Romantasia

A romantasia é um subgênero literário que foi recentemente criado. Narrativas desse tipo apresentam, obrigatoriamente, uma história de amor e elementos fantásticos.

A romantasia é um subgênero literário. (Créditos de imagem: Isa Galvão | Brasil Escola | Galera Record | Planeta Minotauro)

Romantasia é um subgênero literário. Romances desse tipo apresentam, obrigatoriamente, uma história de amor e elementos fantásticos. A romantasia sombria, mais conhecida como “romantasia dark”, apresenta elementos sombrios, sendo portanto uma narrativa tematicamente mais “pesada”.

A romantasia urbana tem como cenário centros urbanos existentes no mundo real ou imaginados. Já na alta romantasia, o cenário deve ser completamente criado e fantástico. A romantasia é épica se apresentar aventuras heroicas. É mitológica se apresentar personagens mitológicos. É histórica se a ação transcorrer em algum período histórico.

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Leia também: Literatura fantástica — um tipo de literatura que traz elementos extraordinários ou surreais

Tópicos deste artigo

Resumo sobre romantasia

  • A romantasia é um subgênero literário caracterizado pela presença de uma história de amor e elementos fantásticos.

  • Os principais tipos de romantasia são:

    • romantasia sombria (dark romantasy): apresenta espaço e personagens sombrios;

    • romantasia urbana: o espaço da ação são grandes centros urbanos reais ou fictícios;

    • alta romantasia: o espaço é inteiramente fantástico, sem vínculo com nossa realidade;

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    • romantasia épica: alta romantasia com aventuras épicas, ou seja, heroicas;

    • romantasia mitológica: possui personagens mitológicos;

    • romantasia histórica: a ação transcorre em algum período histórico da humanidade.

  • Atualmente, a principal obra do subgênero romantasia é Corte de espinhos e rosas, da escritora estado-unidense Sarah J. Maas.

  • A origem do termo “romantasia” é recente, o qual foi popularizado na rede social TikTok.

O que é romantasia?

A romantasia é um subgênero literário que mistura romance (história de amor) com fantasia (elementos fantásticos, não explicáveis pela razão). Sendo assim, a romantasia pertence ao gênero literário narrativo e configura-se como um romance (subgênero literário que se caracteriza como uma narrativa longa), sendo marcado pela história de amor.

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Você percebeu que, até aqui, usei a palavra “romance” com dois significados: “narrativa longa” (subgênero literário) e “história de amor” (sinônimo). Em outras palavras, a romantasia é romance no sentido de um texto narrativo longo, que mistura romance (agora como sinônimo de “história de amor”) e fantasia.

Desse modo, a romantasia também pode ser chamada de “fantasia romântica”. Além disso, o termo “romantasia” é novo. Portanto, é um neologismo formado pela aglutinação entre as palavras “romance” e “fantasia”.

A chamada composição por aglutinação ocorre quando duas palavras se juntam, mas uma delas (ou as duas) perde um pedaço para se unir a outra. É o que acontece com “romance”, que perde o “-ce”, e “fantasia”, que perde o “fa-”, formando “romantasia”. Fascinante, não é mesmo!? Daí temos não só a criação (ou revelação, já que, como veremos depois, esse tipo de romance não é de fato novo) de um novo subgênero literário, mas também a criação de uma nova palavra.

Características da romantasia

Eu já disse para você que romantasia é uma história de amor com elementos fantásticos ou uma história de fantasia com temática amorosa. Então, parece lógico que as características da romantasia são as características das histórias de amor, somadas, obrigatoriamente, às características das histórias de fantasia.

São elementos fantásticos fatos e personagens sobrenaturais, ilógicos, não explicados pelas leis naturais. Por exemplo, um ser humano que voa, um vampiro, um lobisomem, um fantasma, casas mal-assombradas, unicórnios etc. Você, com certeza, já leu ou ouviu uma história com tais elementos.

São comuns, nas histórias fantásticas, a presença de magia, de bruxas, de seres inexistentes em nossa realidade, como dragões, por exemplo, ou outros seres.

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Por sua vez, as histórias de amor devem estar centradas em um par romântico. Além disso, existem várias possibilidades de acontecimentos em torno de tal relacionamento. Pode haver um empecilho para a realização do amor, uma das pessoas envolvidas pode estar correndo perigo ou estar doente, enfim, há várias possibilidades de enredo para tornar a relação amorosa mais atraente para os leitores. Portanto, os protagonistas da romantasia são o par amoroso.

Desse modo, temos a história do casal romântico, que ocorre em um espaço fantástico ou em um espaço semelhante à nossa realidade, mas com alguns elementos fantásticos. Por exemplo, a obra Crepúsculo, da escritora estado-unidense Stephenie Meyer, não se passa em um ambiente fantástico, mas possui personagens fantásticos, como um vampiro e um lobisomem.

Já a obra Quarta asa, da também estado-unidense Rebecca Yarros, traz a história de amor entre Violet e Xaden, em um mundo fantástico, habitado por dragões. Portanto, a romantasia precisa apresentar características tanto de romance (história de amor) quanto de fantasia.

Como a romantasia é algo relativamente novo, pois começa a ser estudada mais profundamente agora, muita coisa ainda vamos descobrindo com o tempo. Por exemplo, as pesquisadoras Panmela Lyrio Ribeiro e Simone Oliveira Thompson de Vasconcelos dizem sobre a romantasia, citando John Snead (antropólogo e designer de jogos):

o primeiro é o fato de que o protagonista masculino muitas vezes é descrito como um anti-herói, pois, o bem-estar e a felicidade da protagonista feminina é mais importante do que a ordem social e a salvação do mundo para ele; e, ainda falando dos personagens principais, a protagonista feminina tem ganhado mais força física e emocional na romantasia, se mostrando mais resistente do que nos livros de fantasia onde é costumeiro ela estar no papel de dama indefesa que precisa ser salva, aqui seus papéis têm mais importância e relevância para o desfecho da história. Já sobre o círculo social que os protagonistas estão incluídos, pode se falar que frequentemente esses personagens possuem problemas familiares e que encontram nesse grupo de amigos uma nova família que o aceite e o apoie.

As pesquisadoras já mencionadas continuam citando Snead:

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De modo geral, [...], os “vilões” ou personagens que são retratados como cruéis e ruins — sem a necessidade de ser o antagonista direto, possuem como traço de sua personalidade serem ignorantes e ter enraizado preconceitos sociais, tais como homofobia e sexismo, além de comumente desvalorizarem a personagem principal ou alguém do seu círculo de amigos. E, mesmo que o antagonista tenha sido violento e opressor, as soluções para os conflitos da trama normalmente são resolvidas de forma diplomática e pacífica, evitando ao máximo o conflito direto como solução.

Portanto, você percebe que o estudo acerca da romantasia é recente, de forma que precisa de mais aprofundamento e foco na diversidade desse tipo de romance. Também preciso dizer que a romantasia está muito vinculada à literatura de entretenimento e à cultura juvenil. Por isso, esse tipo de livro costuma vender muito, pois agrada ao público leitor, mexe com suas emoções. E, como típico entretenimento, apresenta algum trope literário (elemento recorrente e já conhecido pelo público leitor, como, por exemplo, inimigos que se apaixonam ou amigos que se tornam amantes).

Livros de romantasia

  • Amante da fantasia, de Sherrilyn Kenyon

  • A princesa prometida, de William Goldman

  • A rosa acorrentada, de Julie Soto

  • A serpente e as asas feitas de noite, de Carissa Broadbent

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  • Canção dos ossos, Giu Domingues

  • Corte de espinhos e rosas, de Sarah J. Maas

  • Crepúsculo, de Stephenie Meyer

  • De sangue e cinzas, de Jennifer L. Armentrout

  • Devoção sangria, de S. M. Silveira

  • Divinos rivais, de Rebecca Ross

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  • Glow, de Raven Kennedy

  • Luzes do Norte, de Giu Domingues.

  • Lightlark, de Alex Aster

  • Mariposa vermelha, de Fernanda Castro

  • O abismo de Celina, de Ariani Castelo

  • O alvorecer de Ônix, de Kate Golden

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  • O príncipe cruel, de Holly Black

  • O trono de Jasmin, de Tasha Suri

  • Phantasma, de Kaylie Smith

  • Powerless, de Lauren Roberts

  • Promessas vazias, de Lexi Ryan

  • Quarta asa, de Rebecca Yarros

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  • Quicksilver, de Callie Hart

  • Uma coroa de hera e vidro, de Claire Legrand

Tipos de romantasia

Eu já disse para você que o fenômeno da romantasia é novo e, portanto, ainda é pouco estudado nas universidades. Atualmente, é um fenômeno cultural e, principalmente, comercial. Portanto, ainda não há nenhuma classificação em tipos de romantasia feita por pesquisadores.

Os tipos que vou mencionar a seguir são categorizações feitas por fãs ou pelo mercado editorial. Fica difícil dizer de onde elas surgiram exatamente, mas sugerem que não há uma limitação para a romantasia, de forma que, se você aliar história de amor com fantasia, pode dar asas à imaginação. Assim, na internet, encontramos menções aos tipos que apresentamos a seguir.

Romantasia sombria (ou dark romantasy)

Romantasia sombria (ou dark romantasy) é uma história de amor e de fantasia, mas construída em um ambiente sombrio e com personagens sombrios, de forma que é uma narrativa mais “pesada”, não é uma fantasia “fofinha”, mas violenta e com amores obsessivos.

Romantasia urbana

Romantasia urbana é uma história de amor e de fantasia, mas ambientada em grandes centros urbanos (cidades existentes ou inventadas) e tecnológicos, em uma interação entre magia e modernidade. Então, você pode encontrar uma bruxa ou um lobisomem em Nova Iorque. Ou, quem sabe, em São Paulo?

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Alta romantasia

Alta romantasia é uma história de amor e de fantasia, em que o espaço da narrativa é completamente fantástico ou inventado, sem referência em nosso mundo real. Essa realidade tem suas próprias regras, cultura e história. O foco está sobre o relacionamento amoroso, mas também sobre o cenário mágico desse mundo fantástico.

Romantasia épica

Romantasia épica é uma história de amor e de fantasia que, além dos elementos da alta romantasia, possui também elementos épicos, ou seja, grandiosidade e heroísmo. Isso quer dizer que a heroína e o herói devem viver perigosas aventuras ou até enfrentar guerras.

Romantasia mitológica

Romantasia mitológica é uma história de amor e de fantasia, mas que apresenta elementos mitológicos, de modo que deusas, deuses, criaturas mitológicas fazem parte da narrativa. Assim, elementos da mitologia nórdica, da mitologia egípcia e da mitologia grega são os mais comuns.

Romantasia histórica

Romantasia histórica é uma história de amor e de fantasia que tem elementos históricos como pano de fundo. Então, o enredo transcorre em determinado período histórico. Portanto, dragões podem sobrevoar a França durante a Revolução Francesa, se uma autora ou um autor de romantasia assim preferir.

Importante:

Para além disso, as obras podem ser direcionadas para o público adolescente (ou “jovem adulto”) ou para o público adulto. O par romântico pode ser formado por uma mulher e um homem ou apresentar outras variações.

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Assim, existem subclassificações para a romantasia. Além de sombria, urbana, alta, épica, mitológica e histórica, há também romantasia YA (Young Adult ou jovem adulto), adulta, WLW (Women Loving Women ou mulheres que amam mulheres), MLM (Men loving Men ou homens que amam homens).

O que parece é que a romantasia possui um terreno vasto, capaz de englobar todas as temáticas e todos os gostos. A única coisa que não pode ser alterada é a presença de uma história de amor cercada de elementos fantásticos. Além disso, está bastante vinculada ao entretenimento.

Confira também: Literatura gótica — composta por obras em que predominam o terror e os elementos sombrios

Autores de romantasia

  • Alex Aster (Estados Unidos).

  • Ariani Castelo (Brasil).

  • Callie Hart (Inglaterra).

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  • Carissa Broadbent (Estados Unidos).

  • Claire Legrand (Estados Unidos).

  • Fernanda Castro (Brasil).

  • Giu Domingues (Brasil).

  • Holly Black (Estados Unidos)

  • Jennifer L. Armentrout (Estados Unidos).

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  • Julie Soto (Estados Unidos).

  • Kate Golden (Estados Unidos).

  • Kaylie Smith (Estados Unidos).

  • Lauren Roberts (Estados Unidos).

  • Lexi Ryan (Estados Unidos).

  • Raven Kennedy (Estados Unidos).

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  • Rebecca Yarros (Estados Unidos).

  • Rebecca Ross (Estados Unidos).

  • Sarah J. Maas (Estados Unidos).

  • Sherrilyn Kenyon (Estados Unidos).

  • S. M. Silveira (Brasil).

  • Stephenie Meyer (Estados Unidos).

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  • Tasha Suri (Inglaterra).

  • William Goldman (Estados Unidos).

Origem da romantasia

Obras que possuem os elementos que caracterizam a romantasia (história de amor com elementos fantásticos) não são algo novo, sendo um tipo de romance que existe há muito tempo. As novidades são o termo “romantasia” e a grande quantidade de livros produzidos atualmente com tal rótulo. Isso faz com que novos autores desse tipo de romance tenham maior consciência do que estão produzindo.

Já mencionei que os estudos acadêmicos acerca de romantasia são ainda escassos. Dessa forma, o estudo das pesquisadoras Panmela Lyrio Ribeiro e Simone Oliveira Thompson de Vasconcelos é uma das poucas referências na atualidade. Elas mencionam a obra Crepúsculo, lançada em 2005, quando ainda não havia tal nomenclatura, mas que hoje é classificada como romantasia.

De acordo com elas, a criação do termo e do fenômeno de produção e venda desse tipo de obra, surgiu com “o advento das redes sociais”. Isso porque:

aumentou-se o espaço para que pessoas comuns tenham voz, e, com isso, a criação de comunidades literárias cresceu nas redes sociais, e, como consequência disso, observou-se uma padronização das leituras entre os jovens, em razão das características atrativas que esse novo subgênero e a literatura de massa possuem, o que fez com que o sucesso dentro da comunidade literária aumentasse ainda mais. Por causa disso, começou a se popularizar o termo “Romantasia” ao se referir a essas histórias, e, para facilitar a procura na hora da compra, as editoras também começaram a usar essa nomenclatura para categorizar esses livros, criando assim um novo subgênero literário.

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Assim, estamos diante de um subgênero literário novo, popularizado recentemente “pelas pessoas que participam da comunidade literária do Tik Tok”. Isso ocorreu a partir do sucesso dos livros da escritora estado-unidense Sarah J. Maas. Essa autora virou uma referência quando o assunto é romantasia e tornou-se o principal nome desse subgênero literário.

Além disso, o que se percebe é que tal subgênero está sendo produzido, predominantemente, nos Estados Unidos. Portanto, é um fenômeno comercial impulsionado por editoras desse país. Outra coisa que fica bem evidente é a predominância esmagadora de mulheres na autoria desse tipo de romance.

Fonte

RIBEIRO, Panmela Lyrio; VASCONCELOS, Simone Oliveira Thompson de. O subgênero romantasia e seu impacto no letramento literário dos jovens: reflexões a partir da autora Sarah J. Maas. 2024. TCC (Licenciatura em Letras) – Instituto Federal do Espírito Santo, Vitória, 2024. 

Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Romantasia"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/romantasia.htm. Acesso em 10 de abril de 2026.