Senhora, de José de Alencar

Senhora é um romance do escritor brasileiro José de Alencar. É uma obra romântica e conta a história de Aurélia Camargo, que se vinga do homem que a rejeitou.

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Senhora é um romance do escritor brasileiro José de Alencar. O livro é uma obra romântica, publicada, pela primeira vez, em 1875. Esse romance urbano mostra os costumes da burguesia carioca, além de apresentar idealização amorosa, sentimentalismo e caráter melodramático.

O livro conta a história de Aurélia Camargo. Quando pobre, ela foi abandonada pelo seu grande amor, um rapaz chamado Fernando Seixas. Ele preferiu ficar noivo de uma moça rica. Porém, Aurélia recebe uma herança, fica rica e decide comprar um marido, o próprio Fernando Seixas.

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Leia também: Úrsula, de Maria Firmina dos Reis — outra obra pertencente ao Romantismo brasileiro

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a obra Senhora

  • Senhora é um romance do escritor brasileiro José de Alencar.

  • Emília e Pedro apaixonam-se; porém, a moça é pobre, enquanto o rapaz é filho de um homem rico.

  • Sem que o pai de Pedro saiba, o casal casa-se e tem dois filhos: Aurélia e Emílio.

  • Anos depois, quando Pedro morre, seu pai, Lourenço Camargo, recusa-se a aceitar a família do filho.

  • A jovem Aurélia e Fernando Seixas apaixonam-se e planejam se casar, porém Seixas acaba com o relacionamento.

  • Por questões financeiras, ele prefere ficar noivo de Adelaide Amaral, que tem um dote de 30 contos de réis.

  • A mãe de Aurélia e o irmão da moça morrem, ficando Aurélia na companhia de uma parenta chamada Firmina.

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  • O avô de Aurélia morre e deixa toda a sua fortuna para a neta, que agora é uma mulher rica.

  • Por intermédio de Lemos, tio e tutor de Aurélia, ela faz uma proposta a Fernando Seixas, que se case com ela por um dote de 100 contos de réis.

  • Após o casamento, Seixas descobre que Aurélia planejou uma vingança, pois o casamento não se consuma,e Seixas é todo o tempo humilhado pela esposa.

  • Com a ajuda de Aurélia, Torquato e Adelaide, que se amavam, podem finalmente se casar.

  • Seixas acaba sofrendo uma transformação moral após ser humilhado pela esposa e decide empenhar-se para restituir o dinheiro a ela.

  • No final, quando o marido devolve o dinheiro, Aurélia confessa seu amor, e, assim, o romance tem um final feliz.

Análise da obra Senhora

Capa do livro “Senhora”, de José de Alencar, publicado pela editora L&PM.
Capa do livro Senhora, de José de Alencar, publicado pela editora L&PM.

→ Personagens da obra Senhora

  • Adelaide: noiva de Fernando Seixas.

  • Alfredo Moreira: amigo de Seixas.

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  • Antônio Joaquim Ramos: empregado de Lemos.

  • Aurélia Camargo: protagonista.

  • Bernardina: velha a quem Aurélia dava esmolas.

  • Camila: mãe de Seixas.

  • Eduardo Abreu: rapaz apaixonado por Aurélia.

  • Emília Camargo: mãe de Aurélia.

  • Emílio: irmão de Aurélia.

  • Fernando Seixas: marido de Aurélia.

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  • Firmina Mascarenhas: parenta de Aurélia.

  • Lourenço de Sousa Camargo: avô de Aurélia.

  • Manuel José Correia Lemos: irmão de Emília e tio de Aurélia.

  • Manuel Tavares do Amaral: pai de Adelaide.

  • Mariquinhas: irmã de Seixas.

  • Nicota: irmã de Seixas.

  • Lísia Soares: conhecida de Aurélia.

  • Pedro de Sousa Camargo: pai de Aurélia.

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  • Torquato Ribeiro: amigo de Seixas.

→ Tempo da obra Senhora

A narrativa de Senhora apresenta tempo cronológico, ou seja, relacionado à sequência de ações e não ao universo interior dos personagens.

→ Espaço da obra Senhora

A ação da obra Senhora transcorre na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

→ Narrador da obra Senhora

No romance Senhora, sobressai o narrador observador, aquele que narra apenas o que vê, como se fosse um espectador. Porém, em alguns momentos, ele apresenta onisciência ao revelar o universo íntimo dos personagens.

→ Enredo da obra Senhora

Na primeira parte do romance Senhora, intitulada “O preço”, o narrador apresenta a protagonista Aurélia. A rica Aurélia é órfã e vive em companhia de uma parenta, a dona Firmina. Isso porque, na época, não era bem-visto uma mulher solteira, de classe alta, viver sozinha. A heroína segue a convenção social; mas, na prática, é ela quem toma as decisões, pois é independente.

Há muitos pretendentes para a moça; porém, ela tem um plano. Manda chamar seu tio e tutor, o Sr. Lemos. Apesar de seu tutor legal, ela detém poder sobre ele, de modo que a palavra final é sempre dela. Se ele não atende a suas vontades, ela diz: “Vou pedir ao juiz que me dê outro tutor mais condescendente”.

Afinal, ela é a verdadeira dona de sua fortuna e de sua vida. Ao chamar o tio até sua casa, Aurélia pretende falar do próprio casamento. Ela menciona Adelaide Amaral, cujo pai ofereceu um dote de 30 contos de réis a seu noivo, Fernando Seixas. Aurélia quer desmanchar esse casamento.

Ela decide que Adelaide deve se casar com um tal Torquato Ribeiro. É desse homem que Adelaide realmente gosta. Porém, o pai da moça não permite o casamento por ele ser pobre. Para que isso ocorra, Aurélia está disposta a dar 50 contos de réis para Torquato. Além disso, Aurélia revela ao tio que quer se casar com Fernando Seixas.

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Porém, Seixas não deve saber que sua pretendente é Aurélia, por isso ela orienta o tio: “Os termos da proposta devem ser estes; atenda bem. A família de tal moça misteriosa deseja casá-la com separação de bens, dando ao noivo a quantia de cem contos de réis de dote. Se não bastarem cem e ele exigir mais, será o dote de duzentos...”.

Seixas é um rapaz pobre, mas veste-se muito bem, como se fosse rico. Ele é assim descrito pelo narrador:

É um moço que ainda não chegou aos trinta anos. Tem uma fisionomia tão nobre, quanto sedutora; belos traços, tez finíssima, cuja alvura realça a macia barba castanha. Os olhos rasgados e luminosos às vezes coalham-se em um enlevo de ternura, mas natural e estreme de afetação, que há de torná-los irresistíveis, quando o amor os acende. A boca, vestida por um bigode elegante, mostra o seu molde gracioso, sem contudo perder a expressão grave e sóbria, que deve ter o órgão da palavra viril.

Sua posição negligente não esconde de todo o garbo do talhe, que se deixa ver nessa mesma retração do corpo. É esbelto sem magreza, e de elevada estatura.

Seu pai foi funcionário público, mas faleceu quando Seixas tinha 18 anos de idade. Por isso, o rapaz precisou abandonar os estudos na Faculdade de São Paulo. Passou a trabalhar como empregado público, assim como o pai. A família de Seixas ficou pobre:

O pai de Seixas deixara seu escasso patrimônio complicado com uma hipoteca, além de várias dívidas miúdas. Depois de uma difícil e morosa liquidação, com que a viúva achou-se embaraçada, pôde-se apurar a soma de doze contos de réis, além de uns quatro escravos.

Porém, Fernando Seixas esforça-se por não revelar sua pobreza em sociedade: “Foi assim que Seixas insensivelmente afez-se à dupla existência, que de dia em dia mais se destacava. Homem de família no interior da casa, partilhando com a mãe e as irmãs a pobreza herdada, tinha na sociedade, onde aparecia sobre si, a representação de um moço rico”.

Assim vive sua família: “O rendimento da caderneta da Caixa Econômica e dos escravos de aluguel andava em 1:500$000 ou 125$000 mensais. Como, porém, a despesa da família subia a 150$000, três senhoras supriam o resto com seus trabalhos de agulha e engomado, no que as ajudavam as duas pretas do serviço doméstico”.

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O Lemos vai até a casa de Fernando Seixas e faz-lhe a proposta de casamento: “Um dote de cem contos no ato do casamento”. Lemos mantém segredo sobre quem é a moça, até que Seixas assine o recibo. Finalmente, eles são apresentados, para total fascinação de Seixas. Ele está crente de que tirou a sorte grande, está feliz.

Para padrinho do casamento, Aurélia escolhe Torquato Ribeiro, para desagrado de Seixas. Aqui, é preciso dizer que o casamento de Aurélia não passa de uma vingança, o que logo você vai entender. Escolher Torquato é uma forma de desagradar a Seixas, e ela consegue. Na noite de núpcias, a moça foge dos beijos do marido e diz estas palavras marcantes:

— Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o nosso papel com perícia consumada. Podemos ter este orgulho, que os melhores atores não nos excederiam. Mas é tempo de pôr termo a esta cruel mistificação, com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor. Entremos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido.

— Vendido! exclamou Seixas ferido dentro d’alma.

— Vendido sim; não tem outro nome. Sou rica, muito rica, sou milionária; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o. Custou-me cem contos de réis, foi barato; não se fez valer. Eu daria o dobro, o triplo, toda minha riqueza por este momento.

A partir de então, a relação deles é marcada pelo sarcasmo de Aurélia, que, no convívio íntimo com o marido, fará tudo para humilhá-lo.

Na segunda parte do romance, intitulada “Quitação”, o narrador volta a dois anos antes, quando a jovem Aurélia era pobre e vivia com sua mãe, dona Emília, então viúva. Emília morava com o irmão, quando fora pedida em casamento pelo jovem estudante Pedro Camargo, de família rica.

O casamento concretizara-se. Porém, Lourenço, pai de Pedro, não aceitaria aquela união.

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Então mantiveram o segredo. Afinal, “Pedro Camargo era filho natural ainda não reconhecido, seu futuro dependia exclusivamente da vontade do pai, que podia abandoná-lo como a um estranho, deixando-o reduzido à indigência”.

Assim, passaram-se doze anos. Lourenço então exigira que o filho se casasse com uma noiva pelo pai escolhida, mas Pedro recusara-se. Ele estava longe da esposa, quando “foi acometido de uma febre cerebral, e sucumbiu no rancho aonde procurara um abrigo, longe dos socorros e quase ao desamparo”.

A viúva, sem amparo, “escrevera ao Lourenço de Sousa Camargo, revelando-lhe o segredo do casamento, e implorando sua proteção para os filhos de seu filho”, mas o fazendeiro “não acreditou na realidade de um casamento oculto até aquela época, e do qual não aparecia documento ou outra prova”.

Tempos depois, o irmão de Aurélia também morreu. Aurélia já estava em idade de se casar, e os pretendentes apareciam. Entre eles, Lemos, o tio da moça. Então Fernando Seixas ouviu falar sobre a bela “menina de Santa Teresa”. Os dois apaixonaram-se um pelo outro e começaram a namorar.

Porém, Seixas desmanchou o namoro para se casar com Adelaide Amaral, pois via tal casamento como financeiramente mais vantajoso. O avô de Aurélia decidiu conhecer a neta. Isso porque descobrira uma maleta deixada pelo filho falecido: “Continha as fotografias de Pedro Camargo, da mulher e dos dois filhos; a certidão de casamento e as de batismo dos dois meninos, [...]”.

Porém, logo depois, a mãe de Aurélia morreu, deixando-a completamente órfã. Nessa ocasião, a moça recebeu a ajuda do jovem Torquato: “Nesse transe cruel, o Dr. Torquato Ribeiro não abandonou a moça, e foi a rogos dele que D. Firmina Mascarenhas levou a órfã para sua casa”.

Então, o avô de Aurélia também morreu e deixou toda a sua fortuna para ela. Agora, Aurélia está casada com Fernando Seixas, o seu grande amor, mas também aquele que a abandonou. Nessa noite, o casamento não é consumad, mas não pode ser desfeito, já que Aurélia comprou seu marido e tem recibo.

Na terceira parte, intitulada “Posse”, Seixas fica incomodado com a situação. O narrador mostra o cotidiano do casal, com diálogos cheios de ironia e segundas intenções, tais como:

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— Não almoçou! tornou a moça.

— A felicidade tira o apetite, observou Fernando a sorrir.

— Nesse caso eu devia jejuar, retorquiu Aurélia gracejando. É que em mim produz o efeito contrário; estava com uma fome devoradora.

— Nem por isso tem comido muito, acudiu D. Firmina.

— Prove desta lagosta. Está deliciosa, insistiu Aurélia.

— Ordena? perguntou Fernando prazenteiro, mas com uma inflexão particular na voz.

Aurélia trinou uma risada.

— Não sabia que as mulheres tinham direito de dar ordens aos maridos. Em todo o caso eu não usaria do meu poder para coisas tão insignificantes.

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— Mostra que é generosa.

— As aparências enganam.

Diante da situação humilhante que é seu casamento, Fernando Seixas passa a dedicar-se ao trabalho na repartição. Apesar da infelicidade conjugal, o casal finge estar feliz em público, nas festas e nas visitas burguesas. Seixas, que antes era um gastador, agora vive com sobriedade.

A situação entre os dois está tão insustentável, que eles até mencionam o divórcio. Paralelamente a isso, Aurélia entrega a Torquato os 50 contos:

Ribeiro abriu o papel; era uma letra ao portador de cinquenta contos passada pelo Banco do Brasil. Ele fez um gesto de recusa; a moça atalhou-o.

— Não tem o direito de rejeitar. Foi o preço da minha felicidade. Meu tio garantiu ao Amaral que o senhor possuía este dinheiro, sem o que ele não consentiria em desfazer o casamento da filha com Fernando, e este não seria meu marido.

— Como lhe havemos de pagar nunca tamanho benefício? disse o moço comovido.

— Sendo feliz, respondeu Aurélia.

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Por fim, na última parte, intitulada “Resgate”, mais recepções da sociedade burguesa, nas quais Aurélia e Fernando escondem sua infelicidade. É preciso dizer que, apesar dos sarcasmos de ambas as partes e de a moça sempre lembrar ao marido que ela o comprou, Aurélia ama Fernando e ele também a ama.

Além disso, é preciso explicar algo: Aurélia tem em sua mente a figura de um homem ideal. Seu grande rancor deve-se ao fato de Fernando ter destruído essa imagem de homem ideal. No entanto, a vingança de Aurélia produz em Seixas a mudança em seu caráter. Como era comum em obras românticas, existe a defesa de que o amor é a salvação.

E isso ocorre durante os onze meses em que estão casados. Após esses onze meses, Fernando vai até Aurélia e devolve-lhe o dinheiro para enfim acabar com o casamento e conquistar a própria liberdade:

— Antes de concluir a negociação, devo revelar-lhe a origem deste dinheiro, para desvanecer qualquer suspeita de o ter eu obtido por seu crédito e como seu marido. Não, senhora, adquiri-o por mim exclusivamente; e para maior tranquilidade de minha consciência provém de data anterior ao nosso casamento. Cerca de seis contos representam o produto de meus ordenados e das joias e trastes, que apurei logo depois do cativeiro, pensando já na minha redenção. Ainda tinha muito que esperar e talvez me faltaria resignação para ir ao cabo, se Deus não abreviasse este martírio, fazendo um milagre em meu favor. Era sócio de um privilégio concedido há quatro anos, e do qual já nem me lembrava. [...]. Recebi a notícia da venda do privilégio, que me trouxe um lucro de mais de quinze contos. Aqui estão as provas.

— Agora nossa conta, continuou Seixas desdobrando uma folha de papel. A senhora pagou-me cem contos de réis; oitenta em um cheque do Banco do Brasil que lhe restituo intacto; e vinte em dinheiro, recebido há 330 dias. Ao juro de 6% essa quantia lhe rendeu 1:084$710. Tenho pois que entregar-lhe 21:084$710, além do cheque. Não é isso?

Diante disso, Aurélia tem esta reação:

A moça travara das mãos de Seixas e o levara arrebatadamente ao mesmo lugar onde cerca de um ano antes ela infligira ao mancebo ajoelhado a seus pés, a cruel afronta.

— Aquela que te humilhou, aqui a tens abatida, no mesmo lugar onde ultrajou-te, nas iras de sua paixão. Aqui a tens implorando seu perdão e feliz porque te adora, como o senhor de sua alma.

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Mais do que isso! Ela fez um testamento, “em que ela confessava o imenso amor que tinha ao marido e o instituía seu universal herdeiro”. Ela revela que fez o testamento logo depois do casamento. Enquanto ela fala, “Seixas contemplava-a com os olhos rasos de lágrimas”.

Assim, o romance chega ao fim com a sugestão da consumação do casamento: “As cortinas cerraram-se, e as auras da noite, acariciando o seio das flores, cantavam o hino misterioso do santo amor conjugal”.

Veja também: Memórias de um sargento de milícias — um romance urbano do Romantismo brasileiro escrito por Manuel Antônio de Almeida

Características da obra Senhora

→ Estrutura da obra Senhora

O romance Senhora, publicado, pela primeira vez, em 1875, é dividido em quatro partes.

  • O preço: 13 capítulos.

  • Quitação: 9 capítulos.

  • Posse: 10 capítulos.

  • Resgate: 9 capítulos.

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→ Estilo literário da obra Senhora

A obra Senhora faz parte do Romantismo brasileiro, estilo de época que durou de 1836 a 1881. O livro é um romance urbano, pois a ação transcorre na cidade do Rio de Janeiro, e apresenta os costumes e os valores da burguesia urbana do século XIX. Por isso, também é chamado de “romance de costumes”. Possui linguagem simples e critica o casamento por interesse.

Como características românticas, a narrativa apresenta apelo emocional, sentimentalismo e caráter melodramático. É caracterizada pela idealização amorosa, pelo heroísmo e pela idealização da mulher (Aurélia tem valores nobres, apesar de ser vingativa, vingança que se justifica pelo amor). Esse tipo de romance, comumente, apresenta final feliz.

Contexto histórico da obra Senhora

A obra Senhora está inserida no contexto histórico do Segundo Reinado (1840-1889). Durante esse período, o Brasil foi governado pelo imperador Dom Pedro II. Ainda havia escravidão no país, que só seria abolida em 1888. Daí a menção a pessoas escravizadas no livro, sem crítica à escravidão, apesar de, na época, as ideias abolicionistas estarem fortemente em evidência.

A obra foi produzida no contexto posterior à Guerra do Paraguai, conflito que durou de 1864 a 1870 e foi um dos responsáveis pelo endividamento do país e pelo enfraquecimento da monarquia, que chegaria ao fim em 1889. O romance está centrado no estilo de vida burguês do século XIX, mas defende o casamento por amor em oposição ao casamento por interesse, tão caro à burguesia da época.

Acesse também: Iracema, de José de Alencar — um famoso romance do indianismo romântico

Adaptações da obra Senhora

  • Senhora (1953): teleteatro exibido pela TV Paulista.

  • Senhora (1962): teleteatro exibido pela TV Tupi.

  • O preço de um homem (1971-1972): telenovela exibida pela TV Tupi, com direção de Henrique Martins.

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  • Senhora (1975): telenovela exibida pela TV Globo, com direção de Herval Rossano.

  • Senhora (1976): longa-metragem, com direção de Geraldo Vietri.

  • Essas mulheres (2005): telenovela da TV Record, com direção de Flávio Colatrello Jr.

José de Alencar, autor de Senhora

Fotografia de José de Alencar, autor de “Senhora”.
José de Alencar.

José de Alencar é o autor de Senhora. Ele nasceu no dia primeiro de maio de 1829, em Fortaleza, no Ceará. Dez anos depois, ele e sua família mudaram-se para o Rio de Janeiro. Mais tarde, viveu em São Paulo, onde cursou a faculdade de Direito. Formado, trabalhou como advogado, no Rio de Janeiro, na década de 1850.

Também escrevia para o Correio Mercantil e para o Jornal do Comércio, além de ser redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro. Estreou na literatura em 1856, com a publicação de seu primeiro romance: Cinco minutos. Foi deputado pelo Ceará e ministro da Justiça. O escritor morreu em 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro.

Crédito de imagem

Editora L&PM (reprodução)

Fontes

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ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.

ABL. José de Alencar: biografia. Disponível em: https://www.academia.org.br/academicos/jose-de-alencar/biografia.

ALENCAR, José de. Senhora. Brasília: Edições Câmara, 2019.

BIBLIOTECA NACIONAL. José de Alencar. Disponível em: http://bndigital.bn.gov.br/jose-de-alencar/.

Autor: Warley Souza
Escrito por Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Revisor(a): Lara Beatriz de Souza Teixeira
Revisado por Lara Beatriz de Souza Teixeira Formada em Letras: Português pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduanda em Revisão e preparação de textos pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e em Língua, literatura e práticas de ensino na educação básica pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) e mestranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), é corretora de redações, preparadora e revisora de textos do Brasil Escola e apaixonada por livros.
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SOUZA, Warley. Senhora, de José de Alencar. Brasil Escola, 2026. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/senhora-de-jose-de-alencar.htm. Acesso em 09 de outubro de 2026.
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