Para onde vai o lixo?

Você sabe para onde vai o lixo? Somente um terço é reciclado ou se torna fonte para geração de energia, de modo que a maior parte dele ainda tem destino inapropriado.

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Afinal, para onde vai o lixo? Essa é uma preocupação genuína, já que a humanidade gera mais de 2 bilhões de toneladas de resíduos todos os anos, e o manejo inadequado desse material pode ocasionar a degradação do meio ambiente e danos para a saúde humana. Ainda assim, a maior parte do lixo, hoje, tem como destino os lixões. Os aterros sanitários recebem apenas um terço do volume total, enquanto menos de 20% dos resíduos são reciclados. No Brasil, a realidade é um pouco distinta, com metade do lixo sendo levada para os aterros sanitários. Ainda assim, a manutenção de lixões e o crescente volume de lixo eletrônico têm causado preocupação.

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Leia também: Qual é o tempo de decomposição do lixo?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o destino do lixo

  • A maior parte das 2,1 bilhões de toneladas de lixo geradas anualmente no mundo é descartada irregularmente, com 38% indo parar em lixões.
  • Uma parcela de 30,4% do lixo tem os aterros sanitários como destino, e somente 19% é conduzido para a reciclagem.
  • A geração de energia é uma forma sustentável de eliminar os resíduos sólidos. Hoje, 12% do lixo do mundo é reaproveitado para esse fim.
  • No Brasil, 51% do lixo tem como destino os aterros sanitários. Apesar de proibidos pela legislação, pouco mais de um terço dos descartes ainda são jogados em lixões.
  • O lixo hospitalar é um tipo de resíduo que oferece risco ao ambiente e à saúde humana, motivo pelo qual parte dele é incinerada, e o manejo é feito por empresas especializadas.
  • O lixo eletrônico tem crescido rapidamente em todo o mundo, com 62 milhões de toneladas produzidas em 2022. A maioria tem destino irregular, e apenas 22,3% vai para a reciclagem.
Gráfico mostrando para onde vai o lixo. [imagem_principal]
Você sabe para onde vai o lixo? (Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola)

Qual é o destino do nosso lixo?

O mundo gera, em média, 2,1 bilhões de toneladas de lixo, ou resíduos sólidos municipais, todos os anos, com estimativa de que esse volume chegue a 3,8 bilhões de toneladas até a metade do presente século. Mas, então, para onde vai todo esse volume de lixo? De acordo com as informações do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os resíduos sólidos municipais têm os destinos que apresentamos a seguir.

  • Lixões: 38,5% do lixo que é produzido mundialmente tem como destino os lixões e outras áreas de depósito irregular. Essa parcela é equivalente a um volume de 810 milhões de toneladas, com a tendência de ampliação para 1,57 bilhão de toneladas no ano de 2050, o que é 41,3% do volume de lixo previsto para o ano em questão. Os lixões são áreas em que não há o devido controle ou manejo dos resíduos sólidos, sendo eles descartados a céu aberto e diretamente sobre o solo. É, por isso, o destino que acumula uma série de impactos ambientais negativos, como a poluição do solo, a poluição do ar e a proliferação de vetores de doenças, impactando a saúde humana.
Lixão, o principal lugar para onde vai o lixo.
A maior parte do lixo do mundo tem destino inadequado, como os lixões.
  • Aterros sanitários: 30,5% do lixo gerado globalmente, ou 640 milhões de toneladas, tem como destino final os aterros sanitários. Essas são áreas controladas de descarte, onde o solo tem a preparação adequada para impedir a penetração de resíduos líquidos provenientes do lixo, e todo novo depósito é recoberto e isolado do ambiente externo. Os gases e os resíduos  produzidos pelo material em decomposição são drenados para fora e tratados. Em alguns aterros, eles são reaproveitados para a geração de energia. Para 2050, prevê-se que 28,5% dos rejeitos urbanos serão enviados aos aterros, portanto, um volume menor do que o cenário atual.
  • Reciclagem: 19% é a parcela do lixo que tem a reciclagem como destino, o que corresponde a um montante de 400 milhões de toneladas. Esse é o volume de resíduos sólidos que são reaproveitados e reintroduzidos nas cadeias de consumo, sendo a opção mais viável em termos de proteção ambiental para a destinação do lixo. Na metade do século, caso o tratamento com o lixo continue o mesmo, estima-se que 17,3% do lixo será reciclado.
  • Geração de energia: 12%, ou 270 milhões de toneladas, é reaproveitado para a geração de energia, que pode ser tanto eletricidade quanto calor. Esse é um método muito antigo de destinação dos resíduos sólidos e que se aproxima das práticas sustentáveis que auxiliam na manutenção do equilíbrio ambiental. Japão, China e Alemanha são os países com maior número de plantas geradoras desse tipo de energia.

Para onde vai o lixo no Brasil?

O volume de lixo que é gerado no Brasil já ultrapassou a marca de 81 milhões de toneladas, segundo revelam os dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). É como se cada brasileiro tivesse produzido uma média de 1,05 kg de lixo todos os dias no período de um ano, que dá um total de 384 kg per capita nesse mesmo intervalo de tempo. A maior parte do lixo que é gerado no território brasileiro tem como destino os aterros sanitários, mais precisamente 51%, ou 41,6 milhões de toneladas. Essa é a destinação mais adequada dos resíduos sólidos, estando ela de acordo com a legislação vigente no país.

Aterro sanitário, o principal lugar para onde o lixo vai no Brasil.
Pouco mais da metade do lixo do Brasil vai parar em aterros sanitários, que é o destino mais adequado. [1]

Não obstante a proibição dos lixões em todo o Brasil, esses depósitos ainda são o destino de 34,4% dos resíduos sólidos do país, o que corresponde a 28 milhões de toneladas de lixo. A reciclagem, por sua vez, é realizada em 8,7% do volume de lixo brasileiro, sendo uma parte importante dele oriundo da coleta informal. Ainda, as informações da Abrema mostram que 4,4 milhões de toneladas de lixo são queimadas por moradores na sua própria residência ou nos arredores, volume esse, então, que não é coletado. Por fim, 85,5 mil toneladas, ou 0,1%, torna-se compostagem.

Veja também: Qual é a importância da coleta seletiva?

Para onde vai o lixo hospitalar?

Enfermeira descartando lixo hospitalar.
O lixo hospitalar deve ser separado de maneira adequada a fim de evirar contaminação ou riscos para o meio ambiente.

No Brasil, as normas para o descarte adequado do lixo hospitalar são definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. O principal documento normativo é a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 222, de 28 de março de 2018, que faz a separação do lixo hospitalar em grupos e regulamenta o descarte de cada um deles. São esses grupos:

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  • Grupo A: resíduos biológicos e infectantes.
  • Grupo B: resíduos contendo produtos químicos.
  • Grupo C: rejeitos radioativos.
  • Grupo D: resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente.
  • Grupo E: resíduos perfurocortantes ou escarificantes.

O lixo hospitalar deve ser separado de acordo com os grupos acima descritos, e cada tipo de descarte precisa ser devidamente identificado e separado para que as empresas que realizam a sua coleta possam manejá-lo da melhor forma, evitando a contaminação ambiental e problemas de saúde. A incineração é a principal forma de eliminação desses resíduos, principalmente aqueles dos grupos A e E. Os rejeitos radioativos são comumente levados a aterros específicos, enquanto os resíduos do grupo D recebem o mesmo tratamento que o lixo urbano comum por causa de sua natureza.

Importante: O lixo hospitalar é um resíduo de saúde. Ele não é composto unicamente pelos descartes provenientes de hospitais, como também de farmácias, de laboratórios de análises clínicas e de pesquisa, de clínicas, de postos de saúde, de consultórios, de necrotérios e, até mesmo, de estúdios de piercing e de tatuagem. Todos esses locais descartam ao menos um dos seguintes itens: elementos perfurocortantes (agulhas, lâminas, bisturis, ampolas de vidro), medicamentos, reagentes ou agentes biológicos e infectantes que podem oferecer riscos à saúde humana.

Para onde vai o lixo eletrônico?

O lixo eletrônico deve ser descartado separadamente dos demais tipos de resíduos por causa de substâncias tóxicas contidas em seus componentes e que oferecem risco para o meio ambiente e a população. São considerados lixos eletrônicos aparelhos como celulares, televisores, notebooks, computadores e outros. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os descartes de eletrônicos chegaram a 62 milhões de toneladas no ano de 2022, um aumento de 82% com relação a 2010. Até 2030, espera-se que esse volume seja de 82 milhões de toneladas.

Em muitas cidades, já existem pontos específicos de coleta de lixo eletrônico, e o seu destino ideal é a reciclagem. Contudo, segundo dados da ONU, somente 22,3% dos resíduos eletrônicos gerados em todo o mundo são recolhidos e vão para as empresas de reciclagem especializadas nesse tipo de descarte. A maior parte dele ainda tem como destino os aterros e os depósitos irregulares, como os lixões.

Lixo eletrônico, tipo de lixo que geralmente não vai para onde seria mais adequado: reciclagem.
O descarte de aparelhos eletrônicos é o que mais cresce no mundo moderno, e uma boa parte deles tem destino irregular.

Importante: O volume de lixo eletrônico produzido em escala mundial tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, o que é condizente com os novos padrões de consumo da sociedade. O Brasil é, hoje, o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo, além do segundo do continente americano, atrás apenas dos Estados Unidos.

Crédito de imagem

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[1] Joa Souza / Shutterstock

Fontes

ABREMA. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025. São Paulo: ABREMA, 2025. Disponível em: https://www.abrema.org.br/panorama/.

ANVISA. RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA – RDC Nº 222, DE 28 DE MARÇO DE 2018. Regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf.

REDAÇÃO. Maior parte do lixo eletrônico do Brasil é descartada irregularmente, mas poderia ser reciclada. Jornal Nacional, 09 dez. 2013. Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2023/12/09/maior-parte-do-lixo-eletronico-do-brasil-e-descartada-irregularmente-mas-poderia-ser-reciclada.ghtml.

UN. Produção de lixo eletrônico pela humanidade chegou a 62 milhões de toneladas. UN News, 22 mar. 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1829466.

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UN. Beyond an age of waste: Turning rubbish into a resource. United Nations Envionment Program, 2024. Disponível em: https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/46051/Beyond-an-age-of-waste.pdf.

UN. The global E-waste Monitor 2024. United Nations Institute for Training and Research, 2024. Disponível em: https://ewastemonitor.info/the-global-e-waste-monitor-2024/.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.
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GUITARRARA, Paloma. "Para onde vai o lixo?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/voce-sabe-para-onde-vai-lixo.htm. Acesso em 31 de janeiro de 2026.
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