Caminho de pedras

Caminho de pedras é um romance da escritora brasileira Rachel de Queiroz. Ele apresenta características do Modernismo brasileiro e mostra a realidade da personagem Noemi.

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Caminho de pedras é um romance da escritora brasileira Rachel de Queiroz. O livro é uma narrativa da segunda fase do modernismo brasileiro. Apresenta viés político e realismo social. A obra coloca em evidência o universo feminino e a situação da mulher brasileira na década de 1930.

O livro conta a história de Noemi. Ela trabalha em um estúdio de fotografia. Além disso, é casada com João Jaques (ex-militante) e mãe de Guri. Frequenta as reuniões do Partido Comunista. Ao se envolver com o jornalista comunista Roberto, ela se separa do marido e perde o emprego, pois o patrão vê sua atitude como uma espécie de desvio moral.

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Leia também: O quinze — outra famosa obra de Rachel de Queiroz

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Caminho de Pedras

  • O jornalista Roberto chega a Fortaleza, no Ceará, vindo da cidade do Rio de Janeiro.

  • Ele é membro do Partido Comunista Brasileiro e tem a função de auxiliar os companheiros na luta operária.

  • A protagonista da história, Noemi, é casada com João Jaques e mãe de um menino, o Guri.

  • Noemi trabalha em um estúdio de fotografia, onde faz o retoque de retratos.

  • Seu marido é um ex-militante, mas não se incomoda quando Noemi passa a frequentar as reuniões do Partido Comunista.

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  • Ela acaba envolvendo-se amorosamente com Roberto, que frequenta a casa dela e convive com seu marido.

  • Quando Noemi se separa para viver com Roberto, ela é discriminada pela sociedade da época (anos 1930) e perde o emprego.

  • Noemi precisa agora ser sustentada por Roberto, mas continua na militância.

  • Guri, seu filho, tem uma febre alta e acaba morrendo, enquanto Roberto é preso quando entregava panfletos do partido (que existia na clandestinidade).

  • Grávida, Noemi precisa contar com a solidariedade de um companheiro do partido, além de continuar no seu solitário caminho de pedras para sobreviver.

Análise da obra Caminho de pedras

  • Personagens

  • Argelita: militante.
  • Assis: marido de Argelita.

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  • Benevides: chefe de Noemi.

  • Filipe: guardador de livros.

  • Guiomar: amiga de Noemi.

  • Guri: filho de Noemi e João.

  • João Jaques: marido de Noemi.

  • Leonília: mãe de Filipe.

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  • Noemi: protagonista.

  • Roberto: jornalista.

  • Rufino: operário.

  • Vinte-e-um: operário.

  • Tempo

O livro Caminho de pedras foi publicado, pela primeira vez, em 1937. E a narrativa se passa nos anos 1930, durante a Era Vargas, quando o país foi governado por Getúlio Vargas, entre 1930 e 1945.

Na narrativa, predomina o tempo cronológico, ou seja, os fatos são narrados de forma linear. Porém, o narrador também mostra o universo íntimo dos personagens, de forma a trabalhar também com o tempo psicológico.

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  • Espaço

A história transcorre em Fortaleza, no estado do Ceará.

  • Narrador

A obra apresenta narrador onisciente, em terceira pessoa. Ele mostra a perspectiva da protagonista, de forma a evidenciar suas inquietações e pensamentos.

  • Enredo

O romance começa com Roberto, um jornalista, que chega à cidade de Fortaleza, com o objetivo de ajudar os revolucionários da luta operária. Noemi trabalha em um estúdio fotográfico, em que ela retoca retratos. É uma mulher que valoriza a independência. Porém, além de trabalhar fora, cuida do lar e do filho (o marido não ajuda nessas funções).

Noemi acaba conhecendo o jornalista Roberto, membro do Partido Comunista (na época, clandestino). Ele morava, anteriormente, no Rio de Janeiro e é contra o regime que se instalou no país. Mas, dentro do próprio partido, há divergências, pois há desconfianças dos operários em relação a intelectuais como Roberto.

Na militância em Fortaleza, os operários são chamados de “tamancos”, enquanto os intelectuais de “gravatas”. Noemi frequenta as reuniões do partido. Sua militância política cresce ao lado de sua amizade com Roberto. Ele passa a frequentar a casa de Noemi, onde convive com seu marido João Jaques (ex-militante, que desertou após sofrer na prisão).

Começa então um triângulo amoroso, já que Noemi e Roberto se envolvem afetivamente. Com o tempo, o vínculo entre eles se intensifica. Roberto exige que Noemi se separe do marido. Porém, ela demora a decidir-se, já que João Jaques nunca a maltratou e, além disso, eles têm um filho juntos.

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Por fim, ela se separa de João Jaques. Revoltado, ele diz que vai levar o filho com ele, o Guri. Mas acaba desistindo, deixando Guri com Noemi. O adultério e posterior separação fazem com que a protagonista seja discriminada pela sociedade conservadora da época. Ela não tem nem o apoio de sua amiga Guiomar.

Como consequência, Noemi perde o emprego. A justificativa do patrão é que, ao abandonar o marido para viver com outro homem, Noemi pode não ser considerada uma mulher respeitável pelos clientes da loja onde trabalhava. Desempregada, resta-lhe ser sustentada por Roberto.

Além disso, Guri fica doente (com febre alta) e morre. Noemi e Roberto estão distribuindo panfletos do partido quando são presos. Ela, por estar grávida, acaba sendo solta, mas fica sozinha. Seu destino então se mostra incerto. Sem trabalho, vai morar com a mãe de um dos companheiros do partido. Solitária, sem dinheiro e sem emprego, tem que aceitar trabalhar como costureira.

Assim, Noemi é punida por ser uma mulher independente que ousou amar livremente e lutar por suas convicções políticas. Nessa obra, a autora critica o patriarcalismo, o regime da época, mas também o Partido Comunista, que Rachel de Queiroz abandonou em 1932, quando seu livro João Miguel foi censurado pelo partido.

Características da obra Caminho de pedras

  • Estrutura

O romance apresenta 27 capítulos.

  • Estilo literário

A obra faz parte da segunda fase do Modernismo brasileiro. É, portanto, um romance de 1930, como eram chamados os romances dessa fase modernista. Tais narrativas apresentam caráter regionalista (no caso de Caminho de pedras, está em evidência a cultura do Ceará) e crítica sociopolítica (questões políticas como a desigualdade social e a luta de classes).

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A obra, de autoria feminina, evidencia o universo feminino a partir da protagonista Noemi, uma mulher que luta pela liberdade de pensar e de amar. Assim, o narrador mostra o lugar social reservado à mulher da época e a dificuldade dessa mulher em ocupar outros espaços além do doméstico. Por ser modernista, é também uma obra que mostra a realidade sem retoques.

Leia também: O que é um romance regionalista?

Contexto histórico da obra Caminho de pedras

O contexto histórico do romance Caminho de pedras está relacionado à realidade política do país na década de 1930, após a República Velha (período histórico que vai de 1889 a 1930). A Era Vargas, iniciada em 1930, foi marcada por um governo de cunho ditatorial, com perseguição a integrantes do Partido Comunista Brasileiro.

O partido foi declarado ilegal em 1935, após seus integrantes fazerem oposição a Getúlio Vargas, por meio da ANL (Aliança Nacional Libertadora), a qual tinha cunho antifascista. É nesse contexto que a história de Caminho de pedras ocorre. A protagonista é comunista em um período em que tal ideologia estava sendo fortemente combatida pelo governo da época.

Getúlio Vargas decretou o Estado Novo em 1937, regime ditatorial que durou até 1945, sob sua liderança. Esse período foi marcado por nacionalismo, apoio aos ideais nazifascistas, censura, mas também consolidou as leis trabalhistas, uma aparente contradição em um regime autoritário, mas que tinha o objetivo de enfraquecer a oposição política.

Rachel de Queiroz, autora de Caminho de pedras

A escritora Rachel de Queiroz. (Créditos: Arquivo Nacional | Reprodução)
A escritora Rachel de Queiroz. (Créditos: Arquivo Nacional | Reprodução)

A escritora Rachel de Queiroz nasceu na cidade de Fortaleza, no Ceará, no dia 17 de novembro de 1910. Por volta de 1918, ela e a família foram morar no Rio de Janeiro e, em seguida, na cidade de Belém do Pará. Voltaram a viver em Fortaleza no ano seguinte. Nessa cidade, a partir de 1927, Rachel de Queiroz passou a escrever para o jornal O Ceará.

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Seu primeiro romance (O quinze) foi publicado em 1930. Uma das poucas romancistas brasileiras consagradas em sua época, a escritora mudou-se para o Rio de Janeiro em 1939, onde morreu em 4 de novembro de 2003. A autora foi a primeira mulher a ser aceita na Academia Brasileira de Letras, em 1977.

Créditos da imagem:

|1| Editora Record (reprodução)

Fontes

ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.

ABL. Rachel de Queiroz: biografia. Disponível em: https://www.academia.org.br/academicos/rachel-de-queiroz/biografia.

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ABREU, Laile Ribeiro de. Representações da mulher na obra de Rachel de Queiroz. 2016. Tese (Doutorado em Estudos Literários) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016.

ALVES, Roberta Hernandes. A cesta de costura e a escrivaninha: uma leitura de gênero da obra de Rachel de Queiroz. 2005. Tese (Doutorado em Letras) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

PAIVA, Francisco Jeimes de Oliveira. Uma análise literária em Caminho de pedras, de Rachel de Queiroz: as representações políticas na construção da personagem Noemi. Humanidades e Inovação, Palmas, v. 4, n. 6, 2017.

RIBEIRO, Lilian Adriane. Conceição y Noemi: alter egos de Rachel de Queiroz. Gênero na Amazônia, Belém, n. 4, jul./ dez. 2013.

ROSA, Lauriane dos Santos. Identidade e transgressão: um estudo de gênero na obra de Rachel de Queiroz. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA, 8., 2017, Maringá. Anais [...]. Maringá: UEM, 2017.

Capa do livro Caminho de pedras, de Rachel de Queiroz.
Capa do livro Caminho de pedras, de Rachel de Queiroz, publicado pela editora Record.|1|
Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Deseja fazer uma citação?
SOUZA, Warley. "Caminho de pedras"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/caminho-de-pedras.htm. Acesso em 04 de junho de 2026.
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