Plano de Metas

O Plano de Metas foi o plano de governo de JK, que buscou acelerar a industrialização e modernizar o Brasil com 31 metas, simbolizadas pela construção de Brasília.

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O Plano de Metas foi o plano de governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961). Lançado em 1956, tinha como objetivo acelerar a industrialização e modernizar a infraestrutura do Brasil. O plano estabelecia 30 metas (31 contando com Brasília), concentradas em setores estratégicos como energia, transportes e indústria de base, além da construção de Brasília, inaugurada em 1960.

Leia também: Era Vargas — os fatos que marcaram o período de 1930 a 1945 no Brasil

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre Plano de Metas

  • O Plano de Metas foi o programa de desenvolvimento econômico do governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961).
  • Foi lançado com o objetivo de acelerar a industrialização e modernizar a infraestrutura do Brasil.
  • Estabeleceu 30 metas distribuídas em cinco setores estratégicos (energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação), além da construção de Brasília, considerada a “meta-síntese”.
  • Consolidou no país um modelo nacional-desenvolvimentista, baseado na combinação entre planejamento estatal, investimentos públicos, participação da iniciativa privada nacional e atração de capital estrangeiro.
  • Apesar de ter impulsionado o crescimento econômico e a modernização produtiva, também gerou problemas fiscais, aumento do endividamento público e pressão inflacionária.

O que foi o Plano de Metas?

Presidente Juscelino Kubitschek em trator na construção da Estrada Belém-Brasília, em 1957
Presidente Juscelino Kubitschek em trator na construção da Estrada Belém-Brasília, em 1957. (Domínio público / Acervo Arquivo Nacional)

O Plano de Metas foi o plano de governo do presidente Juscelino Kubitschek, que governou o Brasil entre 1956 e 1961.

Centrado na aceleração do desenvolvimento econômico, por meio da industrialização e da modernização da economia brasileira, ele apresentava 30 metas divididas em cinco áreas fundamentais (Educação, Transporte, Agricultura, Indústria de Base e Energia) e foi lançado no início do mandato presidencial, em 31 de janeiro de 1956.

A construção de Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960, foi incorporada como “meta-síntese”, por simbolizar o projeto de modernização e integração territorial do país.

O Plano de Metas foi o eixo que orientou o governo JK, articulando crescimento econômico, planejamento estatal e apoio à iniciativa privada. O programa consolidou no Brasil o modelo nacional-desenvolvimentista, baseado na ação coordenada do Estado, por meio do planejamento e investimento público, com a iniciativa privada nacional em setores mais consolidados, bem como a atração do capital estrangeiro para setores estratégicos e inovadores, como o da indústria automobilística.

A idealização do Plano de Meta teve na figura do economista Celso Furtado o principal articulador e integrador das ideias e propostas, que bebiam em diversos estudos voltados para a compreensão do que impedia um desenvolvimento econômico mais acelerado do país.

Considerado um marco em termos de avanço para o planejamento econômico governamental do país, o Plano de Metas deixou resultados positivos e negativos.

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Os positivos estão ligados à aceleração do crescimento econômico e à ampliação da diversificação econômica. Já os negativos, aos problemas fiscais derivados dos altos investimentos realizados pelo Estado sem um crescimento correspondente da arrecadação, bem como a pressão inflacionária que ganhou forma nos últimos anos do governo JK e entrou pelos anos seguintes, tornando-se, inclusive, um dos problemas políticos que favoreceram a desestabilização do regime político democrático nos anos seguintes.

Ainda assim, o Plano de Metas e o governo de JK marcaram um período raro na história republicana de respeito às regras democráticas, sendo ele um presidente que recebeu a faixa por ter sido eleito pelo voto popular e que passou a faixa para um sucessor também eleito, algo que só voltaria a acontecer em nossa história política em 2003, quando o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial para Luís Inácio Lula da Silva.

Além do crescimento e da modernização da economia, esse também foi um período marcado pelo otimismo e pela efervescência cultural: é o período da Bossa Nova sendo reconhecida internacionalmente (o próprio JK foi apelidado de “presidente Bossa Nova”), é o período do Cinema Novo e do cinema brasileiro sendo premiado em Cannes, é o período em que o brasileiro acreditava que estava viajando por uma estrada pavimentada em direção ao progresso. Mas essa estrada, como sabemos, não estava toda pavimentada.

Juscelino Kubitschek no dia de sua posse. Ele foi o responsável pela implementação do Plano de Metas.
Juscelino Kubitschek no dia de sua posse. Ele foi o responsável pela implementação do Plano de Metas.

Como era o Plano de Metas?

O Plano de Metas foi concebido como um programa de governo centrado no planejamento econômico voltado para acelerar a industrialização e modernizar a infraestrutura do país.

Entre os cinco setores definidos como estratégicos, a maior parte dos investimentos se concentrou nas áreas de energia e transportes.

No campo da energia, o governo investiu na ampliação da produção de energia elétrica por meio da construção de grandes usinas hidrelétricas, como Furnas, entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, cuja construção começou em 1957.

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No setor dos transportes, o plano priorizou a construção e a pavimentação de rodovias, o que significou preterir a opção ferroviária, que recebeu menos investimentos. Um dos grandes projetos que simbolizam essa opção rodoviária de JK foi a construção da rodovia Belém-Brasília, iniciada em 1958 e que ajudou a integrar regiões antes pouco conectadas do território nacional, como o Centro-Oeste, que agora abrigaria o centro do poder federal, Brasília.

Outro eixo fundamental foi o das indústrias de base e das indústrias de bens de consumo duráveis, especialmente a indústria automobilística. Durante esse período, grandes empresas multinacionais do setor automotivo investiram na instalação de fábricas no Brasil, como a Volkswagen, a Ford e a General Motors, na região do ABCD paulista.

O Volkswagen Fusca, agora produzido no Brasil, tornou-se um dos símbolos desse período e contou com a presença do presidente JK no lançamento. A chegada desse tipo de indústria de bens duráveis significava um avanço da economia nacional em termos de se tornar produtor de bens industrializados complexos e com grande valor agregado, o que era uma grande preocupação dos economistas que pensavam o desenvolvimento nacional.

A dependência de setores primários, como o café e outras commodities, bem como indústrias de simples beneficiamento de produtos primários era lida como a receita para o atraso e para a dependência econômica do país diante dos grandes centros industriais do capitalismo global.

Para organizar os investimentos e projetos do plano, foram criados diversos grupos executivos, órgãos colegiados com amplo poder decisório em suas áreas, formados por técnicos e lideranças políticas focados em realizar as metas, como o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA).

Desmatamento da região do Pará para a construção da Rodovia Belém-Brasília, em 1958.
Desmatamento da região do Pará para a construção da Rodovia Belém-Brasília, em 1958.

Contexto histórico do Plano de Metas

O Plano de Metas ocorreu durante um período da história nacional muitas vezes chamado de Período Democrático Liberal, ou Liberal Populista, que vai do fim da Era Vargas, em 1945, até o golpe militar de abril de 1964. Esse é um período de intensas transformações políticas e econômicas no Brasil e no mundo.

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O Brasil vivia uma experiência democrática, entre dois períodos autoritários, que sinalizava a possibilidade do retrocesso autoritário por conta da fragilidade das instituições democráticas, com diversas crises, como a de agosto de 1953, que culminou com o suicídio do presidente Vargas, e o chamado golpe preventivo do general Henrique Teixeira Lott, de novembro de 1955, que assegurou a posse de JK.

No âmbito internacional, o período era marcado pela Guerra Fria, com uma disputa ideológica ferrenha entre as duas superpotências rivais: Estados Unidos e União Soviética. Esse cenário acirrava as disputas nacionalmente e ajudava a tornar as recentes instituições democráticas do país ainda mais frágeis.

No campo econômico, esse foi um período em que, na América Latina, difundiam-se as ideias da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), criada em 1948 pela ONU, com economistas que defendiam que países latino-americanos deveriam promover a industrialização e ampliar o papel do Estado na economia para superar o subdesenvolvimento.

Leia também: Ditaduras latino-americanas e sua relação com a Guerra Fria

O Plano de Metas deu certo?

O Plano de Metas teve resultados positivos e negativos. Do ponto de vista positivo, o plano obteve resultados significativos em termos de aceleração do crescimento econômico, avanço da industrialização e modernização econômica do país.

O Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu, em média, 7% ao ano durante o governo JK, enquanto a produção industrial apresentou índices ainda mais elevados, sendo impulsionada pela expansão das indústrias de base e de bens de consumo duráveis.

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O cumprimento das 30 metas estabelecidas foi desigual: setores como infraestrutura e indústria não só tiveram suas principais metas cumpridas como algumas superaram as expectativas. Já metas relacionadas a setores sociais ficaram muito aquém do planejado.

O setor de energia (metas 1 a 5) foi o de maior sucesso. Houve expansão de hidrelétricas, como a Usina de Paulo Afonso e o início da de Furnas e Três Marias, além do fomento à energia nuclear.

No setor de transportes (metas 6 a 12), houve um foco total no rodoviarismo. Foram construídos milhares de quilômetros de rodovias para integrar o país, como a Belém-Brasília, que é um símbolo dessa opção rodoviária de JK.

Quanto às indústrias de base (metas 22 a 30), houve um grande êxito na implantação da indústria automobilística e na expansão da siderurgia, na mecânica pesada e no cimento. Brasília, considerada por JK como a “meta 31”, foi cumprida, com a inauguração da nova capital em 21 de abril de 1960.

No entanto, do lado negativo da avaliação do plano, temos metas relacionadas à alimentação e à educação ficando abaixo do planejado, além de problemas fiscais, de endividamento público e de pressão inflacionária, que ficariam para os governos seguintes terem de lidar.

O setor da alimentação (metas 13 a 21) foi, em grande parte, abandonado. O plano previa a mecanização da agricultura e a criação de armazéns e silos, mas o investimento foi insuficiente e a produção de alimentos não acompanhou o ritmo da urbanização.

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o setor da Educação (meta 30, que objetivava a “Formação de Pessoal Técnico”) foi considerado a meta com pior execução, embora tenha recebido mais atenção política que o da educação básica, dada a intenção da própria indústria de formar técnicos. Os investimentos nesse objetivo foram mínimos em comparação com o planejado, sendo.

A priorização do setor rodoviário, no âmbito dos transportes, que significou preterir a matriz ferroviária, gerou e gera críticas de analistas técnicos do setor dos transportes, pois um país de dimensões continentais como o nosso se adequaria melhor a uma malha ferroviária bem desenvolvida, que é mais barata em termos de manutenção, mais eficiente, gera fretes mais baixos e favorece a competitividade do país.

No entanto, a busca por atrair a instalação de indústrias automobilísticas no país levou o governo a investir na construção de rodovias como forma de convencer esses industriais estrangeiros a investirem no nosso país. De fato, algumas grandes multinacionais do ramo vieram aqui instalar suas fábricas, como a Volkswagen, a General Motors e a Ford.

Do ponto de vista macroeconômico, os pesados gastos governamentais na realização das metas estabelecidas, não lastreados em aumento da arrecadação, pressionaram o orçamento público em direção a um déficit crescente: o governo passou a gastar cada vez mais do que arrecadava. Essa situação favoreceu o aumento do endividamento público, bem como pressionou a inflação, que começou a sair do controle já no último ano do governo JK e seria uma herança maldita para os governos seguintes.

Presidente Juscelino Kubitschek visita as obras da construção do Palácio da Alvorada, durante a construção de Brasília.
Presidente Juscelino Kubitschek visita as obras da construção do Palácio da Alvorada, durante a construção de Brasília. (Domínio público / Acervo Arquivo Nacional)

Consequências do Plano de Metas

O Plano de Metas teve consequências tanto positivas quanto negativas, como elencado no último tópico. De modo resumido, podemos citar:

  • crescimento econômico acelerado (média de 7% ao ano);
  • expansão das rodovias no país;
  • construção da nova capital, Brasília;
  • aumento do endividamento público;
  • elevação da inflação;
  • consolidação da ideia de que o Estado deveria desempenhar um papel ativo na promoção do crescimento e do desenvolvimento econômico nacional.

O que significa a expressão “50 anos em 5”?

A expressão “50 anos em 5” foi o slogan político de campanha do então candidato à presidência da república, já em fins de 1955. A ideia da campanha era de dizer ao eleitor que Juscelino iria, caso eleito, realizar 50 anos de desenvolvimento em 5 anos de governo. Cabe lembrar que, nessa época, o mandato presidencial era de 5 anos, conforme a Constituição de 1946 em vigor.

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O lema de campanha depois se tornou lema de governo e é, por isso, muito associado à execução do Plano de Metas, que orientou o governo JK e que teve o desenvolvimento econômico do país como seu objetivo declarado. É por isso que esse slogan se encaixa perfeitamente na busca pelo desenvolvimento desse governo e são elementos geralmente lembrados juntos quando se trata desse período, apesar de serem coisas diferentes.

Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília, nas comemorações do Primeiro de maio, em 1959.
Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília, nas comemorações do Primeiro de maio, em 1959.

Exercícios resolvidos sobre o Plano de Metas

Questão 1

Durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961), foi implementado o Plano de Metas, sintetizado pelo lema “50 anos em 5”. Esse programa buscava acelerar o desenvolvimento econômico brasileiro por meio de investimentos em setores considerados estratégicos.

Uma das principais características do Plano de Metas foi:

A) a priorização da reforma agrária como base da modernização econômica.
B) a adoção de um modelo de crescimento centrado na industrialização e na expansão da infraestrutura.
C) a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário como principal meio de integração territorial.
D) a redução da participação do capital estrangeiro na economia brasileira.
E) a concentração dos investimentos na exportação de produtos agrícolas.

Gabarito: B.

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O Plano de Metas priorizou setores como energia, transportes e indústria de base, buscando acelerar a industrialização brasileira e modernizar a infraestrutura do país. A reforma agrária não foi eixo central do plano (A), houve expansão do transporte rodoviário e não ferroviário (C), o capital estrangeiro foi incentivado (D) e o objetivo era justamente reduzir a dependência da economia agrícola exportadora (E).

Questão 2

A construção de Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960, foi incorporada ao Plano de Metas como a chamada “meta-síntese”. Esse projeto simbolizava um objetivo mais amplo do governo de Juscelino Kubitschek.

Nesse contexto, a transferência da capital para o interior do país expressava principalmente a intenção de:

A) reduzir os custos administrativos do governo federal.
B) estimular a interiorização do desenvolvimento e integrar o território nacional.
C) fortalecer a economia baseada na exportação agrícola.
D) aproximar a capital dos centros industriais do Sudeste.
E) diminuir o papel do Estado no planejamento econômico.

Gabarito: B.

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Brasília representava um projeto de interiorização do desenvolvimento, buscando estimular a ocupação do Centro-Oeste e integrar melhor o território brasileiro. Não se tratava de redução de custos administrativos (A), nem de reforço do modelo agroexportador (C). A nova capital foi construída justamente longe do eixo industrial do Sudeste (D), e o projeto estava associado a uma forte presença do Estado no planejamento econômico (E).

Fontes

BIELSCHOWSKY, Ricardo. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimentismo. 2. ed. Rio de Janeiro: Contraponto, 2000.

FAUSTO, Boris (org.). História Geral da Civilização Brasileira - Tomo III: O Brasil Republicano, v. 11: Economia e cultura (1930-1964). 9. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.

Escritor do artigo
Escrito por: Alexandre Fernandes Borges Professor e historiador, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, com 20 anos de experiência no ensino de História no Ensino Médio. Servidor público de carreira da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás desde 2007, atuou como Chefe do Arquivo Histórico Estadual de Goiás entre 2012 e 2019. Atualmente, integra a Comissão de Avaliação de Bens Intangíveis da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.
Deseja fazer uma citação?
BORGES, Alexandre Fernandes. "Plano de Metas"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/plano-de-metas.htm. Acesso em 24 de março de 2026.
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