Estreito de Bering

O Estreito de Bering é uma passagem que separa a Rússia dos Estados Unidos e que teria sido utilizado pela população da Ásia para chegar até a América na última era do gelo.

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O Estreito de Bering é uma faixa de mar que conecta o Oceano Glacial Ártico ao Oceano Pacífico. Ele fica localizado na região do Círculo Polar Ártico entre a Rússia e o Alasca (Estados Unidos), com 82 km de distância em seu trecho de menor extensão e profundidade máxima de 50 metros. O clima no Estreito de Bering é extremo, com temperaturas muito baixas e ventos fortes, que ganham intensidade no inverno. Durante essa estação, as águas superficiais congelam e até possibilitam a travessia a pé, embora seja uma rota perigosa e bastante instável.

Segundo a teoria mais aceita para o povoamento da América, a população que vivia na Ásia atravessou o Estreito de Bering há cerca de 14.000 anos durante a última era do gelo, quando o nível do mar estava tão baixo que deixou exposta a planície local, permitindo, assim, a passagem.

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Leia também: Estreito de Gibraltar — a passagem marítima entre a Europa e a África

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o Estreito de Bering

  • Estreito de Bering é uma faixa de água que conecta os oceanos Glacial Ártico e Pacífico.
  • Fica situado entre a Rússia e os Estados Unidos, separando duas áreas de península.
  • O nome do estreito foi dado em homenagem a Vitus Bering, explorador dinamarquês.
  • O Estreito de Bering tem 82 km de largura em seu trecho de menor extensão, além de 90 km de comprimento e 50 metros de profundidade máxima.
  • Localizado na região do Círculo Polar Ártico, possui clima extremo com frio intenso e ventos fortes, principalmente no inverno.
  • Nos meses mais frios do ano, a superfície do Estreito de Bering congela.
  • A região do Estreito de Bering é caracterizada pela biodiversidade, principalmente de animais marinhos, como baleias beluga, jubartes, orcas, morsas e focas.
  • No meio do estreito, existem duas ilhas conhecidas como Ilhas Diomedes: a maior pertence à Rússia e é desabitada, enquanto a menor pertence aos EUA e tem 80 habitantes.
  • A teoria mais aceita para o povoamento da América diz que, durante a última glaciação, o nível do mar baixou e proporcionou a travessia da planície do Estreito de Bering da Rússia para o Alasca.
  • Hoje, é possível atravessar o Estreito de Bering a pé no inverno, mas é uma rota extremamente perigosa e instável.

O que é o Estreito de Bering?

Imagem de satélite mostra o Estreito de Bering com as Ilhas Diomedes no centro.
Imagem de satélite mostra o Estreito de Bering com as Ilhas Diomedes no centro.

O Estreito de Bering é um corpo hídrico que conecta o Mar de Chukchi (Oceano Glacial Ártico) ao Mar de Bering (Oceano Pacífico). Recebe esse nome por conta das suas dimensões, sendo uma pequena faixa de água que faz a separação de duas áreas territoriais. No caso, o Estreito de Bering fica entre duas penínsulas:

  • Península de Chukchi, no extremo nordeste da Rússia, mais precisamente, na região da Sibéria;
  • Península de Seward, no oeste do Alasca, território dos Estados Unidos.

Embora não tenha sido o primeiro a atravessar o Estreito de Bering, o explorador dinamarquês Vitus Bering foi o pioneiro europeu, no período moderno, a realizar a travessia da Rússia para o Alasca no ano de 1728 e, por isso, o estreito recebeu seu nome. Alguns anos mais tarde, por meio de registros de navegação recuperados, foi descoberto que o primeiro europeu a cruzar o Estreito de Bering foi, na verdade, o russo Semyon Dezhnyov, em 1648.|1|

Mapa do Estreito de Bering

Mapa do Estreito de Bering mostrando Rússia, Alasca e as penínsulas de Chukchi e Seward.

Características do Estreito de Bering

O Estreito de Bering consiste em uma faixa curta de água que possui aproximadamente 82 quilômetros em seu ponto mais estreito, cruzando da Rússia para os Estados Unidos e vice-versa.

No sentido norte-sul, fazendo a travessia de um oceano a outro, o Estreito de Bering possui aproximadamente 90 quilômetros de extensão. Apesar de ser formado por águas oceânicas, esse não é um corpo hídrico fundo, já que alcança uma profundidade máxima de 50 metros, com 30 metros em sua parte mais rasa.

Paisagem do Estreito de Bering evidenciando águas frias e relevo costeiro do Ártico.
O Estreito de Bering tem clima frio caracterizado por temperaturas extremas e ventos fortes.

Essa passagem fica situada em uma área de alta latitude, muito próxima do Círculo Polar Ártico, o que faz com que seja uma região de clima severo, marcado pelo frio extremo com temperatura média de -10 ºC na camada da atmosfera imediatamente acima do Estreito de Bering.

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Suas águas, em contrapartida, apresentam média anual entre 1 ºC e 5 ºC. Durante o verão no Mar de Bering, que fica situado ao sul do estreito, as águas se aquecem e alcançam entre 10 ºC e 15 ºC, enquanto o ar nunca ultrapassa 20 ºC. As correntes marítimas que circulam pela região e atravessam o Estreito de Bering partem justamente dessa área em direção ao Mar de Chukchi, no Oceano Ártico.

No inverno, as águas do Estreito de Bering congelam e dão origem a uma vasta superfície formada por gelo. Quando as temperaturas voltam a subir, ainda que de maneira sutil, o gelo derrete e dá origem a blocos, que ficam flutuando pelas águas daquela região, dentre os quais estão icebergs de dimensões variadas.

Apesar do frio intenso, agravado pelos ventos fortes que são frequentes na região, a vida animal é numerosa e diversa no Estreito de Bering e nas penínsulas que o cercam. É, por isso, considerado um importante hotspot de biodiversidade, principalmente da fauna marinha.

Além disso, a passagem é classificada como um corredor azul por ser utilizada como rota migratória pelos animais que lá vivem. A fauna da região do Estreito de Bering é formada por focas, morsas, gaivotas, albatrozes, ursos-polares, baleias jubarte, baleias beluga (ou baleia-branca) e orcas.

Baleia-jubarte nadando nas águas geladas do Estreito de Bering.
A jubarte é uma das espécies de baleia que habita as águas geladas do Estreito de Bering e região.

Nas imagens de satélite do Estreito de Bering, é possível identificar a presença de duas porções de terras emersas que correspondem às Ilhas Diomedes. São elas:

  • Grande Diomedes (ou Diomedes Maior): situada a oeste, tem área de 29 km², e pertence à Rússia. É uma ilha desabitada.
  • Pequena Diomedes (ou Diomedes Menor): situada a leste, tem área de 7,3 km², e pertence aos Estados Unidos. É habitada por uma população de aproximadamente 80 pessoas, a maioria delas pertencente ao povo inuíte, que é nativo do Alasca.

As Ilhas Diomedes são separadas por 3,8 quilômetros e recebem o apelido de Ilhas do Ontem e do Amanhã porque a Linha Internacional da Data, que é o meridiano de 180º, passa por entre elas.

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Teoria do Estreito de Bering

A teoria do Estreito de Bering procura explicar como os primeiros seres humanos chegaram até o continente americano por meio desse canal. Acredita-se que, por volta de 14.000 anos atrás, devido ao baixo nível do mar durante a última era do gelo, a região do Estreito de Bering era formada por uma vasta planície denominada Beríngia ou Ponte de Bering. As pessoas que viviam no norte e nordeste da Ásia teriam feito a travessia caminhando para o Alasca e, de lá, em direção a outras áreas da América do Norte.

Apesar de ser amplamente aceita, existem questionamentos quanto à teoria do Estreito de Bering, principalmente sobre o período de tempo que ela considera. Isso porque existem registros arqueológicos que indicam a presença de humanos na América do Sul há mais de 20.000 anos|2|, o que sugere que a travessia possa ter acontecido muito antes da glaciação ou, então, que a chegada dos homo sapiens no continente americano aconteceu de outra forma. Esse é um debate que continua ativo na comunidade científica.

Leia também: Como aconteceu a povoação da América?

É possível atravessar o Estreito de Bering a pé?

Sim, é possível atravessar o Estreito de Bering a pé. Em 1998, um homem e seu filho, Dmitry Shparo e Matvey Shparo, ambos russos, realizaram esse feito com o auxílio de esquis da Rússia até o Alasca. No ano de 2006 o caminho inverso foi realizado, também a pé, pelo inglês Karl Bushby e o americano Dimitri Kieffer, tendo sido detidos assim que chegaram em território russo pela falta de autorização para entrar no país.

Entretanto, o trajeto é instável e muito perigoso por conta dos ventos extremos e da irregularidade da superfície congelada. A travessia a pé poderia ser feita apenas durante o inverno, mais precisamente, entre os meses de março e abril, quando a cobertura de gelo formada atinge sua extensão máxima no estreito. Além disso, seria necessário uma autorização formal dos países para realizar esse feito. Segundo as fontes consultadas, é difícil obter a licença da Rússia, ainda mais considerando que a travessia incluiria o acesso à ilha de Grande Diomedes.

Aliás, é importante mencionar os efeitos das alterações do clima global no gelo que se forma sobre o Estreito de Bering. Imagens de satélite disponibilizadas pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosféria dos Estados Unidos) evidenciam a redução do gelo naquela região durante o ponto máximo do inverno.

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Evolução da cobertura de gelo no Estreito de Bering durante o inverno. À esquerda, em 2014, e à direita, em 2019.
Evolução da cobertura de gelo no Estreito de Bering durante o inverno. À esquerda, em 2014, e à direita, em 2019.

Notas

|1| BAILÓN, Francesc. Dire Straits: Bering's deadly exploration of the Pacific. National Geographic, 08 jan. 2019. Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/history/history-magazine/article/vitus-bering-strait-explorer.

|2| LOBATO, Bela. Entrevista: quando os primeiros humanos chegaram às Américas? Superinteressante, 20 out. 2024. Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/entrevista-quando-os-primeiros-humanos-chegaram-as-americas/.

Fontes

BERG, Bailey. The US island where you can walk to Russia. BBC, 15 ago. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/travel/article/20250814-little-diomede-the-us-island-where-you-can-walk-to-russia.

JOHNSON, C. M., et al. Protecting Blue Corridors – Challenges and Solutions for Migratory Whales Navigating National and International Seas. Zenodo, 17 fev. 2022. Disponível em: https://zenodo.org/records/6196131.

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MCNUTT, Lyn. How does ice cover vary in the Bering Sea from year to year? Bering Sea Indicatiors – NOAA, [s.d.]. Disponível em: https://www.pmel.noaa.gov/arctic-zone/bering-sea-indicators/essays_mcnutt.html.

REDAÇÃO. Crossing the Bering Straits. The Guardian, 18 ago. 2003. Disponível em: https://www.theguardian.com/travel/2003/aug/18/userstraveladvice2.

REDAÇÃO. Crossing the Bering Strait & Beringian Gap. Angus Adventures, [s.d.]. Disponível em: https://angusadventures.com/adventurer-handbook/beringstrait/.

REDAÇÃO. The Bering Strait. Ocean Conservancy, [s.d.]. Disponível em: https://oceanconservancy.org/work/biodiversity/deep-dive/bering-strait-gateway-arctic/.

USGS. The Diomede Islands. United States Geological Survey (USGS), 20 jan. 2023. Disponível em: https://www.usgs.gov/media/images/diomede-islands.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.
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GUITARRARA, Paloma. "Estreito de Bering"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/estreito-bering.htm. Acesso em 21 de julho de 2026.
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