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História de Goiânia

A história de Goiânia se iniciou na década de 1930, quando foi construída para ser a nova capital de Goiás. A cidade é uma das capitais mais novas do Brasil.

Vista de uma região arbórea localizada na cidade considerada a capital mais verde do Brasil, um aspecto importante da história de Goiânia.
Goiânia é considerada a capital mais verde do Brasil. Ela possui o maior número de parques e praças entre as capitais brasileiras.
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A história de Goiânia se iniciou oficialmente em 1933, quando Pedro Ludovico, interventor do estado de Goiás, assentou a pedra fundamental do que viria a ser a nova capital de Goiás. Antes a capital do estado era a Cidade de Goiás, mas por motivos estruturais e políticos uma nova capital foi criada durante a Era Vargas.

Nos primeiros anos após sua inauguração, a cidade de Goiânia possuía poucos habitantes, mas com a chegada da ferrovia à cidade em 1950 e a construção de Brasília, houve grande aumento populacional nas décadas de 1950 e 1960. Hoje a cidade é o maior polo econômico do estado, além de ser a cidade goiana com maior população, com cerca de 1,5 milhão de habitantes.

Leia também: Qual é a história de Goiás?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a história de Goiânia

  • A história de Goiânia se iniciou oficialmente em 24 de outubro de 1933, quando Pedro Ludovico, interventor nomeado por Getúlio Vargas, lançou a pedra fundamental da nova capital de Goiás.
  • A Cidade de Goiás, chamada também de Goiás Velho, foi a primeira capital de Goiás. Desde o século XIX algumas pessoas defendiam a proposta da construção de uma nova capital para o estado.
  • Dois nomes foram sugeridos para a nova capital, Petrônia e Goiânia, sendo o segundo escolhido pelo interventor.
  • A chegada da ferrovia à cidade e a construção de Brasília foram responsáveis pelo rápido crescimento populacional de Goiânia nas décadas de 1950 e 1960.
  • Atualmente Goiânia possui o décimo maior PIB entre as capitais brasileiras, sendo a cidade com maior população do estado de Goiás.

Antecedentes da história de Goiânia

A história de Goiânia, ou do território onde é hoje Goiânia, se iniciou há milhares de anos, quando os primeiros seres humanos chegaram a essa região do Brasil. Um dos principais sítios arqueológicos do Brasil se localiza em Goiás, no município de Serranópolis, no sul do estado. Nesse sítio arqueológico foram encontrados diversos esqueletos que são considerados os mais antigos do Centro-Oeste. Em 2023, arqueólogos da PUC de Goiás divulgaram que encontraram um esqueleto humano com 12 mil anos no sítio.

Esses achados mostram que o ser humano habitava a região de Goiânia há mais de 10 mil anos, provavelmente convivendo com animais da megafauna americana durante séculos. As populações mais antigas desse território eram caçadoras-coletoras.

Com o tempo os povos caçadores-coletores deram lugar a populações ceramistas, que praticavam a agricultura. Antes da chegada dos europeus diversos povos ocupavam Goiânia e as regiões próximas da capital, alguns deles praticavam a agricultura de subsistência, principalmente cultivando o milho.

Após a chegada dos bandeirantes à região, no início do século XVIII, diversos povoados foram construídos em Goiás. Um desses povoados se localizava no atual bairro de Campinas. Em 1810, Campinas se tornou um arraial e, em 1907, se tornou um município. Com a construção de Goiânia, Campinas passou a ser um bairro da nova capital.

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Fundação de Goiânia

A ideia de construir uma nova capital para Goiás era antiga. A ideia existia desde o início do século XIX, quando a Cidade de Goiás estava em crise por causa da decadência da mineração.

Em 1930, Getúlio Vargas (1882-1954) chegou ao poder acabando com a hegemonia dos grandes proprietários rurais, conhecidos como coronéis. O poder dessas oligarquias ganhou força desde a Proclamação de República, em 1889. Vargas tinha como um dos principais objetivos do seu governo a marcha para o oeste, ou seja, colonizar o oeste do Brasil.

Vargas nomeou como interventor em Goiás o político Pedro Ludovico Teixeira. Ludovico foi ferrenho crítico dos coronéis goianos, sendo preso durante a Revolução de 1930 a mando dessas elites e libertado em seguida, após a vitória de Vargas e seu grupo.

Foi o interventor que iniciou os trabalhos para a construção da nova capital de Goiás. A construção da nova capital ia ao encontro do objetivo do governo Vargas, criar infraestrutura na região Centro-Oeste para que as pessoas migrassem para lá.

Retrato de Pedro Ludovico Teixeira, um dos principais nomes relacionados à história de Goiânia.
Pedro Ludovico Teixeira, interventor de Getúlio Vargas em Goiás, foi responsável pela construção da nova capital do estado, Goiânia.

A construção da cidade também teve um fator político. A cidade de Goiás era controlada politicamente pela família Caiado, desde o início do século XX. A família fazia parte das antigas oligarquias, que foram derrubadas por Vargas em 1930. A construção da nova capital, distante da antiga e com novos funcionários públicos, retiraria poderes da família Caiado, o que de fato aconteceu. Um ditado popular da época afirmava: “se não dá para tirar os Caiados da capital, tiremos a capital dos Caiados”.

Em 1932 as pesquisas para a construção da nova capital começaram a ser realizadas. No ano seguinte, foi escolhido o local da nova capital, em um terreno plano, próximo do córrego Botafogo. No mesmo ano, foi aprovado o projeto arquitetônico da nova cidade, que tinha como ponto central o Palácio das Esmeraldas, que seria a sede do governo estadual. As três principais avenidas da nova cidade, avenida Goiás, Tocantis e Araguaia, partiriam da frente do palácio. Assim, a pedra fundamental da obra foi lançada por Pedro Ludovico em 24 de outubro de 1933, esta é considerada a data de aniversário da capital goiana.

Construção do Palácio das Esmeraldas, um fato importante atrelado à história de Goiânia.
Construção do Palácio das Esmeraldas, na cidade de Goiânia, prédio construído para ser a sede do estado de Goiás. [1]

Em 2 de agosto de 1935, um decreto criou o município que recebeu o nome de Goiânia. Em 1937, um novo decreto transformou o município de Goiânia na nova capital do estado. A cidade foi oficialmente inaugurada em 1942, em 5 de julho.

Desde a década de 1970 os governadores de Goiás realizam uma cerimônia simbólica em que transferem a capital de Goiás para a sua antiga sede, Goiás Velho. A tradição tem por objetivo preservar a história do estado e divulgá-la para as novas gerações.

→ Escolha do nome de Goiânia

Quando Pedro Ludovico lançou a pedra fundamental de Goiânia em 24 de outubro de 1933 e as obras da nova cidade começaram, ainda não havia sido escolhido o nome da nova cidade. No mesmo ano, o jornal “O Social”, da Cidade de Goiás, promoveu um concurso entre os seus leitores para a escolha do nome da nova capital.

Dois nomes foram sugeridos para a nova capital: Petrônia, em homenagem a Pedro Ludovico e ao imperador, Dom Pedro II, e Goiânia, relacionada ao nome do estado, Goiás. No concurso o nome Petrônia foi escolhido por mais de 90% das pessoas que votaram. Apesar disso, Pedro Ludovico Teixeira decretou em 1935 que a cidade se chamava Goiânia, ignorando o nome que se relacionava ao seu.

A palavra “Goiânia” também possui relação com a palavra indígena “goyanna”, que significa “lugar com muitas águas”. De fato, Goiânia pode ser considerada uma cidade das águas, nela existem mais de 80 nascentes e diversos córregos.

Acesse também: História da Colônia Santa Marta — o leprosário construído nas proximidades de Goiânia na década de 1930

Como foi a transferência da capital para Goiânia?

Palácio das Esmeraldas na atualidade, prédio de grande importância para a história de Goiânia e para história de Goiás.
Palácio das Esmeraldas na atualidade, prédio que continua sendo a sede do governo de Goiás. [2]

Foi a partir de 1935 que os primeiros órgãos estaduais foram transferidos da Cidade de Goiás para a nova capital, Goiânia. Ainda nesse ano foram transferidas para a nova capital a Casa Militar, a Secretaria Geral do Estado e a Secretaria de Governo. Outros órgãos estaduais foram transferidos para a nova capital nos anos seguintes. Em 1942 ocorreu a cerimônia que, oficialmente, transferiu a nova capital para Goiânia. Nesse momento todos os órgãos estaduais já estavam funcionando na nova capital.

Expansão de Goiânia

Antiga Estação Ferroviária de Goiânia (atual Museu Frei Confaloni), um ponto turístico que marcou a história de Goiânia.
Antiga Estação Ferroviária de Goiânia (atual Museu Frei Confaloni), uma das responsáveis pela expansão da cidade. [3]

Em 1940, a capital Goiânia possuía uma população de aproximadamente 48 mil pessoas, dez anos depois a população era de 53 mil habitantes. Nesse período, a chegada da ferrovia à capital de Goiás em 1950, assim como a construção de Brasília, foi responsável por grande crescimento da população da capital.

Em 1960, a população de Goiânia passou os 150 mil habitantes, um aumento de 182% em dez anos. Após esse boom nas décadas de 50 e 60, o crescimento populacional do município desacelerou e continuou com um crescimento de aproximadamente 15% em cada década. Atualmente Goiânia conta com uma população de pouco mais de 1,4 milhão de habitantes.

Monumento às três raças, um monumento que retoma a importância de indígenas, africanos e europeus na história de Goiânia.
Monumento às três raças, em Goiânia. O monumento representa a importância de indígenas, africanos e europeus na edificação da cidade. [4]

Hoje Goiânia é o principal polo econômico de Goiás, sendo o setor terciário, relacionado ao comércio e prestação de serviços, o mais importante da cidade. O setor secundário também tem destaque no município, havendo diversas indústrias alimentícias, farmacêuticas, gráficas, metalúrgicas e de construção civil.

Curiosidades sobre a história de Goiânia

  • Goiânia é considerada a capital mais verde do nosso país. Na cidade existem diversas praças e parques.
  • Na cidade de Goiânia existem 94 metros quadrados de área verde para cada habitante; a cidade só fica atrás de Edmonton, no Canadá, que possui cerca de 100 metros quadrados de área verde por habitante.
  • O Conjunto Urbano de Goiânia, com um total de 22 edificações, foi tombado como patrimônio histórico pelo Iphan em 2003. A maioria desses edifícios estão no centro da cidade e são da época da sua fundação.
  • Na Praça do Avião e no Setor Aeroporto não existe hoje um aeroporto, mas, na década de 1930, a região abrigou um aeroporto que levou trabalhadores e materiais para a construção da nova capital.
  • Goiânia possui a maior quantidade de edifícios em Arte Déco do Brasil e uma das maiores do mundo, ficando atrás apenas de Miami, nos Estados Unidos.
  • O pit dog é um tipo de lanchonete tradicional de Goiânia. Ele é considerado patrimônio cultural imaterial de Goiás desde 2020. Atualmente existem quase 2 mil pit dogs em Goiânia.

Créditos de imagem

[1]  Acervo de Eduardo Bilemjian / Wikimedia Commons (reprodução)

[2]  Angela_Macario / Shutterstock

[3]  Angela_Macario / Shutterstock

[4]  Judson Castro / Shutterstock

Fontes

ARAÓZ, Horacio Machado. Mineração, Genealogia do Desastre: o Extrativismo na América Como Origem da Modernidade. São Paulo: Elefante, 2020.

ASSIS, Wilson Rocha Fernandes. Estudos de história de Goiás. Goiânia: Palavrear, 2019.

PALACIN, Luís. MORAES, Maria Augusta de S. História de Goiás. São Paulo: Vieira e Lent Casa Editorial, 2003.

Escritor do artigo
Escrito por: Jair Messias Ferreira Junior Pós-graduado em História pela Unicamp e professor da Educação Básica há mais de 20 anos. Também é formador de professores e produtor de materiais didáticos há mais de 10 anos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

JUNIOR, Jair Messias Ferreira. "História de Goiânia"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/historia-de-goiania.htm. Acesso em 28 de maio de 2024.

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