cidade não especificada.
    • “A gente combinamos de não morrer”: morro de algum centro urbano não especificado.
    • “Ayoluwa, a alegria do nosso povo”: o lugar onde está o povoado não é mencionado.
  • Narrador

Nos contos, é recorrente o narrador onisciente (tem conhecimento pleno dos fatos e do universo interior dos personagens). As exceções são os contos “Olhos d’água”, que possui narradora-personagem (quem narra também participa da história narrada); “A gente combinamos de não morrer”, que possui três narradores, todos narradores-personagem; e, por fim, “Ayoluwa, a alegria do nosso povo”, em que o narrador assume a voz de um “nós” e, por isso, pode ser considerado narrador-personagem.

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  • Enredo

  1. Olhos d’água:  no conto que dá título ao livro, a narradora acorda com a seguinte pergunta: “De que cor eram os olhos de minha mãe?”. A partir daí, a narradora, a primeira de sete filhas, resgata a própria história. Relembra a infância, a mãe, além de mencionar também as lembranças que a mãe tinha da própria infância. A narradora e personagem principal focaliza o universo das mulheres da família e valoriza a cultura negra ancestral. Com o intuito de lembrar a cor dos olhos da mãe (ou a própria história e ancestralidade), a narradora decide voltar para a cidade onde nasceu. Assim, reencontra a mãe e a sua origem.
  1. Ana Davenga: Ana Davenga vive em um barraco. Os companheiros de Davenga (um criminoso) e suas mulheres batem à sua porta e entram na casa. A narrativa entremeia o suspense acerca do que houve com Davenga e o passado de Ana, de como ela e o companheiro se conheceram e como era a vida deles juntos. Finalmente, Davenga aparece, para alívio de sua amada, disposto a comemorar o aniversário dela. O final é trágico, com derramamento de sangue e o fim da vida dos protagonistas, incluindo o filho que Ana esperava.
  1. Duzu-Querença: a história de uma menina chamada Duzu. Sua família decide enviar a garota para a capital, para estudar. Porém, ela é obrigada a trabalhar como arrumadeira em um prostíbulo. Nesse lugar, Duzu descobre o sexo e a própria sexualidade. Assim, ela acaba se prostituindo também, na casa de dona Esmeraldina. Com o passar do tempo, Duzu tem nove filhos, os quais também têm filhos. Querença é neta de Duzu. A realidade de Duzu e de seus familiares, no morro, é de pobreza, violência e fome. Finalmente, Duzu morre. O narrador então lança o foco sobre a neta Querença, que, com a morte da avó, passa a recordar as histórias de sua família, de seu povo. Querença herda toda a ancestralidade da avó.
  1. Maria: Maria, depois do trabalho, pega um ônibus para voltar para casa. No ônibus, reencontra um homem com quem teve um relacionamento. Moraram em um barraco, e Maria teve um filho com ele. O pai de seu filho conversa com ela. Mas depois se levanta e anuncia o assalto. Ele tem um comparsa. Depois os assaltantes descem do ônibus. Então Maria ouve alguém dizer: “Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois”. Logo há um tumulto, os passageiros decidem linchar Maria até a morte. Por fim, quando “o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado”.
  1. Quantos filhos Natalina teve? A história começa quando Natalina está na quarta gravidez. Os filhos anteriores tinham sido dados por ela ao nascer. Mas o quarto filho ela quer criar. Natalina engravidou pela primeira vez quando tinha 14 anos. Tomou uns “chás” para abortar. Se não funcionasse, a mãe a levaria na velha parteira Sá Praxedes. A menina tinha medo da velha. Decidiu fugir do morro. A criança nasceu com a cara do pai, um menino chamado Bilico. A partir daí, apesar de tomar os “chazinhos”, às vezes a gravidez vingava. Aliás, a terceira gravidez Natalina teve para ajudar os patrões, já que a patroa não podia engravidar. E agora, na quarta gravidez, quer um filho só para si: “Brevemente iria parir um filho. Um filho que fora concebido nos frágeis limites da vida e da morte”. O conto termina com essas palavras.
  1. Beijo na face: Salinda relembra um beijo em sua face. Está sozinha em casa. Acaba de voltar de Chã de Alegria, aonde levou as crianças para passarem as férias com a tia Vandu. O marido de Salinda é ciumento, agressivo e possessivo. É na casa de tia Vandu que Salinda pode se encontrar com seu novo amor. Em casa, o tempo passa e Salinda começa a ficar preocupada com a demora do marido em chegar. O marido telefona para ela e diz que já sabe de tudo. Assim, o conto termina com a sugestão de que Salinda está apaixonada por outra mulher, com quem vive a felicidade durante quase um ano.
  1. Luamanda: Luamanda tem quase cinco décadas e contempla seu corpo no espelho. O narrador, poeticamente, fala das experiências sexuais de Luamanda, que é uma mulher de muitos amores. Ela tem cinco filhos: “três mulheres e dois homens”.
  1. O cooper de Cida: no calçadão da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Cida, uma mulher de 29 anos, faz seu cooper matinal. O narrador mostra a rotina da personagem. E fala de seu passado, de sua cidade natal. Ela tinha 11 anos de idade na primeira vez em que foi ao Rio, em companhia da mãe, em uma viagem de negócios. Mudou-se definitivamente para a capital com 17 anos, após o tio conseguir um emprego para ela. Sua vida era uma correria, mas, agora, Cida quer parar. Deixa o calçadão e vai para a areia. Depois volta para o seu prédio. Está atrasada para o trabalho. O amigo Pedro espera, ansioso, por ela. Mas Cida decide não trabalhar hoje e dar um tempo para si mesma.
  1. Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos: Zaíta é uma menina que está brincando com figurinhas no chão. A menina percebe que falta uma figurinha. Sai em busca de sua irmã gêmea, a Naíta. Ela acha que a irmã está com a figurinha. Em meio a isso, o narrador fala da família de Zaíta. Porém, mais um tiroteio começa. Zaíta acaba sendo atingida e morre.
  1. Di Lixão: Di Lixão, um rapaz de 15 anos, acorda de madrugada. Sente forte dor de dente. Divide um “quarto-marquise” com outro menino. Cospe na cara desse menino, que reage com um pontapé nas “partes baixas” de Di Lixão. Com a dor, Di Lixão lembra-se da mãe, da qual ele não gostava e que foi assassinada por um homem. Pensa no colega de 14 anos com quem divide o espaço. Ao fazer xixi, percebe que está urinando sangue. Às sete horas da manhã, alguém encontra seu corpo: “Um filete de sangue escorria de sua boca entreaberta”. Tinha a mania de chutar as latas de lixo, daí o apelido Di Lixão.
  1. Lumbiá: O menino Lumbiá, sua irmã Beba e o amigo Gunga vendem chicletes, amendoim e flores na rua. O narrador mostra essa rotina de Lumbiá. E, ao final, ocorre um evento trágico. Lumbiá, fascinado com o menino Jesus no presépio de uma loja, sai da loja levando o Deus-menino. O segurança tenta agarrar Lumbiá. O menino foge, é atropelado e morre.
  1. Os amores de Kimbá: Kimbá acorda cedo. Esse é o apelido que recebeu de um amigo rico. Kimbá era Zezinho, como tantos outros. Na casa, moravam também vó Lidumira, as duas irmãs do rapaz, sua mãe, suas tias e o irmão mais velho. Kimbá sai de casa e “desceu um por um os degraus da escadaria da ladeira”. Detesta a pobreza e a falta de conforto. Caminhando, distancia-se do morro. Por meio do amigo, Kimbá conheceu Beth, e os dois estavam se gostando. Na sequência, forma-se um triângulo amoroso. O rapaz pensa em tudo que aconteceu enquanto caminha para a casa da Beth. E então sabemos por quê. O amigo Gustavo e Beth estão esperando Kimbá para cometerem suicídio os três.
  1. Ei, Ardoca: Ardoca mora com a mulher e os filhos. Tem origem pobre, sua mãe era moradora de subúrbio. Como todas as pessoas pobres que precisam usar o trem, “cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados”. Em um sábado, à tarde, passa mal dentro de um trem. Alguém finge conhecer o homem, chama-o de Ardoca. Fora do trem, “aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado”. Então descobrimos que Ardoca está morto, pois tomou veneno antes de entrar no trem.
  1. A gente combinamos de não morrer: o conto é fragmentado. Começa com o foco nos pensamentos de Dorvi, que lembra de um combinado, “A gente combinamos de não morrer!”, não se sabe exatamente com que pessoas, tudo indica que com seus amigos de infância. Depois temos acesso aos pensamentos de Bica, mãe do filho de Dorvi. Em torno, a violência, saraivada de balas. Depois, lemos os pensamentos de dona Esterlinda. O narrador volta aos pensamentos de Bica, depois a Dorvi, Esterlinda de novo, em seguida Dorvi, depois Bica. Então, descobrimos que Dorvi é um traficante, que há uma saravaida de balas fora da casa de Bica, e Dorvi corre perigo. Enquanto isso, a mãe de Bica vê televisão.
  1. Ayoluwa, a alegria do nosso povo: o narrador menciona o nascimento de Ayoluwa como “a alegria do nosso povo”. Nesse povo, havia desamparo (fome, sede e outras mazelas), a ponto de as crianças pararem de nascer. Até que Bamidele anunciou que teria um filho. E tal notícia trouxe esperança ao povoado. Então nasce a menina Ayoluwa.

Características da obra Olhos d’água

  • Estrutura

Olhos d’água apresenta 15 contos, na seguinte ordem: “Olhos d’água”, “Ana Davenga”, “Duzu-Querença”, “Maria”, “Quantos filhos Natalina teve?”, “Beijo na face”, “Luamanda”, “O cooper de Cida”, “Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos”, “Di Lixão”, “Lumbiá”, “Os amores de Kimbá”, “Ei, Ardoca”, “A gente combinamos de não morrer”, “Ayoluwa, a alegria do nosso povo”.

  • Estilo literário

As obras de Conceição Evaristo fazem parte da literatura contemporânea brasileira. Atualmente, não existe um estilo de época ou escola literária (características utilizadas em todas as obras do período intencionalmente por autoras e autores). A literatura contemporânea é marcada pela diversidade.

Há diversidade de temáticas e de estilos individuais. Assim, autoras e autores têm completa liberdade de criação. As obras de Evaristo estão associadas também à literatura periférica ou de minoria, composta por obras escritas por integrantes de minorias sociais, que, assim, dão voz à diversidade cultural.

Tais obras falam da realidade de grupos minoritários (no poder instituído), como, por exemplo, mulheres, pessoas negras e a comunidade LGBTQIAPN+. Em Olhos d’água, o foco está, principalmente, no mundo feminino, na realidade das pessoas negras e dos indivíduos em situação de pobreza.

Assim, o livro apresenta elementos do cotidiano, mostra a realidade periférica de minorias, sobretudo urbanas, valoriza a cultura afro-brasileira e o protagonismo feminino. A linguagem é repleta de lirismo (poesia), mesmo quando o narrador ou a narradora denuncia o racismo, além da desigualdade social e de gênero.

Leia também: O negro na literatura brasileira

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Contexto histórico da obra Olhos d’água

O contexto histórico das narrativas de Olhos d’água coincide com o contexto de produção da obra, ou seja, o início do século XXI. Os contos refletem um tempo marcado pela desigualdade social e pelo racismo. Mas também um tempo em que a voz das minorias começou a adquirir força.

Assim, estamos diante do empoderamento de mulheres, pessoas negras e membros da comunidade LGBTQIAPN+. A obra de Conceição Evaristo reflete esse tempo. Poucos são os homens protagonistas, sobressaindo personagens femininas no protagonismo das narrativas. Vozes femininas em busca de si mesmas e de sua ancestralidade.

A valorização da cultura afro-brasileira é fortíssima na obra de Conceição Evaristo. Além disso, apesar de não ser o ponto principal de suas obras, há, no mínimo, dois contos em que se fala da atração homoerótica, ou seja, o desejo entre pessoas do mesmo sexo. E isso só é possível porque, no século XXI, ocorreu o empoderamento das minorias.

Apesar desse empoderamento, as desigualdades sociais no Brasil persistem, muitas vezes acentuada pela cor da pele. Em nosso país, existem pobreza, violência (inclusive a institucional) e injustiças. E a mulher negra e pobre sofre misoginia, racismo e classismo (preconceito de classe).

A realidade do século XXI está estampada no livro Olhos d’água. Mas é expressa não pelos dominantes, não pelos opressores, mas pelas vozes daquelas e daqueles que, por muito tempo, foram silenciados em suas dores, sonhos e anseios, relegados ao lugar de subalternos em uma sociedade desigual.

Conceição Evaristo, autora de Olhos d’água

A escritora Conceição Evaristo.|2|
A escritora Conceição Evaristo.|2|

A escritora mineira Conceição Evaristo nasceu em 29 de novembro de 1946, na cidade de Belo Horizonte. Morou parte de sua infância em uma favela. Sua mãe era lavadeira e passadeira. Ela permitiu que a filha, com sete anos, fosse morar com os tios, os quais tinham melhores condições financeiras para criá-la.

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A escritora estudou em escola pública e, na juventude, foi empregada doméstica. Concluiu o curso de magistério em 1971. Dois anos depois, no Rio de Janeiro, iniciou sua carreira como professora de escola pública. Também fez faculdade de Letras, mestrado e doutorado. A premiada autora publicou seu primeiro livro, o romance Ponciá Vicêncio, em 2003.          

Créditos da imagem

|1| Pallas Editora (reprodução)

|2| Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.

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CNPQ. Currículo Lattes: Maria da Conceição Evaristo de Brito. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/9653059262448203.

DUARTE, Eduardo de Assis. O Bildungsroman afro-brasileiro de Conceição Evaristo. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 14, n. 1, abr. 2006.

EVARISTO, Conceição. A escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (orgs.). Escrevivência: a escrita de nós. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020.

EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.

LITERAFRO. Conceição Evaristo. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/188-conceicao-evaristo.

SOUZA, Emilene Corrêa. A questão da memória identitária afro-brasileira na poesia de Ana Cruz e Conceição Evaristo. 2014. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014.

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Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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SOUZA, Warley. "Olhos d’água"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/olhos-dagua.htm. Acesso em 05 de maio de 2026.
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