Afinal, para onde vai o lixo? Essa é uma preocupação genuína, já que a humanidade gera mais de 2 bilhões de toneladas de resíduos todos os anos, e o manejo inadequado desse material pode ocasionar a degradação do meio ambiente e danos para a saúde humana. Ainda assim, a maior parte do lixo, hoje, tem como destino os lixões. Os aterros sanitários recebem apenas um terço do volume total, enquanto menos de 20% dos resíduos são reciclados. No Brasil, a realidade é um pouco distinta, com metade do lixo sendo levada para os aterros sanitários. Ainda assim, a manutenção de lixões e o crescente volume de lixo eletrônico têm causado preocupação.
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O mundo gera, em média, 2,1 bilhões de toneladas de lixo, ou resíduos sólidos municipais, todos os anos, com estimativa de que esse volume chegue a 3,8 bilhões de toneladas até a metade do presente século. Mas, então, para onde vai todo esse volume de lixo? De acordo com as informações do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os resíduos sólidos municipais têm os destinos que apresentamos a seguir.
O volume de lixo que é gerado no Brasil já ultrapassou a marca de 81 milhões de toneladas, segundo revelam os dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). É como se cada brasileiro tivesse produzido uma média de 1,05 kg de lixo todos os dias no período de um ano, que dá um total de 384 kg per capita nesse mesmo intervalo de tempo. A maior parte do lixo que é gerado no território brasileiro tem como destino os aterros sanitários, mais precisamente 51%, ou 41,6 milhões de toneladas. Essa é a destinação mais adequada dos resíduos sólidos, estando ela de acordo com a legislação vigente no país.
Não obstante a proibição dos lixões em todo o Brasil, esses depósitos ainda são o destino de 34,4% dos resíduos sólidos do país, o que corresponde a 28 milhões de toneladas de lixo. A reciclagem, por sua vez, é realizada em 8,7% do volume de lixo brasileiro, sendo uma parte importante dele oriundo da coleta informal. Ainda, as informações da Abrema mostram que 4,4 milhões de toneladas de lixo são queimadas por moradores na sua própria residência ou nos arredores, volume esse, então, que não é coletado. Por fim, 85,5 mil toneladas, ou 0,1%, torna-se compostagem.
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No Brasil, as normas para o descarte adequado do lixo hospitalar são definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. O principal documento normativo é a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 222, de 28 de março de 2018, que faz a separação do lixo hospitalar em grupos e regulamenta o descarte de cada um deles. São esses grupos:
O lixo hospitalar deve ser separado de acordo com os grupos acima descritos, e cada tipo de descarte precisa ser devidamente identificado e separado para que as empresas que realizam a sua coleta possam manejá-lo da melhor forma, evitando a contaminação ambiental e problemas de saúde. A incineração é a principal forma de eliminação desses resíduos, principalmente aqueles dos grupos A e E. Os rejeitos radioativos são comumente levados a aterros específicos, enquanto os resíduos do grupo D recebem o mesmo tratamento que o lixo urbano comum por causa de sua natureza.
Importante: O lixo hospitalar é um resíduo de saúde. Ele não é composto unicamente pelos descartes provenientes de hospitais, como também de farmácias, de laboratórios de análises clínicas e de pesquisa, de clínicas, de postos de saúde, de consultórios, de necrotérios e, até mesmo, de estúdios de piercing e de tatuagem. Todos esses locais descartam ao menos um dos seguintes itens: elementos perfurocortantes (agulhas, lâminas, bisturis, ampolas de vidro), medicamentos, reagentes ou agentes biológicos e infectantes que podem oferecer riscos à saúde humana.
O lixo eletrônico deve ser descartado separadamente dos demais tipos de resíduos por causa de substâncias tóxicas contidas em seus componentes e que oferecem risco para o meio ambiente e a população. São considerados lixos eletrônicos aparelhos como celulares, televisores, notebooks, computadores e outros. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os descartes de eletrônicos chegaram a 62 milhões de toneladas no ano de 2022, um aumento de 82% com relação a 2010. Até 2030, espera-se que esse volume seja de 82 milhões de toneladas.
Em muitas cidades, já existem pontos específicos de coleta de lixo eletrônico, e o seu destino ideal é a reciclagem. Contudo, segundo dados da ONU, somente 22,3% dos resíduos eletrônicos gerados em todo o mundo são recolhidos e vão para as empresas de reciclagem especializadas nesse tipo de descarte. A maior parte dele ainda tem como destino os aterros e os depósitos irregulares, como os lixões.
Importante: O volume de lixo eletrônico produzido em escala mundial tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, o que é condizente com os novos padrões de consumo da sociedade. O Brasil é, hoje, o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo, além do segundo do continente americano, atrás apenas dos Estados Unidos.
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Fontes
ABREMA. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025. São Paulo: ABREMA, 2025. Disponível em: https://www.abrema.org.br/panorama/.
ANVISA. RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA – RDC Nº 222, DE 28 DE MARÇO DE 2018. Regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf.
REDAÇÃO. Maior parte do lixo eletrônico do Brasil é descartada irregularmente, mas poderia ser reciclada. Jornal Nacional, 09 dez. 2013. Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2023/12/09/maior-parte-do-lixo-eletronico-do-brasil-e-descartada-irregularmente-mas-poderia-ser-reciclada.ghtml.
UN. Produção de lixo eletrônico pela humanidade chegou a 62 milhões de toneladas. UN News, 22 mar. 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1829466.
UN. Beyond an age of waste: Turning rubbish into a resource. United Nations Envionment Program, 2024. Disponível em: https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/46051/Beyond-an-age-of-waste.pdf.
UN. The global E-waste Monitor 2024. United Nations Institute for Training and Research, 2024. Disponível em: https://ewastemonitor.info/the-global-e-waste-monitor-2024/.
Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/voce-sabe-para-onde-vai-lixo.htm