O Estreito de Bering é uma faixa de mar que conecta o Oceano Glacial Ártico ao Oceano Pacífico. Ele fica localizado na região do Círculo Polar Ártico entre a Rússia e o Alasca (Estados Unidos), com 82 km de distância em seu trecho de menor extensão e profundidade máxima de 50 metros. O clima no Estreito de Bering é extremo, com temperaturas muito baixas e ventos fortes, que ganham intensidade no inverno. Durante essa estação, as águas superficiais congelam e até possibilitam a travessia a pé, embora seja uma rota perigosa e bastante instável.
Segundo a teoria mais aceita para o povoamento da América, a população que vivia na Ásia atravessou o Estreito de Bering há cerca de 14.000 anos durante a última era do gelo, quando o nível do mar estava tão baixo que deixou exposta a planície local, permitindo, assim, a passagem.
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O Estreito de Bering é um corpo hídrico que conecta o Mar de Chukchi (Oceano Glacial Ártico) ao Mar de Bering (Oceano Pacífico). Recebe esse nome por conta das suas dimensões, sendo uma pequena faixa de água que faz a separação de duas áreas territoriais. No caso, o Estreito de Bering fica entre duas penínsulas:
Embora não tenha sido o primeiro a atravessar o Estreito de Bering, o explorador dinamarquês Vitus Bering foi o pioneiro europeu, no período moderno, a realizar a travessia da Rússia para o Alasca no ano de 1728 e, por isso, o estreito recebeu seu nome. Alguns anos mais tarde, por meio de registros de navegação recuperados, foi descoberto que o primeiro europeu a cruzar o Estreito de Bering foi, na verdade, o russo Semyon Dezhnyov, em 1648.|1|

O Estreito de Bering consiste em uma faixa curta de água que possui aproximadamente 82 quilômetros em seu ponto mais estreito, cruzando da Rússia para os Estados Unidos e vice-versa.
No sentido norte-sul, fazendo a travessia de um oceano a outro, o Estreito de Bering possui aproximadamente 90 quilômetros de extensão. Apesar de ser formado por águas oceânicas, esse não é um corpo hídrico fundo, já que alcança uma profundidade máxima de 50 metros, com 30 metros em sua parte mais rasa.
Essa passagem fica situada em uma área de alta latitude, muito próxima do Círculo Polar Ártico, o que faz com que seja uma região de clima severo, marcado pelo frio extremo com temperatura média de -10 ºC na camada da atmosfera imediatamente acima do Estreito de Bering.
Suas águas, em contrapartida, apresentam média anual entre 1 ºC e 5 ºC. Durante o verão no Mar de Bering, que fica situado ao sul do estreito, as águas se aquecem e alcançam entre 10 ºC e 15 ºC, enquanto o ar nunca ultrapassa 20 ºC. As correntes marítimas que circulam pela região e atravessam o Estreito de Bering partem justamente dessa área em direção ao Mar de Chukchi, no Oceano Ártico.
No inverno, as águas do Estreito de Bering congelam e dão origem a uma vasta superfície formada por gelo. Quando as temperaturas voltam a subir, ainda que de maneira sutil, o gelo derrete e dá origem a blocos, que ficam flutuando pelas águas daquela região, dentre os quais estão icebergs de dimensões variadas.
Apesar do frio intenso, agravado pelos ventos fortes que são frequentes na região, a vida animal é numerosa e diversa no Estreito de Bering e nas penínsulas que o cercam. É, por isso, considerado um importante hotspot de biodiversidade, principalmente da fauna marinha.
Além disso, a passagem é classificada como um corredor azul por ser utilizada como rota migratória pelos animais que lá vivem. A fauna da região do Estreito de Bering é formada por focas, morsas, gaivotas, albatrozes, ursos-polares, baleias jubarte, baleias beluga (ou baleia-branca) e orcas.
Nas imagens de satélite do Estreito de Bering, é possível identificar a presença de duas porções de terras emersas que correspondem às Ilhas Diomedes. São elas:
As Ilhas Diomedes são separadas por 3,8 quilômetros e recebem o apelido de Ilhas do Ontem e do Amanhã porque a Linha Internacional da Data, que é o meridiano de 180º, passa por entre elas.
A teoria do Estreito de Bering procura explicar como os primeiros seres humanos chegaram até o continente americano por meio desse canal. Acredita-se que, por volta de 14.000 anos atrás, devido ao baixo nível do mar durante a última era do gelo, a região do Estreito de Bering era formada por uma vasta planície denominada Beríngia ou Ponte de Bering. As pessoas que viviam no norte e nordeste da Ásia teriam feito a travessia caminhando para o Alasca e, de lá, em direção a outras áreas da América do Norte.
Apesar de ser amplamente aceita, existem questionamentos quanto à teoria do Estreito de Bering, principalmente sobre o período de tempo que ela considera. Isso porque existem registros arqueológicos que indicam a presença de humanos na América do Sul há mais de 20.000 anos|2|, o que sugere que a travessia possa ter acontecido muito antes da glaciação ou, então, que a chegada dos homo sapiens no continente americano aconteceu de outra forma. Esse é um debate que continua ativo na comunidade científica.
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Sim, é possível atravessar o Estreito de Bering a pé. Em 1998, um homem e seu filho, Dmitry Shparo e Matvey Shparo, ambos russos, realizaram esse feito com o auxílio de esquis da Rússia até o Alasca. No ano de 2006 o caminho inverso foi realizado, também a pé, pelo inglês Karl Bushby e o americano Dimitri Kieffer, tendo sido detidos assim que chegaram em território russo pela falta de autorização para entrar no país.
Entretanto, o trajeto é instável e muito perigoso por conta dos ventos extremos e da irregularidade da superfície congelada. A travessia a pé poderia ser feita apenas durante o inverno, mais precisamente, entre os meses de março e abril, quando a cobertura de gelo formada atinge sua extensão máxima no estreito. Além disso, seria necessário uma autorização formal dos países para realizar esse feito. Segundo as fontes consultadas, é difícil obter a licença da Rússia, ainda mais considerando que a travessia incluiria o acesso à ilha de Grande Diomedes.
Aliás, é importante mencionar os efeitos das alterações do clima global no gelo que se forma sobre o Estreito de Bering. Imagens de satélite disponibilizadas pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosféria dos Estados Unidos) evidenciam a redução do gelo naquela região durante o ponto máximo do inverno.
Notas
|1| BAILÓN, Francesc. Dire Straits: Bering's deadly exploration of the Pacific. National Geographic, 08 jan. 2019. Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/history/history-magazine/article/vitus-bering-strait-explorer.
|2| LOBATO, Bela. Entrevista: quando os primeiros humanos chegaram às Américas? Superinteressante, 20 out. 2024. Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/entrevista-quando-os-primeiros-humanos-chegaram-as-americas/.
Fontes
BERG, Bailey. The US island where you can walk to Russia. BBC, 15 ago. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/travel/article/20250814-little-diomede-the-us-island-where-you-can-walk-to-russia.
JOHNSON, C. M., et al. Protecting Blue Corridors – Challenges and Solutions for Migratory Whales Navigating National and International Seas. Zenodo, 17 fev. 2022. Disponível em: https://zenodo.org/records/6196131.
MCNUTT, Lyn. How does ice cover vary in the Bering Sea from year to year? Bering Sea Indicatiors – NOAA, [s.d.]. Disponível em: https://www.pmel.noaa.gov/arctic-zone/bering-sea-indicators/essays_mcnutt.html.
REDAÇÃO. Crossing the Bering Straits. The Guardian, 18 ago. 2003. Disponível em: https://www.theguardian.com/travel/2003/aug/18/userstraveladvice2.
REDAÇÃO. Crossing the Bering Strait & Beringian Gap. Angus Adventures, [s.d.]. Disponível em: https://angusadventures.com/adventurer-handbook/beringstrait/.
REDAÇÃO. The Bering Strait. Ocean Conservancy, [s.d.]. Disponível em: https://oceanconservancy.org/work/biodiversity/deep-dive/bering-strait-gateway-arctic/.
USGS. The Diomede Islands. United States Geological Survey (USGS), 20 jan. 2023. Disponível em: https://www.usgs.gov/media/images/diomede-islands.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/geografia/estreito-bering.htm