Maneirismo

Maneirismo foi um estilo europeu surgido após o Renascimento e marcado por artificialidade, complexidade e ruptura com a harmonia clássica diante de novas demandas culturais.

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O maneirismo foi um estilo artístico europeu do século XVI que surgiu na Itália após o auge do Renascimento, marcado pela busca de originalidade diante da perfeição já alcançada pelos grandes mestres. Caracteriza-se por figuras alongadas, composições complexas e uso deliberado da artificialidade, refletindo uma crise dos valores clássicos e um contexto de transformações culturais, políticas e religiosas na Europa.

Leia também: Características do Barroco no Brasil

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre o maneirismo

  • O maneirismo foi um estilo artístico europeu do século XVI, situado entre o Renascimento e o Barroco, surgido inicialmente na Itália.
  • O termo deriva da palavra italiana maniera e está ligado à valorização do estilo pessoal, da sofisticação técnica e da invenção artística, em contraste com os padrões clássicos anteriores.
  • O movimento representa uma crise da linguagem renascentista, marcada pelo abandono da harmonia e da proporção em favor de soluções mais complexas, artificiais e expressivas.
  • Entre suas principais características, estão figuras alongadas, poses contorcidas, composições instáveis, uso expressivo da cor e valorização do virtuosismo técnico.
  • O maneirismo produziu obras marcantes na pintura e na escultura, com destaque para artistas como Pontormo, Parmigianino, Bronzino, Giambologna e El Greco.
  • O estilo se expandiu da Itália para outras regiões da Europa e também chegou à América, especialmente por meio da ação da Igreja Católica durante a Contrarreforma.
  • No Brasil, o maneirismo aparece principalmente na arte religiosa do período colonial, com destaque para a atuação de artistas ligados às missões jesuíticas, como Belchior Paulo.
  • O contexto histórico do maneirismo inclui eventos como o Saque de Roma (1527) e a Reforma Protestante, que contribuíram para a instabilidade cultural e para a busca de novas formas de expressão artística.

O que é maneirismo?

O maneirismo é um estilo artístico surgido na Europa, especialmente na Itália, no século XVI, situando-se historicamente entre as últimas expressões do Renascimento (do Alto Renascimento, do Cinquecento) e o surgimento do estilo Barroco. O nome do estilo vem da palavra italiana “maniera”, que significa “à maneira de” ou “ao estilo de” e que foi utilizado na época pelo célebre teórico da arte Giorgio Vasari para designar uma arte baseada na imitação refinada dos grandes mestres do ofício, como Da Vinci, Michelângelo e Raffaello Sanzio.

Inicialmente, o termo "maniera" se referia à habilidade técnica e ao estilo pessoal, mas também foi usado de forma pejorativa, sugerindo uma arte artificial, "amaneirada" ou excessivamente intelectualizada. Isso porque, em vez de buscar o equilíbrio, a harmonia e a naturalidade, típicos do Alto Renascimento, os artistas maneiristas passaram a explorar soluções mais tensionadas, elegantes e, muitas vezes, deliberadamente artificiais.

O maneirismo introduziu corpos alongados, formas serpenteadas (figura serpentinata), cores vibrantes, perspectivas confusas e um desejo de surpreender por meio do exagero. Tudo isso aconteceu em um contexto em que a exuberância da transformação cultural do século XVI, quando os modelos clássicos atingiram um nível tão alto de perfeição, deixaram pouco espaço para inovação dentro das regras tradicionais. É diante disso que os novos artistas passaram a buscar formas diferentes de expressão, explorando distorções, exageros e composições mais complexas como forma de afirmar sua originalidade.

O maneirismo pode ser interpretado, portanto, como uma crise da linguagem clássica renascentista, em que seus princípios de equilíbrio e proporção deixam de ser suficientes para expressar a nova sensibilidade histórica que surgia.

Pintura “Alegoria da sabedoria e da força”, de Paolo Veronese, com composição típica do maneirismo.
Pintura “Alegoria da sabedoria e da força”, de Paolo Veronese, com composição típica do maneirismo.

Características do maneirismo

  • Complexidade formal, invenção estilística e artificialidade

Em termos gerais, as características do maneirismo são compreendidas em contraposição ao legado do Renascimento, movimento que o antecedeu e influenciou. Em vez de buscar equilíbrio, proporção e naturalidade, como os artistas do Renascimento, os artistas maneiristas passaram a valorizar a complexidade formal, a invenção estilística e mesmo a artificialidade.

  • Distorção das proporções do corpo humano

Uma das marcas mais evidentes do estilo é a distorção das proporções do corpo humano: figuras alongadas, poses contorcidas e anatomias pouco naturais tornam-se frequentes, não por incapacidade técnica, mas como escolha estética deliberada.

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  • Composições complexas e instáveis

Outra característica importante é o uso de composições complexas e instáveis. Ao contrário da clareza e organização espacial do Alto Renascimento, os artistas maneiristas frequentemente organizavam suas cenas de uma forma mais dinâmica e, às vezes, até mesmo difícil de interpretar à primeira vista. É muito comum nessas obras a multiplicação de figuras, a sobreposição de planos e a criação de espaços ambíguos, o que exige maior esforço de leitura por parte do observador.

  • Cores frias, contrastes inesperados e efeitos pouco naturais

Em termos de cor e luz, o maneirismo é marcado pelo uso expressivo da cor e da luz, muitas vezes com tonalidades frias, contrastes inesperados e efeitos pouco naturais. Essas escolhas contribuem para criar uma atmosfera de estranhamento e sofisticação, afastando a obra da imitação direta da natureza, o que era um ponto central da Renascença.

  • Valorização do virtuosismo técnico e da originalidade

Além disso, há nesse estilo uma forte valorização do virtuosismo técnico e da originalidade do artista. Em vez de seguir regras fixas, os artistas buscam demonstrar habilidade, inventividade e domínio dos recursos formais da sua linguagem artística.

Obra “O Enterro do Conde de Orgaz”, de El Greco, marcada por figuras alongadas e atmosfera dramática do maneirismo.
Obra “O Enterro do Conde de Orgaz”, de El Greco, marcada por figuras alongadas e atmosfera dramática do maneirismo.

Obras do maneirismo

As obras do maneirismo foram produzidas entre os anos de 1520 e 1600. Pinturas, esculturas e até projetos arquitetônicos fazem parte desse acervo abundante e diverso, entre os quais podemos destacar alguns de grande relevância, como os que seguem:

  • A Deposição da Cruz (1525-1528), de Jacopo Pontormo, realizada na Capela Capponi, em Florença, Itália: nessa pintura, a cena bíblica é construída sem um ponto de apoio claro no espaço, com figuras alongadas, cores suaves e uma composição instável. A ausência de profundidade tradicional e a disposição circular das figuras exemplificam bem a ruptura com a perspectiva renascentista trazida por essa nova linguagem.

Pintura “A Deposição da Cruz”, de Pontormo, com composição instável e corpos alongados característicos do maneirismo.

  • Madona do Pescoço Longo (1534-1540), de Parmigianino (Girolamo Francesco Maria Mazzola): nela, a Virgem Maria aparece com proporções exageradamente alongadas, especialmente no pescoço e nas mãos, enquanto o espaço ao fundo é desproporcional e enigmático. Essa obra é frequentemente citada como exemplo da elegância artificial e da liberdade formal do maneirismo.

Obra “Madona do Pescoço Longo”, de Parmigianino, destacando proporções distorcidas e elegância artificial maneirista.

  • Alegoria com Vênus e Cupido (c. 1545), de Agnolo Bronzino: essa obra apresenta uma cena complexa, repleta de figuras simbólicas e de difícil interpretação imediata. O tratamento frio das superfícies, a precisão quase escultórica das figuras e a ambiguidade temática refletem o caráter intelectualizado e erudito do maneirismo.

Pintura “Alegoria com Vênus e Cupido”, de Bronzino, com simbolismo complexo e refinamento típico do maneirismo.

  • Rapto das Sabinas (1582-1583), de Giambologna (Jean de Boulogne), localizado na Loggia dei Lanzi, em Florença, Itália: apresenta um grupo escultórico em espiral, pensado para ser observado de múltiplos ângulos, sem um ponto de vista único privilegiado. Essa complexidade espacial e o dinamismo das figuras evidenciam o afastamento da estabilidade renascentista.

Escultura “Rapto das Sabinas”, de Giambologna, com movimento em espiral e dinamismo característicos do maneirismo.|1|

Artistas do maneirismo

Os artistas do maneirismo atuaram principalmente em centros culturais italianos como Florença, Roma e Parma, mas também se expandiram para outros ambientes, como a França. Eles estavam frequentemente ligados a cortes aristocráticas e ambientes intelectuais sofisticados e produziram suas obras entre 1520 e 1600.

Entre os principais nomes do estilo, podemos citar alguns como:

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  • Jacopo Carucci Pontormo: um dos primeiros a romper com o equilíbrio renascentista, sua pintura se destaca pelas cores delicadas, figuras alongadas e pela composição instável, características que representam uma busca por novas soluções expressivas após o esgotamento dos modelos clássicos do Renascimento.
  • Agnolo Bronzino: Discípulo de Pontormo, tornou-se um dos principais representantes do maneirismo em Florença, ligado à família Médici, que o patrocinava e protegia. Suas obras são marcadas pela elegância formal, pelo acabamento preciso e por uma certa frieza expressiva, características que exemplificam o refinamento intelectual típico do estilo.
  • Rosso Fiorentino (Giovanni Battista di Jacopo): sua obra apresenta um estilo mais dramático e inquieto, com figuras tensas e composições carregadas de intensidade emocional. Sua atuação na França, especialmente na corte de Francisco I, contribuiu para a difusão do maneirismo para fora da Itália.
  • Parmigianino (Girolamo Francesco Maria Mazzola): sua produção artística enfatiza a distorção elegante das formas e a busca por uma beleza idealizada e artificial, sendo frequentemente citada como uma espécie de síntese da estética maneirista.
  • Giambologna: nascido nos Países Baixos e ativo como artista em Florença, suas esculturas são caracterizadas por composições dinâmicas e helicoidais. Representam uma ruptura com a estabilidade clássica, explorando o movimento e a multiplicidade de pontos de vista.
  • El Greco (Doménikos Theotokópoulos): sua obra, desenvolvida principalmente em Toledo, na Espanha, apresenta fortes traços maneiristas, como o alongamento das figuras, o uso expressivo da cor e a intensidade espiritual. Embora sua produção dialogue também com o contexto espanhol e religioso da Contrarreforma, ela mantém vínculos evidentes com a estética maneirista e é possivelmente o mais lembrado atualmente dos artistas desse momento.
A Abertura do Quinto Selo, de El Greco, outro exemplo de obra maneirista.
A Abertura do Quinto Selo, de El Greco, outro exemplo de obra maneirista.

Maneirismo no Brasil

O maneirismo no Brasil se relaciona ao contexto da colonização portuguesa no século XVI e, diferentemente da Itália, onde o estilo se desenvolveu como resultado de uma crise interna do Renascimento, no Brasil o maneirismo chegou como uma linguagem artística importada, associada à ação da Igreja Católica e à expansão do catolicismo no novo continente, enquanto a Europa vivia o período da chamada Contrarreforma.

As manifestações maneiristas no Brasil aparecem sobretudo na arte religiosa, em especial na pintura e na arquitetura das primeiras igrejas e instituições missionárias no país, com destaque para a atuação dos jesuítas, que utilizaram a arte como instrumento pedagógico e de catequese dos povos indígenas.

Um dos principais nomes ligados ao maneirismo no Brasil e possivelmente o artista mais relevante é Belchior Paulo, que foi um dos primeiros pintores a atuar no Brasil. Suas obras, embora hoje pouco preservadas, são associadas ao estilo maneirista pela presença de figuras alongadas, composição organizada em planos e temática religiosa, características típicas da tradição maneirista europeia da época.

Entre as obras de Belchior, podemos destacar a Adoração dos Reis Magos (1598), que é considerada a pintura a óleo mais antiga remanescente no Brasil. Localizada no altar-mor da Igreja dos Reis Magos em Nova Almeida (Serra-ES), a obra exibe traços da escola maneirista flamenga e é famosa por incluir feições indígenas nos rostos de figuras bíblicas.

Outra de grande relevância é o Retrato de São José de Anchieta. Belchior foi contemporâneo e um dos sacerdotes que acompanharam Anchieta em seus últimos dias e ele é creditado como o autor do único retrato do santo feito em vida, representando-o com um bastão e um rolo de papel.

Também cabe destacar a decoração de colégios jesuítas: embora muitas tenham se perdido, registros históricos indicam que ele trabalhou extensivamente na decoração de igrejas e colégios da Companhia de Jesus em Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo ao longo de 30 anos.

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Pintura “Adoração dos Reis Magos”, de Belchior Paulo, exemplo do maneirismo religioso no Brasil colonial.
Pintura “Adoração dos Reis Magos”, de Belchior Paulo, exemplo do maneirismo religioso no Brasil colonial.

Na arquitetura, algumas igrejas construídas no século XVI, como as primeiras edificações religiosas na Bahia e em Pernambuco, apresentam elementos que dialogam com o maneirismo europeu, ainda que de forma adaptada às condições locais.

Essas construções revelam uma transposição simplificada dos modelos portugueses, que já incorporavam influências maneiristas. Podemos citar como exemplos de igrejas com influência do estilo no Brasil:

  • Igreja de São Francisco (Salvador-BA),
  • Catedral Basílica de Salvador (BA);
  • Igreja de Nossa Senhora da Graça (Olinda-PE);
  • Igreja dos Reis Magos (Nova Almeida-ES).
Interior do Convento e Igreja de São Francisco, em Salvador, Bahia.|2|
Interior do Convento e Igreja de São Francisco, em Salvador, Bahia.|2|

Origem e história do maneirismo

O maneirismo surgiu na Itália por volta de 1520, período que coincide com o fim do chamado Alto Renascimento (Cinquecento), marcado pela morte do mestre da pintura Raffaello Sanzio, em 1520, e a fase final da produção do grande pintor e escultor Michelângelo Buonarroti. Esse é um momento que representa o esgotamento dos ideais clássicos de equilíbrio, harmonia e proporção que haviam sido levados ao auge por artistas da Renascença e, por isso, os novos artistas passaram a buscar novos caminhos para expressar a originalidade de suas obras.

Os artistas desse período, do início do século XVI, enfrentavam o desafio de inovar depois que mestres da estatura de Leonardo da Vinci, Raffaello e Michelângelo haviam alcançado o máximo da perfeição técnica e formal. A solução encontrada por muitos, e que marcou o maneirismo, foi abandonar a busca pela imitação fiel da natureza e explorar novas possibilidades expressivas, baseadas na invenção, na estilização e na complexidade.

Além das transformações internas dentro da própria tradição artística, o surgimento do maneirismo está conectado ao seu contexto histórico: esse é um período marcado por eventos decisivos, como o Saque de Roma, em 1527, quando tropas do imperador Carlos V, imperador do então poderosíssimo Sacro Império Romano-Germânico, invadiram e devastaram a cidade de Roma. Esse episódio abalou profundamente o centro cultural do Renascimento (a Itália) e contribuiu para a dispersão de artistas por outras regiões da Europa, favorecendo a difusão do novo estilo.

Outro fator relevante do contexto histórico em que surgiu o maneirismo foi o advento da Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero em 1517, e que provocou uma crise religiosa e cultural em todo o continente europeu. A Igreja Católica, acuada diante do avanço do protestantismo, promoveu a Contrarreforma, em que a arte ganhou um papel fundamental nessa preservação e reconquista de fieis para a Igreja Católica, reforçando o papel da arte como instrumento de afirmação religiosa.

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Esse contexto contribuiu para o desenvolvimento de uma arte mais tensa, complexa e voltada a públicos específicos e com grande participação da Igreja tanto no patrocínio quanto na orientação das novas obras. É por isso que há uma ligação forte entre os jesuítas, a Companhia de Jesus, fundada nesse contexto de Contrarreforma, e o maneirismo, muito presente em suas igrejas e missões, tanto na Europa quanto na América.

Inicialmente restrito à Itália, especialmente a cidades como Florença, Roma e Parma, o maneirismo rapidamente se expandiu para outras regiões da Europa ao longo do século XVI, alcançando países como França, Espanha e Países Baixos e, por fim, as Américas. Essa difusão ocorreu tanto pela circulação de artistas quanto pelo papel da Igreja Católica, que utilizava as artes como instrumento central de evangelização nesse contexto, bem como pela influência das cortes europeias, que passaram a valorizar cada vez mais o refinamento e a sofisticação do estilo, como forma de legitimação de sua autoridade.

Por volta do final do século XVI, o apogeu do estilo deu lugar ao crepúsculo de sua projeção, quando o maneirismo começou a dar lugar a novas tendências artísticas que valorizavam maior dramaticidade e apelo emocional, características que seriam plenamente desenvolvidas no Barroco do século XVII, estilo que assumiu maior destaque a partir de então.

Leia também: Rococó — movimento artístico de origem francesa

Exercícios resolvidos sobre o maneirismo

Questão 1

Ao analisar a produção artística europeia do século XVI, o historiador da arte Ernst Hans Gombrich observa que, após o auge do Renascimento, os artistas passaram a buscar novas formas de expressão, abandonando a imitação estrita da natureza e explorando soluções mais complexas e artificiais.

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Com base nesse contexto, o maneirismo pode ser compreendido como:

A) um retorno aos valores medievais, com rejeição das técnicas renascentistas.
B) um movimento que buscou simplificar a arte para torná-la mais acessível ao público popular.
C) uma continuidade direta do Renascimento, sem alterações significativas em seus princípios.
D) uma resposta artística que valorizou a invenção, a artificialidade e o estilo pessoal diante da saturação dos modelos clássicos.
E) um estilo que priorizou exclusivamente temas religiosos, abandonando qualquer experimentação formal.

Gabarito: D.

A alternativa D está correta porque expressa com precisão a interpretação historiográfica do maneirismo. O maneirismo surge quando os modelos do Renascimento atingem um nível de perfeição que dificulta novas inovações dentro das regras clássicas. Assim, os artistas passam a valorizar a invenção, a complexidade e o estilo individual.

As demais alternativas estão incorretas porque: A) não há retorno ao medieval; B) o maneirismo não busca simplificação, mas sofisticação; C) há ruptura significativa com o Renascimento; E) embora haja forte presença religiosa, o estilo não abandona a experimentação formal.

Questão 2

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Segundo Giulio Carlo Argan, o maneirismo expressa uma crise dos valores clássicos renascentistas, refletindo um contexto de instabilidade política, religiosa e cultural na Europa do século XVI, marcado por eventos como a Reforma Protestante e o Saque de Roma (1527).

Essa relação entre contexto histórico e produção artística no maneirismo pode ser identificada:

A) na busca por equilíbrio e harmonia, como forma de restaurar a ordem social.
B) na valorização da clareza e da simplicidade como resposta à crise religiosa.
C) na criação de obras que enfatizam tensão, ambiguidade e complexidade formal.
D) na retomada de modelos da Antiguidade clássica sem modificações significativas.
E) Na substituição da arte figurativa por formas abstratas.

Gabarito: C.

A alternativa C está correta porque traduz a leitura de Argan sobre o maneirismo como expressão de uma crise cultural. As obras maneiristas abandonam a estabilidade renascentista e passam a apresentar tensão, ambiguidade e complexidade, refletindo um período de profundas transformações na Europa.

As demais alternativas estão incorretas porque: A) descreve o ideal renascentista, não o maneirista; B) o maneirismo não busca simplicidade, mas sofisticação; D) há releitura crítica, não repetição da Antiguidade; E) a arte continua figurativa, não abstrata.

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Créditos das imagens

|1| Wikimedia Commons (reprodução)

|2| Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

GOMBRICH, Ernst Hans. A história da arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

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SHEARMAN, John K. G. Mannerism: style and civilization. Harmondsworth: Penguin Books, 1967.

Escritor do artigo
Escrito por: Alexandre Fernandes Borges Professor e historiador, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, com 20 anos de experiência no ensino de História no Ensino Médio. Servidor público de carreira da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás desde 2007, atuou como Chefe do Arquivo Histórico Estadual de Goiás entre 2012 e 2019. Atualmente, integra a Comissão de Avaliação de Bens Intangíveis da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.
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BORGES, Alexandre Fernandes. "Maneirismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/artes/maneirismo.htm. Acesso em 02 de junho de 2026.
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