Sudão

Sudão é um país africano de quase 45 milhões de habitantes localizado no leste do continente. É marcado pela profunda desigualdade socioeconômica e instabilidade política.

Sudão, ou República do Sudão, é um país africano localizado na região da África Oriental e banhado pelo mar Vermelho. A capital sudanesa é a cidade de Cartum. Situado entre o deserto e a savana, com grande parte do território inserida no Sahel, o Sudão dispõe de climas árido e tropical e relevo predominantemente plano. Trata-se de um país subdesenvolvido e essencialmente rural, com a economia baseada na produção agropecuária e no setor terciário.

No ano de 2011, se oficializou a fragmentação do território sudanês, que deu origem a dois países: Sudão do Sul e Sudão. Ambos são marcados pelas guerras civis e conflitos internos, o que aprofunda as desigualdades socioeconômicas no país e a instabilidade política. Ainda em curso no Sudão estão os conflitos na região do Darfur, que tiveram início em 2003.

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Resumo sobre o Sudão

Dados gerais do Sudão

Geografia do Sudão

O Sudão é um país de 1.731.671 km² de extensão localizado na região da África Oriental, com capital na cidade de Cartum. A nordeste o território sudanês possui saída para o oceano Índico na região do mar Vermelho, enquanto estabelece fronteiras terrestres com os seguintes países:

Egito, ao norte;

Eritreia e Etiopia, a leste e sudeste;

◦ Sudão do Sul, ao sul;

República Centro-Africana, a sudoeste;

Chade e Líbia, a oeste.

Na sequência, vamos conhecer as principais características físicas do Sudão.

A ocorrência climática no Sudão varia de árida nas regiões central e norte para tropical na região sul, onde se concentram os maiores períodos de umidade durante o ano.

Nas terras mais ao norte, as chuvas são escassas e as temperaturas são muito elevadas, variando entre 30 e 40 °C a depender da área, enquanto nas demais áreas os termômetros marcam 30 °C em média. O volume anual de chuvas varia de praticamente zero no norte até 750 mm no sul.

A planície é a forma de relevo que caracteriza grande parte do território sudanês, destacando-se a planície do Nilo. Ao norte do país há uma extensão do deserto onde é possível observar a presença de relevo residual (inselbergues) e outras formas oriundas da erosão eólica.

Paisagem natural composta pelo Rio Nilo, no Sudão.
Paisagem natural composta pelo Rio Nilo, no Sudão.

Com regimes hidrológicos contrastantes, a cobertura vegetal sudanesa acompanha o padrão de distribuição de umidade nas diferentes regiões do país. Os desertos são predominantes no norte, dando lugar a uma faixa de transição central e vegetação típica das savanas na região sul.

O principal rio que banha o Sudão é o rio Nilo, o segundo maior curso d’água do mundo. A maioria dos rios que correm pelo país é tributária do Nilo, além de alguns poucos cursos que correm em direção ao mar Vermelho ou bacias endorreicas, isto é, que não deságuam no oceano.

Demografia do Sudão

A população sudanesa é hoje de 44.909.000 pessoas, de acordo com os dados das Nações Unidas. Em função do clima, a região norte do país é a menos densamente povoada do Sudão, com exceção das margens do rio Nilo. A maior concentração populacional do país fica situada entre a capital, Cartum, e a fronteira meridional com o Sudão do Sul. Considerando todo o território, a densidade demográfica sudanesa é de 25,4 hab./km².

Somente 36% dos habitantes do Sudão vive nas cidades, o que equivale a uma população urbana de aproximadamente 16 milhões de pessoas. Desse total, quase um terço vive na cidade de Cartum. Nyala é a segunda maior cidade do Sudão, com 1 milhão de habitantes.

A população do Sudão cresce a uma taxa de 2,55% ao ano, bem acima da média mundial. O crescimento populacional se deve ao elevado número de nascimentos, que é atualmente cinco vezes maior do que o de mortes. Embora tenha havido aumento constante da população do Sudão, seu saldo migratório é negativo, o que se deve aos conflitos étnicos e guerras civis no interior do país, como na região de Darfur, e também na fronteira com o Sudão do Sul.

Economia do Sudão

O Sudão é um país subdesenvolvido que figura entre os mais pobres do mundo, com renda per capita baixa e pouco mais de 46% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza. O Produto Interno Bruto (PIB) sudanês é de cerca de 31 bilhões de dólares, e suas principais atividades econômicas se concentram nos setores terciário, que responde por 57,8% da renda nacional, e primário, que representa 39,6% do valor do PIB.

A atividade agropecuária concentra 80% de toda a mão de obra do Sudão. Esse setor é responsável pela produção dos seguintes itens:

A indústria apresenta desenvolvimento bastante incipiente e é voltada essencialmente para o processamento dos produtos agropecuários, sendo composta por ramos como o alimentício, têxtil, açucareiro, fabricação de óleos, sabonetes, além de alguns itens mais complexos, como produtos farmacêuticos, armamentos e peças leves de caminhão.

O refino de petróleo é também uma atividade desenvolvida no país, mas sofreu forte queda com a separação do Sudão do Sul em 2011, território onde ficam concentradas as reservas de óleo. Antes da independência desse país, a economia do Sudão girava basicamente em torno da exploração e comercialização do petróleo.

Infraestrutura do Sudão

Vista de Cartum, capital do Sudão, localizada às margens do Rio Nilo.
Vista de Cartum, capital do Sudão, localizada às margens do Rio Nilo.

O Sudão apresenta uma rede de infraestrutura bastante deficitária, sobretudo quando se considera o atendimento das redes básicas de serviço como esgoto, a que somente 30,6% da população rural possui acesso, ainda que a maior parte dos habitantes do país viva no campo. Nas cidades, esse índice sobe para 72,1%. A água chega a 80,7% daqueles que vivem no campo, mas é de quase 20% a parcela que não tem acesso a fontes seguras de água.

A energia elétrica chega a somente 35% da população rural e a 71% nas áreas urbanizadas. No Sudão, as principais fontes geradoras de eletricidade são a água e os combustíveis fósseis. Nos transportes, temos que as rodovias compõem a principal rede de deslocamentos, com mais de 31 mil km de extensão, embora 23 mil km não sejam pavimentados. O mesmo acontece com a maior parte dos aeroportos do país. As hidrovias e ferrovias são utilizadas como vias de transporte no Sudão, sendo a segunda empregada principalmente para a movimentação de cargas agrícolas, como algodão.

Veja também: Infraestrutura e desenvolvimento — as relações entre ambos

Governo do Sudão

A forma de governo vigente no Sudão é o presidencialismo. Atualmente, o país vive sob um regime provisório que foi instituído no ano de 2019, após o término de um longo regime ditatorial militar que se prolongou durante três décadas no país. O órgão responsável pelo governo de transição, como foi inicialmente chamado, é o Conselho Soberano, que foi instituído no contexto de uma Declaração Constitucional.

O conselho era formado pelo chefe das forças armadas e civis, incluindo seu primeiro-ministro, indicando que o próximo quadro governamental seria composto por um maior número de civis do que nos períodos anteriores. Entretanto, no ano de 2021 houve um golpe que dissolveu temporariamente o conselho e retirou o primeiro-ministro de suas funções.

Pouco tempo depois, o Conselho Soberano do Sudão foi restabelecido, mas com líderes militares. Hoje, ele é constituído por generais, civis nomeados pelos militares e representantes de antigos grupos de oposição. A Declaração Constitucional prevê a realização de eleições em um futuro próximo.

Etimologia de Sudão

O nome Sudão, ou As-Sudan, como é chamado de maneira abreviada no idioma local, é derivado da expressão em árabe bilad-as-sudan, que significa “terra dos homens negros”.

História do Sudão

A região onde hoje está localizado o Sudão já foi o lugar de diferentes reinos e povoados que ali se desenvolveram ou para onde se expandiram antes do estabelecimento em definitivo dos povos árabes, o que aconteceu a partir do século XV. Um dos mais importantes reinos formados no atual território sudanês foi o reino de Querma, que perdurou por um longo período aproximadamente entre 2500 e 1500 a.C. Ainda muito antes disso, acredita-se que povos viviam nas proximidades da atual capital, Cartum, no Neolítico. As terras ali eram então chamadas de Núbia.

A presença e dominação dos egípcios sempre foi uma realidade naquela área, especialmente no norte da antiga Núbia. Milhares de anos mais tarde, no século XIX, o Egito assumiu o governo do Sudão mediante o auxílio da Grã-Bretanha. Dessa forma, o território sudanês se tornou uma colônia majoritariamente britânica, mas sob a influência egípcia. Após o estabelecimento de um acordo entre o Egito e o Reino Unido, o Sudão conquistou a sua independência no ano de 1956.

Não obstante o fim da influência estrangeira no país, a crise política e os conflitos permaneceram. Isso porque pouco tempo depois da independência houve um golpe de Estado que redefiniu a estrutura governamental sudanesa e, além disso, manteve o processo de incorporação da religião islâmica em diversos aspectos da vida política e social. Nesse ínterim, disputas étnico-religiosas entre as regiões norte e sul do país se tornaram ainda mais intensas e foram ganhando novas dimensões com a instalação de uma guerra civil que fez ao menos 2 milhões de vítimas no país.

A guerra no Sudão durou pelo menos até o ano de 2005, com cerca de dois períodos de cessar-fogo, um deles motivado pela seca extrema e agravamento do quadro de fome da população do sul. Nesse mesmo intervalo, conflitos emergiram na região oeste do país, em Darfur, no ano de 2003, que é composta por população negra de maioria não árabe. As respostas do governo sudanês foram violentas e fizeram milhares de vítimas, e os conflitos permanecem sem solução até hoje.

Mediante a assinatura de um acordo de paz em 2005, ficou estabelecido que a região sul do Sudão seria desmembrada do país e se tornaria um novo território. Em 2011, foi oficializada a independência do Sudão do Sul. Ainda hoje existem conflitos que acontecem na região da fronteira entre esses dois países, tendo a mais recente guerra na região durado de 2013 a 2020.

Saiba também: Conflitos na África — embates multifatoriais no continente africano

Cultura do Sudão

A diversidade cultural sudanesa é característica dos mais de 500 grupos étnicos que formam a população do país, como fur, beja, nuba, uduk e outros. Atualmente, o grupo mais numeroso é o dos sudaneses árabes, que perfazem 70% de seus habitantes. Os idiomas árabe e inglês são ambos considerados oficiais no Sudão, mas várias outras línguas locais são identificadas.

Em termos religiosos, há o predomínio da fé islâmica de corrente sunita. Apesar disso, os costumes e tradições que são identificados no Sudão variam consideravelmente de acordo com o grupo ou etnia e/ou conforme a região em que essas populações habitam.

A gastronomia sudanesa é bastante diversificada e característica de cada região do país. Em comum elas apresentam a grande variedade de temperos e especiarias utilizados nos preparos e os ingredientes mais presentes, como grãos e vegetais. Dentre os pratos tradicionais do Sudão podemos citar o moukhbaza, feito de bananas maduras amassadas com pimenta, e o dura, que consiste em milho e painço cozido acompanhado de vegetais.

Curiosidades sobre o Sudão

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia


Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/geografia/sudao.htm