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Colocação das palavras na língua portuguesa

Gramática

A colocação das palavras na língua portuguesa se encontra relacionada a critérios específicos.
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Ora se tratando da oralidade, ora da escrita, o fato é que, enquanto usuários da língua, dispomos de um acervo lexical bastante significativo e, tendo em vista o discurso a que propomos enfatizar, temos a nosso dispor distintas maneiras de efetivá-lo. Assim, tal posicionamento nos remete à disposição que ora elegemos para colocar cada palavra no seu respectivo lugar, fazendo com que as mensagens se tornem claras, precisas e coesas. Vale afirmar, portanto, que a própria língua que falamos, de certa forma, concede-nos essa flexibilidade, como o que ocorre nos enunciados que seguem, somente a título de exemplificação:

Acerca do que foi firmado na reunião, resta-nos acreditar que todas as propostas serão aceitas.

Resta-nos acreditar que todas as propostas serão aceitas, acerca do que foi firmado na reunião.

Resta-nos acreditar, acerca do que foi firmado na reunião, que todas as propostas serão aceitas.

Torna-se notório que a disposição dos elementos em todos eles se deu de forma distinta, contudo, tal fato não comprometeu a clareza da mensagem – o que mais uma vez confirma que, a depender da consciência do emissor de que a relação que se estabelece entre as palavras diz respeito aos conhecimentos de que dispõe acerca da sintaxe, pode optar por maneiras variadas de posicionar os elementos constituintes do discurso.

Entretanto, vale afirmar que mesmo havendo tais possibilidades, enquanto usuários do sistema linguístico, precisamos nos dar conta de que há princípios básicos que norteiam  esse processo e que nem todas as posições que escolhermos para dispor as palavras serão gramaticalmente aceitas. Nesse sentido, ao nos referirmos a esses princípios, postulam como necessários três fundamentos básicos, estando eles relacionados à harmonia da frase, à clareza do significado e à expressividade, ou seja, aos efeitos de ordem estilística que se deseja obter mediante à relação enunciador x enunciatário.   Desse modo, vejamo-los, a efeito de constatação:

Colocação relacionada à harmonia do discurso.

Nesse quesito, não é descabido afirmar que a harmonia mantém uma estreita relação com o som produzido pelas escolhas que fazemos, materializando-se (ou pelo menos é o que se espera) numa perfeita união. Assim, exemplos imprimem credibilidade à afirmação ressaltada:

Nunca aborreci-te.(Há de se constatar que a ligação entre o verbo e o pronome não resultou num efeito fonético de cunho agradável, o que nos faz acreditar, em termos de constatação linguística, que o uso da ênclise nesse caso não foi bem aceito).

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Dessa maneira, ao retificarmos o discurso em questão, obtemos:

Nunca te aborreci.

Clareza do discurso

Quando se fala em clareza, logo se tem uma ideia de que distintos são os entraves que, porventura materializados, obscurecem, tornam ambíguas as mensagens que produzimos, como podemos constar em:

O passageiro pegou o ônibus correndo muito.

Nesse caso, não dispomos de nenhum recurso que nos indica se tratar de quem estava correndo: se o passageiro ou se o ônibus.

Retificando, de modo a deixarmos claro o que se pretende dizer, temos:

O passageiro pegou o ônibus, que estava correndo muito.

Expressividade na mensagem

“Estilo” representa um recurso amplamente disponível ao emissor, desde que tal habilidade esteja a serviço do que ele pretende atingir com o discurso que produz. Assim, conferir um caráter mais enfático ao discurso se torna um procedimento amplamente aceitável, o que muitas vezes se materializa pela colocação que se dá entre o substantivo e o adjetivo, o que muitas vezes revela a carga de subjetividade impressa naquilo que se pretende afirmar, como em:

Aquele olhar representava uma triste amargura dos tempos em que conviveram juntos.

Aquele olhar representava uma amargura triste dos tempos em que conviveram jutos.

Significado no discurso

Significado diz respeito à semântica que, por sua vez, encontra-se intimamente ligada ao sentido que desejamos conferir à ideia que transmitimos, por isso, uma mesma palavra, a depender da situação comunicativa, pode assumir conotações distintas, basta que sejamos hábeis para reconhecer isso. Partindo dessa premissa, vejamos:

Consegui ver algum sentido nas suas palavras.

Sentido algum consegui ver nas suas palavras.

Constatamos que no primeiro exemplo, temos algo positivo; já em se tratando do segundo, visualizamos um caráter negativo impresso na mensagem.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

Critérios específicos postulam como deve se dar a colocação das palavras na língua portuguesa
Critérios específicos postulam como deve se dar a colocação das palavras na língua portuguesa

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. "Colocação das palavras na língua portuguesa"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/colocacao-das-palavras-na-lingua-portuguesa.htm. Acesso em 22 de setembro de 2019.

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