Macbeth é uma peça teatral do famoso escritor inglês William Shakespeare. Essa tragédia faz parte do teatro elisabetano e foi escrita, provavelmente, no ano 1606. É uma das peças mais conhecidas do autor. Ela é ambientada no século XI, durante a Idade Média, e foi inspirada em fatos reais, já que o rei Duncan I e Macbeth existiram nesse século.
A obra traz a história do casal de nobres escoceses Macbeth. Eles tramam a morte do rei Duncan. Após Macbeth assassinar Duncan, ele é proclamado rei. A ambiciosa lady Macbeth torna-se rainha. Porém, eles precisam destruir possíveis inimigos que ameaçam o seu poder.
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Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre Macbeth
- 2 - Análise da obra Macbeth
- 3 - Características da obra Macbeth
- 4 - Contexto histórico da obra Macbeth
- 5 - William Shakespeare, autor de Macbeth
Resumo sobre Macbeth
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Macbeth, um nobre escocês, ganha destaque na guerra contra os noruegueses.
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Bruxas preveem que ele será rei e que seu amigo Banquo gerará reis, apesar de não ser rei.
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Macbeth e sua esposa, lady Macbeth, tramam a morte do rei Duncan para assumirem o poder.
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Macbeth mata o rei com punhais e, em seguida, mata os criados do rei, aos quais é imputada a culpa pelo crime.
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Os filhos do rei Duncan fogem, pois temem ser acusados do assassínio do pai.
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Macbeth é proclamado rei, e a ambiciosa lady Macbeth torna-se rainha.
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Para manter-se no poder, decidem matar Banquo, já que a profecia da bruxa dizia que ele geraria reis.
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O rei contrata assassinos, que matam Banquo, mas deixam Fleance, filho de Banquo, escapar.
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O fantasma de Banquo aparece para o rei Macbeth, o que perturba o monarca, cuja sanidade preocupa lady Macbeth.
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Macbeth manda assassinos para o castelo de Macduff, general do exército do rei Duncan, mas ele foi para a Inglaterra, onde estão refugiados os filhos de Duncan.
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Os assassinos matam o filho de Macduff e perseguem lady Macduff.
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Com a intervenção de Macduff, o rei da Inglaterra declara guerra contra Macbeth.
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Enquanto o marido está em batalha, lady Macbeth começa a ter crises de sonambulismo e acaba morrendo.
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No grande confronto, Macduff luta contra Macbeth no campo de batalha e corta-lhe a a cabeça fora.
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Malcolm, filho do falecido rei Duncan, assume o trono da Escócia.
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Análise da obra Macbeth
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Personagens
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Angus: general do exército.
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Assassinos.
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Banquo: nobre escocês.
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Caithness: general do exército.
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Criado de quarto de Lady Macbeth.
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Criados.
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Donalbain: filho de Duncan.
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Duncan: rei da Escócia.
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Fantasma de Banquo.
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Fleance: filho de Banquo.
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Hécate e três bruxas.
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Jovem Siward: filho de Siward.
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Lady Macbeth.
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Lady Macduff.
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Macbeth: nobre escocês.
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Macduff: general do exército.
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Malcolm: filho de Duncan.
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Menino: filho de Macduff.
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Mensageiros.
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Menteith: general do exército.
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Nobres.
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Oficiais.
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Outras aparições.
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Ross: general do exército.
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Seyton: oficial.
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Siward: duque de Northumberland.
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Soldados.
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Um médico escocês.
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Um médico inglês.
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Um porteiro.
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Um sargento.
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Um velho.
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Tempo
A peça não explicita o ano ou século em que a ação se passa. No entanto, a mesma é baseada em fatos reais. O rei Duncan I da Escócia morreu no ano 1040. Macbeth então governou de 1040 a 1057. Assim, a ação passa-se no século XI, durante a Idade Média.
De acordo com os pesquisadores Filipe Chernicharo Trindade e Maria das Graças Salgado:
No tocante à inspiração histórica para a Lady Macbeth shakespeariana, Holinshed escreve que o rei escocês que dá nome à peça toma a mão da viúva Grouch (c.1015-?), cujo esposo teria sido o governante da província de Moray (Mormaer of Moray) e um primo do próprio MacBeth [...], como o era também sua vítima, o monarca Duncan I (c.1001-1040). Consoante com o que registra o cronista, a esposa de MacBeth teria sido pivotal em levá-lo à decisão de assassinar Duncan e usurpar o trono: “Sua esposa insistiu intensamente para que ele tentasse o ato, como aquela que é mui ambiciosa, queimando em implacável desejo de carregar o nome de uma rainha” [...]. Esparsa como seja a descrição do cronista, percebe-se o rascunho fundamental da personagem imortalizada em Shakespeare: uma mulher ambiciosa e de influência sobre o esposo.
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Espaço
Os espaços da ação são:
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ato I: lugar deserto, um campo perto de Forres, charneca, palácio de Forres, castelo de Macbeth em Inverness (Escócia);
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ato II: castelo de Macbeth;
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ato III: palácio de Forres, parque com uma estrada que vai ter ao palácio, charneca;
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ato IV: caverna, castelo de Macduff em Fife, palácio do rei da Inglaterra;
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ato V: castelo em Dunsinane, planície perto de Dunsinane.
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Narrador
Por ser um texto do gênero dramático, a obra não possui um narrador.
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Ação dramática
A cena I, do ato I, ocorre em um lugar deserto. Está trovejando e relampejando quando entram três bruxas. Falam em encontrar Macbeth e saem de cena. A cena II ocorre em um campo perto de Forres. Soa o alarme. Entram o rei Duncan, Malcolm, Donalbain, Lennox e outras pessoas. E deparam-se com um sargento ferido.
Duncan pergunta quem é o ferido. Malcolm reconhece-o: “É o sargento que, como bom e intrépido soldado, me livrou do cativeiro. Salve, valente amigo! Ao rei relata quanto sabes da luta até ao momento em que saíste dela”. Ele fala da bravura de Macbeth no campo de batalha.
Estão em guerra contra a Noruega. Em seguida, a cena III ocorre em uma charneca, onde entram três bruxas sob trovões. Entram Macbeth e Banquo. Macbeth pergunta às bruxas: “Respondei, se puderdes: quem sois vós?”. Elas saúdam Macbeth, a terceira bruxa diz que ele há de ser rei mais tarde.
Sobre Banquo, ela diz: “Gerarás reis, embora rei não sejas!”. Entram Ross e Angus. Ross declara: “Macbeth, com alegria o rei as novas recebeu da vitória que obtiveste”. Diz Angus: “Aqui estamos para trazer-te os agradecimentos de nosso real senhor e te levarmos à sua frente”.
Macbeth tem grande ambição. Ele diz à parte (o que, em uma peça de teatro, é como se o personagem estivesse expressando seus pensamentos): “Se o acaso quer que eu seja rei, o acaso me poderá coroar sem que eu me mexa”. A cena IV acontece em Forres, em um quarto no palácio. Entram Duncan, Malcolm, Donalbain, Lennox e outras pessoas.
Diante de Duncan, rei da Escócia, Macbeth diz:
“O serviço e a lealdade que vos devo por si mesmos se pagam, competindo tão somente a Vossa Honra contar sempre com nossa obrigação, consistindo esta em bem servir o trono, o Estado, os filhos e os servidores, que só fazem quanto devem fazendo tudo quanto podem com relação a vosso amor e glória”.
A cena V passa-se na cidade escocesa de Inverness, no castelo de Macbeth. Lady Macbeth entra, enquanto lê uma carta. É de seu marido, que conta seu encontro com as bruxas. Entra o mensageiro e diz que o rei Duncan chegará ao castelo de Macbeth à noite. Mais tarde, Macbeth entra e diz para a esposa: “Duncan, meu caro amor, chega esta noite”.
Lady Macbeth pergunta: “E quando vai embora?”. Ao que o marido responde: “Amanhã mesmo, segundo pensa”. Ela afirma, sombriamente: “O sol, oh! nunca, nunca verá esse amanhã”. Já a cena VI acontece diante do castelo de Macbeth. Entram Duncan, Malcolm,
Donalbain, Banquo, Lennox, Macduff, Ross, Angus e outras pessoas.
O rei é recebido pela dona do castelo, a lady Macbeth. A cena VII transcorre em um quarto do castelo. Entra Macbeth, em seguida sua esposa, que lhe diz: “[O rei] Já está no fim da ceia. Por que saístes?”. O marido diz: “Perguntou por mim?”. Ela responde: “Pois ainda me fazeis essa pergunta?”.
O rei Duncan está lá para ver o heroico Macbeth, enquanto o casal trama sua morte. Porém, Macbeth mostra dúvida em seguir com o plano, mas lady Macbeth é implacável, não duvida um só momento:
Falharmos? Bastará aparafusardes vossa coragem até o ponto máximo, para que não falhemos. Quando Duncan se puser a dormir — e a rude viagem de hoje o convidará para isso mesmo — ambos os camareiros de tal modo dominarei com vinho, que a memória, essa guarda do cérebro, fumaça tão somente será e o receptáculo da razão, alambique. E quando os corpos nesse sono de porco se encontrarem, como se mortos fossem, que de coisas não faremos em Duncan indefeso, que culpas não imputaremos a esses servidores esponjas, porque fiquem responsáveis por nosso grande crime?
Tem início o segundo ato da peça. Assim, a cena I, do ato II, ocorre em um pátio no interior do castelo. Entram Banquo e Fleance, precedidos de um criado com uma tocha. Macbeth conversa com Banquo. O assassino prepara-se, fica à espera do sinal de sua esposa: “(O sino soa) Já vou; está feito. O sino me convida. Duncan, não ouças; é um chamado eterno que para o céu te leva ou para o inferno”.
A cena II passa-se no mesmo cenário. Lady Macbeth entra. O marido entra e declara: “Realizei o ato. Ouviste algum barulho?”. Matou o rei com dois punhais. A cena III ocorre no castelo. O porteiro entra. Reclama das pancadas no portão. Ao abrir, entram Macduff e Lennox.
Macduff pergunta-lhe: “Teu senhor já se levantou?”. Macbeth entra, enquanto Macduff diz: “O barulho acordou-o. Ei-lo que chega”. Lennox diz: “Nobre senhor, bom dia”. Eles estão ali para buscar o rei. Descobrem que o rei foi assassinado. Todos se mostram consternados, inclusive o casal Macbeth.
Lennox declara: “Ao que parece, foram seus próprios camareiros que o mataram. De sangue o rosto e as mãos tinham manchados, como os punhais que sem bainha achamos sobre seus travesseiros. De olhar fixo se achavam, como alheados. Não deviam ter-lhes confiado a vida de ninguém”.
Segue este diálogo:
MACBETH
Agora me arrependo de os ter morto na minha indignação.
MACDUFF
Por que o fizestes?
Anuncie aquiMACBETH
Quem sábio pode ser e estupefato, moderado e furioso, leal e neutro na mesma hora? Ninguém. A diligência do meu amor violento deixou longe a razão vagarosa. Neste ponto se achava Duncan, com sua cute branca acairelada pelo sangue de ouro; as feridas abertas pareciam brechas da natureza, adrede feitas para a entrada da ruína vastadora; além, os assassinos, embebidos da cor da profissão, monstruosamente recobertas de sangue as próprias armas... Quem poderia reprimir-se, tendo coração para amar e, nele, o brio de tornar conhecidos seus pendores?
Malcolm e Donalbain ficam desconfiados e fogem. E tem início a cena IV, que ocorre do lado de fora do castelo. Ross e um velho entram. Lamentam a morte do rei Duncan. Entra Macduff e é questionado sobre a autoria do assassinato, que responde: “Os camareiros apunhalados por Macbeth”.
Macduff diz: “Estavam subornados; os dois filhos do rei, Malcolm e Donalbain, fugiram, o que faz cair neles a suspeita”. Ele também revela que Macbeth foi proclamado rei. Assim, tem início o ato III. A cena I acontece em um quarto no palácio de Forres. Banquo entra e diz:
Tens tudo agora: és rei, Cawdor e Glamis, como as bruxas proféticas disseram. Mas temo que roubado ao jogo houvésseis. Mas foi dito também que não havia de ficar isso em tua descendência e que viria a ser raiz e tronco de numerosos reis. Se falam certo, como se deu, Macbeth, a teu respeito, por que — se tudo quanto te auguraram se tornou realidade — não hão de elas ser-me o mesmo que oráculo, deixando-me também esperançado? Mas, silêncio!
Entram o rei Macbeth, a rainha lady Macbeth, Lennox, Ross, nobres, damas e outras pessoas. Banquo informa que vai viajar à tarde. O rei pede que ele volte para uma festa. Saem todos, permanecem Macbeth e um criado. O criado sai e traz assassinos com ele. Eles estão encarregados de matar Banquo.
Sobre Banquo, você se lembra de que as bruxas “o saudaram como pai de uma série de monarcas”? Para evitar perder o trono, Macbeth decide matar Banquo. A cena II ocorre em outro quarto do mesmo palácio. Lady Macbeth e um criado entram. Ela lhe pergunta se Banquo já deixou o palácio. Ao receber a resposta afirmativa, manda o criado chamar o rei.
Macbeth entra. O casal discute a situação. A cena III acontece em um parque com uma estrada que vai ter ao palácio. Três assassinos entram e confabulam. Banquo e Pleance entram, com uma tocha. Os assassinos “atiram-se sobre Banquo”. A vítima grita: “Oh! traição! Foge, foge, bom Fleance! Podes vingar-me. Foge! Que bandido!”. E morre.
Fleance é filho de Banquo e consegue fugir. A cena IV tem lugar em um salão do palácio. Macbeth, lady Macbeth, Ross, Lennox, nobres e outras pessoas entram. É uma festa. O primeiro assassino aparece à porta. Macbeth aproxima-se da porta. O assassino revela que Banquo está morto, mas que Fleance escapou.
Em algum momento, “entra o fantasma de Banquo e se senta no lugar de Macbeth”. O rei fica assustadíssimo ao ver o fantasma. Lady Macbeth tenta contornar a situação diante da perturbação do marido. O fantasma desaparece, depois reaparece, o que provoca estas palavras do rei: “Fora, fora de minha vista! Esconda-te a terra! Os ossos tens sem vida alguma; enregelado o sangue. Não tens vista nesses olhos que tanto resplandecem”.
Lady Macbeth tenta novamente contornar a situação. Quando todos os outros saem de cena, o casal conversa e, por fim, o rei fala: “Vamos dormir; minha ilusão selvagem é muito nova; falta-lhe coragem. Somos moços demais”. A cena V tem lugar na charneca, onde as três bruxas entram, logo após um trovão, e encontram Hécate.
Hécate está zangada: “Causa não tenho, feiticeiras? Qual a razão, bisbilhoteiras, de ser Macbeth neste negócio de morte e enigmas vosso sócio, enquanto eu, dona de vós todas, que apresto sempre as negras bodas, não fui chamada a tomar parte no brilho e glória de nossa arte?”.
A cena VI acontece em um quarto no palácio de Forres. Lennox e outro nobre entram. Diz Lennox: “Direi somente que tudo se passou por modo estranho. Por Macbeth foi chorado o meigo Duncan. Que pena! Estava morto. Muito tarde saiu de casa o nosso bravo Banquo, que, podereis dizer, se assim quiserdes, Fleance matou, pois Fleance fugiu logo”.
Diz o outro nobre:
Na corte da Inglaterra vive o filho de Duncan, cuja herança verdadeira o tirano retém, e é recebido pelo piedoso Eduardo com tal graça que a má vontade da fortuna em nada do alto respeito merecido o priva. Para lá foi Macduff, a fim de ao santo rei suplicar auxílio, no sentido de estimular Northumberland e o bravo Siward, e assim, com a ajuda desses nobres — confirmando lá do alto Deus tudo isso — possamos restituir a nossas mesas os alimentos, sono a nossas noites, livrar nossos festejos e banquetes das facas sanguinárias, homenagens da lei prestar e receber as honras a que temos direito, coisas essas que nos faltam de todo. Essa notícia exasperou o rei de tal maneira que aprontando se está para uma guerra.
A cena I, do ato IV, ocorre em uma caverna. No centro dela, um caldeirão a ferver. Após um trovão, as três bruxas entram. Elas fazem bruxarias no caldeirão. Hécate entra e diz: “Muito bem feito; seu quinhão todas por isto ainda terão. Agora como elfos e fadas cantai à volta, de mãos dadas, para que o encanto se complete”.
Macbeth entra e fala: “Que fazeis, misteriosas e sombrias bruxas de meia-noite?”. Todas respondem: “Algo sem nome”. Ele tem perguntas. As bruxas invocam seus mestres para dar as respostas. Após um trovão, surge a “primeira aparição: uma cabeça, armada de capacete”. Ela adverte: “Macbeth, Macbeth, Macbeth! Toma cuidado com Macduff, acautela-te com o thane de Fife! Desobriga-me; é o bastante”.
Após trovões, surge a “segunda aparição: uma criança ensanguentada”: “Sanguinário sê sempre, ousado e resoluto, e aprende a rir do homem, porque ninguém nascido de mulher poderá, em nenhum tempo, fazer mal a Macbeth”. Mais um trovão e surge a “terceira aparição: uma criança coroada, com uma árvore na mão”.
Ela pronuncia estas palavras: “Veste a força do leão, sê orgulhoso e não te importes com quem quer que resmungue ou se rebele, ou contra ti conspire, pois vencido não há de ser Macbeth, enquanto o grande bosque de Birnam não subir contra ele ao alto Dunsinane”. Mas o rei não está satisfeito.
Ele ameaça as bruxas: “Não; é preciso satisfazer-me. Se não me fizerdes esta vontade, apenas, que uma eterna maldição vos destrua. Saber quero. Para que este caldeirão está afundando? E que barulho é esse?”. Elas então lhe mostram esta visão: “uma sequência de oito reis, tendo o último um espelho na mão; segue-o o fantasma de Banquo”.
A cena II acontece no castelo de Macduff, em Fife. Entram lady Macduff, seu filho e Ross:
LADY MACDUFF
Ele o não foi. Loucura foi a fuga; quando não pelos atos, pelo medo nos mostramos traidores.
ROSS
Anuncie aquiNão sabemos se o medo há nisso parte ou só prudência.
LADY MACDUFF
Prudência? Abandonar a esposa e os filhos, a casa, as dignidades, numa parte de onde ele mesmo foge? Não nos ama; não possui coração. A carricinha — dos passarinhos o de menor porte — em defesa da prole no seu ninho briga com a coruja. O medo é tudo, nada o amor, e a prudência é coisa alguma numa fuga assim fora de propósito.
Ross sai. Um mensageiro entra e revela a lady Macduff: “Temo que algum perigo esteja prestes a vos tocar”. Em seguida, entram assassinos e um deles lhe pergunta: “Onde está vosso esposo?”. Então ele mata o filho dela e “lady Macduff sai gritando ‘Assassínio!’ perseguida pelos assassinos”.
A cena III tem lugar na Inglaterra. Ela ocorre diante do palácio do rei. Malcolm e Macduff entram. Falam da traição de Macbeth. Entra um médico. Malcolm pergunta-lhe se o rei da Inglaterra está chegando. Ele responde: “Sim, senhor; numerosos desgraçados o auxílio dele aguardam, pois a doença de que padecem tem zombado da arte. Mas sua mão — tal é a santidade com que o céu a dotou — vai sãos deixá-los no instante de os tocar”.
O médico sai. Entra Ross e revela a Macduff: “Vosso burgo foi assaltado; vossa esposa e os filhos, mortos selvagemente. Relatar-vos como se deu, o mesmo fora ao monte de caças abatidas vosso corpo sem vida acrescentar”. Então tem início o último ato. A cena I, do ato V, tem lugar em um quarto no castelo em Dunsinane, na Escócia.
Entram um médico e uma camareira. Falam de lady Macbeth, que tem crises de sonambulismo desde que o marido foi para a guerra. Macbeth está em campanha. A camareira revela: “É um gesto habitual nela, fazer como quem lava as mãos. Já a vi continuar desse jeito durante um quarto de hora”.
A cena II ocorre em uma planíce perto de Dunsinane. Entram Menteith, Caithness, Angus, Lennox e soldados. Menteith diz: “As forças da Inglaterra já estão perto. Trá-las Malcolm, seu velho tio Siward e o valente Macduff. Arde a vingança neles todos, pois uma causa dessas fará os próprios mortos levantarem-se para o combate atroz e sanguinário”.
A cena III acontece em um quarto no castelo em Dunsinane. Entram Macbeth, o médico e outras pessoas. Enquanto veste a armadura, o rei pergunta ao médico como vai lady Macbeth. Ele responde: “Não se acha doente, propriamente, senhor, mas perseguida por
frequentes visões que do repouso de todo a têm privado”.
Na planície perto da mata de Dunsinane ocorre a cena IV. Entram Malcolm, o velho Siward e seu filho, Macduff, Menteith, Caithness, Angus, Lennox, Ross e soldados em marcha. Eles esperam sair vitoriosos. A cena V acontece no interior do castelo em Dunsinane. Entram Macbeth, Seyton e soldados.
Ouve-se um grito de mulher. Seyton sai e volta com a informação de que a rainha morreu. A cena VI tem lugar em uma planície diante do castelo em Dunsinane. Entram Malcolm, o jovem Siward, Macduff e seu exército. Macduff ordena: “Tocai logo os clarins; soprai bem forte nesses arautos de sangueira e morte”.
A cena VII passa-se em outra parte da planície. Entra Macbeth e diz: “Amarraram-me ao poste; é-me impossível fugir, sendo preciso que, como urso, aguente o ataque deles. Onde se acha quem não houvesse de mulher nascido? Esse é que eu temer devo; mais ninguém”. O jovem Siward entra. Eles lutam com espadas. O jovem é morto.
Entra Macduff. Macduff e Macbeth lutam. “Saem, lutando. Retirada. Voltam, com tambores e bandeiras, Malcolm, o velho Siward, Ross, thanes e soldados”. Depois Macduff volta, com a cabeça de Macbeth. Todos comemoram. E a peça termina assim:
MALCOLM
Não deixaremos que se passe o tempo sem que com vosso amor justemos contas e, assim, fiquemos quites com vós todos. Meu thanes e parentes, sede condes de hoje em diante, os primeiros que na Escócia tal título recebem. Quanto resta para fazer e que será plantado, segundo as próprias condições do tempo: como o repatriamento dos amigos que para longe foram, porque às malhas fugissem da astuciosa tirania; o julgamento dos cruéis ministros do carniceiro morto e sua esposa tão infernal quanto ele e que, segundo consta, pôs termo à vida com violência, por suas próprias mãos: tudo isso e quanto mais ainda for preciso, pela graça da Graça a cabo havemos de levar na medida do tempo e do lugar. Convido-vos, assim, de mui bom grado, para que em Scone me vejais coroado.
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Características da obra Macbeth
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Estrutura
A peça teatral Macbeth é dividida em cinco atos:
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I — sete cenas;
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II — quatro cenas;
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III — seis cenas;
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IV — três cenas;
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V — sete cenas.
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Estilo literário
William Shakespeare é associado ao Classicismo, estilo de época surgido na Europa, no século XVI. Tal estilo de época apresenta visão antropocêntrica, pois valoriza a racionalidade e, consequentemente, o ser humano. Isso significa que a influência religiosa é menor, enquanto a influência pagã greco-latina é predominante.
Por ser mais racional, as obras clássicas são mais filosóficas e menos emotivas. A poesia escrita por esse autor inglês apresenta características do Classicismo. Já a peça teatral Macbeth, uma das mais famosas tragédias shakespearianas, está vinculada ao teatro elisabetano.
As obras dramáticas de Shakespeare possuem elementos teocêntricos, já que o período elisabetano foi marcado por forte influência cristã. Também são elementos da obra shakespeariana: o nacionalismo, a intertextualidade, o lirismo filosófico, além de apresentar caráter humanista.
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Contexto histórico da obra Macbeth
A produção da peça teatral Macbeth sofreu influência do período renascentista, que durou do século XIV ao XVI. Esse período simbolizou o fim da Idade Média e foi marcado pela valorização da arte e da intelectualidade. Os ideais greco-latinos estavam em voga, a ciência e a racionalidade ficaram em evidência.
A escrita da obra também ocorreu sob influência do período elisabetano, quando a Inglaterra foi governada pela rainha Elizabeth I. Nesse país, os valores medievais ainda estavam bastante em voga. Já o contexto histórico em que a ação se passa é o século XI, em plena Idade Média.
A Idade Média, oficialmente, teve início em 476 e término em 1453. Durante essa época, o feudalismo era o sistema político, econômico e social. A Igreja católica detinha imenso poder e empreendeu uma luta contra os muçulmanos em sua guerra santa. Houve também a caça às bruxas, ou seja, perseguição aos hereges (opositores da fé cristã).
É nesse contexto sombrio que os reis cristãos Duncan I e Macbeth têm seus destinos definidos. Macbeth mata o rei e toma seu lugar no poder após destacar-se na luta contra o rei da Noruega. O dramaturgo recorre a um fato histórico para construir seu drama, o qual traz elementos universais como a ambição.
William Shakespeare, autor de Macbeth
O dramaturgo William Shakespeare nasceu na Inglaterra, em abril de 1564, provavelmente no dia 23. Ele foi batizado em 26 de abril de 1564. Os dados de sua vida são incertos. Porém, acredita-se que ele estudou na King’s New School, em Stratford. Mais tarde, casou-se com Anne Hathaway em 1582.
Era ator e mudou-se para Londres no final da década de 1580, onde atuou em algumas peças. Sua carreira literária teve início em 1593, com a publicação do poema épico Vênus e Adônis. Por volta de 1597, ele passou a ser respeitado como dramaturgo. Até sua morte em 23 de abril de 1616, em Stratford, ele escreveu peças teatrais para a companhia teatral The Lord Chamberlain’s Men (também conhecida como The King’s Men).
Créditos da imagem
|1| Companhia das Letras (reprodução)
Fontes
ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.
BOLOGNESI, Mário Fernando. Teatro e pensamento. Trans/Form/Ação, Marília, v. 21-22, n. 1, 1999.
BUENO, Chris. Shakespeare vive. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 68, n. 2, abr./ jun. 2016.
HOUSER, Arnold. Historia social de la literatura y del arte. Traducción de A. Tovar y F. P. Varas-Reyes. Barcelona: Labor, 1993. v. 2.
POETRY FOUNDATION. William Shakespeare. Disponível em: https://www.poetryfoundation.org/poets/william-shakespeare.
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SHAKESPEARE BIRTHPLACE TRUST. William Shakespeare: biography. Disponível em: https://www.shakespeare.org.uk/explore-shakespeare/shakespedia/william-shakespeare/william-shakespeare-biography/.
SHAKESPEARE, William. Macbeth. Tradução de Carlos Alberto Nunes. São Paulo: Melhoramentos, 1956.
TRINDADE, Filipe Chernicharo; SALGADO, Maria das Graças. Lady Macbeth: maternidade, vilania e feitiçaria. Ilha do Desterro, Florianópolis, v. 78, 2025.