A Sabinada foi uma revolta provincial que ocorreu em Salvador, entre novembro de 1837 e março de 1838. Essa revolta foi conduzida pelas classes médias soteropolitanas insatisfeitas com o governo do Rio de Janeiro, sobretudo em virtude do enfraquecimento da pauta federalista. A decadência da economia baiana também motivou uma forte insatisfação.
Inicialmente, o movimento assumiu-se separatista, mas depois afirmou que o movimento se encerraria quando D. Pedro II fosse entronizado Não contou com o apoio popular e nem das classes altas, além de também não ter apoio dos escravos, uma vez que o movimento não era abolicionista. O movimento foi derrotado pela Guarda Nacional e os líderes foram punidos.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre a Sabinada
- 2 - Videoaula sobre a Sabinada
- 3 - O que foi a Sabinada?
- 4 - Contexto histórico da Sabinada
- 5 - Causas da Sabinada
- 6 - Objetivos da Sabinada
- 7 - Principais acontecimentos da Sabinada
- 8 - Desfecho da Sabinada
- 9 - Exercícios sobre Sabinada
Resumo sobre a Sabinada
- A Sabinada foi uma revolta que aconteceu entre 1837 e 1838, na cidade de Salvador.
- Essa revolta foi realizada pelas classes médias de Salvador, contando com pouco apoio das classes altas e populares.
- Foi motivada por insatisfações políticas e econômicas por parte da população de Salvador.
- Sem muito apoio, o movimento foi derrotado, com a cidade de Salvador sendo reconquistada.
Videoaula sobre a Sabinada
O que foi a Sabinada?
A Sabinada foi uma revolta provincial que aconteceu na Bahia, entre novembro de 1837 e março de 1838. Esse movimento aconteceu como uma demonstração da insatisfação das camadas médias da cidade de Salvador com a situação do país no contexto do Período Regencial, sobretudo com o enfraquecimento da política federalista no país.
O movimento foi liderado por figuras como Francisco Sabino e João Carneiro da Silva e teve um caráter contraditório, pois se iniciou como um movimento separatista, mas recalculou a rota, afirmando que permaneceriam rebelados até que D. Pedro II fosse entronizado como imperador do Brasil.
O movimento se concentrou na cidade de Salvador, contando com o envolvimento de jornalistas, oficiais militares, comerciantes, artesãos, funcionários públicos, entre outros. Houve pouca adesão popular a esse movimento e essa revolta não atuou em defesa da abolição do trabalho escravo. O movimento foi reprimido pelas tropas do governo e alguns dos envolvidos foram punidos.
Contexto histórico da Sabinada
A Sabinada foi uma das revoltas provinciais que aconteceram no Brasil durante o Período Regencial, a época de transição do Primeiro para o Segundo Reinado. Essa fase regencial foi iniciada quando D. Pedro I abdicou do trono para que seu filho, Pedro de Alcântara, pudesse assumir.
A Constituição de 1824, no entanto, estipulava que Pedro de Alcântara deveria ter pelo menos 18 anos para tomar posse do trono. Assim, até que isso acontecesse, o Brasil seria governado temporariamente por regentes. Nesse intervalo de tempo, houve intensa disputa política entre os três grandes grupos políticos do Brasil e em torno da garantia de autonomia para as províncias.
Em razão da ausência de uma figura de poder (o imperador), somada às demandas por autonomia e à circulação dos ideais republicanos, uma série de revoltas passou a ocorrer no Brasil. Essas revoltas, além de tudo, demonstravam uma grande insatisfação de certas camadas das sociedades de algumas das províncias com o governo do Rio de Janeiro.
Muitos historiadores consideram o Período Regencial como uma espécie de experiência republicana no Brasil, tendo em vista a grande autonomia que as províncias ganharam com o Ato Adicional de 1834 e pelo fato de o Brasil ser governado por regentes eleitos. Por meio do Ato Adicional, os governadores de província ganharam poderes, e foi permitido o desenvolvimento do Poder Legislativo nas províncias.
Os embates políticos que aconteciam no país, no entanto, fizeram com que algumas dessas liberdades dadas às províncias começassem a perder força a partir de 1837 com o que ficou conhecido como Regresso Conservador. Veremos que o enfraquecimento do projeto federalista no contexto político da Bahia não foi bem recebido.
Causas da Sabinada
A Sabinada aconteceu em uma Bahia agitada politicamente. Desde a Conjuração Baiana, em 1798, a agitação política naquela província era muito grande. A última grande agitação que a Bahia tinha passado tinha sido a Revolta dos Malês, revolta de escravos haussás. Foi a maior revolta de escravos na história brasileira e gerou uma forte mobilização da sociedade soteropolitana contra os escravos.
No contexto baiano, podemos destacar uma crescente insatisfação das classes médias por conta dos problemas econômicos que a Bahia enfrentava com o enfraquecimento da economia açucareira. A grande presença de portugueses em cargos de administração também era um fator de descontentamento. Os comerciantes baianos queriam ter um maior controle sobre o comércio local.
Toda essa insatisfação cresceu quando a centralização do poder começou a ganhar espaço na política brasileira a partir da renúncia de Padre Feijó à regência do Brasil. Esse ato foi entendido como o fracasso do projeto federalista, que buscava garantir a autonomia das províncias brasileiras.
Para a classe média baiana — o grupo que encabeçou a Sabinada —, a renúncia de Feijó foi algo inaceitável. A luta por autonomia, além do aspecto político, também era influenciada por questões econômicas, uma vez que as classes médias baianas estavam insatisfeitas com a política de impostos praticada pela monarquia.
Por fim, também havia a insatisfação dos militares na Bahia, que desejavam aumento de soldo, além de não concordarem com as convocações realizadas para lutar no Sul contra os farrapos, que se rebelaram contra o Rio de Janeiro.
Essas questões geravam grande descontentamento, principalmente entre as classes médias de Salvador. A liderança da Sabinada contou com figuras como advogados e comerciantes, por exemplo. Houve também uma pequena adesão popular quando a revolta se iniciou.
Objetivos da Sabinada
A Sabinada foi uma revolta que ocorreu nas classes médias da cidade de Salvador, sendo que os objetivos dos grupos que se rebelaram eram:
- promover uma política baiana, fazendo com que a Bahia se autogovernasse, afastada do governo brasileiro;
- inicialmente, separar-se territorialmente para a formação da República Bahiense.
- buscar melhores condições de vida, o que atraiu alguns grupos minoritários inicialmente.
Principais acontecimentos da Sabinada
A Sabinada teve início quando alguns militares e civis encaminharam-se para o Forte de São Pedro em 6 de novembro de 1837. O ataque ao forte deu início a um confronto violento que resultou na conquista dele pelos que se rebelavam. No dia seguinte, os sabinos, como eram conhecidos os rebeldes, foram na direção do centro de Salvador, tomando a Praça do Palácio e expulsando as autoridades da cidade.
A revolta levou esse nome por causa de Francisco Sabino, médico e jornalista que foi um dos líderes da Sabinada. Outro líder da revolta foi João Carneiro da Silva Rego, um advogado dono de muitas terras e escravos. João Carneiro, inclusive, foi nomeado para ser vice-presidente da república fundada na Bahia.
Isso aconteceu porque, logo após expulsarem as autoridades de Salvador, os sabinos foram à Câmara Municipal e declararam a separação da Bahia do governo central do Rio de Janeiro, fundando uma república. O presidente nomeado foi Inocêncio da Rocha Galvão, mas, como este estava nos Estados Unidos, o presidente em exercício foi João Carneiro. Assim, no dia 7 de novembro, os líderes da Sabinada demonstraram a sua visão separatista com o anúncio do desligamento da Bahia do governo central.
A Sabinada foi considerada uma rebelião com intenções contraditórias, pois, quatro dias depois, um novo documento foi emitido, anunciando que o desligamento da Bahia se manteria até a coroação de Pedro de Alcântara como imperador. Os historiadores interpretam isso como resultado da diferença de interesses entre os envolvidos na revolta.
A revolta realizada pelos sabinos manteve-se reclusa a Salvador, uma vez que, nos arredores da capital baiana, houve resistência dos grandes proprietários de terra. Percebe-se, portanto, que o grupo mais rico da Bahia não aderiu à Sabinada, ficando resumida a grupos de intelectuais, militares e outros que faziam parte da classe média.
Parte significativa da população pobre de Salvador também não se juntou à revolta e decidiu fugir, temendo as represálias que a cidade poderia sofrer. Mesmo aqueles que ficaram procuraram não se envolver com o movimento. A reação do governo foi imediata, e a cidade de Salvador foi cercada por terra e por mar. Com isso, em algumas semanas, começou a faltar comida para a população local.
Os líderes da Sabinada não tinham uma pauta de abolição em relação à escravidão e, portanto, o trabalho escravo seria mantido na Bahia, caso eles tivessem sucesso. No entanto, foi aberta uma exceção para os escravos que aderissem à causa dos sabinos, que seriam recompensados com a garantia da liberdade.
Desfecho da Sabinada
A falta de apoio popular e a oposição direta das elites baianas fizeram com que a Sabinada estivesse condenada ao fracasso. Como vimos, a cidade de Salvador foi sitiada por todos os lados, e a comida logo se tornou escassa. Por fim, os ataques feitos pela Guarda Nacional concluíram o serviço e, entre 13 e 16 de março de 1838, aconteceram os últimos combates.
Os confrontos entre os sabinos e as tropas da Guarda Nacional resultaram em cerca de 1800 mortos.|1| Em pouco mais de quatro meses, as autoridades de Salvador conseguiram derrotar os sabinos, que, ao se entregarem, pediram por clemência, mas isso não aconteceu.
As historiadoras Lília Schwarcz e Heloísa Starling estimam que cerca de 3000 rebeldes foram presos depois da derrota da Sabinada.|1| Os africanos livres que tomaram parte na revolta foram degredados para a África. Outros rebeldes foram degredados para locais como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e alguns dos militares foram obrigados a lutar na Guerra dos Farrapos.
Francisco Sabino e João Carneiro foram condenados à morte, mas receberam anistia. Foram obrigados ao degredo e enviados para Mato Grosso e São Paulo, respectivamente.
Exercícios sobre Sabinada
Questão 01
A respeito da Sabinada, qual fator contribuiu para que a cidade de Salvador se rebelasse em 1837?
a) A decadência da economia açucareira na Bahia.
b) A grande pobreza presente na Bahia.
c) A insatisfação com o enfraquecimento dos liberais e da política federalista.
d) A insatisfação com as convocações obrigatórias para lutar no sul contra os farrapos.
e) Todas as alternativas acima.
Resposta: Letra E.
Todas as alternativas apresentaram razões que atuaram como motivadores para que uma revolta na Bahia ocorresse. Economicamente, a crise do açúcar e a pobreza da província causavam insatisfação. Além disso, havia insatisfação com o quadro da política brasileira no Rio de Janeiro e com a convocação obrigatória de soldados para lutar no sul do Brasil.
Questão 02
A respeito da escravidão, qual foi a postura das lideranças da Sabinada?
a) O movimento apoiava abertamente a abolição do trabalho escravo.
b) Não havia interesse em abolir o trabalho escravo na Bahia, para garantir o apoio das elites locais.
c) Francisco Sabino era a única liderança que defendia a pauta abolicionista.
d) Defendia-se a abolição somente depois de 20 anos de estabelecida a República Bahiense.
e) Todas as alternativas estão incorretas.
Resposta: Letra B.
Na pauta do abolicionismo, os envolvidos com a Sabinada não tinham propostas concretas para a escravidão, pois queriam contar com o apoio da elite escravocrata baiana para sua revolta. Pontualmente, alguns escravos aderiram ao movimento sob promessas de garantia de alforria.
Fontes
SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
MELO, Maria de Nazaré Santos et al. Sabinada: o conflito regencial na Bahia. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/26015